Um outro tipo de contágio

Um outro tipo de contágio


Comecei a andar de bicicleta porque me deixei contagiar por alguém que acorda a pensar em bicicletas, desde os seus parafusos às suas rodas. Não consegui ficar indiferente a esse fascinante interesse. Gostei do sabor que essa vontade me deixou e não parei de pensar em arranjar uma coisa dessas para me deixar levar.

Foi então que senti os primeiros sintomas: adquirir uma bicicleta à minha medida e que permitisse chegar onde precisava sem perder o ar nos cabelos; querer arranjar uma maneira de levar tudo o que me fazia falta; olhar para todas as bicicletas que passassem por mim e começar a achar que tudo é demasiado longe para ir a pé e demasiado perto para precisar de outro transporte e, por fim, sentir e valorizar o sabor de uma outra liberdade.

Quem tem reparado e observado o movimento da cidade e das pessoas nota claramente que há mais gente a andar de bicicleta. Gosto de olhar para elas e pensar de onde vêm, para onde vão e como foram contagiadas por esta vontade. Com certeza ouviria muitas belas histórias, porque quem anda de bicicleta, geralmente, tem sempre uma história para contar. Se calhar ouvir essas histórias seria importante para perceber o que motiva as pessoas a andarem de bicicleta, em cidades como Braga, sem as mínimas condições para a utilização deste meio.

Que pessoas são estas que arriscam, mas que não desistem e seguem caminho nas suas bicicletas? Somos nós, são outros tantos e, na verdade, pode ser qualquer um.

O melhor incentivo e, provavelmente o mais eficaz, é contagiar com a nossa vontade em andar de bicicleta e revelar o quão simples e prático essa mudança pode ser. Assim, quanto mais pessoas utilizarem a bicicleta nas suas deslocações mais evidente e imperativo será a necessidade de agir em prol da segurança de todos nas estradas.
Trata-se de um contágio que só traz saúde.

Uma cidade diamante

Uma cidade diamante


Tinha uma vontade. Fui ao mapa e tracei a minha rota. Peguei na minha bicicleta e fui. Cheguei com a maior simplicidade com que se pode chegar a um lugar. Durante a viagem sonhei… sonhei que Braga poderia também ser um “paraíso ciclável” e que tudo ganharia outro ar. Apercebi-me tão rapidamente o quão atrasados estamos em relação ao resto da Europa. Sair de Braga para viver uns meses em Antuérpia é ser presenteada todos os dias a nível da mobilidade. Antuérpia, que em 2019, foi classificada a 4º cidade mais bike friendly pelo The Copenhagenize Index, e isso sente-se na perfeição para quem por aqui circula e reflete-se, realmente, no dia-a-dia das pessoas, com mais de 700km de ciclovias seguras e confortáveis. (mais…)

Cria uma nova perspetiva

Cria uma nova perspetiva


Políticas urbanas, existência de vias cicláveis, medidas de acalmia do trânsito, estacionamento de bicicletas na cidade, incentivos, integração com outros meios de transporte, utilização da bicicleta em contexto escolar, clima, topografia e mentalidades, estes são alguns dos fatores que diversos estudos apontam como influenciadores da utilização da bicicleta nas cidades.
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Uma oportunidade para desacelarar

Uma oportunidade para desacelarar


O compasso em que vivemos as nossas vidas é cada vez mais acelerado e stressante e muitos de nós somos absorvidos pelo caos, a pressão e a pressa, levando a que a nossa mente se transforme numa autêntica autoestrada.

Andar de bicicleta no dia-a-dia é uma boa forma de reivindicar o nosso próprio tempo e focar a atenção no presente. É um excelente meio para criar um espaço mental livre e estarmos conectados com as nossas emoções, sensações físicas e com o meio envolvente. Assim, esquecemos e pedalamos para o lugar onde queremos ir com a mente atenta aos sons, à paisagem e a nós. A consciência que desenvolvemos ao andar de bicicleta ajuda-nos a libertar preocupações e a escapar a padrões de pensamento negativos. Somos confrontados com os nossos medos e com os nossos limites e superamos a cada momento desafios, tornando-nos mais autossuficientes e independentes.

A investigação tem revelado que utilizar a bicicleta na rotina diária, além de tornar o corpo mais saudável, apresenta grandes benefícios também para o cérebro aumentando a produção de proteínas usadas para o desenvolvimento de novas células cerebrais. Estando também cientificamente comprovados os benefícios para a saúde emocional, ajudando a combater a depressão e ansiedade. De acordo com autorrelatos de utilizadores de bicicleta, presentes consistentemente em diversos estudos, verifica-se que os fatores psicológicos como relaxamento, redução de stress, diversão, prazer e interação social são as principais motivações para o início e/ou continuidade da utilização da bicicleta como modo de transporte.

Quando estamos dentro da carapaça de um automóvel, estamos demasiados focados no destino, em chegar o mais rápido possível, levando a que o espaço temporal entre o partir e o chegar seja quase um tempo morto, uma perda de tempo – estar preso no trânsito é sempre um constrangimento, todos nós sabemos. Quando a deslocação é feita através da bicicleta o percurso é o encanto maior da viagem, possibilitando uma infinidade de conexões intermediárias que geralmente são muito valiosas e que conduzem a uma ótima sensação de bem-estar. O tempo do percurso deixa de ser apenas um tempo de deslocação e passa a contar como tempo útil, como tempo de vida.

@Diário do Minho, 15 de junho de 2019