Desapareceram os novos bicicletários!

Desapareceram os novos bicicletários!

Na sequência do recente envio da nossa Carta Aberta ao Presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, e ao Vereador da Gestão e Conservação do Espaço Público, João Rodrigues, cujo conteúdo aqui divulgámos no dia 13 de fevereiro, a comunicação social de imediato deu eco não só das preocupações, sugestões e questões levantadas pela Braga Ciclável, mas também do espanto de vários utilizadores da bicicleta que, face aos diversos problemas técnicos, não acreditavam que aquelas estruturas de ferro fossem mesmo bicicletários.

Numa reportagem publicada a 17 de fevereiro pelo Jornal de Notícias, o Vereador da Mobilidade, Miguel Bandeira, assumiu o “lapso técnico” em algumas estruturas dando conta de que o mesmo iria ser “corrigido“. Ao mesmo tempo, referia que a carta estava “a ser apreciada”, sublinhando que estava “atento às críticas e as que forem válidas serão alvos de retificação“.

O mesmo responsável afirmou ainda, nessa reportagem, que o atual projeto de instalação de bicicletários prevê que estes sejam instalados em 39 localizações com apenas 56 lugares. Recordamos, a este propósito, que ainda há poucos meses haviam sido publicamente prometidos 78 lugares e 75 lugares, números já de si claramente inferiores àquilo que sabemos serem as atuais necessidades da cidade.

Ficamos também a saber, por declarações de Miguel Bandeira ao JN, que os locais escolhidos terão sido determinados em colaboração com forças de segurança e com a Junta de Freguesia de São Victor e com a União de Freguesias de São José de São Lázaro e São João do Souto. Ou seja, precisamente as freguesias que ainda têm a aguardar execução as propostas vencedoras dos seus orçamentos participativos do ano 2017 (ambas referentes à criação de novos estacionamentos para bicicletas).

No passado dia 4 de março, cerca de um mês após o envio da nossa carta e duas semanas após a reportagem do JN, voltamos a receber contactos de associados nossos relatando haviam desaparecido todos os bicicletários dessas 4 novas localizações. Fomos verificar a cada um dos locais e, efetivamente, os mesmos foram cortados pelos serviços municipais dos locais onde haviam sido fixados, o que nos leva a crer que o Município terá finalmente validado as nossas críticas construtivas e reconhecido os erros que havíamos apontado na carta aberta.


A Braga Ciclável espera agora que o Município avance rapidamente com a colocação de bicicletários, repondo aqueles que haviam sido também removidos na Rua Nova de Santa Cruz, Fórum Braga e Igreja do Pópulo, e que a colocação de todos eles respeite as boas práticas, incluindo na revisão de algumas das localizações. A associação espera ainda que, neste processo, tanto o PDM, como os estudos já elaborados, bem como os manuais existentes (p.e. FPCUB) sobre a matéria – e já por diversas vezes entregues no município – sejam efetivamente respeitados.

A Braga Ciclável continuará, como sempre, disponível para colaborar com a autarquia e com qualquer entidade, instituição ou associação, com o objetivo de tornar a cidade mais amiga das pessoas que andam a pé e de bicicleta.

O culto do carro e a desproteção da parte mais fraca

O culto do carro e a desproteção da parte mais fraca

São cada vez mais frequentes os acidentes de viação que vitimam ciclistas no nosso país. Inúmeras razões estão na base deste flagelo, excesso de velocidade, infraestruturas desadequadas dentro das cidades, irresponsabilidade dos condutores, etc. Mas, perante a desproporcionalidade do risco entre um carro e um ciclista, que proteção lhes oferece a legislação portuguesa? Insuficiente diria.

Desde logo, quando ocorre um sinistro entre um veículo a motor e um ciclista, embora a lei diga que a responsabilidade é do veículo a motor, na realidade, terá de ser o ciclista a alegar e provar que os danos que sofreu resultaram desse sinistro e que o mesmo foi provocado pelo veículo a motor, de forma a obter a compensação pelos danos sofridos. Ora, isto levanta uma questão de justiça: será razoável imputar à parte mais fraca, aquela que sofre mais danos e de maior gravidade, o ónus de provar que o acidente é da responsabilidade do veículo a motor?

Esta formulação da lei, propicia a que, muitas vezes, as vítimas aguardem anos, senão quase uma década para serem ressarcidas dos danos que sofreram, quer físicos, quer materiais. Estes danos são, por vezes, consequência para incapacidades temporárias ou permanentes para trabalhar, com todos os prejuízos pessoais, familiares e sociais que essa situação acarreta.

Em diversos países europeus, mais evoluídos diria mesmo, a responsabilidade recai sobre o veículo a motor. Havendo um sinistro, este é automaticamente responsabilizado pelos danos que provocar a um ciclista e, caso entenda que não teve responsabilidade no acidente, cabe-lhe ainda provar que a responsabilidade foi do ciclista. Isto permite não só retirar o ónus da parte mais fraca, mas também, aumentar o grau de responsabilização inerente à condução de veículos a motor.

Torna-se cada vez mais urgente que a legislação acompanhe as tendências europeias em que o cidadão, que circule a pé ou de bicicleta, é mais protegido do que a máquina, sob pena de o sistema não cumprir a sua finalidade primordial, a justiça.

Orçamento Participativo Aciclável!

Orçamento Participativo Aciclável!

Nos últimos anos, surgiu uma ferramenta de participação popular, democrática, que pretende uma maior aproximação dos munícipes às decisões camarárias e resolução de variados problemas das cidades.

É interessante verificar a representatividade, nestas propostas, de ideias e projetos associados a novas vias cicláveis, ou de outras medidas de proteção, para um ciclar mais seguro.

Contudo, no orçamento participativo de Braga, por questões técnicas, ou orçamentais, nenhuma das propostas chegou à fase de votação. Estará já previsto um plano de infraestruturas cicláveis pela cidade, que ainda não terá sido executado, e todas as propostas colidiram, com tal plano, já estabelecido, em papel!

A crescente utilização de bicicletas e o número crescente de propostas para vias cicláveis, demonstram que este tema é de importância emergente. Num futuro muito breve, será necessário reformular a mobilidade da cidade, materializando os alertas e propostas já realizados sobre este assunto.

Quando não existem condições de utilização segura da bicicleta, em determinados locais, e as alternativas não são viáveis, não se pode afirmar que exista liberdade de escolha, de meio de transporte. O acesso ao hospital da cidade é um exemplo. Com pilaretes no meio das vias, se as bicicletas circularem na estrada e os carros cumprirem com a distância de segurança, o trânsito fica caótico ou a vida do ciclista em risco. 

Talvez nem tudo exija grande alçada orçamental, apenas arrojadas tomadas de decisão, técnico-políticas. Políticas de estímulo à utilização de meios de transporte ativo podem facilitar a mobilidade dos cidadãos, na cidade. Certos trajetos podem ser realizados, sem a utilização de automóvel, e substituídos por transportes públicos, bicicleta ou caminhada.

Ao contrário do que se pensa, as políticas de estímulo à utilização de transporte ativo promovem o comércio local, para além de uma qualidade de vida diferente, menor nível de ruído e poluição do ar.

As propostas cicláveis demonstraram vontades, participação cívica e democrática. Propostas, mesmo que possam não ser tecnicamente perfeitas, terão impacto junto deste, e de próximos executivos camarários, certamente. Demonstram, também, que os cidadãos pretendem uma mudança de mobilidade, para uma mobilidade sustentável, saudável e futurista.

Pela positividade da mudança, e pela democratização do transporte ativo, usemos menos o automóvel e facilitemos a deslocação segura, de quem se transporta ativamente.

Debate “A bicicleta como modo de transporte em Portugal”

Debate “A bicicleta como modo de transporte em Portugal”

A Braga Ciclável, com o apoio da Associação Comercial de Braga, organiza um debate, inserido no 4º Encontro Nacional de Grupos Promotores da Mobilidade em Bicicleta, sobre a bicicleta como modo de transporte em Portugal.

Este debate, realiza-se no auditório da Associação Comercial de Braga na sexta feira dia 22 de fevereiro de 2019 às 21:30 e será moderado pelo jornalista José Paulo Silva.

Durante 1 hora serão efetuadas apresentações por parte dos oradores convidados:

Depois das apresentações haverá um espaço de discussão com o público, onde poderão ser colocadas perguntas e efetuadas respostas.

A entrada é livre, bastando aparecer. Não é necessário efetuar inscrição.

IV Encontro Nacional de Grupos Promotores da Mobilidade Urbana em Bicicleta

IV Encontro Nacional de Grupos Promotores da Mobilidade Urbana em Bicicleta

Numa organização da associação Braga Ciclável, o 4º Encontro Nacional de Grupos Promotores da Mobilidade Urbana em Bicicleta terá lugar em Braga nos dias 22, 23 e 24 de fevereiro de 2019.

Depois de realizado em Aveiro (2016), Lisboa (2017), Guimarães (2018), o Encontro Nacional dá-se em Braga onde o tema central será a bicicleta.

Ao longo dos três dias existirá um painel dedicado à apresentação dos Grupos ou Entidades promotoras da mobilidade urbana em bicicleta e muitas novidades surgirão ao longo destes três dias.

Programa:

22 de fevereiro @ Auditório da Associação Comercial de Braga

21:30: Debate “A Bicicleta como modo de transporte em Portugal “

Oradores:

  • Gil Nadais, Secretário Geral da Abimota
  • Mário Alves, Presidente da Estrada Viva
  •  José Manuel Caetano, Presidente da FPCUB – Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta
  • Rui Igreja, Coordenador do Núcleo Nacional da MUBi

Moderado pelo jornalista José Paulo Silva.

A entrada é livre, bastando aparecer. Não é necessário efetuar inscrição.


23 de fevereiro @ Auditório da Junta de Freguesia de São Victor

  • 10:00: Registo dos Participantes
  • 10:30: Início e Boas Vindas
  • 11:00: Apresentação dos Grupos e Entidades (sessões de 3 minutos e 1 minuto para troca)
  • 11:40: Coffee Break
  • 13:00: Almoço
  • 15:00: Dinâmicas de Grupo (7 grupos, 60 minutos de trabalho e 5 minutos de apresentação das conclusões)
  • 16:30: Coffee Break
  • 20:00: Jantar

A participação é gratuita, porém carece de registo obrigatório que deve ser efetuado aqui: https://goo.gl/forms/cN9T8RQif3Ketc8k1.

24 de fevereiro

10:30 – Passeio de Bicicleta pela cidade de Braga

Para mais informações: bragaciclavel.pt/engpmub

Carta Aberta ao Presidente Ricardo Rio e ao Vereador João Rodrigues sobre os problemas com os novos bicicletários

Carta Aberta ao Presidente Ricardo Rio e ao Vereador João Rodrigues sobre os problemas com os novos bicicletários

A instalação de estacionamentos adequados para bicicletas na cidade de Braga é uma das reivindicações mais antigas da Braga Ciclável. A medida era destacada como uma das mais urgentes na Proposta Para Uma Mobilidade Sustentável, que foi lançada em 2012 e entregue ao Município e às várias forças políticas, incluindo ao então vereador Ricardo Rio.

A iniciativa serviu de mote para que, passados alguns meses, começassem a ser colocados bicicletários em alguns locais da cidade, muitos deles com elevada procura. Em 2014, após a mudança de executivo municipal, houve novas reuniões, que conduziram a uma segunda fase de colocação de suportes de estacionamento do tipo Sheffield, bem como melhoramentos ao nível da sua sinalização.

Entretanto, a partir de 2015, os planos que vinham sendo elaborados pelo Município, para colocação de bicicletários em mais locais onde fazem falta, começaram, estranhamente, a ficar na gaveta. Daí para cá, houve alguns estacionamentos para bicicletas a serem eliminados, houve propostas vencedoras de orçamentos participativos a não serem executadas, e os novos estacionamentos por que todos tanto esperávamos na cidade de Braga começaram a tardar.

Mais recentemente, aquando da apresentação da Semana Europeia da Mobilidade, o Município prometeu a colocação de 75 novos bicicletários (150 lugares) na cidade até ao final do ano de 2018. No dia 28 de setembro, encontrámos 4 suportes colocados junto a uma das entradas do edifício da Loja do Cidadão. na altura, contactámos os vereadores Miguel Bandeira e João Rodrigues, com conhecimento para o Presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, requerendo o acesso à localização dos restantes bicicletários, bem como a calendarização da sua instalação e os planos futuros de expansão do sistema de parqueamento de bicicletas, no sentido de avaliar a adequação das localizações previstas.

No dia 2 de outubro de 2018, recebemos uma resposta assinada pela Arq. Filipa Corais, da Divisão de Trânsito e Mobilidade, informando que o processo de instalação de “cerca de 75 bicicletários” estava “em curso aguardando a conclusão do processo de contratação pública” e que se estimava serem colocados “até ao final do ano”. Relativamente aos detalhes do projeto, aquela responsável afirmava que “o Município de Braga já tem o planeamento da respetiva localização destes equipamentos que será divulgado no site do município oportunamente”, declinando assim a possibilidade de consulta prévia ao projeto.

No dia 13 de dezembro a Arq. Filipa Corais apresentou publicamente, na 2ª sessão do Grupo Local da Mobilidade, as 39 localizações previstas para os (afinal) 78 bicicletários, anunciando ainda a sua colocação em 2018.

No dia 29 de janeiro começamos finalmente a receber relatos de associados e fotografias sobre algumas estruturas que estavam a ser colocadas na via pública, que apesar da falta de sinalização pareciam ser bicicletários, mas com dimensões diferentes dos já instalados em Braga.

A Braga Ciclável foi a esses locais avaliar a instalação das mesmas estruturas, cujas localizações coincidiam com algumas das apresentadas no Grupo Local, tendo verificado que havia problemas sérios ao nível das dimensões, localização e proteção dos bicicletários.

Por esses motivos, decidimos enviar uma carta aberta, cujo conteúdo transcrevemos abaixo, dirigida ao Presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, e ao Vereador da Gestão e Conservação do Espaço Público, João Rodrigues. O email seguiu na sexta feira, dia 1 de fevereiro, e aguardamos até hoje, dia 13, que o Município efetuasse as devidas correções e/ou respondesse às questões levantadas, o que até ao momento não se verificou.


Carta aberta ao
Exmo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Braga, Dr. Ricardo Rio
Exmo Senhor Vereador da Gestão e Conservação do Espaço Público, Dr. João Rodrigues

Vimos por este meio contactar-vos a propósito da instalação de bicicletários na cidade. Desde o início da instalação dos bicicletários do tipo Sheffield a partir do ano 2012, temos vindo a tentar trabalhar com o município por forma a garantir uma instalação acertada dos bicicletários, quer quanto à infraestrutura, quer quanto às localizações.

Fazemo-lo tendo sempre como fundamento as melhores práticas da matéria e utilizando manuais como justificação para tal. Ajudamos a definir as localizações do Plano de Implementação de Estacionamentos para Bicicletas em Braga, que existe na Divisão Municipal do Urbanismo – apesar de termos deixado o alerta, na altura, de que as distâncias entre infraestruturas deveriam ser maiores, tal como recomendado pelos manuais de boas práticas.

Esta semana ficamos perplexos por vermos serem instalados bicicletários que não estavam previstos nesse plano, com uma má localização e sem respeitar as dimensões recomendadas dos guias. Desta vez não fomos considerados, nem ouvidos para a colocação dos bicicletários. Pedimos acesso à localização prevista, mas recebemos uma resposta de que apenas saberíamos da localização depois desta ser divulgada pelo município e das infraestruturas serem colocadas. Uma desconsideração lamentável, que levou a erros básicos que passamos a explanar.

O suporte em si é consideravelmente mais alto (90 cm) do que o recomendado (75 cm), o que põe em causa a segurança do estacionamento dos velocípedes. Isto dificulta prender o quadro da bicicleta, que é o componente mais importante.

A distância entre suportes (80 cm) é inferior ao recomendado (120 cm), o que coloca em causa a capacidade de estacionamento que se deseja, ou seja, em cada conjunto de 2 suportes é suposto poderem estacionar 4 bicicletas, no entanto, um dos lugares pode ficar em causa com esta dimensão reduzida. É necessário que entre dois suportes caibam duas bicicletas (com ou sem alforges) mais o condutor de uma delas, enquanto a prende ou liberta.

Distância entre suportes é insuficiente. Guiadores ficam a tocar-se, não permite ter duas bicicletas e uma pessoa, não permite prender duas bicicletas com alforges.
Deveria ser de 1,20m ou, pelo menos, manter-se a distância dos suportes já instalados na cidade (1,10m).

A distância entre o suporte e as linhas de separação de estacionamento (num dos casos com apenas 20 cm!) é uma distância manifestamente abaixo do recomendado (75 cm) e que põe em causa tanto o lugar, como a segurança do veículo, bem como a integridade do suporte.

Distância para linha delimitadora de estacionamento automóvel.
Deveria ser de, pelo menos, 75 cm.

A distância entre o centro do suporte e a linha que determina o limite da faixa de rodagem (100 cm) é inferior ao recomendado (neste caso deveria ser de 150 cm), o que põe em causa a segurança dos velocípedes que aí estacionarem, uma vez que a probabilidade de as rodas serem danificadas por veículos motorizados que transitem na via pública é maior, e a colocação destes suportes deveria mitigar esse risco.

Distância entre linha de separação da via e início de suporte (deveria ser de 1,15m, para que até ao eixo do suporte fosse 1,50m).

A colocação dos suportes ao fundo da Rua de S. Marcos, atendendo às características do local e ao espaço disponível, deveria ter sido feita já na parte pedonal. Garantia maior segurança dos velocípedes aí estacionados e não levantaria problemas de dano nos suportes provocados quer pela paragem de veículos na zona de cargas e descargas, quer na saída dos veículos da zona pedonal, uma vez que os velocípedes ficam estacionados na zona do ângulo de viragem dos veículos que daí saiam. Para além disso, consideramos que a colocação dos suportes tira visibilidade à sinalética relativa ao horário de acesso à zona pedonal.

Localização retira visibilidade à sinalética, retira ângulo de manobra na saída dos veículos da zona pedonal, nem respeita as dimensões recomendadas, quer entre suportes, quer as distâncias para as linhas limitadoras das vias de trânsito e estacionamento.

Nenhum dos estacionamentos está sinalizado. Admitimos que tal ainda venha a ser feito e esteja previsto, mas fica desde já o alerta para essa necessidade.

Notem que para isto consideramos dois velocípedes convencionais. Nem estamos a considerar cargo-bikes, tandems, long-tails ou bicicletas com atrelados, cuja utilização é cada vez mais comum em Braga.

Diferenças da distância entre suportes colocados em 2013/14 e em 2019. À esquerda 110cm e à direita 80cm.

Estes suportes são semelhantes à primeira geração de suportes do tipo Sheffield que o Município colocou em 2012, mas muito mais altos e demasiado próximos uns dos outros. A partir do trabalho em conjunto, entre 2012 e 2015, conseguimos evoluir no sentido de suportes melhores e que respeitassem as normas e manuais. Foram colocados estrategicamente em locais próximos do comércio (a menos de 5 metros de lojas e a menos de 15 de shoppings, como deve acontecer), com uma barra horizontal baixa para que os cegos saibam que existe ali um obstáculo e com uma distância entre suportes de 110 cm, para garantir que ao estacionar a pessoa tenha espaço para efetuar a manobra, prender a bicicleta e sair. Esses segundos modelos foram já instalados por este executivo, pelo que se esperava agora uma normalização de suportes, que facilitasse a identificação da função prevista para estes equipamentos por parte dos potenciais utilizadores e, simultaneamente, contribuísse para a necessária homogeneidade do mobiliário urbano melhorando a imagem da cidade.

Surpreende-nos ver uma alteração como esta, que acaba sendo um retrocesso na qualidade das infra-estruturas instaladas e na política anteriormente assumida. Não faz sentido mudar o tipo de suporte, sem uma estratégia fundamentada e sem manter um design igual para melhor perceção da população relativamente à função dos suportes.

Lamentamos que a esta altura ainda estejamos a discutir as dimensões básicas da colocação dos suportes, quando podíamos estar a discutir estratégias para aumentar o uso da bicicleta em Braga como uma das alternativas reais e desejáveis ao uso do transporte individual em Braga.

Continuamos, como sempre, disponíveis para discutir previamente estas e futuras situações, de modo a evitar que se repitam erros.

Agradecendo antecipadamente a atenção de V. Exas.,

subscrevemo-nos com os nossos melhores cumprimentos,

Pela Braga Ciclável
Mário Meireles (Presidente)
Victor Domingos (Vice-Presidente)

Vontade

Vontade

Verde, sustentável, ecológico, biológico, orgânico, eco-friendly,… um conjunto de adjetivos cada vez mais presentes no nosso vocabulário e que, frequentemente associados a substantivos, parecem tornar a nossa vida melhor… cidade verde, mobilidade sustentável, transporte ecológico, produto biológico, alimento orgânico, consumo eco-friendly.

Mas o que é que estas palavras, que andam agora nas bocas do Mundo, trouxeram efetivamente de novo? Consumos mais conscientes? Deslocações mais ambientalmente responsáveis? Para uma muito pequena percentagem da população, sim. Para outra muito grande percentagem da população, nem por isso. O “verde” tornou-se moda e, não raras vezes, um “verde” que se fica apenas pelas aparências.

E as cidades são uma das vítimas destas (apenas) tendências. Cidades cujos responsáveis pelo seu planeamento estratégico se dizem empenhados no desenvolvimento de planos de mobilidade sustentável que muitas das vezes não passam do papel ou, quando postos em prática, se revelam ineficazes e, portanto, pouco úteis à função para a qual foram concebidos e executados. Redes inter-modais de transportes cujas partes se encontram desarticuladas entre si, ciclovias mal executadas que apresentam riscos para os seus utilizadores, bicicletários com dimensão e implantação disfuncionais, manutenção da prioridade dada ao automóvel, iluminação do espaço público insuficiente, são alguns dos problemas que persistem, apesar da imagem cumpridora que divulgam.

Mas quero acreditar que não o fazem propositadamente com o objetivo de defraudar o cidadão. Quero acreditar que se trata de desinformação e essa, apesar dos fundos e esforços investidos no que já está feito, pode muito bem ser gradualmente corrigida.

A desinformação exigirá vontade dos técnicos e autoridades responsáveis em procurar a informação correta onde ela existe, exigirá vontade em estudar exemplos bem sucedidos um pouco por todo o Mundo e aproveitar aquilo que pode ser aplicado ao nosso contexto, exigirá vontade de sair das suas secretárias e ir ao terreno para perceber como as pessoas vivem a rua e fazem uso do espaço que é delas e que deve ser construído com elas e para elas. É preciso vontade.

Moral Urbana

Moral Urbana

Muitas vezes os discursos de quem procura a rotura e a mudança de um paradigma instalado estão agarrados a emoções e a argumentos pouco racionais. É fácil voltar de Amesterdão e querer transformar a nossa cidade em algo similar, o problema reside no facto de estarmos a falar de casos completamente distintos. Braga apresenta percursos com algum declive, não tem infraestruturas interessantes a ligar os principais pontos da cidade para o uso do ciclismo urbano, nem tem tradição ciclável na cidade, se consideramos os últimos 30 anos. É possível depreender também que a maioria das pessoas se desloca de carro para o local de trabalho, considerando este como o melhor meio para a sua deslocação. 

 As emoções de uma experiência de mobilidade alternativa, relativamente mais adequada, provocam um discurso moralista sobre aquilo que seria melhor para todos os habitantes da cidade. A promoção de meios culturalmente alternativos é mostrada muitas vezes como a solução perfeita e absoluta, colocando-se os promotores no lugar dos justiceiros da mobilidade. Tais discursos motivacionais, que enumeram todas as vantagens de usar a bicicleta como solução de mobilidade, são uma constante por parte de quem usa a bicicleta, porém falar sobre o que corre mal pode antecipar muitos problemas aos potenciais ciclistas urbanos. 

Relativamente à minha experiência pessoal posso enumerar tudo o que correu mal: a primeira bicicleta que comprei não se mostrou suficiente para o meu percurso, comprei uma segunda bicicleta para resolver o problema de algumas subidas; as primeiras experiências no meio do trânsito correram muito mal, muitas delas com discussões pouco civilizadas com automobilistas que teimam em desconsiderar a bicicleta enquanto veículo; também a roupa, muitas vezes inadequada, foi um dos problemas – quando se anda 6/7 km de bicicleta seguidos a roupa tem que ser ajustada; utilizar uma mochila com alguma carga tornou-se igualmente problemático do ponto de vista ergonómico, torna-se, por isso, necessário escolher um sistema de carga que se adeque; em quase todas as viagens que fiz até ao momento fui ultrapassado inadequadamente comprometendo a minha segurança. 

Apesar de todas estas questões negativas, que hoje se encontram quase todas resolvidas, o balanço continua a ser positivo: a sustentabilidade económica e a promoção de uma vida menos sedentária, que a utilização da bicicleta me proporciona, determinam a minha escolha por este meio. 

Para concluir, considero que não invertemos o paradigma atual com moralismos e com falsas expectativas. Ser ciclista urbano em Braga ainda acarreta algumas condicionantes e para muitas pessoas ainda é uma solução pouco viável. A mudança vai ser feita quando todos nós formos cidadãos mais informados e sensíveis relativamente a esta temática que provocará ações políticas congruentes.

Trânsito em Braga: estamos a agravá-lo?

Trânsito em Braga: estamos a agravá-lo?

A queixa é recorrentenos últimos tempos nas redes sociais ou nas conversas de rua: o trânsito emBraga está infernal. É cada vez mais complicado circular de carro – e, porarrasto, também de transporte público. Há filas por todo o lado, mesmo fora dasditas horas de ponta, numa espécie de regresso aos anos 90.

Haverá certamente váriascausas, mas uma raramente é mencionada: os imponderados licenciamentos dedeterminado tipo de edificações.  Nos últimos tempos, por todo o concelho,tem-se acentuado o aparecimento disseminado dos mais variados drive-inse de edifícios comerciais e de serviços de todos os feitios dotados degenerosos parques de estacionamentos.  E há também os maus exemplos deiniciativa camarária: desde o Fórum, já em funcionamento, que alcatroou todo orecinto exterior até ao tristemente famoso caderno de encargos para a venda daFábrica Confiança (que permite estacionamento no subsolo!) ou a concessão de umterreno municipal em S. Victor para edificação de um ginásio com 150 lugarespara automóveis. É um continuar, hoje totalmente fora de tempo, do processo de«americanização» do urbanismo bracarense.

Todas estas soluçõesurbanísticas geram zonas sem vida. Raramente vemos alguém a chegar a esseslocais a pé porque o seu acesso foi desenhado para apenas servir os automóveis.Por regra, como os seus espaços exteriores são privados, não existem – nempodem existir – paragens de transportes públicos junto aos edifícios. E, claro,são também espaços que afugentam os ciclistas pela complexidade e perigo depedalar entre automobilistas em manobras de estacionamento, além de raramenteexistirem bicicletários. Constituem, assim, um incentivo à utilização exclusivado automóvel, mesmo em deslocações entre espaços comerciais contíguos, ao mesmotempo que aniquilam todos os demais modos de circulação, designadamente osmodos suaves. Geram, por isso, uma enorme sobrecarga na infraestrutura viária,causadora do tal trânsito infernal que vivemos.

A consequência é umacidade de habitantes com hábitos sedentários – sentados o dia quase todo,incluindo nas deslocações – e uma cidade poluída em termos ambientais, visuaise sonoros. Para conhecer o drama, desde logo a nível da saúde, que as cidadesdos EUA vivem por causa de um acumular de opções pró-automobilistas desde osanos 30 – e também os exemplos por todo o mundo das que melhor o estão a tentarresolver – vale a pena ler o excelente «Happy City» (2015), publicado pelojornalista canadiano Charles Montgomery.

Voltando a Braga, poucoadianta estabelecer metas encantadoras para um novo paradigma de mobilidade se omodelo de cidade que se licencia é feito a pensar somente em cidadãos a bordodo seu automóvel.