A Braga Ciclável vem aplaudir a tão desejada e necessária intervenção na pista ciclável de Lamaçães, intervenção essa que vinha sendo reivindicada há muitos anos pela associação e por todos os utilizadores daquela pista ciclável. A reorganização e proteção das rotundas, a reorganização do estacionamento, assim como a reformulação de toda a pista ciclável, são fundamentais para garantir a segurança de todos os utilizadores daquela Avenida.

É desejável que, no seguimento da conclusão da intervenção, exista já um plano de manutenção previsto para a rede ciclável que permita uma conservação cuidada destas infraestruturas. Assim se evitará a necessidade de investimentos avultados devido a intervenções que acontecem apenas de 10 em 10 anos.

A Braga Ciclável não pode deixar de demonstrar o seu espanto pela insistente manutenção de situações apresentadas há 3 anos, em reunião privada entre os responsáveis do trânsito e da mobilidade, na qual foram deixadas algumas recomendações por parte da associação no sentido da resolução de alguns pontos problemáticos.

Não se compreende como é que na Avenida dos Lusíadas, uma avenida com 24m de largura, quatro vias sobredimensionadas de trânsito automóvel e pouquíssimo tráfego rodoviário, se opta pelo abate de seis árvores saudáveis e a construção de uma perigosa ciclovia bidirecional. Somos da opinião, devidamente fundamentada em parâmetros legais, de que neste caso específico, a pista ciclável pode e deve ser unidirecional em cada um dos sentidos e que deverá ser executada sem que isso implique o abate das árvores, que tão necessárias são para as nossas cidades e para os seus habitantes.

Não se compreende igualmente como é que em quatro momentos a pista ciclável é interrompida e o atravessamento que devia ser de velocípedes, é unicamente de peões, originando nuns verdadeiros “remendos” no meio das rotundas.

“Foi a IP – Infraestruturas de Portugal que obrigou”, dizem os técnicos e responsáveis do Município. Pois bem, se a negociação com o técnico da IP, que avalia a situação à distância, não vai ao encontro das necessidades da cidade e das boas práticas, então deverá requerer-se à IP a transferência de competências desta Avenida, ou deste troço de Avenida, para o Município, executando um plano especificamente adequado ao lugar.

Não se compreende também que, na Avenida de Gualtar, com 22m de largura e quatro vias de trânsito, não se passe a ter apenas duas vias de trânsito e se criem ali duas ciclovias unidirecionais, fazendo um percurso de 200m, para depois continuar pela Rua da Estrada Nova, tal como Previsto no PDM – Plano Diretor Municipal. Ao invés disso, o carro fica com o caminho mais direto e mais rápido, enquanto que quem for de bicicleta é obrigado a dar uma volta que implica o dobro da distância percorrida pelo carro.

Estes contributos e comentários estão vertidos num documento, que agora tornamos público, e que foi enviado às 09:54 do dia 21 de fevereiro de 2017, intitulado “Recomendações da Associação Braga Ciclável sobre o Projeto da Rede Ciclável Urbana (Fase 1: 15 km)”, e enviado, em exclusivo, para o Gabinete do Vereador da Mobilidade. Até à data não obtivemos qualquer resposta.

Continuamos assim a aguardar, ansiosamente, pela intervenção nos restantes 12 km que complementarão a intervenção, no corrente ano, da Ciclovia de Lamaçães e sua extensão a Gualtar.

Braga Ciclável