A pedalar se vai ao longe

A pedalar se vai ao longe


Em maior ou menor grau, todos nós temos estado confinados no nosso lar, levando a, pelo menos, três coisas que não estávamos habituados, (1) sentirmo-nos como um pássaro numa gaiola, (2) deixarmos o carro parado alguns dias e (3) termos tempo para parar e pensar bem na vida e no actual paradigma da mobilidade ou da falta dela. Decorrente desta nova realidade, a qual ainda se vai estender por algumas semanas, tenho lido alguns comentários sobre esta temática. Um deles dizia que “nesta altura que atravessamos quem precisa de ir trabalhar, etc o mais seguro é ir de carro. Lá se vai a teoria da mobilidade”. É um comentário que espelha bem uma ideologia de endeusamento do carro, mas que não corresponde, de todo, à verdade. (mais…)

De Bicicleta contra o Coronavirus

De Bicicleta contra o Coronavirus


No meio do turbilhão de informação que todos os dias circula sobre este “vírus de coroa”, há muita coisa certa, muita coisa errada, e um sem-fim de supostos factos mais ou menos duvidosos que ora são confirmados ora são refutados. Não sendo eu especialista em saúde pública, irei abster-me de recomendações, deixando essa tarefa para quem realmente sabe do assunto. Em vez disso, vou partilhar uma experiência pessoal, relacionada com a nossa memória coletiva, e duas notícias que li esta semana e que – essas sim – têm a ver com bicicletas.

Quando eu era criança, havia uma tradição na minha aldeia, como provavelmente em muitas outras aldeias do Minho, de acender ali por alturas de janeiro umas fogueiras a São Sebastião, com ramos de loureiro cujas folhas estalavam muito ao arder. Ao mesmo tempo que ardia o loureiro, gritava-se, por entre o fumo, “Viva o Mártir São Sebastião, que nos livre da fome, da peste e da guerra!”. Lembro-me particularmente da estranheza que me causou por essa altura aquela palavra, “peste”, cujo significado eu ainda não conhecia. Os anos e as décadas foram passando, e veio-me à memória estes dias essa imagem e essas palavras, por causa do momento que vivemos – temos agora a tal peste à porta, e estamos nós mesmos a aprender a lidar com ela, numa corrida contra o tempo.

Quanto às notícias de que falava, a primeira delas dava conta de um aumento considerável no uso da bicicleta em Nova Iorque e noutras cidades americanas como alternativa ao carro, ao metro e a outros transportes, na sequência de recomendações das autoridades locais. Face aos perigos de contágio associados aos espaços fechados e sobrecarregados de pessoas, a bicicleta foi proposta e prontamente acolhida como uma alternativa por milhares de pessoas.

A outra era relativa à Dinamarca, onde as autoridades também recomendaram há dias um conjunto de alterações aos hábitos de mobilidade, também por causa do risco de contágio de COVID-19. Entre várias outras orientações, foram aconselhadas as viagens a pé ou de bicicleta como alternativas mais favoráveis para distâncias curtas.

A bicicleta parece ser, pois, uma ferramenta útil também em momentos difíceis como este que atravessamos.

A finalizar, para além de uma palavra de ânimo (nós vamos ultrapassar isto, e apesar da distância física que o vírus nos impõe, estamos mais juntos do que nunca!), gostaria apenas de lembrar e sublinhar que é fundamental acompanhar diariamente e seguir as indicações das autoridades e profissionais de saúde sobre como proceder em cada momento.

Estar do lado certo

Estar do lado certo


Estocolmo, Oslo, Copenhaga ou Amesterdão são invariavelmente usadas como exemplos de cidades cicláveis. São locais com espaços amplos para peões, reduzidas estradas para o automóvel e muitos kms de ciclovias. Transformaram-se em sítios considerados por vários rankings como dos melhores do mundo para se viver e tudo graças a opções políticas centradas nos meios suaves de transporte como a bicicleta que foram sendo consistentemente tomadas ao longo de décadas. Graças ao seu sucesso, foram seguidas por outras cidades europeias como Paris, Londres, Barcelona, Madrid ou Sevilha que optaram pelo mesmo tipo de políticas e por cá, também Lisboa decidiu seguir o mesmo caminho.
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Uma cidade diamante

Uma cidade diamante


Tinha uma vontade. Fui ao mapa e tracei a minha rota. Peguei na minha bicicleta e fui. Cheguei com a maior simplicidade com que se pode chegar a um lugar. Durante a viagem sonhei… sonhei que Braga poderia também ser um “paraíso ciclável” e que tudo ganharia outro ar. Apercebi-me tão rapidamente o quão atrasados estamos em relação ao resto da Europa. Sair de Braga para viver uns meses em Antuérpia é ser presenteada todos os dias a nível da mobilidade. Antuérpia, que em 2019, foi classificada a 4º cidade mais bike friendly pelo The Copenhagenize Index, e isso sente-se na perfeição para quem por aqui circula e reflete-se, realmente, no dia-a-dia das pessoas, com mais de 700km de ciclovias seguras e confortáveis. (mais…)

Pedalar mentalidades

Pedalar mentalidades


Escrever estas linhas é duplamente gratificante, primeiro porque partilho a minha experiência e segundo porque a minha escrita acaba por produzir reacções, umas positivas outras nem por isso. Interpretar estas mesmas reacções é fundamental para trazer à tona aquilo que é realmente mais importante e que deve ser trabalhado por aqueles que, como eu, fazem da bicicleta um dos seus meios de transporte e pugnam por uma mobilidade racional, longe da carrocefalia crónica da qual o país e Braga padecem. A mobilidade é plural, ao contrário do que nos impingem há demasiados anos. (mais…)

Diálogo precisa-se

Diálogo precisa-se


No passado dia 27 de Novembro de 2019, decorreu a apresentação do documento-síntese da Fase II do Estudo de Mobilidade e Gestão de Tráfego do Município de Braga, numa sessão pública, agendada para as 16h desse mesmo dia. Esse documento deveria, de forma imediata, ter sido sujeito a um período de discussão pública que se prolongaria até 31 de Dezembro. “Deveria”, mas não aconteceu. Só viria a ser disponibilizado a 6 de dezembro, restando três semanas para a sua apreciação e reflexão. (mais…)