Um filho não impede de usar a bicicleta

Um filho não impede de usar a bicicleta


Quando há uma conversa sobre utilizar a bicicleta como meio de transporte por norma há uma série de argumentos que são utilizados por forma a desculpar o facto de não aderir ao seu uso. Ouvem-se coisas como “o tempo é mau, já viste como chove?”, descurando o facto de temos mais de 200 dias de sol num ano em Braga.

Surge também o “ah, mas com o calor suo muito!”, e então tem que se explicar que quando usamos a bicicleta o agasalho tem que ser diferente, não precisamos de levar tanta roupa como quando vamos de carro, até porque estamos a fazer exercício físico. Temos ainda a habitual desculpa dos declives, das “cidades de altos e baixos”, “das colinas”. Só que a maior parte da população de Braga vive e desloca-se na parte plana da cidade de Braga. Não há nada como experimentar.

Com todas as desculpas e todos os argumentos, eu costumo dar o meu exemplo. (mais…)

Quatro percursos cicláveis à (re) descoberta de Guimarães

Quatro percursos cicláveis à (re) descoberta de Guimarães


É da procura crescente pelo turismo de natureza e a vontade de usufruir do património natural, arquitetónico, paisagístico e cultural, sem a degradação do mesmo, e também no seguimento do compromisso da Divisão de Turismo da Câmara Municipal de Guimarães em promover a cidade, numa estratégia conjunta de envolvimento de todos os seus operadores turísticos, que a GetGreen promove o cicloturismo.

(mais…)

Pedalar na primavera

Pedalar na primavera


O mês de março marca o início da primavera que, segundo os astrónomos, este ano terá o seu início exato às 16:00 horas do dia 20. Com a primavera vem a mudança da hora para o horário de verão, os dias mais longos, as temperaturas mais amenas e todo um agradável ambiente de cheiros e cores que são um forte convite às atividades ao ar livre, nomeadamente a uns belos passeios de bicicleta.

Felizmente, ao longo da última década, têm vindo a ser criadas diversas infraestruturas para a prática de atividades ao ar livre, possibilitando novas experiências e momentos de lazer e permitindo às pessoas usufruir do seu território. Exemplo disso são as ciclovias/ecovias criadas como infraestruturas de lazer em diversos concelhos, convidativas à prática de atividade física em contacto com um ambiente natural. No Minho, a oferta é significativa e variada, e são várias as propostas para passear em duas rodas e desfrutar do ambiente primaveril.

(mais…)

A mãe e a bicicleta

A mãe e a bicicleta


Ainda há cinco anos não sabia o que era uma bicicleta. Claro que tive uma bicicleta em criança como toda a gente. Fazia parte do currículo ser criança: andar de bicicleta, saber nadar, saber andar de baloiço. A minha primeira bicicleta foi herdada da minha irmã mais velha, era linda: roda 20, fitas nos punhos, vermelha com um daqueles selins alongados. Depois veio uma nova, presente da minha irmã com o seu primeiro salário: mais ao gosto da época, branca quadro rebaixado e um cestinho. Seria esmaltina? Não me lembro. Depois desta… bem depois desta não houve nada, foi a adolescência. Os adolescentes dos anos 90 não gostavam de bicicletas exceção feita a um punhado de bad boys que utilizava as BMX como quem andava de skate ou de patins. A bicicleta não era cool para os adolescentes, era uma reminiscência da infância que apenas haviam abandonado, quando todos querem é parecer mais velhos. E a minha história com a bicicleta fica por aqui, assim como a de tantos portugueses à exceção de algumas comunidades onde os pais ensinavam os filhos que de facto a bicicleta é um meio de transporte. Para a maioria de nós, nesta altura a bicicleta era simplesmente um brinquedo.

E a história teria ficado por aqui, se num Natal de há cinco anos, o meu marido não me tivesse entrado pela porta com uma bicicleta de presente. Desde que morávamos em Viana do Castelo que achávamos graça à ideia de comprar um par de bicicletas para passear ao fim de semana, mas nesta altura já a família havia crescido: tínhamos agora um filho de cinco anos e uma bebé de seis meses. E toda a gente sabe que os bebés não podem andar de bicicleta, certo?
E foi exatamente isso que respondi ao presente:

-Uma bicicleta? E o que é que eu faço com uma bicicleta e um bebé? Ainda por cima só uma, é para eu andar sozinha?
Lá que era bonita, era. E com bom aspeto: quadro preto com selim e punhos castanhos, geometria rebaixada, amortecedor na forqueta…

Passei algumas horas dos dias seguintes no google para tentar perceber o que fazer com uma bicicleta e um bebé. Os atrelados não me entusiasmavam porque não permitiam ver o bebé, as cadeiras traseiras para o porta cargas não eram seguras para esta idade, e alguns acessórios como os mamacharijaponeses eram impraticáveis de caros. Dei então com uma imagem de uma gazelle: cadeira à frente e cadeira atrás! Pareceu-me o ideal para um bebé. Claro que não encontrei à venda em nenhuma loja de Viana do Castelo, pelo que tive que comprar on-line. Ouvi na loja onde o meu marido tinha comprado a bicicleta, lotada de bicicletas de estrada e de montanha com vários zeros a mais que a minha: – Cadeira dianteira? Nunca vi disso!

E a minha vida mudou para sempre! Com sete meses a minha filha já tinha controlo cervical para poder andar sentada e adaptou-se formidavelmente à cadeira. Para mim, Mãe Galinha, levá-la na cadeira no meio dos meus braços era quase como levá-la ao colo. O irmão, nessa altura com cinco anos, independentizou-se das rodinhas de apoio, pois já tinha uma mãe que o acompanhava à mesma velocidade em vez de ir a pé a correr ao lado da bicicleta e a gritar: “cuidado!”

De uma forma quase natural, passámos a fazer as nossas deslocações urbanas a pé ou de bicicleta: como residimos numa rua de trânsito condicionado, a bicicleta é o único meio de transporte que nos leva até à porta de casa.
Agora sou mãe-de-três, e a minha bicicleta está como a gazelle que eu vi há tento tempo e na qual me imaginei: cadeira à frente – cadeira atrás. É difícil ter família e transportá-los de bicicleta? É, claro que sim. Há a chuva, o vento, o trânsito em excesso, a falta de infra-estruturas. Por isso qualquer medida para pacificar a estrada como a redução de velocidade para 30KM/h dentro das áreas urbanas é vista com bons olhos. Ainda me recordo o que me respondeu o meu marido quando lhe mostrei a imagem da bicicleta equipada com as duas cadeiras: “boa sorte para saíres da nossa rua”.Mas saímos! E agora as ruas são todas nossas.

Ano Novo, Desculpas Velhas

Ano Novo, Desculpas Velhas


Entramos num novo ano com a esperança que este traga boas novidades relativamente à mobilidade, especialmente para a bicicleta. Muitas são as pessoas que querem utilizar a bicicleta como meio de transporte em Braga, mas têm medo de utilizar a estrada. Esse medo é legítimo, pois (infelizmente) temos pessoas a usar o automóvel de forma excessiva (velocidades incompreensíveis para um centro da cidade) ou a olhar para as virilhas (a mexer no telemóvel). Isto cria um sentimento de insegurança para quem anda (ou quem quer andar) a pé ou de bicicleta. Por isso é que ter massa crítica no que diz respeito ao uso da bicicleta antes de ter as condições infraestruturais é muitas vezes difícil e perigoso – pois estamos a convidar as pessoas a usar a bicicleta numa infraestrutura desenhada para o carro e para o carro acelerar.

Ainda assim, o número de pessoas a utilizar a bicicleta (pelo menos em Braga) tem aumentado e, por isso, é que este terá que ser um ano de intervenções físicas na rede viária, um ano que modernize o paradigma da mobilidade existente. O Plano Nacional de Bicicletas, que contará com 200 milhões de euros, e os fundos comunitários deste quadro permitirão, certamente, levar a cabo a construção da rede ciclável de 76 km em Braga e de muitas outras redes cicláveis no país. Uma rede ciclável bem construída (sem erros crassos) tem, por si só, uma capacidade de atrair pessoas para o uso da bicicleta como meio de transporte.

Para mim será também um ano novo no que diz respeito ao uso da bicicleta. Comecei há uns anos com uma daquelas bicicletas de supermercado, sem guarda lamas, pneus de monte e muito simples. Depois montei uma estradeira, pneus fininhos, guiador estilo Volta a Portugal, mas com porta alforges. Comprei depois uma bicicleta urbana, preta, onde consigo ter uma postura mais reta: costas direitas a pedalar. Trazia guarda-lamas, guarda-corrente e porta alforges. Não satisfeito, apliquei-lhe uma caixa à frente. Ganhei 25 litros de capacidade de transporte, mais do que suficiente para as necessidades do dia a dia. No ano passado, a família cresceu e, contrariando a muito ouvida frase “agora é que vais deixar de andar de bicicleta”, comprei uma Bakfiets. A Bakfiets é uma bicicleta de carga, com uma grande caixa na frente com capacidade para 3 crianças e um peso máximo de 80 kg. Não há, portanto, motivos para não se andar de bicicleta em algumas deslocações quotidianas. Há apenas velhas e muito ouvidas desculpas.

É possível usar a bicicleta como meio de transporte nas cidades portuguesas, há soluções para quase tudo no que toca às deslocações diárias. Claro que há trabalho a fazer no que diz respeito às nossas ruas, e aí deve residir a prioridade: criar condições e fazer as obras bem-feitas, sem invenções. Por isso, este é um ano novo, um ano para pegar na bicicleta e começar a utilizá-la no dia a dia, um bocadinho de cada vez.

A primeira

A primeira


Tinha oito anos e já não acreditava no Pai Natal. Ou nunca acreditei.

Defensores do reconhecimento do trabalho árduo, os meus pais nunca permitiram que um velho gordo, vestido de vermelho e com barbas brancas, ficasse com o mérito de meses de esforço a amealhar o possível para, no dia 24 de dezembro, orgulhosamente entregarem à filha aquele embrulho especial.

Tinha oito anos e não havia embrulho. Estava à vista. Era azul e branca, mais branca do que azul. Era a minha primeira bicicleta. Uma BMX. “Bicicleta de rapaz”, ouvi alguém dizer. Mas eu não queria saber de que cor era ou se um rapaz a queria. Tinha rodas, estava ali e era minha! “Só podes tocar-lhe à meia-noite”, disseram, numa espécie de teste de tortura, e a ansiedade crescia.

(mais…)

O design adiado

O design adiado


As cidades de hoje, se alguma vez quiserem ser cidades do futuro, têm de se desenhar de uma forma inteligente e ponderada. Braga, nos anos 80 e 90 fez exatamente o contrário e, até à data, ainda não se conseguiu reverter esse desígnio de cimento e tráfego. Há erros gravíssimos de design na nossa cidade que a levam ao terceiro lugar no que toca a cidades poluídas em Portugal – uma rodovia que se comporta como uma autoestrada, uma circular que deveria ser externa e que divide a cidade em dois, túneis que trazem o trânsito pesado ao centro da cidade -, estruturas que não podem ser demolidas de um dia para o outro, mas isso não pode servir de desculpa para a inércia e é isso que temos visto no que toca a Braga – um rol de boas intenções e bonitas promessas e muito pouco chegou às ruas da cidade.

Uma das primeiras regras do bom design é a identificação do problema e não me parece que o atual executivo olhe para o trânsito de Braga como um problema a resolver. Nos últimos anos fizeram-se estudos em cima de estudos, planos e reuniões, experiências pontuais nas semanas da mobilidade, mas, em quatro anos, vimos muito pouca ação. Se a primeira regra do design é a identificação do problema, a segunda, e mais importante, é a resolução do mesmo e a esse nível, as questões de tráfego em Braga em 2013 são exatamente as mesmas em 2017. Ainda temos, como em 2013, uma rede ciclável inexistente, os mesmos raros pontos de estacionamento de bicicletas, engarrafamentos às portas de todas as escolas, alta velocidade automobilística no centro da cidade, estacionamento caótico e uma rede de transportes públicos ineficiente. Tudo na mesma e longe daquilo que seria uma Braga do futuro.

(mais…)

Mais que um vício…uma coleção!

Mais que um vício…uma coleção!


Já todos tivemos ou temos uma “mania” de colecionar o quer que seja, alguma vez na vida.

Uns começaram apenas com uma moeda rara que encontraram no sótão de casa do avô e acabaram por colecionar milhares de moedas; outros colocaram o seu primeiro “magnético” no frigorífico enquanto namoravam e já contam com boas dezenas, forrando o mesmo, já casados; há quem ainda colecione algo mais comum: selos, bilhetes de cinema, cromos, miniaturas de automóveis, aviões, barcos, etc., por coincidências de vários tipos. Todo o género de coleções, para além do gosto e prazer que dão, requerem algum local onde sejam arquivados, armazenados ou expostos! Independentemente do tamanho, os colecionadores reservam o seu espaço especial para os seus bens preciosos! Locais esses que variam entre simples caixas de sapatos ou gavetas, onde colocam os seus bens mais pequenos, e pavilhões, onde apenas cabem alguns de maior dimensão. É nesta particularidade que gostaria de me centrar, na coleção de algo com dimensões consideráveis: obviamente que será uma coleção de bicicletas!

Nesta seleção existem os mais “forretas” que optam por rechear a casa com tudo relacionado com eventos deste fantástico meio de transporte de duas rodas; há quem ocupe a garagem com peças de bicicletas, com esperança de um dia conseguir montar uma bicicleta completa; há mesmo quem colecione vários tipos de bicicletas e as utilize (este caso será particularmente o meu) e há quem crie os seus autênticos museus da bicicleta! Um exemplo de um autêntico aficionado e colecionador de bicicletas é o nosso amigo Nuno Zamaro (Zé Nuno Amaro), líder da NunoZamaro Indústrias e WISE-U Creativity Fab Lab, bem conhecido cá em Braga pelo projeto BUTE (Bicicleta UTilização Estudantil), em conjunto com a Universidade do Minho. Por incrível que pareça, poderia ter acesso a milhares de exemplares de bicicletas, mas optou por colecionar algumas que considerou com valor sentimental e autênticas obras de arte. Conta com algumas ANGEL e algumas “clássicas”. Não sabe quantas bicicletas terá ao certo, mas pensa que rondam umas dezenas. Bem, Nuno, podes sempre enviar algumas para a Braga Ciclável, para desfilar na cidade de Braga. Fica a dica!

DICAS

1. Quem não souber o que colecionar, poderá sempre tentar começar por algo simples e ver se realmente será aquilo que deseja. Quem sabe, colecionar pin´s de associações, começando pelo da Braga Ciclável?

2. Há quem colecione dorsais de eventos ou mesmo flyers ou convites. Juntem os que reuniram este verão e já poderão iniciar a vossa primeira
coleção!

Em destaque

III Braga Cycle Chic é já no dia 16 de setembro. Apareçam!

Verão em Duas Rodas

Verão em Duas Rodas


Para uma boa parte dos cidadãos, verão é sinónimo de férias, pelas quais se anseia todo o ano… e férias são sinónimo de liberdade, de dias longos (e noites!) de quebrar a rotina, conhecer novas paragens, ter liberdade de horários e de movimentos!Falando em movimentos, recordo umas férias deverão recentes no Algarve, no mês de agosto, em que a opção foi deixar o carro do dia a dia em repouso e usar uma bicicleta de dois lugares. Foi uma opção totalmente acertada! Enquanto víamos as filas de carros a entrar e a sair das praias, circulávamos sem constrangimentos, ao mesmo tempo que sentíamos que estávamos a fazer bem ao nosso organismo e ao ambiente. Víamos os rostos entediados das pessoas dentro dos carros, como se estivessem nas filas de trânsito do dia a dia, o nervosismo do estacionamento, etc. Para isso, já chega o resto do ano.

Que tal chegar ao seu destino de férias e alugar uma bicicleta ou levar a sua? O facto determos bom tempo no verão elimina todos os argumentos usados no inverno para não usar a bicicleta. Aproveite, faça algo diferente este verão: utilize mais vezes a bicicleta. Existem várias possibilidades de aluguer e o facto de ter crianças não o impede de tal, pois as soluções são várias. Que tal deixar o carro do dia a dia em repouso e trocá-lo por uma bicicleta? Talvez o seu carro também precise de férias e o seu organismo de novas sensações! Quer esteja de férias na praia, na montanha, planície ou mesmo cidade, vai gostar seguramente de sentir o sol e a brisa na pele, de uma forma que não sentirá dentro de um carro ou andando a pé. Talvez adquira o gosto e quem sabe, quando regressar a casa, ponderará utilizara bicicleta para outras coisas que nem imaginava antes!

Desafie-se e experimente. Boas férias e boas pedaladas!

DICAS

Tenho uma bicicleta na garagem parada há muito tempo, e agora?

Importante encher os pneus e verificar se há furos ou se o ar simplesmente se evaporou com o passar do tempo. Se tiver furos precisa de uma câmara de ar nova, há em qualquer loja que venda material de ciclismo. Se não quiser fazer o trabalho pode sempre procurar um garagista ou uma loja que lhe faça a revisão à bicicleta. Normalmente não fica muito caro.

Tenho que fazer muito esforço a pedalar com o calor?

Não. As bicicletas convencionais possuem mudanças e nesta altura de calor o ideal é pedalar numa mudança “mais leve”, dimensionando o esforço a fazer. Teste as mudanças, a desmultiplicação que atualmente conseguimos vai surpreendê-lo. Vai conseguir circular por ruas que achava que só com uma elétrica é que conseguiria!