Braga Ciclável reuniu com PSD

Braga Ciclável reuniu com PSD


Na sequência do recente lançamento do Movimento Cívico #BragaZeroAtropelamentos e das diversas reuniões que vem realizando nesse âmbito, a associação Braga Ciclável reuniu esta segunda-feira, dia 15 de julho, com a concelhia de Braga do Partido Social Democrata (PSD). O encontro serviu para apresentar o movimento #BragaZeroAtropelamentos e também para discutir diversos assuntos relacionados com a mobilidade pedonal e em bicicleta.

Na reunião estiveram presentes Hugo Soares, João Granja e Joaquim Barbosa, do PSD, e Arnaldo Pires, Mário Meireles, Victor Domingos, Manuela Sá Fernandes e Rafael Remondes, da associação Braga Ciclável. O presidente da Braga Ciclável, Mário Meireles, começou por traçar uma retrospetiva acerca da história, dos objetivos e do trabalho desenvolvido pela associação, referindo alguns dos seus projetos, iniciativas e reivindicações mais marcantes. Deu ainda nota do longo historial de estreita colaboração com o Município de Braga, tanto com o executivo PS como com o executivo da Coligação Juntos Por Braga.

Por sua vez, Arnaldo Pires explanou as razões que motivaram a constituição do Movimento Cívico #BragaZeroAtropelamentos, com um grupo multidiciplinar a dar suporte ao movimento que tem como ponto comum a falta de segurança ao circular a pé ou de bicicleta em Braga. Isso é comprovado com o elevado número de atropelamentos no concelho que, ao longo dos últimos anos, têm causado a morte a dezenas de pessoas, entre outros danos. Destacou, por isso, a necessidade de “focar a mobilidade nas pessoas, tornando-a mais humana e menos máquina, levando assim a uma melhoria da qualidade de vida para os Bracarenses que hoje se deparam com 1 atropelamento a cada 3 dias”.

O movimento #BragaZeroAtropelamentos tem como base a iniciativa sueca Visão Zero, que se iniciou na década de 90 do século passado, e que fez com que todo um país conseguisse em poucos anos implementar medidas concretas que levaram a uma redução drástica no número e gravidade dos atropelamentos.

Arnaldo Pires deu ainda o exemplo de outras cidades, como Bogotá ou Pontevedra e explicou que o objetivo deste movimento criado pela Braga Ciclável é levar o Município a implementar medidas que reduzam efetivamente as velocidades de circulação em meio urbano e a criar infraestruturas, incluindo vias segregadas, por forma a permitir que as deslocações a pé ou de bicicleta sejam feitas em segurança, intervindo para tal em eixos estruturantes, mas, também, junto das escolas. Sugeriu ainda que sempre que esteja prevista uma intervenção numa determinada rua da cidade, seja ela de que jurisdição for, o projeto contemple medidas que melhorem as condições para quem pretende deslocar-se a pé ou de bicicleta. Por fim deixou algumas medidas concretas a título de sugestão, como sendo fechar ao trânsito motorizado certas zonas junto das escolas, impedir fisicamente os estacionamentos junto a cruzamentos ou passadeiras, retirar contentores do lixo junto às passadeiras, segregar todos os intervenientes das ruas e intervir nos pontos críticos onde são registados atropelamentos de forma recorrente: Avenida Imaculada Conceição, Avenida João XXI, Rua Cidade do Porto, N101 – Nogueiró, e outros que estão a ser mapeados pelo movimento #BragaZeroAtropelamentos, em conjunto com as forças de segurança da cidade.

Por sua vez, o presidente da Braga Ciclável, Mário Meireles, sugeriu ainda que se reduza o número de vias de circulação na Avenida 31 de Janeiro. “Uma avenida que em 40% da sua extensão já só tem duas vias e funciona, levando inclusive a velocidades mais reduzidas”, lembrou. Recomendou também a alteração da Avenida da Liberdade, que “hoje em dia tem duas das suas cinco vias de trânsito com estacionamento em segunda fila, ou seja, a avenida funciona com 3 vias de trânsito automóvel”, e da Avenida Imaculada Conceição, que desde os “Pelames” até à Avenida da Liberdade apenas tem duas vias de circulação automóvel e também funciona. “Ao reduzir as vias vai-se conseguir reduzir o volume de automóveis e, também, uma redução da velocidade”, refere.

Avenida Imaculada Conceição – desde os “Pelames” até à Avenida da Liberdade apenas tem duas vias de circulação automóvel e funciona.

Mário Meireles reitera que as pessoas em Braga só vão passar a utilizar modos ativos se o puderem fazer em segurança, deixando ainda números sobre a realidade de cidades centradas no automóvel: no máximo, apenas 3% da população pedala em cidades sem infraestrutura segura. Assim, defende que se avance com medidas pontuais e mais rápidas de implementar, com menos custos, e que se vá avaliando o impacto das mesmas. Deixou ainda a nota para que ao se construirem as ciclovias se evite a todo o custo os erros técnicos que cidades como Guimarães e Vila Verde cometeram. “Pintar passeios de vermelho, ou com uns pictogramas, não é construir uma rede ciclável, é potenciar conflitos entre pessoas que andam a pé e de bicicleta, provocando um efeito contrário aos que se pretende, despromovendo assim a utilização destes dois modos”, alerta o presidente da Braga Ciclável.

Hugo Soares afirmou que entendia as reivindicações da Braga Ciclável, agradecendo a apresentação das propostas. Relembrou que quem decide precisa de ter uma visão mais holística que vai mais além do que as bicicletas, sendo que cabe aos eleitos tomar essas decisões, podendo estes ouvir a sociedade civil, e salientou que “esta é também uma imagem de marca deste executivo: envolver as pessoas”. Deu nota que a concelhia do PSD tentaria sensibilizar para a problemática, acreditando que o Plano de Mobilidade que o Município contratou irá solucionar as questões.

João Granja deu nota que foi aprovada por unanimidade, em sede de Assembleia de Freguesia de São Victor, uma proposta levada pela CDU, relativamente à sinistralidade rodoviária e aos atropelamentos, demonstrando assim algo que a Braga Ciclável tem vindo a defender, ou seja, que a mobilidade ativa e a segurança rodoviária é um tema transversal e que pode, e deve, gerar consensos entre todas as forças partidárias e associativas da cidade. Ao mesmo tempo, questionou qual a opinião da Braga Ciclável sobre o projeto da Requalificação da Variante da Encosta. A associação mostrou-se agradada com a requalificação, mas apreensiva com o tipo de implementação previsto para a sua expansão até à Universidade do Minho. João Granja relembrou ainda que a cidade é muito conservadora, dizendo que tem consciência que “ainda somos uma cidade que valoriza muito o automóvel, a individualidade e que ainda há algum status associado à posse do mesmo”. No entanto defendeu que é necessário dar passos sólidos, criar espaços para circulação, haver uma consciencialização das pessoas, campanhas e trabalho integrado para o uso dos modos ativos, numa lógica de progressão em várias frentes.

Rafael Remondes deu conta que a falta de rede é um problema gritante na cidade de Braga e que a requalificação e expansão não vão resolver este problema. Deu como exemplo a falta de ligação entre a Rua D.Pedro V e Rua Nova de Santa Cruz, cada vez mais utilizadas por estudantes universitários que recorrem à bicicleta para se deslocarem nesta rua, bem como a falta de ligação desde o Rio Este até à zona pedonal, frisando que hoje é nesta zona que as pessoas mais se sentem seguras a andar de bicicleta.

Joaquim Barbosa questionou a viabilidade da utilização da bicicleta na cidade de Braga devido à sua orografia e níveis de pluviosidade. Mário Meireles respondeu que em Braga existem 195 dias sem chuva, ao passo que em Utrecht apenas não chove em 130 dias e há gelo em 64 dias. Na vizinha Espanha, em San Sebastian, uma cidade que se assemelha a Braga, há 176 dias sem chuva, há mais pluviosidade total do que em Braga, e há ainda assim mais gente a pedalar do que em Braga. Quanto à orografia, frisou que em Braga 55% da população vive numa zona densa e plana, mais densa do que Amesterdão, e que 73% dessa população faz deslocações dentro da cidade. Deu ainda nota que não se pretendem extremismos ao ponto de ter toda a gente a andar de bicicleta, mas sim que possa haver a hipótese de escolher o modo mais adequando à deslocação, sem que seja necessário correr risco de vida.

Para rematar, Manuela Sá Fernandes disse que espera não ter que aguardar mais 6 anos para ver, efetivamente, alguma mudança. Os representantes do PSD garantiram que não seria o caso.

As reuniões levadas a cabo pela Braga Ciclável foram no sentido de unir esforços para acabar com os atropelamentos. A Visão Zero (isto é, o fim dos atropelamentos) é um objetivo que algumas cidades europeias já abraçaram, e a Braga Ciclável defende que Braga deve seguir esse exemplo e ambicionar uma cidade sem atropelamentos, porque todas as vidas contam.

Pedido de Reunião com o Presidente da Câmara Municipal de Braga

Pedido de Reunião com o Presidente da Câmara Municipal de Braga


A Braga Ciclável, associação pela mobilidade urbana em bicicleta, que defende uma cidade mais amiga das pessoas que andam a pé e de bicicleta, requereu uma reunião do Sr. Presidente da Câmara com representantes dos órgãos desta associação.

O pedido de reunião vem na sequência das informações tornadas públicas através de reuniões de câmara e da imprensa, relativas à mobilidade em bicicleta, nomeadamente:

  • A reconstrução da Ciclovia existente em Lamaçães e do seu prolongamento por mais 800 metros até à Universidade do Minho;
  • A aprovação de um plano plurianual de investimentos com uma variação negativa no orçamento previsto para a inserção urbana da rede Ciclavel na ordem dos 7 milhões de euros relativamente ao ano transacto;
  • O recente anúncio de uma despesa (com o apoio do governo central) de 18 milhões na promoção do transporte individual e o aparente desinvestimento de 11 milhões na rede ciclável estruturante que se traduzem num incentivo ao uso do automóvel como transporte individual;
  • A aparente falta de estratégia pública na mobilidade em bicicleta em Braga por forma a alcançar as metas propostas pelo município.

A Braga Ciclável pretende saber qual é a estratégia municipal para alcançar as metas propostas a nível municipal e a nível nacional, uma vez que o Governo declarou ser um desígnio nacional o investimento na mobilidade ativa, promovendo o andar a pé, a utilização da bicicleta e o uso dos transportes públicos.

A Braga Ciclável comunicará atempadamente conclusões desta reunião que deverá realizar-se ainda esta semana, caso haja anuência do Sr. Presidente.

Pedalar de Braga ao mar da Póvoa e mais além!

Pedalar de Braga ao mar da Póvoa e mais além!


A ecovia do rio Este deixa muito a desejar aos ciclistas. Além dos múltiplos conflitos com os peões – é uma via partilhada -, tem uns míseros 4 km de extensão o que a pedalar se faz em poucos minutos. E não é desinteressante apenas para os ciclistas adultos. Mesmo uma criança de 8 anos rapidamente se aborrece de ali pedalar. Em poucas viagens o passeio vira “seca”. Até porque é uma ecovia muito pouco estimulante: além da envolvente ser desinteressante, estabelece uma ligação entre dois não-lugares, começando no passeio da rodovia para o Bom Jesus e terminando, abruptamente, na estrada em Ponte Pedrinha. Soa demasiado a projeto sem rumo – pelo menos na vertente ciclável – e pouco mudou desde a inauguração em 2013.

E se não temos ciclovias para recreio, também não as temos para circulação na cidade pois, como temos vindo aqui a dizer, os 70km de vias prometidas não saíram do papel. Estranhamente não é difícil em países mais a norte – e até nas ex-repúblicas soviéticas – encontrarmos ciclovias com tramos de mais de 100km de extensão que servem várias cidades.

Uma boa resposta ao problema é gerar rede, interligando o pouco que vai existindo em Portugal e que resulta quase sempre da reconversão de antigas vias férreas. Assim, para os bracarenses a ciclovia mais perto com dimensão aceitável (30km) é a da antiga linha da Póvoa a Famalicão. De momento a solução é levarmos as bicicletas no comboio urbano até à Estação de Famalicão e de lá descobrirmos o início da tão mal sinalizada e conectada ciclovia. Algo que o Município de Famalicão devia urgentemente corrigir, até para a ligar ao excelente Parque da Devesa (a 1200m).

Mas Braga e Famalicão deviam pensar mais além! Aproveitando o vale do Rio Este podem estabelecer uma ligação fácil entre as duas ciclovias (assinalada na planta a pontilhado), ficando a cargo de cada município 10km. Em grande parte nem faria falta construir uma via de raiz. Poder-se-iam aproveitar os caminhos rurais já existentes próximos do rio, conectando-os e sinalizando-os. Esta ciclovia teria também a vantagem de ligar à Bosch, ao parque industrial de Celeirós, à estação de Nine, além de nos levar a Rates, à Póvoa, a Vila do Conde ou à Apúlia. E, claro, de igual forma, aproximando esses locais do centro de Braga. Quando pudermos ir ver o mar à Póvoa a pedalar em segurança então, sim, teremos algo a que poderemos chamar uma ecovia ciclável!