Pedalar na cidade de Braga

Pedalar na cidade de Braga


Há pouco menos de uma década, por ocasião da fundação do então blog Braga Ciclável, publiquei um breve artigo que, apesar da sua simplicidade, faria despertar muitas vozes até então pouco ouvidas. Semente de uma consciência coletiva que aguardava a oportunidade certa para germinar, florir e dar fruto. Mas, infelizmente, muito pouco mudou entretanto, e praticamente nada se constrói nesta cidade a pensar em quem se desloca de bicicleta no dia-a-dia.

Fui reler esse artigo, num momento de tristeza, depois de ter recebido, há dias, a notícia de mais um atropelamento grave na cidade de Braga. Mais um atropelamento! Um de muitos, naquelas estatísticas de todos os anos. Números que de nada valem, se deles nada procede.

Mas todos conhecemos alguém que já foi atropelado nas ruas de Braga, às vezes mesmo ao nosso lado, não é mesmo? Pode ter sido um amigo, um familiar, um vizinho… ou até mesmo alguns de nós. E amanhã pode ser a pessoa que mais estimamos neste mundo. Isto tem de mudar!
(mais…)

São Victor cria Banco de Doação de Bicicletas

São Victor cria Banco de Doação de Bicicletas


A Braga Ciclável e a Junta de Freguesia de São Victor iniciaram no dia 22 de Setembro um Banco de Doação de Bicicletas, celebrando, desta forma, o Dia Europeu sem Carros e o último dia da Semana Europeia da Mobilidade.

Esta iniciativa convida as pessoas que tenham bicicletas paradas em casa, sem utilização, a dar uma nova vida às mesmas, entregando-as ao Banco de Doação de Bicicletas, que fica situado no edifício da Junta de Freguesia de S. Victor.

As bicicletas entregues serão reparadas por voluntários da Braga Ciclável e, posteriormente, serão colocadas ao serviço da Junta de Freguesia de S. Victor como incentivo à mobilidade suave em recursos partilhados. Contudo, ao abrigo de uma política social, algumas bicicletas poderão vir a ser entregues a famílias em situação de baixos recursos financeiros, sobretudo se o agregado for constituído por menores de idade.

Desta forma, a Braga Ciclável e a Junta de Freguesia não só promoverão a utilização da bicicleta na cidade, como permitirão que crianças, jovens e adultos possam usar a bicicleta, incentivando à progressiva utilização desta como meio de transporte e motivando a educação e sensibilização para a sua correta utilização.

Segundo Mário Meireles, dirigente da Braga Ciclável, este é um projeto com potencial de crescimento e que assenta, sobretudo, em duas grandes premissas: o incentivo para o uso quotidiano da bicicleta e a vertente voluntária e altruísta de participação na comunidade, promovendo melhor qualidade ambiental.

Já Ricardo Silva, Presidente da Junta de Freguesia de S. Victor, deseja que este projeto seja a alavanca para uma educação rodoviária inclusiva e que estabeleça a cooperação entre instituições e a solidariedade entre cidadãos, funcionando em rede, num exemplar projeto social de cidadania.

Este projeto insere-se numa candidatura vencedora ao Fundo Ambiental, apresentada pela Braga Ciclável e pela Junta de Freguesia de S. Victor que alcançou a pontuação máxima, demonstrando a pertinência do conjunto de ações preconizadas pela uma mobilidade mais amiga do ambiente.

O uso da bicicleta, por miúdos e graúdos

O uso da bicicleta, por miúdos e graúdos


A bicicleta surgiu como um modo de transporte muito usado nos antepassados, tendo sido, por muitas pessoas colocado na garagem, com o surgimento do automóvel. Porém, com a quarentena, urgia a necessidade do exercício ao ar livre, do contato com a natureza, daí o maior investimento e gosto, por muitos, pelo uso de bicicleta, onde eu, pessoalmente, estou incluída.
Com o sedentarismo da população, os horários laborais prolongados e o aumento do stress a par das obrigações pessoais levam mais pessoas ao uso de bicicleta, em cidade, pelo favorecimento de exercício, utilizando momentos de deslocações, que de carro, favoreciam o sedentarismo.
Em Braga, uma cidade jovem, populacional, com pólos de interesse bem delimitados, nomeadamente, o Hospital de Braga, a Universidade do Minho, o Centro de Nanotecnologia, o Centro Histórico, o Santuário do Bom Jesus, é imperioso uma ciclovia segura, para que os cidadãos possam percorrer o ser percurso em segurança, e não obrigar ao uso de bicicleta em estrada, já que os elevados níveis de sinistralidade na região são assustadores, devido ao excesso de velocidade dos automóveis, nas variantes urbanas. Assistimos, ainda, a um centro histórico densamente populoso, com várias escolas públicas e privadas nas mediações, sobrelotado pelo trânsito, pelo que, a médio prazo, uma ciclovia segura, poderia potenciar o uso, também pelas crianças, à semelhança de outros países, como os nórdicos, permitindo a diminuição do sedentarismo, capacitando os mais pequenos (futuros adultos, amanhã!) para a educação rodoviária, melhorar a saúde mental, favorecendo maior capacidade atencional e equilíbrio e, consequente, diminuição da agitação corporal.
Nas cidades vizinhas, saliento, a ecopista de Guimarães-Fafe, fruto do reaproveitamento do antigo caminho ferroviário, com uma extensão de 6.980 metros, dividida em percursos, permitindo percorrer a cidade e apreciar vários locais. Se prefere apreciar a paisagem à beira-mar, direciono-o para a Ciclovia da Ribeirinha de Esposende, de dificuldade fácil, com cerca de dois quilómetros, onde marginal Norte da Foz do Rio Cávado é o ex-libris do percurso. Esta é uma parte do percurso da Ecovia do Litoral Norte, que liga Esposende a Caminha, garantindo condições de segurança para quem gosta de andar de bicicleta, além de permitir o maior conhecimento de fauna e flora da orla costeira, a par de deliciosas paisagens, muitas vezes, de carro impossíveis de apreciar.
Boas Pedaladas!
“Nada se compara ao simples prazer de pedalar.”
(John Kennedy)

Ciclovias ou árvores? A escolha que não pode acontecer

Ciclovias ou árvores? A escolha que não pode acontecer


Uma das polémicas atuais da cidade é o abate de árvores no arranque da subida para o Bom Jesus. O motivo é a construção pela Câmara Municipal de um pequeno trecho de ciclovia que ligará a Universidade à zona de Lamaçães. Importa dizer que a Câmara Municipal ao anunciar a obra da “Variante da Encosta” nunca fez qualquer referência ao abate. Foram os cidadãos e as associações que, ao analisarem os escassos elementos gráficos que a Câmara disponibilizou, se aperceberam da intenção de abater árvores adultas (algumas das quais na fotografia). Em resposta às críticas, a Câmara emitiu um comunicado alegadamente esclarecedor mas que, através de eufemismos como “saldo de espécies arbóreas”, “replantar”, “removidas da atual localização”, não explica por que razão o Município quer abater mais árvores (ainda há pouco tempo a Câmara anunciou o abate de 130 árvores na cidade e a I.P. destruiu dezenas de árvores na Av. António Macedo).

A Câmara aproveita ainda o comunicado para, em abstracto, acusar os cidadãos e associações de não estarem informados. Mas uma Câmara que opta por manter sempre a informação e os projetos no segredo dos seus gabinetes, não os tornando públicos pelas inúmeras formas que atualmente existem e divulgando apenas o que lhe convém, pode apontar o dedos aos cidadãos acusando-os de não estarem informados? Não é óbvio que são os gestores da cidade que têm de pôr os projetos de intervenção em cima da mesa com tempo para serem apreciados e debatidos?

O que é claro é que em 2020 um abate a despropósito não pode mais acontecer. Todos sabemos que temos de mudar o nosso estilo de vida se queremos deixar um planeta habitável aos nossos filhos. Há um esforço que todos podemos fazer individualmente. Mas uma grande parte desse salto tem de ser induzido pelas Câmaras Municipais, designadamente na reconversão do imenso espaço público reservado ao automóvel em zonas agradáveis para os peões e os demais modos suaves. E, claro, a Câmara deve constituir o exemplo inspirador para todos. A pandemia que agora atravessamos tem desencadeado por todo o mundo – de Paris a Bogotá ou de Kampala a Lisboa – iniciativas rápidas e económicas do poder local de criação de corredores para bicicletas e afins, roubando espaço aos carros e dando resposta às preocupações dos cidadãos. E Braga? Nada.

Se há coisa que não falta na subida para o Bom Jesus, como, aliás, em toda a rodovia, é espaço para introduzir duas ciclovias (uma em cada sentido) sem qualquer necessidade de eliminar árvores cuja sombra é essencial aos peões e ciclistas. Em 2020 querer destruir árvores adultas para fazer uma ciclovia deveria dar lugar à perda automática de todos os fundos comunitários. Não se pode querer ser ecologista na Europa, e predador da natureza na terrinha.

Braga Ciclável aplaude “manutenção profunda” da ciclovia de Lamaçães, mas aponta erros no seu prolongamento à Universidade

Braga Ciclável aplaude “manutenção profunda” da ciclovia de Lamaçães, mas aponta erros no seu prolongamento à Universidade


A Braga Ciclável vem aplaudir a tão desejada e necessária intervenção na pista ciclável de Lamaçães, intervenção essa que vinha sendo reivindicada há muitos anos pela associação e por todos os utilizadores daquela pista ciclável. A reorganização e proteção das rotundas, a reorganização do estacionamento, assim como a reformulação de toda a pista ciclável, são fundamentais para garantir a segurança de todos os utilizadores daquela Avenida.

É desejável que, no seguimento da conclusão da intervenção, exista já um plano de manutenção previsto para a rede ciclável que permita uma conservação cuidada destas infraestruturas. Assim se evitará a necessidade de investimentos avultados devido a intervenções que acontecem apenas de 10 em 10 anos.

A Braga Ciclável não pode deixar de demonstrar o seu espanto pela insistente manutenção de situações apresentadas há 3 anos, em reunião privada entre os responsáveis do trânsito e da mobilidade, na qual foram deixadas algumas recomendações por parte da associação no sentido da resolução de alguns pontos problemáticos.

Não se compreende como é que na Avenida dos Lusíadas, uma avenida com 24m de largura, quatro vias sobredimensionadas de trânsito automóvel e pouquíssimo tráfego rodoviário, se opta pelo abate de seis árvores saudáveis e a construção de uma perigosa ciclovia bidirecional. Somos da opinião, devidamente fundamentada em parâmetros legais, de que neste caso específico, a pista ciclável pode e deve ser unidirecional em cada um dos sentidos e que deverá ser executada sem que isso implique o abate das árvores, que tão necessárias são para as nossas cidades e para os seus habitantes.

Não se compreende igualmente como é que em quatro momentos a pista ciclável é interrompida e o atravessamento que devia ser de velocípedes, é unicamente de peões, originando nuns verdadeiros “remendos” no meio das rotundas.

“Foi a IP – Infraestruturas de Portugal que obrigou”, dizem os técnicos e responsáveis do Município. Pois bem, se a negociação com o técnico da IP, que avalia a situação à distância, não vai ao encontro das necessidades da cidade e das boas práticas, então deverá requerer-se à IP a transferência de competências desta Avenida, ou deste troço de Avenida, para o Município, executando um plano especificamente adequado ao lugar.

Não se compreende também que, na Avenida de Gualtar, com 22m de largura e quatro vias de trânsito, não se passe a ter apenas duas vias de trânsito e se criem ali duas ciclovias unidirecionais, fazendo um percurso de 200m, para depois continuar pela Rua da Estrada Nova, tal como Previsto no PDM – Plano Diretor Municipal. Ao invés disso, o carro fica com o caminho mais direto e mais rápido, enquanto que quem for de bicicleta é obrigado a dar uma volta que implica o dobro da distância percorrida pelo carro.

Estes contributos e comentários estão vertidos num documento, que agora tornamos público, e que foi enviado às 09:54 do dia 21 de fevereiro de 2017, intitulado “Recomendações da Associação Braga Ciclável sobre o Projeto da Rede Ciclável Urbana (Fase 1: 15 km)”, e enviado, em exclusivo, para o Gabinete do Vereador da Mobilidade. Até à data não obtivemos qualquer resposta.

Continuamos assim a aguardar, ansiosamente, pela intervenção nos restantes 12 km que complementarão a intervenção, no corrente ano, da Ciclovia de Lamaçães e sua extensão a Gualtar.

Manifestação Nacional – Basta de Atropelamentos

Manifestação Nacional – Basta de Atropelamentos


Em consequência de mais uma morte de uma jovem vítima de atropelamento, a FPCUB – Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta convida a uma manifestação pacífica a nível nacional amanhã, dia 16 de julho de 2020, às 19:00, para que se pense qual o caminho a seguir, para que se escolha um futuro mais promissor, onde as pessoas possam usufruir do espaço público sem medo, e onde as crianças possam brincar na rua com mais segurança.
A presença de todos é fundamental para mostrar que a sociedade civil está atenta e preocupada com este flagelo, mostrando que se pretende respostas e soluções que salvem vidas e evitem vítimas nas ruas e avenidas das nossas cidades.

Juntos podemos fazer diferença e vamos mudar consciências!!

Em Braga a associação Braga Ciclável apoiam esta iniciativa convidando a comunidade para que marque presença.

Apelamos para que se desloquem de bicicleta ou a pé, que mantenham as devidas distâncias físicas e uso de máscara.

Aveiro: A aguardar confirmação
Braga: Praça da República, junto ao Chafariz da Av. Central
Évora: Praça do Giraldo
Faro: A aguardar confirmação
Guarda: Jardim dos Castelos Velhos
Lisboa: Campo Grande junto à Biblioteca Nacional
Mértola: Largo Vasco da Gama
Porto: junto à Casa da Música
Santarém: Largo do Seminário

Um outro tipo de contágio

Um outro tipo de contágio


Comecei a andar de bicicleta porque me deixei contagiar por alguém que acorda a pensar em bicicletas, desde os seus parafusos às suas rodas. Não consegui ficar indiferente a esse fascinante interesse. Gostei do sabor que essa vontade me deixou e não parei de pensar em arranjar uma coisa dessas para me deixar levar.

Foi então que senti os primeiros sintomas: adquirir uma bicicleta à minha medida e que permitisse chegar onde precisava sem perder o ar nos cabelos; querer arranjar uma maneira de levar tudo o que me fazia falta; olhar para todas as bicicletas que passassem por mim e começar a achar que tudo é demasiado longe para ir a pé e demasiado perto para precisar de outro transporte e, por fim, sentir e valorizar o sabor de uma outra liberdade.

Quem tem reparado e observado o movimento da cidade e das pessoas nota claramente que há mais gente a andar de bicicleta. Gosto de olhar para elas e pensar de onde vêm, para onde vão e como foram contagiadas por esta vontade. Com certeza ouviria muitas belas histórias, porque quem anda de bicicleta, geralmente, tem sempre uma história para contar. Se calhar ouvir essas histórias seria importante para perceber o que motiva as pessoas a andarem de bicicleta, em cidades como Braga, sem as mínimas condições para a utilização deste meio.

Que pessoas são estas que arriscam, mas que não desistem e seguem caminho nas suas bicicletas? Somos nós, são outros tantos e, na verdade, pode ser qualquer um.

O melhor incentivo e, provavelmente o mais eficaz, é contagiar com a nossa vontade em andar de bicicleta e revelar o quão simples e prático essa mudança pode ser. Assim, quanto mais pessoas utilizarem a bicicleta nas suas deslocações mais evidente e imperativo será a necessidade de agir em prol da segurança de todos nas estradas.
Trata-se de um contágio que só traz saúde.

Desde 1920 que existe uma rede de coexistência entre Bicicletas e Carros em Braga

Desde 1920 que existe uma rede de coexistência entre Bicicletas e Carros em Braga


Desde a chegada do automóvel às cidades que a bicicleta coexiste com este na rede viária. Em Braga, desde os anos 20 até hoje, existem cerca de 1200 quilómetros de rede viária de coexistência entre bicicleta e o automóvel.

Estes 100 anos de investimento numa rede de ruas em coexistência já nos fez perceber que não basta ter ruas onde o espaço é partilhado. Dizer que se vai apostar numa rede de coexistência entre bicicletas e automóveis é irrelevante, porque ela já existe. O resultado dessa política para a adoção do uso da bicicleta está à vista: 0,5%.

Há ruas onde tem que haver segregação. A espinha dorsal do sistema, o esqueleto, o pilar que fará toda a rede funcionar, as “aortas” da rede ciclável, tem que ser uma infraestrutura segregada, que permita uma circulação em segurança, sem sobressaltos, o mais direta e rápida possível.

Podemos reduzir o complexo exercício de planeamento e desenho da rede ciclável a uma simples pergunta, quando temos o desenho da rua pronto: “uma criança de bicicleta circularia e chegaria em segurança, de uma forma rápida, confortável e direta, até ao seu destino nesta rua?” Se a resposta for sim, então a rede estará desenhada para todos poderem usufruir dela. Mas falta coragem para resgatar o espaço público e devolver parte dele às pessoas, garantindo a segurança das mesmas.

E lá porque hoje temos uma avenida com 6 vias de trânsito, com algumas filas em hora de ponta, isso não significa que essa avenida não possa ser reprogramada para outros usos que transformem a sensação que temos a andar na rua e a sua função em algo mais humano. Falta o sentimento de vizinhança, de convívio e de fruição da rua, nas principais avenidas de Braga.

Não, ninguém quer banir os carros. É necessário reorganizar e distribuir melhor o espaço público que, neste momento, é praticamente todo dedicado ao carro. E essa redistribuição reduzirá o espaço ao carro, espaço esse que deixa de ser necessário, porque algumas pessoas vão passar a utilizar a bicicleta nas suas deslocações. E como assim é, então já não é preciso tantas vias, nem é preciso tanto estacionamento.

Folgo em ouvir, por parte do Município, que a promoção da segurança rodoviária é a prioridade das prioridades, mas, quando olhamos para os números, vemos que continua a morrer gente (muita gente) todos os anos e a tendência não está a diminuir. Se essa é a prioridade das prioridades, então é tempo do Município adotar uma #VisãoZero e implementar verdadeiras medidas de redução das velocidades e dos volumes de tráfego na cidade. Medidas que funcionem por uma #BragaZeroAtropelamentos! Precisamos de mais semáforos, mais cruzamentos de nível, mais ciclovias, mais passadeiras. Nada fazer é irresponsável.

Hoje posso dizer com toda a certeza que há 14% dos bracarenses que nunca vão utilizar a bicicleta como modo de transporte. Mas, se existissem condições infraestruturais e segregação das vias, 29% utilizariam de certeza absoluta e 31% com muita certeza que utilizariam a bicicleta. Os restantes 26% são indecisos (em breve falarei mais sobre estes números).

Para podermos ter uma Braga amiga das pessoas, inclusive das que andam e querem andar a pé e de bicicleta, é fundamental que se crie a rede ciclável estruturante. Só assim a cidade terá mais pessoas a utilizar a bicicleta no seu dia-a-dia. Só assim a cidade evolui para uma cidade sustentável!

Terá Braga a perspicácia, a vontade e a coragem para arriscar?

Terá Braga a perspicácia, a vontade e a coragem para arriscar?


Neste momento tão atípico e difícil que o mundo atravessa, algumas cidades identificaram já uma oportunidade para impulsionar o uso da bicicleta como forma de minimização do contágio (exemplos como Bogotá, Berlim, cidade do México, Budapeste, Pamplona, Milão, Barcelona, Dublin, entre outras).

A Organização Mundial de Saúde sugere que “sempre que possível, pondere andar a pé ou de bicicleta. Conseguirá manter a distância física enquanto cumpre a atividade física mínima recomendável, que hoje é mais difícil devido ao aumento do teletrabalho e à diminuição de alternativas para a prática desportiva”, permitindo, assim, o devido distanciamento físico e todos os cuidados essenciais às deslocações estritamente necessárias.

É certo que esta pandemia terá efeitos sobre o nosso estilo de vida e sobre a forma como nos deslocamos. O uso dos transportes coletivos reduzirá inevitavelmente, com vista a evitar aglomerados. Encontramos aqui uma oportunidade, um ponto de viragem para o incentivo ao uso de outros tipos de locomoção que sejam mais seguros e sustentáveis, mas, para tal, precisamos também de criar cidades onde todos circulem em segurança, independentemente do modo de transporte que utilizem.

Esta pandemia ajudou-nos a perceber ainda mais a importância de modos de transporte como a bicicleta. Temos aqui a oportunidade para priorizar esses mesmos modos e as cidades responderem a este desafio que estamos a viver, readaptando infraestruturas, repensando os espaços e a forma como estes são usados. Criar ciclovias protegidas e aumentar o espaço pedonal, por redução do espaço do automóvel nas atuais ruas e avenidas da cidade, deverá ser o primeiro passo desta transformação.

Há momentos que não podem ser apenas de passagem, e este é definitivamente um deles, um ponto de viragem, uma oportunidade para tornar Braga uma cidade vibrante, uma cidade das pessoas. Todas as crises e pandemias na história da humanidade levaram a grandes mudanças. Foram momentos de repensar e fazer diferente. Se, por um lado, este é um momento negro na nossa história, é também uma oportunidade. Terá Braga a perspicácia, a vontade e a coragem para arriscar?