Trânsito em Braga: estamos a agravá-lo?

Trânsito em Braga: estamos a agravá-lo?

A queixa é recorrentenos últimos tempos nas redes sociais ou nas conversas de rua: o trânsito emBraga está infernal. É cada vez mais complicado circular de carro – e, porarrasto, também de transporte público. Há filas por todo o lado, mesmo fora dasditas horas de ponta, numa espécie de regresso aos anos 90.

Haverá certamente váriascausas, mas uma raramente é mencionada: os imponderados licenciamentos dedeterminado tipo de edificações.  Nos últimos tempos, por todo o concelho,tem-se acentuado o aparecimento disseminado dos mais variados drive-inse de edifícios comerciais e de serviços de todos os feitios dotados degenerosos parques de estacionamentos.  E há também os maus exemplos deiniciativa camarária: desde o Fórum, já em funcionamento, que alcatroou todo orecinto exterior até ao tristemente famoso caderno de encargos para a venda daFábrica Confiança (que permite estacionamento no subsolo!) ou a concessão de umterreno municipal em S. Victor para edificação de um ginásio com 150 lugarespara automóveis. É um continuar, hoje totalmente fora de tempo, do processo de«americanização» do urbanismo bracarense.

Todas estas soluçõesurbanísticas geram zonas sem vida. Raramente vemos alguém a chegar a esseslocais a pé porque o seu acesso foi desenhado para apenas servir os automóveis.Por regra, como os seus espaços exteriores são privados, não existem – nempodem existir – paragens de transportes públicos junto aos edifícios. E, claro,são também espaços que afugentam os ciclistas pela complexidade e perigo depedalar entre automobilistas em manobras de estacionamento, além de raramenteexistirem bicicletários. Constituem, assim, um incentivo à utilização exclusivado automóvel, mesmo em deslocações entre espaços comerciais contíguos, ao mesmotempo que aniquilam todos os demais modos de circulação, designadamente osmodos suaves. Geram, por isso, uma enorme sobrecarga na infraestrutura viária,causadora do tal trânsito infernal que vivemos.

A consequência é umacidade de habitantes com hábitos sedentários – sentados o dia quase todo,incluindo nas deslocações – e uma cidade poluída em termos ambientais, visuaise sonoros. Para conhecer o drama, desde logo a nível da saúde, que as cidadesdos EUA vivem por causa de um acumular de opções pró-automobilistas desde osanos 30 – e também os exemplos por todo o mundo das que melhor o estão a tentarresolver – vale a pena ler o excelente «Happy City» (2015), publicado pelojornalista canadiano Charles Montgomery.

Voltando a Braga, poucoadianta estabelecer metas encantadoras para um novo paradigma de mobilidade se omodelo de cidade que se licencia é feito a pensar somente em cidadãos a bordodo seu automóvel.

Até quando vamos ficar para trás?

Até quando vamos ficar para trás?

Andar de bicicleta é para mim a maneira mais eficiente de fazer os 4km que separam a minha casa do trabalho. No melhor caso, a viagem de carro é mais demorada do que de se a fizer de bicicleta em ritmo de passeio. Tem um custo irrisório para a carteira, para a cidade e apenas preciso do tempo de prender a corrente para a “estacionar”. Estas vantagens não são apenas sentidas por mim. A cada mês que passa, cruzo-me com cada vez mais ciclistas nas minhas deslocações diárias.

Apesar de todos os benefícios e do maior número de ciclistas na estrada, Braga ainda está longe de ser uma boa cidade para andar de bicicleta. Muitos condutores não respeitam o limite de velocidade de 50 km/h nas vias partilhadas da cidade e as ciclovias existentes são em número reduzido e ineficientes. Ou não ligam pontos de interesse, como a da encosta de Lamaçães, ou são cortadas em parte importante do seu percurso. A ciclovia da Rua Nova de Santa Cruz não tem ligação à Rua D. Pedro V, obrigando muitos ciclistas a pegar na bicicleta à mão para usar a ponte pedonal. Este é um importante percurso que liga a Universidade do Minho ao centro da cidade de Braga.
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Grupo Local da Mobilidade reunido pela 2ª vez

Grupo Local da Mobilidade reunido pela 2ª vez

No passado dia 13 de dezembro realizou-se no Museu dos Biscainhos uma sessão com alguns dos 66 membros do Grupo Local da Mobilidade e vários técnicos do Município de Braga da cidade no âmbito da elaboração do, oficialmente, “Estudo de Mobilidade e Gestão de Tráfego para a Cidade de Braga”, mas apresentado ao longo do dia como “PMUS – Plano de Mobilidade Urbana Sustentável”, reunião em que a Braga Ciclável se fez representar. O plano está a ser desenvolvido para o Município de Braga pela M-PT – Mobilidade e Planeamento do Território, uma empresa com vários projetos na área do planeamento e liderada pela Eng.ª Paula Teles.

No Grupo Local da Mobilidade, criado oficialmente a 20 de janeiro de 2017, estão representadas (para além dos técnicos municipais) as seguintes entidades:

  • ACAPO;
  • Braga Ciclável;
  • CIM Cávado;
  • Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N);
  • Grupos de investigação da Universidade do Minho;
  • Quadrilátero;
  • Guarda Nacional Republicana;
  • Polícia Municipal;
  • Polícia Segurança Pública;
  • TUB.

A sessão do dia 13 de dezembro dividiu-se em três partes, que foram de início extensamente explanadas pelo Vereador da Mobilidade, Prof. Doutor Miguel Bandeira. Na parte inicial a M-PT, pela voz da Eng.ª Paula Teles, expôs a sua visão para o Estudo de Braga, bem como os objetivos que este pretende alcançar. O objetivo do Estudo será estabelecer uma estratégia global de intervenção no âmbito da mobilidade, definindo um conjunto de medidas que promovam um modelo de mobilidade mais sustentável. Durante a apresentação por parte da M-PT foi apresentada a visão que norteia este plano para 2025 de onde faz parte um conjunto alargado de metas, estando entre elas os 10% da quota modal da bicicleta.

Em representação do município, a Chefe de Divisão do Trânsito e Mobilidade da CMB, a Arq. Filipa Corais, apresentou de forma bastante sumária vários projetos da área da mobilidade. Entre eles, foi apresentado o projeto “Eu Já Passo Aqui”, que tem intervenções em várias ruas no que diz respeito à segurança de travessias pedonais e que foi aprovado na reunião de executivo da passada sexta-feira dia 21 de dezembro e ainda projetos do PAMUS.

Foi também referido o projeto de 22 km de rede ciclável segregada, que já havia sido apresentado ao Grupo Local, não tendo sido dada nenhuma explicação quanto ao facto deste projeto não ter avançado para execução. De relembrar, que este projeto foi aprovado a 18 de dezembro de 2017 em reunião de executivo, prevendo entre 2018 e 2020 a execução de 20,22 km de ciclovias e a sua discussão pública foi anunciada para fevereiro de 2018.

Aquilo que se deu a entender nesta apresentação do dia 13 de dezembro de 2018 é que apenas vai avançar a requalificação da Ciclovia de Lamaçães e a sua extensão à Universidade, sem produzir efeito de rede ciclável segregada na cidade. Resta perguntar se um ano depois da aprovação em reunião de câmara, o projeto da rede ciclável caiu e como é que se pretende cativar as pessoas a utilizarem a bicicleta sem ruas seguras para tal?

Foi ainda dito que irá ser implementada uma rede ciclável de coexistência, dando a entender que se abandonou a rede ciclável segregada e o projeto intitulado “Projeto de Inserção Urbana de Transporte Público” elaborado pela empresa Allen PMC e adjudicado pelo valor de 74 600€ (66 600€ + 8 000€). Este projeto, apresentado na reunião do Grupo Local anterior a esta, visava trabalhos de melhoria das condições nas Avenidas da Imaculada Conceição, João XXI, João Paulo II, Liberdade, 31 de Janeiro, Dom João II, Lusíadas e de Gualtar, com segregação de via para as bicicletas, conforme se pode comprovar neste texto da autoria do município.

Foram apresentados também os locais onde serão finalmente instalados novos bicicletários, que dotarão Braga de 39 locais de estacionamento, 78 bicicletários, com uma capacidade total para 156 bicicletas. De acordo com a Arquiteta Filipa Corais, a instalação destes bicicletários deveria iniciar ainda antes do final do ano 2018. Tal não se verificou.

À parte inicial, seguiu-se uma divisão da assistência em grupos de trabalho onde, com base num questionário, foram pedidas contribuições aos participantes acerca do estado atual da mobilidade em Braga. Foi ainda possível expor algumas das nossas preocupações e propostas neste momento.

A sessão terminou com uma excelente apresentação acerca da estratégia de mobilidade de Pontevedra, uma estratégia pensada com base na construção de uma cidade para todos, homens, mulheres, crianças, novos e velhos e onde o direito ao espaço público não deve ser priorizado em relação aos privilégios dos automóveis. O caso de sucesso dos nossos vizinhos de Pontevedra já foi por nós referido diversas vezes, mostra como é possível ter uma cidade muito mais segura, sustentável e com maior qualidade de vida.

Ainda assim, não há duas cidades iguais, e o que foi feito em Pontevedra pode ser feito noutras cidades com as devidas adaptações. Por exemplo, Braga tem que ter em conta a rede de Transportes Públicos existente e ainda as necessidades no que diz respeito à mobilidade ciclável.

O Presidente do Município de Braga, Ricardo Rio, surgiu no final da sessão para o encerramento.

Posteriormente foi enviado um documento (este) que alguns dos grupos trabalharam, com algumas perguntas separadas por temas. A Braga Ciclável fez o seu trabalho de casa e enviou ao Município de Braga e à empresa contratada para elaborar o PMUS, a MPT, as suas respostas a algumas das perguntas. As respostas da Braga Ciclável podem ser consultadas aqui.

Que falta fazia uma ciclovia a subir e outra a descer na 31 de janeiro?

Que falta fazia uma ciclovia a subir e outra a descer na 31 de janeiro?

Raros são os dias que não vejo uma publicação nas redes sociais sobre o termo “bicicleta”, no entanto continua a ser uma tarefa complicada utilizar a mesma para nos deslocarmos diariamente quando não temos uma faixa específica para circular: utilizar os passeios é desagradável, pois estamos a ocupar um espaço que é destinado aos peões, utilizar a faixa de rodagem – ainda que seja obrigatório – poderá ser deveras perigoso, principalmente quando nos deparamos com automobilistas com falta de sensibilidade e respeito. Pior ainda quando se junta o factor chuva. Aí o cenário rodoviário desta cidade chega a estar separado por uma linha muito ténue daquilo que é um cenário caótico.

Para quem vive aqui há alguns anos e utiliza o carro recorrentemente consegue confirmar que este problema se tem agravado ao longo dos tempos, consequência de um progresso significativo que esta metrópole tem sofrido. É, então, necessário pensar em estratégias de circulação mais sustentáveis que permitam o crescimento da cidade.
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Que credibilidade tem o Orçamento Participativo de Braga?

Que credibilidade tem o Orçamento Participativo de Braga?

O Orçamento Participativo de Braga (OP) vem sendo alvo de duras críticas, seja quanto à pertinência deste instrumento num regime de democracia como o nosso, seja quanto à transparência de todo o processo, a começar pela análise técnica das propostas por parte dos serviços municipais. E não é para menos!

Há 3 anos, foi a votação no OP uma proposta de criação de vias cicláveis na Avenida 31 de janeiro. A proposta foi bem acolhida e passou à segunda fase, onde foi a mais votada na área de trânsito, mobilidade e segurança rodoviária. No ano seguinte, a ciclovia da 31 de janeiro conseguiu novamente avançar para a 2ª fase e melhorou a votação, acabando com mais 30% de votos do que no ano anterior.

No ano passado, contudo, os serviços municipais decidiram rejeitar duas propostas de ciclovia para a Av. 31 de janeiro e Av. Porfírio da Silva, bem como uma outra que sugeria uma extensão da ciclovia do rio Este até Ferreiros. O motivo alegado para impedir todas essas propostas de irem a votação era que, supostamente, as ciclovias já estariam previstas para execução pelo município. Até seriam boas notícias, se fosse verdade. Mas o tempo veio a mostrar que, ao fim de mais de um ano, as obras não começaram, não há concurso público à vista e os supostos projetos camarários nunca chegaram a ser apresentados publicamente.

Como se tudo isto não bastasse, este ano o problema repetiu-se e agravou-se. Havia 5 propostas no Orçamento Participativo relacionadas com melhoria de condições de segurança para quem se desloque de bicicleta na cidade de Braga, mas todas elas foram rejeitadas pelos serviços municipais antes de poderem ser submetidas a votação. Os motivos alegados continuam a ser demasiado vagos e carecem de fundamentação, como foi aliás já anteriormente demonstrado num comunicado emitido pela Braga Ciclável.

Se havia projetos municipais que justificassem o impedimento de participação no Orçamento Participativo, porque não foram dados a conhecer? Qual o motivo para impedir a toda a força, em anos consecutivos, que os cidadãos pudessem votar em novas ciclovias que tornassem mais seguras as suas deslocações diárias? E por que razão não foram tornados públicos os relatórios detalhados da análise técnica, incluindo os cálculos efetuados, que conduziram à rejeição de propostas como estas?

Afinal de contas, que credibilidade pode ter um instrumento de “democracia participativa”, como pretende ser este Orçamento Participativo, se toda essa informação continua a ser escondida dos cidadãos?…

Humanizar a cidade

Humanizar a cidade

A bicicleta tornou-se o meu principal meio de transporte. É a bicicleta que eu escolho para me deslocar na cidade de Braga. Quando algo me impede de usar a bicicleta escolho o serviço que a TUB me oferece.

Esta é a minha estratégia de mobilidade e partilho-a com o máximo de pessoas, porque considero que esta mudança multiplicada por um número suficiente tornará Braga uma cidade melhor para todos. As emoções que provocam esta minha ação evangelizadora remetem-me para momentos da minha infância: longe do alcatrão impermeável, do ar poluído, em contacto diário com a natureza e sem os atuais protecionismos exagerados por parte dos pais. Tudo isto porque o sítio onde brincava era seguro e sobretudo saudável.

Viver numa cidade não tem que ser sinónimo de ar mais poluído, de estradas entupidas com condutores cansados, sedentários, termo acondicionados.

Há a tendência recorrente em olhar para as cidades vizinhas e utilizar a expressão “não estamos assim tão mal”. No entanto, é precisamente ao contrário que devemos pensar e agir, procurando inspiração em outros locais, olhando sempre, em primeiro lugar, para a nossa cidade.

Eu não quero saber quais são as cidades que estão pior que nós (os meus pais nunca aceitaram como desculpa para o meu mau resultado, a média da turma), mas quero, sim, a possibilidade que existe de tornar a cidade de Braga equipada com tudo o que uma aldeia tem de melhor para dar: ar puro, espaços verdes para as crianças brincarem em segurança, ruas seguras e, de preferência, sem pessoas a morrer na estrada.

‘A aldeia’ a que todos recorremos aos fins de semana – o chamado ‘turismo rural’ – que traz tanta satisfação a tantas pessoas, muitas delas nem sabem bem porquê, mas a verdade é que toda a gente procura esta tranquilidade e esta infância, tão comum a muitos de nós.

Com a vontade de transpor este cenário para a realidade bracarense, somos cada vez mais. A associação Braga Ciclável, da qual eu sou associado, promove as cicloficinas que reúne ciclistas urbanos para pequenas afinações nas bicicletas e, nestes momentos, muitos são aqueles que se juntam a nós, na luta para devolver a cidade às pessoas, para devolver o ar puro às pessoas, para devolver mais espaços verdes, em vez de alcatrão, às pessoas, porque motivar uma mobilidade mais suave é sobretudo tornar as cidades mais humanas.

Há carros a mais!

Há carros a mais!

Temos assistido a um aumento de tráfego automóvel que leva a congestionamentos nas ruas. O excesso de carros numa cidade traduz-se nisso mesmo: filas. E o problema do trânsito só se resolve com melhor mobilidade a pé, de bicicleta e em transporte público, ou seja, formas de mobilidade que são muito mais eficientes em termos da ocupação do espaço público.

A cidade de Braga é constituída por 11 freguesias do concelho onde residem 126 710 pessoas. É na cidade que surgem os problemas de mobilidade. O (pequeno) congestionamento de trânsito automóvel na cidade de Braga não é novidade. Há, por exemplo, um mau encaminhamento na saída das autoestradas A11 e A3, em Celeirós, onde os automóveis que querem ir para Infias são encaminhados pela Av. Padre Júlio Fragata (8,7 km), quando deviam ser encaminhados pelo trajeto mais curto, mais rápido e mais direto – a Avenida António Macedo (6,7 km).

Mas o tráfego automóvel que sai do Concelho representa menos de 25% do tráfego automóvel, de acordo com estudos do Quadrilátero de 2013. A maior parte das viagens de automóvel são dentro da cidade. Estas são as viagens que congestionam a cidade, porque muitas vezes não é necessário, nem é eficiente, utilizar o carro nestas viagens. Em viagens até 8 km a bicicleta e o transporte público são mais eficientes. Se combinarmos estes dois modos de transporte ainda melhor. Agora imaginem que se conseguia substituir uma parte destas viagens de carro feitas dentro da cidade por viagens feitas de bicicleta e/ou de transporte público: a cidade ficava menos congestionada, porque andavam menos carros na rua e haveria menos carros estacionados a ocupar o espaço público.

Então o que é preciso para reduzir o número de pessoas a andar de carro e aumentar as que andam de bicicleta e transportes públicos? Simples, adequar a infraestrutura existente. Não, não é preciso criar mais estradas, mais túneis e mais viadutos. Aliás, dever-se-ia trabalhar no sentido de reverter a existência de túneis e viadutos na cidade, e isso só reduzindo o número de carros a circular. É necessário acalmar as ruas, reduzir as velocidades e reduzir o número de carros, sim, mas é fundamental redesenhar as ruas por forma a que exista uma infraestrutura (em muitos casos segregada) que garanta a segurança de quem pedala e que traga vantagens a quem vai dentro do autocarro.

Ricardo Rio e Miguel Bandeira prometeram 76 km de vias cicláveis, mas está quase tudo por fazer. É hora de avançar pelo menos com o Projeto de Execução de Inserção Urbana da Rede Ciclável do Centro de Braga, anunciado e aprovado pelo executivo em janeiro de 2018 e que prevê entre 2018 e 2020 a execução de 20 km de ciclovias segregadas no núcleo da cidade.

Pedalar é saudável!

Pedalar é saudável!

As cidades modernas têm evoluído para esquemas de limitação do tráfego automóvel, em prol da melhoria das acessibilidades, para peões e ciclistas, conhecido como estímulo ao transporte ativo (TA).

O TA apresenta francos benefícios para a saúde das populações, sendo que a limitação do tráfego automóvel promove a redução da poluição urbana. A poluição, tal como o sedentarismo, é, por si
só, uma causa de morte.

O ganho, em bem estar e saúde, para as populações, com esta tipologia de TA, pode ser calculado e os resultados são surpreendentes.

Existem vários estudos relacionados com o TA. Um deles aponta que Varsóvia e Praga teriam uma redução de 113 e 61 mortes, respetivamente, com um aumento para 35% de utilização de bicicleta, em todas as deslocações efetuadas pela população, como já acontece em Copenhaga. Copenhaga e Paris são consideradas cidades modelo em questão de TA. Copenhaga apresenta taxas de 35% de ciclismo, e Paris 50% de caminhada.

Em Barcelona, foi feita a comparação entre utilização combinada de carro e transportes públicos vs a utilização de transportes públicos e bicicleta, em 40% das deslocações. Encontraram-se resultados interessantes: a 2° opção pode apresentar uma redução de 98 mortes/ano, e a 1° opção, uma redução de 40.

Os benefícios em saúde, para quem se transporta de bicicleta, tem relação direta com o incremento da sua atividade física, reduzindo o risco cardiovascular, permitindo um melhor controlo do peso, do metabolismo do açúcar e das gorduras, para além da melhoria da coordenação motora.

A utilização de bicicleta tem benefícios, não só para o próprio, como também para a comunidade, dado que reduz: as emissões de CO2, melhorando a qualidade do ar; a poluição sonora; o congestionamento de tráfego, melhorando a conectividade dos transportes.

Para a implementação de políticas de TA, é importante conhecer as singularidades de cada cidade. Assim como, para incentivar a deslocação de bicicleta é importante criar condições, definir rotas, ciclovias, para deslocações seguras.

Braga é uma cidade com excelentes condições de relevo, para a utilização da bicicleta. Urge criar mais vias cicláveis, seguras, garantindo a ligação dos principais pólos da cidade; e estimular a população a utilizar a bicicleta em, pelo menos, 35% dos seus trajetos. Uma boa solução parece ser a co-utilização da bicicleta e transportes públicos, sobretudo para os locais de relevo geográfico mais elevado, como é o caso do Hospital de Braga.

De Praga a Budapeste

De Praga a Budapeste

De Praga a Budapeste por estrada são 528 Km. Por ciclovias e estradas secundárias programamos 518 km de bicicleta em autonomia, a fazer em nove etapas de 75 km cada.

O caminho foi-se fazendo, umas vezes rápido outras mais lento, não estávamos a contar com o calor abrasador, talvez inusual para esta época do ano naquelas paragens, obrigando-nos a saltar duas etapas, já que, as anteriores de montanha, com um desnível acentuado, nos tinham literalmente quebrado. A paisagem compensava o desnível, assim como a simpatia das pessoas. No total fizemos 450 km. As odisseias pelo caminho foram muitas, aventuras e desventuras que ficam por contar.

Na República Checa, até Brno, seguimos por estradas nacionais, vias partilhadas, nomeadamente a via 19, 24 e via 1. Estas, fazem-se em terreno montanhoso sempre acompanhados pela floresta centro-europeia onde nos refrescamos à sombra de ciprestes, faias, carvalhos e nogueiras. Nas áreas mais cultivadas, o lúpulo e o milho eram as culturas mais presentes, as estradas eram circundadas por árvores de fruto como macieiras, pereiras, abrunheiros e cerejeiras.
Depois de Brno e já na Eslováquia, apanhamos fragmentos da EuroVelo 9 (rota do âmbar). A rota é plana com vinhas circundantes, antes de chegar à área de paisagem protegida, a cidade cultural de Lednice-Valtice da UNESCO. Passamos também pela EuroVelo 13, apelidada de Cortina de Ferro, esta passa por todos os países que pertenceram ao pacto de Varsóvia. Aproximou-nos da época histórica que estes países viveram durante a guerra fria. No ponto em que a Áustria, a Eslováquia e a Hungria se encontram, há numerosos memoriais e marcas assinalando esse conturbado período da história europeia. Este fragmento da Hungria, faz parte da Grande Planície Húngara e a rota passa por uma paisagem encantadora com inúmeras pequenas povoações.

A EuroVelo 6 tão ansiada por nós, segue ao longo do Danúbio, era já um sinal de aproximação a Budapeste. Este segmento da Eurovelo húngara está protegido como um sítio Natura 2000, que fornece às espécies ameaçadas habitats naturais.

A Europa é anfitriã de uma extensa rede de ciclovias, num total de 15 trilhos de longa distância, chamados de rotas EuroVelo que percorrem 43 países.

Já em Budapeste e a relaxar nas termas, depois do longo percurso, tivemos duas contrariedades antes da partida, embalar as bicicletas, as companhias aéreas são rigorosas relativamente ao transporte de velocípedes e a necessidade de transportar as bicicletas para o aeroporto de Budapeste que fica a 20kms do centro da cidade. Os autocarros não permitem o transporte de bicicletas. Fomos de comboio até cerca de 15kms do aeroporto, pedalámos 5kms até ao mesmo. Depois de todas as aventuras, o trajeto foi duro o calor apertou, mas olhando para trás, surge a questão “vale a pena?” sim, se querem experimentar um turismo diferente, em permanente contacto com a natureza, conhecer gentes, degustar gastronomia, ver paisagens magnificas, esta é uma excelente forma de fugir às grandes confusões das cidades europeias que em agosto são caóticas.