Sair da caixa…

Sair da caixa…


Uma recente visita a Budapeste despertou-me a refletir sobre a forma mais autêntica de conhecer uma cidade, no que respeita à mobilidade. Cada cidade tem disponível um leque mais ou menos variado de meios de transporte e vias de comunicação. Na escolha dos consumidores pesam diversos factores como a proximidade, rapidez, preço e comodidade. Poucas vezes atentamos ao prazer da viagem e a tudo o que podemos desfrutar com a mesma.

Com 300 km de ciclovias e uma alargada rede de bicicletas partilhadas, a capital magiar coloca ao dispor de habitantes e turistas, uma muito importante forma de mobilidade. Este incremento da bicicleta na cidade, é recente, e simultâneo ao grande crescimento do número de visitantes. Existe um visível ensejo político na promoção desta forma de mobilidade, a comprovar pela existência de estruturas adequadas e pela equilibrada partilha do espaço público entre peões, ciclistas e automobilistas.

Mas então o que traz vantagem à bicicleta relativamente a outras formas de mobilidade, no que diz respeito ao conhecimento das dimensões de uma cidade?

Sentados no selim, os nossos roteiros são sempre únicos e muito mais determinados pela nossa vontade do que por roteiros rígidos e padronizados. A aproximação, quer às pessoas, quer ao ambiente circundante acarreta uma humanização muito superior aos transportes motorizados, e permite sentir o verdadeiro pulsar de uma cidade.

Entusiasma-me, o facto de terminada a nossa viagem, a bicicultura permitir transportar as dimensões referidas para a nossa cidade, possibilitando redescobrir a região onde vivemos. Podemos desta forma, substituir o ar condicionado das rotineiras viagens de automóvel, pelo ar fresco que nos toca na face como uma lufada de ar fresco diária.

De Budapeste para Braga existem diversas diferenças, com especial relevância para as condições de segurança proporcionadas aos ciclistas. Convido, portanto, todos os leitores a “sair da caixa” e a sermos eternos turistas do nosso território.

Análise do Estudo de Mobilidade e Gestão de Tráfego pela Braga Ciclável

Análise do Estudo de Mobilidade e Gestão de Tráfego pela Braga Ciclável


A Braga Ciclável fez chegar ao Município de Braga, ao abrigo do período de discussão pública do EMGTMB – Estudo de Mobilidade e Gestão de Tráfego do Município de Braga, um documento com 29 páginas contendo uma análise e algumas propostas relativas ao documento apresentado no passado mês no Museu Dom Diogo de Sousa.

O EMGTB foi contratualizado em 02 de fevereiro de 2018 por 69 mil euros à MPT – Mobilidade e Planeamento do Território e tinha como prazo de execução 365 dias.

Um primeiro reparo ao momento e ao tempo da discussão pública: o mês de dezembro. Um mês curto, com muitas atividades familiares, devido às festas e férias, o que leva a que a participação pública seja escassa e, a que existe, deixará de lado uma análise mais aprofundada que o tema merece.

Ainda assim foi possível apresentar alguma análise e contributos relativos a um documento com quase 500 páginas e que foi disponibilizado 8 dias após a sua apresentação.

Esta análise efetuada por parte da Associação levanta uma série de questões relativas ao conteúdo do documento apresentado. (mais…)

A mobilidade dos Bracarenses é mesmo para discutir?

A mobilidade dos Bracarenses é mesmo para discutir?


É natural que o leitor não saiba mas está a decorrer até dia 31 o denominado “período de discussão pública” do Plano de Mobilidade de Braga com o propósito, segundo a Câmara, de “promover a recolha de contributos e sugestões, que irão [ser] analisadas com vista à respectiva incorporação no documento”. O trânsito, ou melhor, as dificuldades de mobilidade devem ser das maiores preocupações bracarenses e, seguramente, uma das maiores razões de queixa em conversas privadas, no café ou nas redes sociais. E, apesar dessa importância nas nossas vidas, ninguém parece interessado ou sequer informado sobre a elaboração do tal plano e, ainda menos, da sua discussão pública. Terão os cidadãos razão para estarem alheados de tão importante plano?
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Cria uma nova perspetiva

Cria uma nova perspetiva


Políticas urbanas, existência de vias cicláveis, medidas de acalmia do trânsito, estacionamento de bicicletas na cidade, incentivos, integração com outros meios de transporte, utilização da bicicleta em contexto escolar, clima, topografia e mentalidades, estes são alguns dos fatores que diversos estudos apontam como influenciadores da utilização da bicicleta nas cidades.
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O exemplo de Donostia (San Sebastian)

O exemplo de Donostia (San Sebastian)


Há vários anos a cidade basca de Donostia (San Sebastian em castelhano) é apontada como um dos bons exemplos ibéricos em políticas de mobilidade. Donostia é uma cidade com 185 mil habitantes, sensivelmente a mesma população do que Braga, e é o centro de uma área metropolitana com cerca de 400 mil. No final dos anos 80 do século passado, depois de trinta anos de forte incremento no transporte automóvel, a cidade iniciou uma nova estratégia agregada de mobilidade e qualidade urbana, cujos objetivos foram não só a promoção dos modos de transporte mais sustentáveis como a devolução do espaço público aos peões.

Para tal o estacionamento foi fortemente regrado, havendo poucos lugares nos bairros centrais da cidade, onde reside a maior parte da população. Os que há são pagos, e com tempo de permanência limitado. Em alternativa existem parques subterrâneos pagos e, principalmente, os parques dissuasores gratuitos na periferia, servidos por transportes públicos. Os proveitos das taxas de estacionamento são investidos em transportes públicos, que são rápidos, frequentes, cómodos e de simples utilização.

O espaço libertado pela redução de lugares de estacionamento na via pública foi utilizado na criação de condições para que os cidadãos se pudessem deslocar de formas mais sustentáveis. Andar a pé é simples e seguro, passeios largos, muitas passadeiras e sem passagens desniveladas. Para utilizar a bicicleta, Donostia é hoje servida por cerca de 50km de ciclovias percorridas dia e noite por homens, mulheres e crianças, faça chuva ou faça sol. Aliás, a quantidade de bicicletas estacionadas na rua é enorme, parecendo que o sucesso da utilização deste meio de transporte criou necessidades que os cerca de 2000 lugares disponíveis em bicicletários não são capazes de satisfazer.

Hoje em dia, em Donostia, estima-se que cerca de 70% das deslocações são feitas a pé, de bicicleta ou de transportes públicos, em Braga este valor andará na ordem dos 45%. Este facto não piora em nada a qualidade de vida dos seus cidadãos, antes pelo contrário, menos atropelamentos, menos tempo perdido em deslocações e uma cidade mais amiga do ambiente. É isto que Donostia tem para oferecer e inspirar a quem a visita.

Braga Ciclável reuniu com Junta de Freguesia de Gualtar

Braga Ciclável reuniu com Junta de Freguesia de Gualtar


No passado dia 18 de novembro a Braga Ciclável, representada por Mário Meireles e por Arnaldo Pires, reuniu na sede da Junta de Freguesia Gualtar com o Presidente da Junta, João Vieira.

Esta reunião, que surge na sequência de um projeto da associação de reunir com todas as freguesias da cidade, começou com a Braga Ciclável a dar a conhecer a sua fundação e formalização. Deu-se também a conhecer os vários projetos que a associação tem vindo a desenvolver, nomeadamente os diversos passeios levados a cabo durante o ano, o Cycle Chic, as cicloficinas, as aulas de iniciação à bicicleta, as propostas apresentadas a empresas privadas para a instalação de bicicletários, a criação de um mapa com os percursos mais utilizados e os pontos de procura de estacionamento, as tomadas de posição junto do Município, o trabalho de colaboração efetuado com o Município quer no período do Eng. Mesquita Machado, quer no primeiro mandato do Dr. Ricardo Rio e a atenção que damos aos projetos desenvolvidos pelo Município.

Foram discutidas algumas situações mais macro, de ligações interurbanas e de possíveis soluções para alguns pontos da cidade, mostrando-se também que há uma necessidade de melhoria das placas de sinalização na saída das autoestradas e ainda da necessidade de se criarem ligações ferroviárias entre Braga – Vila Verde e Braga e as cidades do Quadrilátero, para se poder reduzir a pressão automóvel sobre a centralidade, que Braga é. Quando João Vieira defendia a supressão da central de camionagem do local atual para a deslocar para a Estação da CP, Mário Meireles defendeu que a mesma se deve manter no mesmo local para não correr o risco de matar toda a sua envolente e as ligações ao centro, como aconteceu com o Hospital, defendendo que poderia sim ser equacionada uma estação final junta da Estação CP que servisse como zona de estacionamento dos autocarros interurbanos, mas que a Estação Central de Camionagem deve continuar a funcionar como ponto de paragem, para alimentar todo o centro e toda a sua envolvente.

Foi discutida a nível da cidade a necessidade de implementar um projeto estruturante, como é aquele que está aprovado em reunião de executivo e que contempla a Rodovia e as Avenidas da Liberdade e 31 de Janeiro, bem como a requalificação da Ciclovia de Lamaçães, pois seria esse o caminho para reverter o atual paradigma em que o carro é o preferido nas deslocações diárias. Apesar de algumas questões técnicas, que o Presidente das Junta considera que deveriam ser repensadas, e talvez até mais discutidas e explanadas, este considera que a cidade precisa de ajustar a sua infraestrutura para acolher as pessoas que pretendam utilizar a bicicleta, mas, sobretudo, para dar prioridade ao Transporte Público. João Vieira considerou ainda que o eixo estação da CP – Centro da Cidade – D.Pedro V – Rua Nova de Santa Cruz – UM – Estrada Velha de Gualtar é um eixo fundamental para a mobilidade sustentável.

O Presidente da Junta de Gualtar lamentou a falta de delegação de competências que sente, e que o deixa de pés e mãos atados, no que respeita a intervenções que podiam melhorar a mobilidade. Apesar de ser uma freguesia claramente urbana, inserida na cidade, com uma grande centralidade junto da Farmácia onde diariamente se assistem a acidentes, é uma junta que continua à espera de intervenções simples como pintar as passadeiras.

Relativamente à freguesia, o presidente da junta explicou que para a estrada nacional 103, conhecida como estrada velha, está prevista uma requalificação total, numa obra que será planeada pelo Município de Braga. Disse que soube desta realidade depois de ter requerido ao Município a criação de uma rotunda na zona da farmácia de Gualtar, ponto negro da freguesia. Aproveitou para pedir que o projeto contemplasse passeios, que hoje não existem nesta via, pistas cicláveis, vias dedicadas aos autocarros e vias para automóveis que garantam uma circulação a uma velocidade adequada àquela rua. Deu nota que poderá haver um constrangimento de espaço entre os semáforos da Universidade e o antigo Mariano. Mário Meireles disse que via com bons olhos essa solução, que permitiria ligar a zona do Novainho, onde está previsto um hub, à Universidade do Minho, dando às pessoas a segurança necessária para escolherem, em consciência e sem o obstáculo da falta de segurança, o modo de transporte mais adequado à sua viagem. Disse ainda que essa intervenção potenciaria a deslocação de estudantes a residirem para zonas como a Encosta do Sol, passando assim a ter mais alternativas. O Presidente da Junta disse ainda que esta solução poderia ser benéfica para a economia local.

Mário Meireles lembrou que foi atropelado nessa recta e que, tal como ele, muitas outras pessoas foram já atropeladas na freguesia, especialmente a pé. O presidente da junta corroborou esse facto, mostrando-se preocupado com a falta de manutenção das vias e a falta de pintura das passadeiras. Criticou ainda o facto do Município se recusar a comprar uma máquina de pintar a quente, que tem um custo baixo e garante uma duração muito maior da tinta, dando exemplos de casos em que com as pinturas atuais do município, ao fim de algumas manobras e travagens de veículos, desapareceram.

Abordou-se ainda a problemática do terreno em frente ao Campus de Gualtar, que tem a estrada nacional 103 a separar o Campus desse mesmo terreno. Defendeu-se que não se pode perder essa ligação que garante capilaridade à cidade e que liga o centro de Gualtar ao centro histórico. Cortar a nacional 103 seria, para Mário Meireles, matar a freguesia e por em causa a segurança e a acessibilidade de todos, pois a única escapatória passaria a ser a Variante do Fojo, o que é impensável. O Presidente da Junta disse que aquela ligação nunca poderia ser perdida, podendo-se equacionar uma ligação em tunel daquilo que é atualmente a nacional 103 nessa zona.

Mário Meireles disse prontamente que a era dos túneis e viadutos acabou e que em toda a Europa já há muito se começaram a destruir os existentes.

Arnaldo Pires considera que se continua a focar muito no automóvel e a esquecer as pessoas e soluções que têm como foco as pessoas defendendo que a solução não pode ser a criação de tuneis ou viadutos, uma vez que isso está mais do que provado que não é solução e apenas aumenta o problema. É necessário criar melhores condições nas ruas da freguesia, melhorar as passadeiras, sobreelevando-as, iluminando-as e garantindo a sua boa manutenção. Para este dirigente é inconcebível que numa freguesia como Gualtar continue a ser difícil andar a pé, porque os passeios ou não existem, ou são pequenos ou têm barreiras que impedem uma fluidez pedonal e desconvidam as pessoas a não andarem a pé.

Ao mesmo tempo Arnaldo Pires defende que se olhe para a freguesia e se pense de que forma é que garantimos que os nossos filhos podem ir a pé, de bicicleta ou até mesmo de autocarro para as suas atividades e de que forma é que garantimos que não há atropelamentos na freguesia. Destacou ainda que a lei das acessibilidades não foi implementada na freguesia o que é lamentável. Isto porque, na ótica de Arnaldo Pires, os atropelamentos não acontecem só aos outros, hoje foi uma pessoa, amanhã poderá ser um presidente ou um ex-presidente de junta.

O Presidente da Junta disse que nunca escondeu ser automobilista, mas considera que as ruas da cidade têm que mudar para garantir a segurança de todos.

Os dirigentes da associação deixaram ainda bem claro que sabem que numa cidade há sempre 30% da população que nunca deixará de andar de carro, mas que há pelo menos 55% da população que equacionaria uma mudança nas suas viagens se as condições fossem favoráveis para essa mudança. Apontaram que o problema é que em Braga as condições convidam todos a andar de carro, repugnando e tratando mal quem não o faz.

Ficou ainda a hipótese, por parte do Presidente da Junta, de ligar o Hospital, as Sete Fontes, o Cemitério de Gualtar e a Bela Vista através de uma ecovia, promovendo também a vertente desportiva e de lazer da bicicleta.

A Braga Ciclável deixou as portas abertas para parcerias e colaborações em projetos que promovam o uso da bicicleta como modo de transporte na freguesia de Gualtar.

Quando a intolerância é tão perigosa como o carro

Quando a intolerância é tão perigosa como o carro


Há umas semanas atrás, através dos meios de comunicação social e das redes sociais, tivemos conhecimento de mais um desentendimento entre um automobilista e um ciclista. Não fossem os contornos perigosos que a situação alegadamente envolveu e seria mais um desacato como tantos outros que ocorrem diariamente, em que uma bicicleta e um carro têm de partilhar o mesmo espaço. Na referida situação, o ciclista teria chamado a atenção ao condutor do veículo, acerca do perigo que provocava ao estar a falar ao telemóvel enquanto conduzia e, após uma troca de palavras acesas, este teria tentado três vezes atropelar o ciclista, tendo destruído a sua bicicleta.

Uma situação destas tem tanto de caricata como de perigosa. Mas, é apenas mais um exemplo daquilo que se passa diariamente na nossa sociedade, em que impera o desrespeito pela circulação de velocípedes na estrada.

Repetem-se os desacatos no trânsito e os acidentes graves e menos graves entre veículos a motor e velocípedes, sem que nenhuma medida preventiva seja efetivamente aplicada. O Código da Estrada sofreu alterações permitindo aos ciclistas ocuparem o seu espaço na via pública, mas, esta concessão numa comunidade em que o predomínio do carro está tão enraizado, não produz os efeitos que se pretendem, nem nunca o fará sem que medidas de coação e infraestruturas adequadas sejam implementadas.

Bicicletas e carros podem (e têm de) circular na mesma estrada, mas, quantos veículos respeitam 1,5m de distância dos velocípedes? Quantos veículos reduzem a velocidade ao aproximarem-se dos velocípedes? Muito poucos. Diria até que apenas os que também são ciclistas o fazem (sim, porque a maioria dos ciclistas, também anda de carro), simplesmente porque não há uma aplicação visível de coimas que faça os condutores dos veículos a motor adotarem outro tipo de comportamento, nem uma lei eficaz que lhes atribua de forma imediata a responsabilidade pelo risco que o veículo e a sua potencial velocidade acarretam. Não basta a existência de uma responsabilidade civil que diz que a responsabilidade é do veículo quando na prática é a parte mais fraca que tem de o provar. Pegando no exemplo da situação inicial, com grande probabilidade terá sido o ciclista quem mais danos sofreu – físicos e materiais, ainda mais a bicicleta sendo o seu instrumento de trabalho – mas, a quem caberá fazer a prova destes danos? Ao próprio lesado. Não é difícil calcular quem mais danos sofre, quando está em causa uma colisão entre um veículo a motor e uma bicicleta, face às características de cada um destes veículos. É até ridículo que lhes queiram atribuir deveres semelhantes como o imposto de selo e o seguro. É, com certeza, o velocípede quem sofre mais danos, pelo que, deveria beneficiar de uma presunção legal de responsabilidade do veículo a motor, como tantas outras presunções que a lei confere. Apenas através da introdução na lei de uma presunção legal que atribua a responsabilidade imediata ao veículo a motor, será aberto o caminho a uma proteção efetiva dos utilizadores vulneráveis (peões e ciclistas). Até lá, e até que os dirigentes decidam definitivamente olhar para esta questão com a seriedade que ela merece implementando as estruturas há muito necessárias, os ciclistas terão de continuar a arriscar a sua vida diariamente para poderem utilizar um veículo cujos benefícios ultrapassam largamente a sua esfera pessoal.

Passeios a Pedal: Arquitectura Moderna (Desconhecida) de Braga

Passeios a Pedal: Arquitectura Moderna (Desconhecida) de Braga


Quantas vezes olhamos os edifícios que encontramos no nosso caminho e nos questionamos sobre a sua origem, sobre os seus espaços, sobre as pessoas que os habitam? Quantas vezes queremos compreender as histórias que residem para além das fachadas?

Braga possui vários exemplos de edifícios que, no seu anonimato, escondem histórias de quem os projectou e de quem lhes quis dar vida.

Com esse mote, no dia 16 de Novembro, juntar-nos-emos para uma nova edição dos PASSEIOS A PEDAL, um passeio de bicicleta que desta feita se versa sobre a “Arquitectura Moderna (Desconhecida) de Braga”, com paragem junto a obras que se tornaram referências da arquitectura do século XX, não apenas na cidade, mas para além dos seus limites.

Pela voz da Rita Martins, da Maria Tavares e do António Neves, aprenderemos mais sobre a pessoa e a obra de Moura Coutinho, no seu período tardio, Nuno Teotónio Pereira, Arménio Losa ou Souto de Moura, todos com marcas no panorama construtivo de Braga.

A participação é livre e tem como requisito que cada um traga a sua bicicleta e curiosidade. O ponto de encontro será a Praça da República, junto ao edifício do Posto do Turismo, às 15h30.

Dado o caráter informal do evento, pedimos a todos os participantes que circulem de acordo com o código da estrada e com o máximo de respeito pela sua segurança e do próximo.

Braga Ciclável reune com a Junta de Freguesia de São Vicente

Braga Ciclável reune com a Junta de Freguesia de São Vicente

No dia 04 de Novembro de 2019, a Associação Braga Ciclável reuniu com a Junta de Freguesia São Vicente, na sua sede, sendo que em representação da Braga Ciclável estiveram Arnaldo Pires e Rafael Remondes, e em representação da Freguesia esteveram Daniel Pinto e Raquel Pinto, membros do executivo.

A reunião começou com a associação a apresentar os motivos do pedido de encontro: discussão da estrutura pedonal e ciclável da freguesia; apresentação do movimento #BragaZeroAtropelamentos e do projecto Pedalo para a Escola!

A Associação defendeu a necessidade de reestruturação de alguns locais, sobretudo locais com passadeiras, começando pelo exemplo das passareiras junto da sede de freguesia que se encontram colocadas em cima das curvas , locais de menor visibilidade, que já condicionaram atropelamentos. Foi abordada a necessária implementação, urgente, da lei das acessibilidades, e discutida a necessária implementação da rede ciclável, para garantia de segurança de quem se desloca de bicicleta, na freguesia. A associação focou como necessário a ligação entre a central de camionagem e a zona pedonal, com uma zona segregada de bicicletas; assim, como a ligação das zonas residenciais, nomeadamente o bairro das Fontainhas, que se encontra em fase de implementação de Zona 30, com o centro, para que não fiquem como “ilhas sem ligação”, que não garantem, a quem ai mora, deslocar-se ativamente de bicicleta, em segurança.
Em relação ao projecto Pedalo para a Escola!, a associação apresentou o mesmo, referindo a intenção de ajudar crianças e jovens a adquirirem maior autonomia, nas deslocações pela cidade, no combate à obesidade e na envolvência na problemática das questões ambientais.
Foi destacada a falta de segurança, por excesso de velocidade praticado em determinados locais da freguesia, que impedem que os grandes bairros habitacionais permitam às crianças deslocarem-se para a escola de bicicleta.
Foi estimulada a Junta a proceder a implementação de zonas escola e pedonalização de algumas vias da freguesia, assim como à necessária revisão dos estacionamentos 5 metros antes das passadeiras.
A associação abordou o pacote técnico da Organização mundial de saúde, sobre segurança nas estradas ( Save LIVES), que onde, claramente, se destaca a necessária envolvência multidisciplinar no combate à mortalidade e sinistralidade rodoviária. Este combate começa na definição de estratégia politica e técnica, implementação das medidas e controlo da sua eficácia, assim como no necessário reforço policial para garantir o cumprimento das leis, como seja o excesso de velocidade e o estacionamento indevido.
Com base nesse documento, a associação, insistiu na necessária abordagem dos perímetros escolares, com a criação de zonas escola, que são uma mas medidas mais eficazes na redução da morbimortalidade, na seio das cidades.
Os representantes do executivo da Junta ressalvaram todos os esforços efetuados, por si, na melhorias de acessibilidades, desta que é uma das juntas de freguesia mais centrais da cidade, deixando claro que defendem que a cidade se deve preparar para que as deslocações internas sejam feitas preferencialmente a pé, de bicicleta ou de transporte público. Contudo, consideram que esse passo deve ser gradual, que a cidade foi desenvolvida com o foco no automóvel e que agora é preciso tempo para ajustar a cidade às necessárias mudanças.
Destacaram que a freguesia é uma freguesia modelo, a nível da mobilidade, com destaque para a Escola de Prevenção Rodoviária, para a implementação de Zonas Residenciais 30, passadeiras inteligentes, assim como na colaboração com o município na semana da mobilidade, com vários projetos.
Destacam que sentem serem necessários mais efectivos de policiamento, pois muitas vezes identificam estacionamentos indevidos e têm dificuldade em que se atue com a aplicação de coimas. Destacam ainda, que estão a tentar implementar a limitação de estacionamento automóvel antes das passadeiras, assim como a repintar as mesmas.
Foi valorizada a intervenção no Nó de Infias, por parte do executivo da Junta, por considerarem que a seu tempo permitirá garantir maior escoamento automóvel, de e para a cidade. Trata-se de uma obra complexa que exige concertação entre as Infraestruturas de Portugal, Município e Junta.
A Braga Ciclável mostrou-se disponível para colaborar, na medida do possível, com a Junta de Freguesia e o executivo mostrou total disponibilidade para eventuais acções da associação na freguesia.
A associação irá reunir todas as semanas com uma freguesia urbana, tendo para isso encetado contactos com todas as juntas inseridas no perímetro urbano.