Circular de bicicleta à noite: luzes e refletores


Luzes de bicicleta, à frente e atrás

Para quem anda de bicicleta à noite: por favor, usem sempre luzes e refletores nas vossas bicicletas, para vossa segurança e para segurança de todos!

A lei obriga a usar luzes, mas nestas coisas não é por obrigação legal que precisamos de agir – é mesmo para salvar a nossa pele. Andar sem luzes à noite ou de madrugada é um comportamento de risco, cujas consequências podem ser gravíssimas. As luzes da bicicleta, mesmo que não sirvam para iluminar o caminho, servem para sermos vistos no trânsito pelos outros condutores e, deste modo, prevenir acidentes.

Em qualquer loja de bicicletas, encontrarão à venda vários modelos de luzes para bicicleta. Não tem de ser um farol potente de BTT, daqueles que encandeiam e incomodam todos por quem passam. Para circular em zonas bem iluminadas da cidade, basta uma simples luz branca à frente e outra vermelha atrás (sem piscar, de preferência). Os refletores nas rodas também ajudam a tornar-nos visíveis para os outros condutores e devem ser utilizados.

Não há nada como sair à noite se bicicleta para tomar um copo com os amigos, ir ao teatro ou ao cinema, ou simplesmente para sentir a brisa fresca no corpo. Usando luzes e refletores, estamos a contribuir ativamente para que o possamos continuar a fazer por muitos muitos mais anos. Boas pedaladas!

Pedalar para o trabalho no Inverno (Parte 2)


Diz o calendário que a primavera já chegou há algum tempo, mas o boletim meteorológico tem mostrado um cenário bem diferente. Com a chuva à porta, vale a pena anotar algumas dicas sobre o uso da bicicleta durante nessas condições.

Fato impermeável – o acessório indispensável nº 2

Para não ficarmos molhados, há muitas técnicas e diferentes tipos de vestuário. Para chuvas ligeiras e percursos curtos, uns guarda-lamas e um casaco semi-impermeável poderão ser suficientes. No entanto, quando chove a sério, é boa ideia ter na bagageira da bicicleta um bom fato impermeável.

Fato impermeável para ciclista

A escolha do fato impermeável deve ser cuidadosa! Confesso que eu mesmo fiz uma má escolha na primeira vez que fui comprar um impermeável. à falta de melhor na loja aonde me dirigi, acabei por sair de lá com um impermeável barato, daqueles que usam os futebolistas amadores. O fato era levezito e até era fácil de vestir por cima da roupa de trabalho. No entanto, as calças não eram assim tão impermeáveis e frequentemente precisava de ter uma muda de roupa disponível no destino.

Acabei por ir posteriormente a uma outra loja e comprar umas calças impermeáveis próprias para ciclismo. Problema resolvido: apesar de custarem quase o triplo, nunca mais cheguei ao trabalho com as calças molhadas. Além disso, estas novas calças impermeáveis eram ainda mais práticas, ao incluírem fechos laterais nas pernas (para facilitar o vestir e despir sem tirar os sapatos ou as botas), ajuste de velcro para evitar interferência com o movimento de pedalar ou com a corrente, e ainda refletores laterais para maior segurança.

Dependendo do tipo de calçado utilizado, poderá ser útil também a utilização de uma cobertura impermeável para os sapatos. Existem modelos muito práticos, fáceis de pôr e tirar, e que permitem manter os pés e o calçado secos durante uma viagem debaixo de chuva intensa.

Normalmente, o fato impermeável deverá incluir um capuz. Se não for o caso, existem também chapéus ou capuzes impermeáveis próprios para ciclistas, alguns dos quais até podem ser utilizados em conjunto com um capacete de ciclismo.

Se o tempo estiver frio, umas luvas (de preferência impermeáveis) ajudarão a manter as mãos confortáveis durante a viagem.

Ao chegar ao destino, depois de tirarmos o fato impermeável, basta um lenço ou uma toalha para secar o rosto, e estamos como novos!

Luzes e refletores

Nunca é demais lembrar! Com o tempo de chuva, a visibilidade é muito baixa e as distâncias de travagem aumentam radicalmente. Assim, as estratégias que permitam aumentar a nossa visibilidade são essenciais para manter a segurança. Como com o tempo de chuva normalmente escurece mais cedo, é boa ideia ter refletores e um bom conjunto de luzes (dianteira e traseira).

(continua…)

Pedalar para o trabalho no Inverno (Parte 1)


Bicicleta chuva

Quando há cerca de 10 meses 2 anos comecei a ir de bicicleta para o emprego, imaginava que seria bem mais difícil do que realmente tem sido. Por um lado, tinha uma certa desconfiança relativamente à boa vontade dos automobilistas em partilharem a estrada (um daqueles assuntos que certamente abordarei um destes dias). E, por outro lado, achava que a lendária chuva da cidade de Braga seria um forte impedimento ao uso da bicicleta. Mas afinal não foi.

Diz-se que lá mais para o norte da Europa há um provérbio ciclista que afirma “There isn’t such a thing as bad weather or good weather: there is bad gear and good gear”. Ou seja, não há bom ou mau tempo para andar de bicicleta: há, isso sim, equipamento adequado ou inadequado a cada condição climatérica. E, contrariamente ao que o senso comum nos poderia levar a pensar, nem sempre um bom equipamento passa necessariamente por compras caras em lojas de especialidade.

Comecemos por salientar que o equipamento certo para cada caso depende de vários fatores: a distância a percorrer, o nível de inclinação, o tipo de estrada, o tipo de bicicleta, a condição física do ciclista e, finalmente, o tempo que faz.

No meu caso, percorro uma distância de 3km até ao local de trabalho, com muito pouca inclinação (quem foi que disse que Braga não era uma boa cidade para se andar de bicicleta?). Faço todo o caminho por estradas de alcatrão, ruas de paralelo e calçadas. No entanto, ainda que tenha um caminho sem lama, é frequente haver lençóis de água em algumas partes do percurso. Sobre a cidade de Braga, costuma dizer-se que é muito chuvosa, mas a verdade é que não é tanto assim. Há bastantes dias de chuva, é verdade, mas ainda muitos mais dias de sol ou de tempo nublado e seco.

Esta série de artigos servirá para registar e partilhar um pouco da minha aprendizagem ao longo deste período, na expectativa de que a informação possa ser útil a quem pretende também começar a pedalar em tempo frio ou molhado.
 

Guarda-lamas: o acessório indispensável nº 1

Guarda lamas

Quando comecei, sabia que um par de guarda-lamas seria uma das características essenciais para a rotina diária. Quis o acaso, contudo, que os meus guarda-lamas tardassem alguns meses até ficarem disponíveis para entrega. Infelizmente, em Portugal, a maior parte das bicicletas ainda são apenas objetos de lazer off-road

Assim, quando surgiram as primeiras chuvadas, a minha estratégia passou por adquirir um impermeável e guardar uma muda de roupa no escritório. E resultou, parcialmente. Por um lado, isso permitiu que eu vencesse o receio inicial de enfrentar a chuva, mesmo tendo que mudar de roupa de vez em quando ao chegar ao destino. Por outro lado, rapidamente me apercebi que a falta dos guarda-lamas também afetava o funcionamento correto da bicicleta. O travão traseiro deixava de funcionar com alguma frequência, ao acumular a areia arrastada pela água, o que implicava a necessidade de alguns minutos diários de limpeza e lubrificação desse mecanismo.

Quando, meses mais tarde, tive a possibilidade de instalar os tão esperados guarda-lamas, pude finalmente dar algum descanso à minha rotina de limpar e lubrificar o travão traseiro. O guarda-lamas tratava de parar os grãos de areia antes que estes chegassem aos mecanismos. Uma outra vantagem, talvez mais óbvia, foi que passei a poder andar de bicicleta com piso molhado mas sem chuva ou com aguaceiros leves, sem impermeável. A minha pergunta de sempre, antes de pegar na bicicleta, deixou de ser “está a chover ou está o chão muito molhado?” e passou a ser “Chove muito?”…

Portanto, sem querer obviamente retirar a suprema importância de um bom conjunto de luzes (independentemente do tempo que faça), o guarda-lamas merece o lugar de acessório essencial para quem usa a bicicleta como veículo utilitário. A tal ponto que eu arriscaria dizer que deveria mesmo fazer parte da bicicleta, não como acessório, mas como componente-base.

(continua…)