by Rafael Remondes | Set 21, 2019 | Opinião
Durante este último mês de agosto, grande parte dos bracarenses apreciou seguramente mais a cidade. As condições não podiam ser melhores: sol, calor, mais gente a passear no centro e mais atividades recreativas e culturais como concertos, exposições, feiras etc. No fundo, a cidade em agosto e nos meses de verão ganha outra vida. Ao mesmo tempo, as estradas estão desimpedidas. Agosto significa também menos condutores na estrada, menos filas, menos trânsito, menos stress e mais tempo para aproveitar com amigos e família.
Porém, depois de um quase idílico agosto, chega o mês de setembro e o regresso ao trabalho, às aulas e de mais carros na estrada. Milhares de automóveis voltam a encher a cidade de fumo e de poluição que não é só atmosférica mas também visual e sonora.
Muitos de nós em algum momento nos questionamos: Porque não pode ser sempre Agosto? Porque não podemos ter sempre estradas livres para podermos circular e demorar menos tempo nos nossos percursos diários?
Infelizmente, sabemos que isso não é possível.
Braga tem cada vez mais carros que trazem mais congestionamentos, mais acidentes, mais ruído e mais poluição. São mais de 180 mil habitantes no concelho a deslocarem-se praticamente todos os dias. As contas podem não ser precisas mas a conclusão é visível para todos nós: há carros a mais na cidade! Tentamos alargar estradas, ter mais vias para abrir espaço para o automóvel mas isso apenas significa ainda mais veículos e mais filas. Da mesma maneira que muitas vezes sentimos que uma casa maior é a necessidade para os nossos problemas de arrumação para no fim chegarmos à conclusão que o que precisamos mesmo é de nos livrar das coisas que não precisamos e que vamos acumulando, as cidades não precisam de estradas mais largas, precisam é de menos carros.
Mas esta conclusão não é assim tão óbvia para os decisores políticos. Enquanto continuamos com verdadeiras autoestradas a cortar a cidades podemos tomar nós o primeiro passo.
Neste mês de setembro e início de outono, enquanto o sol ainda não se esconde por trás da nuvens aproveite para deixar o carro em casa e tire a bicicleta do canto da garagem para dar umas pedaladas nas pequenas deslocações. Sem filas, sem buzinadelas, sem stresses. Um bem para a alma e para o corpo. Apenas 30 minutos de bicicleta são o suficiente para estar de acordo com as recomendações de exercício físico diário segundo a OMS. Acredite que 15 minutos são, na maior parte dos casos, suficientes para se chegar ao centro da cidade.
Existem muitas desculpas para não começar a pedalar. Calor a mais, subidas a mais, chuva a mais, esforço a mais… Mas no meio disso tudo há um “a mais” que nós teimamos em esquecer. Há carros a mais em Braga. Milhares todos os dias a entrar e a sair da cidade. Vamos cada um de nós a tirar um carro da cidade de Braga. Evite horas de ponta, vá de bicicleta. Verá que pelo menos para si, o calmo e querido mês de agosto na estrada não chegou ao fim.
Boas pedaladas
by Braga Ciclável | Set 7, 2019 | #BragaZeroAtropelamentos, Notícias
No dia 2 de setembro de 2019, pelas 19H00, a Associação Braga Ciclável, reuniu com os candidatos do Partido Aliança, na lista do Aliança pelo circulo eleitoral de Braga, Luis Cirilo, Carlos Vaz, José Vieira e Luís Pinto, no Parque da Ponte, em Braga. A representar a associação estiveram Mário Meireles, Victor Domingos, Manuela Fernandes, Sara da Costa e Arnaldo Pires.
A pedido do Partido Aliança foi agendada esta reunião para se debater quais as medidas que se deverão tomar para fomentar mobilidade ativa e, sobretudo, o que muito há a fazer para melhorar a segurança dos utilizadores de bicicletas e peões.
Luis Cirilo iniciou a reunião destacando as preocupações do partido a nível ambiental e de mobilidade sustentável pretendendo ouvir os dirigentes da Associação sobre o que defendem para Braga, como projetos e alterações a realizar, para melhorar a mobilidade atual de peões e utilizadores de bicicletas.
Victor Domingos e Mário Meireles realizaram uma resenha histórica do que foi o início da Braga Ciclável e como esta evoluiu ao longos dos últimos ano. Apontaram as dificuldades mais debatidas pelos utilizadores de bicicletas, nomeadamente a falta de segurança para as crianças andarem de bicicleta na cidade, nomeadamente se deslocarem para a escola.
Foram debatidos os pontos mais preocupantes da cidade, em termos de segurança rodoviária, e o que se pode vir a desenvolver para dinamizar a mobilidade ativa, segura, e mais sustentável na cidade de Braga.
Debateu-se ainda que o estacionamento direcionado para as bicicletas é insuficiente, e em alguns, casos desajustado. Foi sugerida pela Braga Ciclável a implementação de bicicletários em todas as escolas do concelho, como medida para estimular a mobilidade ativa e autónoma das crianças.
Outros temas abordados foram os atropelamentos de peões, a mobilidade ativa e a sustentabilidade ambiental, e o impacto positivo sobre a qualidade de vida dos habitantes, com benefícios para a saúde, economia pessoal e ambiente. Apresentado o movimento #BragaZeroAtropelamentos e discutida intenção por detrás do mesmo, dando exemplos de cidades com visão zero e os bons resultados que obtiveram.
by Braga Ciclável | Ago 2, 2019 | Notícias
No dia 29 de Julho de 2019, pelas 19H00, a Associação Braga Ciclável, reuniu com os candidatos do Partido Ecologista Os Verdes, na lista da CDU pelo circulo de Braga, Fernando Sá e Filipe Gomes, no Parque da Ponte, em Braga. A representar a associação estiveram Mário Meireles, Victor Domingos e Arnaldo Pires.
A pedido do Partido Ecologista os Verdes foi agendada esta reunião para se debater quais as medidas que se deverão tomar para fomentar mobilidade ativa e, sobretudo, o que muito há a fazer para melhorar a segurança dos utilizadores de bicicletas e peões.
Filipe Gomes iniciou a reunião destacando as preocupações do partido a nível ambiental e de mobilidade sustentável, apontou ao longo da reunião vários projetos que foram, e outros que ainda, estão em desenvolvimento pelo partido.
Victor Domingos realizou uma resenha histórica do que foi o início da Braga Ciclável e como esta evoluiu ao longos dos últimos ano. Apontou as dificuldades mais debatidas pelos utilizadores de bicicletas, nomeadamente a falta de segurança para as crianças andarem de bicicleta na cidade, nomeadamente se deslocarem para a escola.
Foram debatidos os pontos mais preocupantes da cidade, em termos de segurança rodoviária, e o que se pode vir a desenvolver para dinamizar a mobilidade ativa, segura, e mais sustentável na cidade de Braga.
Debateu-se ainda que o estacionamento direcionado para as bicicletas é insuficiente, e em alguns, casos desajustado. Foi sugerida pela Braga Ciclável a implementação de bicicletários em todas as escolas do concelho, como medida para estimular a mobilidade ativa e autónoma das crianças.
Outros temas abordados foram as metas de descarbonização, a mobilidade ativa e a sustentabilidade ambiental, e o impacto positivo sobre a qualidade de vida dos habitantes, com benefícios para a saúde, economia pessoal e ambiente. A Braga Ciclável sugeriu a implementação de controlo trimestral da qualidade do ar, a nível nacional, com debates regulares sobre as medidas a implementar, para a sua melhoria constante.
by Arnaldo Pires | Jun 29, 2019 | #BragaZeroAtropelamentos, Opinião
Os acidentes rodoviários condicionam a morte a 1,35 milhões de pessoas, sendo a oitava causa de morte, no mundo, segundo a World Health Organization (WHO). Contudo, ao nível da faixa etária entre os 5 e 29 anos, é a primeira causa de morte.
Mais de metade das mortes acometem os utilizadores vulneráveis: peões, utilizadores de bicicleta e motociclistas.
Em 1997, surgiu, na Suécia, um pensamento novo, sobre os problemas de mobilidade atual e dinâmicas da cidade: a Visão Zero. Ao introduzir e implementar esta forma de pensar a mobilidade, com o foco na redução efetiva da mortalidade, os suecos implementaram medidas de segregação, dos intervenientes na mobilidade urbana, criando mais separadores centrais, ciclovias e passeios. Com a implementação destas medidas, mais humanistas, obtiveram uma redução de 66% de mortes por acidentes rodoviários. Neste momento, a Suécia apresenta 2,8 mortes por cada 100.000 habitantes e Portugal 5.1. A média europeia de peões, vítimas mortais, por milhão de habitantes era de 11, em 2015, e em Portugal, na mesma altura, de 14.
Bogotá, por exemplo, já implementa medidas de redução da mortalidade rodoviária desde 1996, com o favorecimento de vias BUS, reduzindo as vias automóveis, introduzindo 300 Km de vias Cicláveis e 60.000m2 de infraestruturas para peões. Em 2017, adotaram a Visão Zero, com uma coordenação global para redução efetiva das mortes nas estradas, e os resultados começam a ser evidentes.
A República da Coreia apresenta o 3º maior declínio de mortes nas estradas, após ter avaliado as zonas de maior risco, para os utilizadores vulneráveis, e implementado separações seguras dos peões, criando School Bus regulados e Zonas Escola, sendo estas as áreas de maior limitação de velocidade.
São necessárias medidas de contenção da velocidade nos centros urbanos, os locais onde ocorrem a maioria dos atropelamentos. Em 2018, 70% dos Atropelamentos, em Portugal, ocorreram dentro de localidades. Um aumento de 1% da velocidade automóvel aumenta o risco de acidentes fatais em 4% e um aumento de 3% do risco de acidentes graves. Já uma redução de 5% da velocidade reduz em 30% o risco de acidentes fatais, segundo a WHO.
A implementação de zona urbana com velocidade máxima, real, permitida, de 50km/h e 30Km/h, em áreas residenciais é urgente. Não se pode garantir a segurança em áreas residenciais com velocidades de 50Km/h. As, assim, chamadas Zonas 30 exigem que se implementem medidas concretas que dificultem velocidades superiores: não basta colocar sinaléticas e pintar o asfalto, é preciso introduzir, na estrada, medidas que obriguem o seu cumprimento. Muitas cidades colocam floreiras, obstáculos, nas vias de circulação automóvel, para que os veiculos as tenham que contornar, e, assim, abrandar.
Só com esta real obrigatoriedade de redução da velocidade automóvel é que se pode garantir segurança a quem deseja mover-se ativamente em segurança (andar a pé, ou de bicicleta). Mikael Colville-Andersen, um especialista em urbanismo, e grande incentivador à promoção da mobilidade ativa, sugere que nas zonas onde se pode circular de automóvel a 50Km/h não se deve incentivar a andar de bicicleta: nesses locais devem ser criadas áreas segregadas para garantia de segurança.
Recentemente, foram publicados os resultados do estudo DAWN 2 (Diabetes, ATTITUDES, WISHS and NEEDS) que avaliou atitudes, desejos e necessidades das pessoas que vivem com o diagnóstico de diabetes, familiares e cuidadores, bem como profissionais de saúde. Neste estudo fica bem patente que 2 em cada 5 pessoas gostariam de ser fisicamente ativas. O mesmo estudo conclui que a maioria das pessoas refere necessitar de locais adaptados e seguros para a prática de exercício físico, junto da sua área de residência.
Ora, se é necessário implementar medidas de combate à diabetes, ao sedentarismo, à obesidade, entre outras, então, para melhorar a qualidade de vida, assim como a esperança média de vida, a sociedade tem de garantir segurança, para quem se deslocar ativamente. A limitação automóvel nos centros das cidades, exigindo percursos menos amigáveis aos carros e percursos diretos aos utilizadores de bicicleta, peões e utilizadores de transportes público, é um passo fundamental e obrigatório. Só assim se vai garantir a segurança e o estímulo para a utilização da bicicleta, garantindo também democracia na escolha do meio de transporte. Hoje em dia, grande parte das nossas cidades estão “proibidas ao peão e aos utilizadores de bicicleta”, seja pelo ruído, pela poluição, ou pela perigosidade de determinadas vias (ausência de passeios, ausência de ciclovias em zonas que permitem grande velocidade automóvel).
O impacto económico nacional da mortalidade nas estradas é imenso. Um estudo da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, realizado por Arlindo Donário e Ricardo Santos, revela que o custo que a sociedade portuguesa teve com vítimas mortais, no período entre 1996 a 2010, foi de 0.5% do Produto Interno Bruto, desse mesmo período. (http://www.ansr.pt/SegurancaRodoviaria/Publicacoes/Documents/Custo%20dos%20Acidentes%20de%20Via%C3%A7%C3%A3o%20-%20Miolo%20-%20FINAL12.pdf)
Com uma Visão Zero podemos reduzir francamente o número de acidentes, a sua gravidade e facilitar uma maior prática da mobilidade ativa.
Nesse sentido, a Braga Ciclável lançou, e promove, o movimento #BragaZeroAtropelamentos que pretende congregar esforços, de todas as forças vivas da cidade, partidos, forças de segurança, para promoção desta visão de mobilidade, comprovadamente eficaz, e que favorece a saúde e bem estar dos Bracarenses.
Só com uma visão mais humanista da mobilidade, teremos garantias de promoção da mobilidade ativa e segura, promoção de estilos de vida saudáveis, melhoria da qualidade do ar, melhoria do ruído nas cidades e diminuição da mortalidade global nacional, aumentando a esperança média de vida.
by Braga Ciclável | Jun 18, 2019 | Eventos
No dia 16 de Junho, às 10H00, a Braga Ciclável, em colaboração com a Associação Anima Una e a Associação de Festas do São João de Braga, organizou um Ciclo Passeio, pelas ruas da cidade, de cariz histórico e solidário. No local compareceram cerca de meia centena de pessoas, que se fizeram acompanhar com donativos, sobretudo peças de vestuário, para a causa da Associação CPAC, que presta apoio a imigrantes em dificuldades socioeconómicas.
O passeio teve o seu início na Praça da República, um dos locais de passagem obrigatória durante as modernas festividades de São João, depois de uma breve introdução ao evento, à Braga Ciclável com destaque ao seu contributo para a melhoria da mobilidade de peões e utilizadores de bicicleta na cidade, e à CPAC. Essa introdução foi realizada por Arnaldo Pires, Mário Meireles e Rafael Sousa, organizadores do eventos.
Depois de partir da Praça da República, o grupo passou pela Capela de São João de Braga, onde o Dr. Ricardo Silva, atual presidente da Junta de Freguesia de São Victor e um apaixonado pela história da cidade de Braga, apresentou uma muito relevante e agradável revisão histórica, sobre a grande festa do São João de Braga; a Capela de São João e sua importância; e a já não existente Quinta da Devesa, onde, no passado, os Arcebispos da cidade passavam o verão.

Após se ter ciclado pelo atual parque da ponte, a coluna de bicicletas dirigiu-se para a via pedonal ciclável, do rio Este, e seguiu para o Seminário de Fraião. No local, o grupo foi recebido e acarinhado pelo Sr Padre Manuel Martins, padre responsável pela Comunidade Espiritana de Braga. No mesmo local, junto à Igreja, o Sr Padre Manuel Martins presidiu a uma breve oração que culminou com a benção de todas as bicicletas que participaram no encontro.

Ao longo do passeio, o grupo teve o acompanhamento de uma ciclo-patrulha da Policia de Segurança Pública, que garantiu a segurança de todos no evento.
Para registo fotográfico esteve presente a Midtones Photography (www.midtonesphotography.com) que, com o seu profissionalismo já reconhecido, garantiu a obtenção de imagens, que de outra forma não teria sido possível obter.
É com agrado que a organização comunica que o Ciclo Passeio contou com a presença de adultos e crianças e se desenrolou sem incidentes. A boa disposição e a postura ordeira esteve presente, em todo o desenrolar do encontro. Mais um evento que demontra que é possivel ciclar ao longo da cidade, apesar de muitos a considerarem com uma geografia não amigável para deslocações diárias. Imagine-se como seria caso a cidade permitisse uma correta segregação dos diversos agentes de mobilidade, com maior estrutura ciclável e acalmias, reais, de tráfego.

Como nota final fica um agradecimento a todos que colaboraram ou participaram no evento, permitindo estimular a utilização de bicicletas, a solidariedade entre todos e a divulgação dos registos históricos.
by João Forte | Mai 18, 2019 | Opinião
Se pudesse diferenciar a vida do comum cidadão, em termos da utilização da bicicleta, diria que há 3 fases fundamentais.
A primeira, em criança, onde muitos tivemos a sorte de nos oferecerem uma bicicleta à nossa medida e de acordo com as nossas capacidades, ou falta delas. Passado pouco tempo, as rodinhas extras desaparecem e logo depois evolui-se para uma bicicleta ligeiramente maior.
Nem todos chegam à segunda fase, que se prolonga até à nossa juventude. Aos que
chegam, é-lhes oferecida uma bicicleta, numa fase de descoberta inicial do nosso território, que se prolonga para uma utilização já avançada, que pode incluir desde meras deslocações até voltinhas na estrada ou pelo monte.
Chegamos à terceira fase quando chega a altura de tirar a carta, onde o apelo do automóvel rouba todo o protagonismo aquele objecto até então tão fundamental nas nossas vidas, a bicicleta. O conforto do carro, o suposto estatuto e alguma liberdade permitida pelo carro são alegadamente difíceis de igualar pela bicicleta e esta é rapidamente relegada para os fundos da garagem.
São muito poucos os que fazem questão de continuar a utilizar a bicicleta de uma forma regular e muito menos aqueles que insistem em ver o óbvio, ou seja a bicicleta como uma forma prática, barata e racional de locomoção em pequenos trajectos.
É, portanto, natural, que a maioria continue a ver a bicicleta como um “filho de um Deus menor” no que concerne à sua locomoção para o resto da sua vida. Para a maioria é fundamental ter estatuto e isso passa por utilizar um carro, preferencialmente daquelas marcas mais valorizadas. Socialmente ainda não é aceitável que nos desloquemos de bicicleta.
À conta desta mentalidade, fomos construindo estradas e cidades, rapidamente entulhadas de carros e filas intermináveis. Aos que continuam a ver a bicicleta como um modo de locomoção, resta-lhes, alegadamente, sujeitarem-se a perigos vários e a uma infra-estrutura carrocéfala, a qual não leva em conta o modo de transporte mais racional, barato e ecológico, a bicicleta!
by Braga Ciclável | Mai 17, 2019 | Recortes de Imprensa
Associação mostra os benefícios da bicicleta, para a saúde e para a economia
A Braga Ciclável chamou ontem os jornalistas para apontar os benefícios, sobretudo para a saúde e para a economia, do uso da bicicleta, mas também para voltar a criticar o alegado «desinvestimento» nas ciclovias de Braga. A conferência de imprensa decorreu na Avenida António Macedo, um dos locais mais caóticos em termos de trânsito, precisamente para tentar ilustrar como Braga seria diferente com melhores condições para o uso de bicicletas.
Num extenso documento lido por Mário Meireles, a Braga Ciclável começou por lembrar que a Europa estabeleceu como meta o ano de 2050 para alcançar a neutralidade carbónica, pelo que defeniu estratégias de intervenção, nomeadamente nas viagens e movimentos pendulares que deverão, «imperativamente», sofrer alterações de comportamento.
Este elemento da Braga Ciclável lembrou que, segundo a Comissão Europeia, os benefícios da utilização da bicicleta podem ser de natureza económica, política, social, ecológica, de saúde, sendo que todas essas áreas estão correlacionadas.
Esta associação garantiu ter pedido uma reunião ao presidente da Câmara de Braga, Ricardo Rio, que ainda não aconteceu, pelo que deixou uma série de questões, sobre a falta de investimento na rede ciclável de Braga, claramente atrasada.
Assim, pede ao município que «retome o investimento previsto e execute pelo menos os 22 quilómetros de rede ciclável aprovados já em executivo municipal, com fundos europeus alocados e previstos no programa eleitoral, para benefício de todos os munícipes, que de forma direta ou indireta, beneficiam dela».
A Braga Ciclável espera que haja estratégias para tirar carros das ruas, até pelos benefícios económicos e ecológicos para os bracarenses.
@Diário do Minho, 17 de Maio de 2019
by Braga Ciclável | Mai 15, 2019 | #BragaZeroAtropelamentos, Notícias
No dia 14 de maio, a Braga Ciclável esteve presente no Parque da Ponte, na sequência de uma solicitação de reunião da Comissão Coordenadora Distrital de Braga do Bloco de Esquerda, para abordar a importância da bicicleta nas cidades.
Nesta reunião estiveram presentes 6 elementos do Bloco de Esquerda: Alexandra Vieira, Manuela Airosa, José Ribeiro, Rui Antunes e ainda os candidatos às Europeias, Ana Rute Marcelino e Miguel Martins. A associação Braga Ciclável esteve representada por Mário Meireles, Victor Domingos, Rafael Remondes e José Gusman Barbosa.

Ao longo de duas horas foram abordados diversos temas relacionados com a bicicleta e a cidade.
Foram debatidos os benefícios do uso da bicicleta no contexto da cidade de Braga, especialmente em distâncias até 5 km onde a cidade é praticamente plana e pode ter mais pessoas a utilizar a bicicleta. Mário Meireles explicou a necessidade do aumento do seu uso enquanto modo de transporte por forma a fazer com que Braga deixe de ser o terceiro concelho mais poluído do país.
A falta de segurança e de condições nas ruas das nossas cidades para a utilização da bicicleta de uma forma mais massiva tornam Braga o terceiro concelho com maior sinistralidade do país. Daí a necessidade de reversão das condições infraestruturais da cidade para permitirem uma mobilidade responsável.
A concluir, todos os intervenientes concordaram que é necessária uma estratégia municipal de mobilidade integrada que leve a uma redução do uso do automóvel, fazendo com que as deslocações interurbanas sejam feitas maioritariamente em transporte público, e as deslocações urbanas sejam maioritariamente feitas a pé, de bicicleta e de transporte público, numa lógica multi e intermodal.
A par disso, foi ainda dado a conhecer o projeto #BragaZeroAtropelamentos, ficando ainda de se agendar posteriormente uma reunião para que este projeto seja explanado de uma forma mais aprofundada.
by Mário Meireles | Mai 4, 2019 | Opinião
As cidades foram originalmente construídas para as pessoas, tendo sido reorganizadas ao longo do século XX para poderem receber os carros. Em Braga, essa reorganização começou nos anos 60, quando Santos da Cunha criou a “Rodovia” com estacionamento e com 4 vias de trânsito, numa época em que ainda se contavam pelos dedos das mãos os carros existentes na cidade.
A estratégia pareceu resultar: a criação de grandes avenidas atraiu mais carros para a cidade, algo que naquela altura ainda se pensava ser sinal de prosperidade. Mas nada de mais errado. Apenas se criou mobilidade induzida, isto é, induziu-se a população a utilizar um determinado modo de transporte, criando grandes vias dedicadas a esse modo e que o privilegiam em detrimento de todos os outros.
A pergunta que nessa altura se fazia era sempre a mesma: “Quantos carros conseguimos transportar nesta rua?”. O carro estava no topo da pirâmide da mobilidade. Era tudo para o carro, numa clara arrogância do espaço, em que as pessoas a pé, de bicicleta, de skate, de mota, ou de transporte público eram simplesmente excluídas. Infelizmente, é assim que pensam alguns (pseudo)engenheiros de tráfego ainda presos aos livros dos anos 50.
Hoje sabemos que é preciso inverter a pirâmide da mobilidade, colocar o peão no topo, seguindo-se a bicicleta e o transporte público. Se queremos corrigir esta velha (e fracassada) tradição de planeamento de tráfego e adotar um planeamento eficiente da mobilidade, então está na altura de mudar a pergunta para “Quantas pessoas conseguimos transportar nesta rua?”. Vamos, desse modo, conseguir transportar quase 3 vezes mais pessoas, no mesmo espaço que antes estaria dedicado apenas ao carro.
Se o número de vias de trânsito motorizado deixa de ter tanta importância, o estacionamento gratuito para automóveis dentro da cidade deixa de fazer sentido. O número de lugares de estacionamento (sempre pago) à superfície deve ser bem gerido, fixando limites máximos, para atrair menos carros.
Mas o que importa mesmo é a criação de uma rede ciclável segregada e segura, acompanhada de uma rede de transportes que funcione em canais próprios, por forma a garantir a sua fiabilidade e pontualidade. A bicicleta e o transporte público aliados, com bons passeios, boas passadeiras, percursos pedonais francos, diretos e livres de obstáculos, a funcionarem como a espinha dorsal da cidade.
O mundo mudou! As cidades atuais já não se preparam para o futuro construindo ainda mais viadutos, mais túneis e mais circulares, para um carro arrogante que não se preocupa com mais nada à sua volta. Isso não é “mobilidade sustentável”, ao contrário do que se afirma em Braga. Isso é trânsito, é apenas dizer “usem mais o carro”. Mas isso não se coaduna com o mundo atual e muito menos com o futuro. As cidades precisam de induzir o uso da bicicleta e do transporte público como alternativa ao automóvel. Braga não é diferente. É de lamentar que não seja agora que se induza verdadeiramente o uso da bicicleta e do transporte público como alternativa ao automóvel. Isto porque se não formos muito rápidos a mudar já hoje vamos falhar. Precisamos de uma revolução no espaço dedicado ao carro, porque no tempo da cidade, 2025 é já amanhã, e não podemos falhar às gerações futuras!
@Diário do Minho, 4 de maio de 2019