III Braga Cycle Chic

III Braga Cycle Chic

A terceira edição do Braga Cycle Chic, este ano integrada na Semana Europeia da Mobilidade, está agendada para o próximo dia 16 de Setembro. O evento, organizado pela Associação Braga Ciclável, com o apoio do Município de Braga, pretende mostrar como é possível utilizar a bicicleta na cidade, usando roupa do dia-a-dia.

Este ano o evento conta com uma parceria e participação muito especiais. Trata-se do NEE’d for Dance, um projeto de carácter solidário, com a finalidade de estimular e trabalhar competências motoras, cognitivas, comunicativas, afetivas e emocionais, de bebés, crianças, jovens e adultos com necessidades especiais e assim demonstrarem todo o seu potencial à sociedade. Portanto, quem melhor para nos mostrar o longo caminho a percorrer no que respeita a mobilidade inclusiva?

A participação é gratuita, mas poderá fazer um donativo para que o NEE’d for Dance possa continuar a crescer e levar esta oportunidade a cada vez mais pessoas com deficiência. Porque acreditamos que podemos mudar o mundo, pedalada a pedalada, acreditamos também que podemos mudar o mundo ajudando o próximo.

Uma tarde a passear com estilo, de bicicleta, pelo centro histórico de Braga, sempre na zona pedonal, com paragens em vários pontos da cidade, é a proposta da Braga Ciclável para celebrar a bicicleta como meio de transporte após cerca de 250 pessoas terem marcado presença na segunda edição. Quem não tiver bicicleta, poderá reservar uma antecipadamente.

ATENÇÃO:

Inscrição gratuita, mas obrigatória, em: www.eventbrite.pt/e/bilhetes-iii-braga-cycle-chic-36975676243

Ciclovia de Lamaçães tem um novo projeto de reformulação

Ciclovia de Lamaçães tem um novo projeto de reformulação

No passado dia 25 de Agosto de 2017, às 21h30, realizou-se na sede da União de Freguesias de Nogueiró e Tenões uma sessão informativa sobre um projeto municipal de reformulação da Ciclovia da Variante da Encosta, vulgarmente conhecida como Ciclovia de Lamaçães. A Braga Ciclável esteve presente na assistência, para conhecer os planos, tendo tomado nota de alguns detalhes divulgados sobre o projeto.

Esta sessão foi guiada pelo presidente da União de Freguesias, Dr. João Tinoco, que explicou, perante alguns moradores, comerciantes e utilizadores das ruas a serem intervencionadas, as principais alterações afetas ao projeto. Foram apresentadas plantas do projeto, ficando contudo a faltar a memória descritiva, fundamental para se perceber algumas das opções tomadas e alguns pontos mais dúbios. O Presidente da União de Freguesias mencionou ainda que o projeto, que a Câmara Municipal de Braga lhe fez chegar, foi elaborado pela empresa ALLEN Project Management Consulting Lda.

Em síntese, a ciclovia de Lamaçães será toda reformulada. Pretende-se diminuir os pontos de interseção entre ciclistas e lugares de estacionamento, reformular as rotundas e estender a ciclovia até à Universidade do Minho. Para além disso, o projeto prevê ainda a melhoria das condições pedonais, por forma a ser respeitada a lei das acessibilidades, bem como a introdução de algumas melhorias no que diz respeito às paragens BUS. Serão, para tal, eliminados e reordenados vários lugares de estacionamento.

Nas zonas onde o potencial conflito entre ciclista-peão e ciclista-automobilista é maior, o projeto prevê que a ciclovia seja pintada de cor de tijolo. Nos locais onde a ciclovia está ao nível da estrada, balizada com recurso a armadilhos, não está previsto haver cor na ciclovia, que será assinalada apenas com o pictograma do velocípede.

Armadilhos – O que são?

Os “armadilhos” são assim conhecidos dada a sua semelhança com o animal com o mesmo nome (Armadilho ou tatu, em português) que possui carapaça grossa. São separadores robustos em borracha reciclada com bandas refletoras. Possuem grande resistência mecânica e fazem parte das medidas de segregação “leve”, uma vez que é possível serem transponíveis por um automóvel ou qualquer outro veículo motorizado. A ZICLA, uma empresa de Barcelona, possui três tipos de “armadillos”, a que chamam de sistema ZEBRA, com alturas diferentes: 5 cm, 9 cm e 13 cm. Para além desta infraestrutura possuem ainda o sistema ZIPPER, também ele em borracha reciclada com bandas refletoras.

A Zicla diz que já tem instalado o sistema ZEBRA em 255 km de pistas cicláveis segregadas exclusivas.

Uma das grandes alterações é nas intersecções giratórias, vulgarmente conhecidas como rotundas. Atualmente, nesses locais, a ciclovia está totalmente desprotegida da via automóvel, colocando riscos de segurança e dando azo a que muitos automobilistas estacionem, inclusive, o seu automóvel em cima da ciclovia. Neste projeto está prevista a reformulação de todas as rotundas, passando a ciclovia a estar fisicamente separada com uma zona ajardinada.

Há também duas alterações no que diz respeito aos locais onde atualmente existe estacionamento automóvel junto à ciclovia. Em certas situações, o projeto opta por haver uma troca entre o estacionamento e a ciclovia, passando a ciclovia a estar junto ao passeio. Noutras situações, o estacionamento mantém-se entre o passeio e a ciclovia, mas este passa a ser paralelo à via e é criada uma rua que dá acesso a esse estacionamento, sendo que a ciclovia apenas é atravessada em dois pontos, um de entrada e outro de saída deste “arruamento interno” com estacionamento. Nesta zona o desenho do projeto indica que a ciclovia fica protegida de ambos os lados, ficando assim um canal completamente segregado, mas… entre duas vias.

Na planta do projeto, estão ainda previstos alguns pontos de estacionamento para bicicletas, que substituirão lugares de estacionamento automóvel.

Das questões levantadas de entre as 18 pessoas presentes na sessão, destacaram-se principalmente duas preocupações: por um lado, a perda de lugares de estacionamento automóvel e falta de lugares de cargas e descargas, especialmente na zona envolvente à rotunda do Hotel de Lamaçães; e por outro lado, uma questão mais importante relacionada com a segurança de todos, ou seja, que medidas estavam previstas para reduzir as velocidades de circulação praticadas naquela via.

O presidente da União de Freguesias informou que, relativamente às velocidades de circulação, um dos pedidos que foi feito aos técnicos municipais é que alterassem o projeto para sobrelevarem todas as passadeiras envolventes às rotundas. Apontou ainda a sugestão de instalação de lugares para cargas e descargas, dando nota que essa sugestão passaria a incorporar um documento que será entregue à CMB pela União de Freguesias.

A Braga Ciclável considera ainda que não se justifica que as saídas das rotundas tenham duas vias de trânsito, uma vez que, segundo o Código da Estrada, em nenhuma situação dois veículos podem sair a par de uma rotunda, pois “Se o condutor pretender sair da rotunda por qualquer das outras vias de saída (que não a primeira), deve ocupar a via de trânsito mais à direita após passar a via de saída imediatamente anterior àquela por onde pretende sair, aproximando-se progressivamente desta e mudando de via depois de tomadas as devidas precauções”. Ou seja, só pode sair de uma rotunda um veículo de cada vez em fila indiana. Assim, sugere-se que as saídas das rotundas passem a possuir apenas uma via de trânsito, sendo que mais à frente pode voltar a ter duas vias de trânsito (tal como os manuais holandeses sobre mobilidade ciclável e segurança em rotundas recomendam que deve ser feito).

Foi ainda apresentada a extensão daquela via até à Universidade do Minho.

Entre a Rotunda do McDonalds e a Avenida D.João II o projeto prevê que a ciclovia passe a ser bidirecional. Aqui a estrada perderia o separador central ajardinado e aumentaria a zona de passeio do lado do INL, sendo que a ciclovia bidirecional circularia por aí. A este propósito, é de lembrar que a interseção de ciclovias bidirecionais com vias banalizadas aumenta a possibilidade de conflitos e aumenta o risco de acidente em 13 vezes. Isto porque quando a pessoa circula de bicicleta de forma contrária à natural circulação automóvel, em contramão (não confundir com contra fluxo), então a probabilidade de colisão é maior, cerca de 13 vezes maior.

O acesso entre a rotunda do McDonalds e a universidade está projetado para ser feito sem alteração à faixa de rodagem da “Variante de Gualtar”, por um acesso que está constantemente congestionado e ocupado com estacionamento ilegal e que constitui também um acesso a garagens. Esta opção obriga a um aumento substancial do percurso para os ciclistas, com um desvio em relação àquele que é o caminho mais óbvio, mais curto e mais direto, ou seja, o troço de estrada entre estas duas rotundas. Para além disso, opta-se pela bidirecionalidade da ciclovia, ao invés de se ter uma ciclovia unidirecional de cada lado da Variante de Gualtar.

Ou seja, na solução preconizada na versão do projeto que foi apresentada, não há legibilidade do percurso, que não segue o caminho mais direto, nem o mais confortável, nem o mais seguro, bem pelo contrário. Esperamos, pois, que se opte por uma melhor solução, ao nível da faixa de rodagem, que neste momento tem largura em excesso, o que permitirá tornar a ligação à universidade bem mais legível, confortável, rápida, direta e segura.

Aqui consideramos que o projeto deve ser revisto para que, na Avenida de Gualtar (a avenida situada entre as rotundas da Universidade e do McDonald’s/Meliã, com cerca de 24 metros de perfil), existam duas pistas cicláveis segregadas exclusivas unidirecionais, uma de cada lado, com 1,5 metros de largura cada uma. Para além disso, as rotundas deverão seguir o mesmo desenho que todas as outras já mencionadas, com intervenção a ser feita também nas vias de saída da mesma, tornando-as saídas com apenas uma via de trânsito e com passadeiras sobreelevadas ao nível do passeio.

Uma vez que a Braga Ciclável ainda não tinha conhecimento do projeto agora apresentado nesta sessão informativa, foi solicitado ao Município o acesso ao projeto em formato digital, no sentido de melhor poder analisar e contribuir para o mesmo. Foi-nos posteriormente respondido que o nosso email foi remetido ao Eng. Miguel Mesquita, responsável pelo projeto, pelo que aguardamos o acesso ao mesmo para uma análise mais detalhada e mais global.

Entretanto, o presidente da União de Freguesias de Nogueiró e Tenões, Dr. João Tinoco, teve a gentileza de nos fazer chegar o ficheiro de apresentação utilizado durante a sessão, que pode ser consultado aqui.

Mobilidade Sustentável – o que é e porque é tão importante?

Mobilidade Sustentável – o que é e porque é tão importante?

A expressão “Mobilidade Sustentável” entrou definitivamente no vocabulário corrente da nossa classe política, como forma de exprimir o seu empenho na construção de qualquer coisa moderna e ecológica que a sociedade espera constituir um alicerce para um mundo melhor. Mas, por vezes, há palavras que de tanto repetidas, parecem perder o seu sentido original. O que é afinal a Mobilidade Sustentável e porque é tão importante?

Falar de Mobilidade Sustentável é falar de um uso inteligente, estratégico e eficiente dos diversos modos de transporte, por forma a garantir que, por um lado, aproveitamos ao máximo o seu potencial prático e económico e, por outro lado, o fazemos de modo a conservar os recursos naturais e económicos, e também de forma a promover um tipo de ocupação do espaço público que nos permita fruir da cidade em condições de conforto, saúde e segurança. Ou seja, transportar um maior número de pessoas para os locais necessários, reduzindo os custos das viagens, bem como os decorrentes da construção e manutenção da rede viária, reduzindo a poluição e reduzindo o espaço público alocado para circulação ou estacionamento de veículos.

O que num primeiro olhar parece um paradoxo é, afinal de contas, um objetivo prático e concreto para o qual temos de começar a trabalhar já. Reduzir níveis de ruído, gases e partículas poluentes (que todos os anos nos causam doenças) é uma prioridade. Sem saúde, não há qualidade de vida nem bem-estar. Nem uma economia forte, se isso interessar mais.

Ao mesmo tempo, sabemos que o espaço urbano é limitado. Ocupar as ruas com mais carros, mesmo elétricos, atrofia as zonas residenciais e comerciais e torna-as menos seguras, mais barulhentas e de um modo geral menos aprazíveis.
É por isso tempo de apostar em alternativas, que existem e são do conhecimento geral. Uma boa rede de transportes públicos permite assegurar a deslocação de um grande número de pessoas, sem entupir a cidade de carros (um autocarro substitui facilmente cerca de 40 automóveis e ocupa muito menos espaço). Por outro lado, a bicicleta permite percorrer de forma económica distâncias curtas, até cerca de 5km, e com grande eficiência em termos de tempo, quando comparamos com o automóvel e levamos em consideração custos, estacionamento, etc. Não polui, não faz ruído e ocupa muito menos espaço que um carro.

A implementação de uma Mobilidade Sustentável (inteligente, estratégica, eficiente) à escala de uma cidade como Braga requer coragem política, arrojo intelectual e capacidade de planeamento e execução. Para conseguir o máximo benefício para todos os cidadãos, vai ser necessário levar a cabo medidas que num primeiro momento podem até nem ser populares. Mas não fazer agora esse investimento seria comprometer irremediavelmente uma parte importante do futuro da próxima geração.


(Artigo originalmente publicado na edição de 05/08/2017 do Diário do Minho)

Começar a usar a bicicleta no dia a dia

Começar a usar a bicicleta no dia a dia

Usar a bicicleta como meio de transporte tem muitas vantagens para nós e para os que nos rodeiam. Mas… o que é preciso para começar a deixar o carro em casa e passar a utilizar a bicicleta?

1. Uma bicicleta

Provavelmente, até já tem uma bicicleta algures na sua casa. Se não tem avarias, se anda e trava, então serve! Até pode ter um pouco de ferrugem aqui e ali, desde que o quadro e os principais componentes estejam intactos. E nada como uma bicicleta antiga para reviver velhas aventuras. Talvez precise de uma limpeza ou afinação, mas não tem problema: mesmo que não o saiba fazer basta levá-la a uma oficina de bicicletas e o mecânico tratará de a deixar pronta para as suas viagens.

Mas se ainda não tem bicicleta, então o melhor mesmo é comprar uma. Não tem de ser um modelo caro, mas convém que tenha alguma qualidade. Os preços mais altos encontram-se em bicicletas de competição, que poucas vantagens trazem para quem quer um veículo utilitário. Verifique os modelos existentes e que tipo de acessórios trazem. Há marcas que parecem baratas, mas não incluem alguns extras úteis ou mesmo imprescindíveis, como por exemplo um bom conjunto de luzes ou os guarda-lamas.

2. Luzes e refletores

São obrigatórios e absolutamente necessários para quem faz as suas deslocações diárias de bicicleta. Mesmo que não tencione circular de noite, poderá surgir um imprevisto que obrigue a viajar a uma hora mais tardia ou com céu encoberto. As luzes e os refletores, juntamente com uma condução sempre atenta e defensiva, serão as suas melhores medidas de segurança.

Deverá ter dois refletores em cada roda, mais um refletor branco à frente e um vermelho atrás. Deve ter ainda uma luz branca (fixa) à frente e uma luz vermelha (também preferencialmente fixa) atrás. Podem ser a pilhas ou de dínamo, o importante é que funcionem bem e ajudem a ver e ser visto(a).

3. Cesto, grade e/ou alforges

Quando começar a usar a bicicleta, certamente quererá transportar alguns objetos na bicicleta: uma peça de roupa, um poncho ou fato impermeável, um computador portátil, alguns livros, o almoço ou o lanche, algumas compras da mercearia, etc. Ainda que uma simples mochila permita remediar, a verdade é que é muito mais confortável se a bagagem não pesar nas nossas costas, mas sim nas da bicicleta. Suamos menos e conseguimos levar muitas mais coisas na bicicleta, sem complicações. Por isso, vale a pena escolher uma bicicleta que tenha cesto ou grade bagageira e alforges, ou então equipá-la com esses acessórios, que atualmente estão à venda em qualquer loja de bicicletas.

OUTROS EXTRAS

Algo que não pode faltar é um bom cadeado para prender a bicicleta enquanto for tratar dos seus assuntos. Há vários modelos, mas os mais seguros costumam ser aqueles em forma de U.

Também pode ser útil uma bomba de ar e um conjunto de ferramentas para apertar algum parafuso.

Finalmente, guarda-lamas e protetores de corrente evitam que a lama e o óleo sujem a nossa roupa. Se a sua bicicleta não tiver esses acessórios, um mecânico poderá instalá-los.

Foi assim o regresso dos Encontros com Pedal

Foi assim o regresso dos Encontros com Pedal

Realizou-se este sábado, dia 10 de junho, pelas 17h00, em Braga, uma nova edição dos Encontros com Pedal, numa parceria da Associação Braga Ciclável com o blogue Aqueles Que Viajam. Conviver, partilhar experiências sobre a utilização da bicicleta e passear pelo centro da cidade neste meio de transporte foi o mote para este grupo de ciclistas se encontrarem junto à emblemática esplanada do café A Brasileira. 

E foi dali, tal como era aliás habitual há alguns anos, que saiu o grupo para um passeio de bicicleta em direção a um lanche cheio de boa disposição. O destino, para além da passagem por alguns dos “postais turísticos” do centro, era a zona da Sé. A Dona Petisca, um dos estabelecimentos daquela área, esteve encarregue de servir uma mesa que deliciou o apetite e a boa disposição dos presentes. (mais…)

Estacionar em Braga

Estacionar em Braga

Usar um carro não é nada barato e, nas deslocações urbanas, paradoxalmente, quando criamos novos lugares de estacionamento automóvel, aparecem ainda mais carros, fazendo com que haja sempre uma grande probabilidade de termos de deixar o carro a uma distância que demora 5 ou 10 minutos a pé. Usar a bicicleta como meio de transporte é uma excelente alternativa que, apesar de ainda faltarem infraestruturas básicas, nos permite facilmente poupar tempo e dinheiro, ao mesmo tempo que desfrutamos mais da cidade e melhoramos a nossa forma física.

A quantidade e a proporção de espaço público (e privado) que se encontra atualmente alocado para estacionamento automóvel encontram-se totalmente desalinhadas com os objetivos que vêm sendo traçados para o futuro da cidade. Fala-se em aumentar o número de ciclistas, em melhorar as condições para quem deseje escolher alternativas ao carro, mas continuam a faltar vias seguras, confortáveis e diretas na maioria dos percursos que necessitamos de realizar no dia-a-dia, bem como estacionamentos de qualidade que nos permitam prender ou guardar as bicicletas em segurança, por períodos que em muitos casos podem ser prolongados. É que, se o roubo de carros atormenta muitos automobilistas em Braga, o furto de bicicletas (integral, ou às peças) é uma calamidade escondida. Quem, nesta cidade, não conhece alguém a quem já tenha sido roubada uma, ou duas, ou mesmo três bicicletas?…


Já lá vão uns anos desde que foi entregue às várias forças políticas de Braga a Proposta Para Uma Mobilidade Sustentável, onde alertávamos precisamente para estas questões. Mas continuamos a deparar-nos com uma enorme escassez de estacionamento para bicicletas, sendo que não há ainda nenhum local adequado para estacionamento de média ou longa duração. Continua a existir, isso sim, uma enorme disponibilidade de lugares de estacionamento automóvel, na ordem das várias dezenas de milhares, só na via pública, sem contar com os numerosos estacionamentos privativos e subterrâneos.

Por outro lado, em diversas ruas, o estacionamento automóvel faz-se à custa da fluidez dos transportes públicos ou da qualidade da vivência pedonal, prejudicando moradores, comerciantes e proprietários de imóveis, ao tornar as ruas menos seguras, menos confortáveis e menos atrativas.

Se o objetivo é termos, a curto prazo, 10% das deslocações diárias dentro da cidade a serem feitas de bicicleta, não seria lógico que as infraestruturas disponibilizadas refletissem essa aposta? Se queremos uma quota modal de 10% para os meios de transporte mais económicos e não poluentes, então faz todo o sentido criar, digamos, 10% de lugares de estacionamento para bicicletas. E, claro, 100% de vias seguras, com ZERO atropelamentos e ZERO mortes.


(Artigo originalmente publicado na edição de 1/4/2017 do Diário do Minho)

Vai um ciclista à minha frente – e agora?

Vai um ciclista à minha frente – e agora?

Quando circular atrás de um ciclista, deixe sempre uma distância frontal de segurança. O que é uma distância de segurança adequada? Vai depender de muitos fatores, como o estado do piso e a velocidade de circulação. Mas, basicamente, basta imaginar que, por azar, o ciclista à nossa frente se desequilibra ou tropeça num buraco e cai de imediato. A distância de segurança será a que permita automobilista parar em segurança sem atropelar o ciclista. Pode parecer um exagero, mas a verdade é que os imprevistos acontecem quando menos os esperamos, e a prevenção é o melhor remédio.

A este propósito, posso relatar algo que se passou comigo um destes dias, cá em Braga. No fim de um dia de trabalho, quando regressava a casa, de bicicleta, parei numa passadeira para ceder a passagem a uma senhora. Um carro que seguia atrás de mim, apesar de já vir a baixa velocidade, não conseguiu parar a tempo e bateu-me por trás. Um guarda-lamas partido, uma roda empenada, talvez um risco ou amolgadela no pára-choques… E uma grande sorte de não ter havido feridos nem mortos a lamentar.

Tenho notado imensas situações como esta, em que carros, autocarros e camiões se encostam perigosamente a poucos metros da traseira das bicicletas, situação em que, se o ciclista cai ou trava de repente, é impossível parar sem atropelar.

Deixo por isso um conselho de amigo a todos os condutores, inspirado numa das regras mais importantes e mais frequentemente descuradas do Código da Estrada: guardem sempre distância de segurança, sobretudo quando vai uma bicicleta à vossa frente. E abrandem, se necessário. Matar ou tornar alguém inválido não é um risco que queiram correr, acreditem!

Igual cuidado deve ser tido também ao efetuar uma manobra de ultrapassagem a uma bicicleta. Não podemos esquecer-nos de que um ciclista nem sempre consegue circular em linha reta. Frequentemente precisa de desviar-se de pequenos buracos ou outros obstáculos na via, bem como de executar um ligeiro ziguezague para se equilibrar. É por isso que a lei obriga a abrandar e deixar uma distância lateral de segurança de pelo menos um metro e meio ao ultrapassar um ciclista, para além, obviamente, de mudar totalmente para a via de trânsito à esquerda.

A terminar, acrescentaria apenas que uma das melhores formas de prevenir acidentes na estrada é reduzir a velocidade. Abrandar significa literalmente salvar vidas. E isso todos nós podemos fazer quando conduzimos um veículo na estrada. Não há pressa que justifique correr o risco de atropelar alguém.

Com estas três pequenas dicas, creio que podemos tornar a condução na nossa cidade bem mais segura para todos. Vamos a isso?


(Artigo originalmente publicado na edição de 04/02/2017 do Diário do Minho)

Afinal, Braga quer ou não apostar na bicicleta?

Afinal, Braga quer ou não apostar na bicicleta?

Quem se interessa pela Mobilidade Sustentável e pelo que se vai dizendo e escrevendo sobre esse assunto certamente se recordará das declarações de Ricardo Rio, a propósito da sua “Visão Política”: até 2025, Braga deverá reduzir em 25% a utilização do automóvel e passar a ter 18 mil utilizadores regulares de bicicleta. Com esses objetivos em vista, este executivo prometeu 76km de vias cicláveis, isto é, ruas e avenidas concebidas ou adaptadas para serem realmente seguras, confortáveis e práticas para quem se desloca de bicicleta.

Mas passando das palavras às ações, é preciso começar a implementar medidas concretas que permitam alcançar as metas definidas, sem deixar de avaliar os resultados periodicamente.

A este propósito, tivemos há dias a oportunidade de ler nos jornais da nossa praça que o Município de Braga prevê a utilização de apenas 1,5% do orçamento municipal para 2017 em medidas relacionadas com a promoção da Mobilidade Suave, sendo referidos 500 mil euros para criação de uma Ciclovia Urbana de Braga, 200 mil euros para medidas de acalmia de trânsito e 750 mil euros para promoção da mobilidade pedonal. Em termos de comparação, e uma vez mais segundo a informação divulgada estes dias pela comunicação social, o investimento nessa área será praticamente equivalente em montante (mas não em proporção) ao do município vizinho de Vila Verde, que decidiu investir nessas áreas quase 5% do seu orçamento municipal para 2017.

Estes números do orçamento, convém notar, são mínimos quando comparados com os montantes gastos anualmente com a construção e manutenção da infraestrutura rodoviária do concelho. Não parecem portanto demonstrar na prática uma grande vontade de melhorar as condições para quem pretenda deslocar-se diariamente de bicicleta em Braga, nem de incentivar cada vez mais pessoas a fazê-lo.

Grandes opções do orçamento municipal de Braga para 2017 nas áreas de transportes e Mobilidade
Se queremos realmente tornar Braga uma cidade onde se vive bem, mesmo não usando o carro, precisamos de começar já a investir mais a sério em domínios onde durante décadas não investimos. E a verdade é que faltam 8 anos para chegarmos a 2025. Resta apenas cerca de um ano para terminar o mandato atual e continuamos à espera da quase totalidade dessas obras…

A terminar, deixo apenas duas perguntas:

– Quantos novos lugares de estacionamento para bicicletas foram criados em Braga em 2016?

– Quantos quilómetros de vias cicláveis foram criados este ano? (mais…)

Usar a Bicicleta no Inverno

Usar a Bicicleta no Inverno

Com a chegada do outono, e o inverno aí à porta, muitas bicicletas tendem a ficar encostadas a um canto, à espera da primavera. Mas não tem de ser assim. Quer utilize a bicicleta em lazer, em desporto ou em contexto utilitário, como meio de transporte, pode continuar a pedalar mesmo em dias de frio ou chuva. Com pequenas adaptações ao seu equipamento habitual, verá que é afinal uma coisa simples e que mesmo no inverno já não precisa de pegar tantas vezes no carro.

Basta olhar para outras cidades da Europa, com climas bem mais agrestes do que o nosso, para perceber que por lá a bicicleta continua a ser amplamente utilizada, mesmo com chuva, neve e gelo. O nosso clima, felizmente, é bastante ameno mesmo no inverno e na maior parte dos dias não chove, ou só chove em algumas horas. E a verdade é que, com o equipamento certo, como um simples fato impermeável, podemos continuar a usar a bicicleta em muitas das nossas deslocações, com o habitual conforto e chegando secos ao nosso destino.

Em primeiro lugar, convém ter a bicicleta devidamente afinada e lubrificada. Por isso, se ainda não fez uma revisão geral à bicicleta, esta é uma boa altura. Pondere também pedir ao seu mecânico para colocar uns guarda-lamas e um protetor de corrente, caso a bicicleta não os tenha. E talvez uma grade para a bagagem. Dá sempre jeito, para levar as compras e não só, e nesta altura ainda dá mais mais jeito porque, mesmo que não chova, podemos levar o nosso fato impermeável para a eventualidade de vir a chover mais tarde.

É bom lembrar que nesta altura todo o cuidado é pouco. Em caso de má visibilidade, não hesite em usar as luzes até de dia. Isso ajudará os outros condutores a notarem a sua presença, por entre os para-brisas molhados e embaciados. Para além das más condições de visibilidade, com a água os travões não respondem tão bem. Convém por isso moderar especialmente a velocidade, para não derrapar ao curvar ou travar.

Vamos lá pedalar?

Dica 1

Para a chuva não ser um problema, basta usar um fato ou poncho impermeável, que poderá vestir por cima da sua roupa normal. Se o calçado não for à prova de água, nas lojas de bicicletas encontrará coberturas impermeáveis para os sapatos, que fazem maravilhas. Umas luvas, uma gola ou bandana e um gorro ou chapéu vão certamente ajudar a vencer o frio.

Dica 2

Verifique se tem todos os refletores obrigatórios (branco à frente, vermelho atrás, e ainda dois laranja em cada roda) e se as luzes funcionam (branca à frente, vermelha atrás). Nesta época, os dias são mais curtos, há menos luz e a chuva dificulta a visibilidade, pelo que um bom conjunto de luzes é essencial.

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(Artigo originalmente publicado na edição de novembro de 2016 da Revista Rua)

© foto: Tiago Ribeiro Photography