Uma criança de 12 anos foi atropelada numa passadeira na Avenida Dr. António Palha, em Lamaçães, no passado dia 9 de Junho. Uma outra, de 10 anos, foi atropelada numa passadeira semaforizada na Avenida da Liberdade. Não são sinistros isolados. São episódios de um problema estrutural documentado, denunciado e com soluções conhecidas, que o Município continua a não dar resposta.
Os números do concelho falam por si. Entre 2019 e 2023, foram registados quase 400 atropelamentos no Concelho de Braga, o equivalente a 1 a cada 3 dias. O distrito de Braga registou 214 atropelamentos em 2025, o segundo valor mais alto do país, acima de Lisboa. Quase 70% dos atropelamentos em Braga ocorrem em passadeiras. Em 2026, foram já noticiados pelo menos quatro atropelamentos em Braga, todos em passadeiras, sendo que os dados oficiais irão revelar muito mais.
A Braga Ciclável lançou o movimento #BragaZeroAtropelamentos, mapeou os pontos negros de Braga e notificou as entidades responsáveis. Muito pouco foi feito por quem pode fazer.
Em abril de 2024, a associação publicou o Manifesto 40/24, 40 medidas em 24 meses, entregando-o a todos os responsáveis políticos. Nesse manifesto, a associação propõe as seguintes medidas para reduzir os atropelamentos e melhorar a segurança rodoviária:
- Adopção da Visão Zero Municipal – zero mortes nas ruas do concelho
- Cidade 30 – limite de velocidade com medidas físicas de cumprimento, incluindo sobrelevação de passadeiras
- Colocação de radares fixos de velocidade nas principais avenidas
- Sobrelevação de todas as passadeiras na zona densa e plana da cidade
O Município de Braga tem um Plano Municipal de Segurança Rodoviária que não é conhecido publicamente e por conseguinte não existe nenhuma medida executada.
O atual executivo municipal tomou posse a 3 de novembro de 2025. Herdou o protocolo ANSR. Conhecia o Manifesto 40/24 desde a campanha. Passaram sete meses. O plano não é público. Não se conhecem as medidas previstas no calendário, nem o orçamento. Nenhuma das medidas, identificadas no Manifesto e que poderiam ter contribuído para que se evitassem os atropelamentos que têm acontecido, foram executadas ou existe um plano conhecido para tal.
A Braga Ciclável solicitou ao Município de Braga o estado do Plano Municipal de Segurança Rodoviária bem como a apresentação pública de um calendário concreto para a implementação das medidas de segurança pedonal e ciclável.
Para além disso e sem prejuízo das medidas já apresentadas pela associação, a Braga Ciclável propôs as seguintes medidas a serem implementadas:
- Radares fixos de velocidade nas avenidas com maior sinistralidade. A Avenida Padre Júlio Fragata, a Avenida Frei Bartolomeu dos Mártires e as vias que compõem a Rodovia concentram os índices mais elevados de sinistralidade na cidade. A instalação de radares fixos de velocidade nestas artérias, em articulação com a ANSR, a PSP, e a Polícia Municipal constitui uma medida de baixo custo, rápido retorno financeiro e, mais importante, elevado impacto na segurança rodoviária comprovado.
- Sobrelevação de passadeiras ao nível dos passeios. Todas as passadeiras na zona densa e plana da cidade deverão ser sobrelevadas ao nível dos passeios, eliminando a diferença de cota que induz o aumento de velocidade na aproximação. Esta medida não requer obras de grande envergadura e pode ser executada de forma faseada, com prioridade para as artérias com maior volume de tráfego pedonal e ciclável e registo de sinistros na última década.
- Reforço da fiscalização A Braga Ciclável solicita que o Município, em coordenação com a PSP e a Polícia Municipal, promova o reforço da fiscalização do cumprimento dos limites de velocidade e das regras de cedência de passagem a peões e ciclistas nos atravessamentos da cidade, com particular incidência nas avenidas identificadas acima.
A Braga Ciclável continuará a lutar por um concelho mais seguro para quem quer andar a pé e de bicicleta e por melhores condições para o transporte público, pontos centrais do objeto da Associação. Braga não pode responder com silêncio quando tem 1 atropelamento a cada 3 dias, atropelamentos em passadeiras e um acumular de sinistros e vítimas mortais.
(Foto: DR / Arquivo )

