Estar do lado certo

Estar do lado certo


Estocolmo, Oslo, Copenhaga ou Amesterdão são invariavelmente usadas como exemplos de cidades cicláveis. São locais com espaços amplos para peões, reduzidas estradas para o automóvel e muitos kms de ciclovias. Transformaram-se em sítios considerados por vários rankings como dos melhores do mundo para se viver e tudo graças a opções políticas centradas nos meios suaves de transporte como a bicicleta que foram sendo consistentemente tomadas ao longo de décadas. Graças ao seu sucesso, foram seguidas por outras cidades europeias como Paris, Londres, Barcelona, Madrid ou Sevilha que optaram pelo mesmo tipo de políticas e por cá, também Lisboa decidiu seguir o mesmo caminho.
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Meu querido mês de agosto

Meu querido mês de agosto


Durante este último mês de agosto, grande parte dos bracarenses apreciou seguramente mais a cidade. As condições não podiam ser melhores: sol, calor, mais gente a passear no centro e mais atividades recreativas e culturais como concertos, exposições, feiras etc. No fundo, a cidade em agosto e nos meses de verão ganha outra vida. Ao mesmo tempo, as estradas estão desimpedidas. Agosto significa também menos condutores na estrada, menos filas, menos trânsito, menos stress e mais tempo para aproveitar com amigos e família.

Porém, depois de um quase idílico agosto, chega o mês de setembro e o regresso ao trabalho, às aulas e de mais carros na estrada. Milhares de automóveis voltam a encher a cidade de fumo e de poluição que não é só atmosférica mas também visual e sonora.

Muitos de nós em algum momento nos questionamos: Porque não pode ser sempre Agosto? Porque não podemos ter sempre estradas livres para podermos circular e demorar menos tempo nos nossos percursos diários?

Infelizmente, sabemos que isso não é possível.

Braga tem cada vez mais carros que trazem mais congestionamentos, mais acidentes, mais ruído e mais poluição. São mais de 180 mil habitantes no concelho a deslocarem-se praticamente todos os dias. As contas podem não ser precisas mas a conclusão é visível para todos nós: há carros a mais na cidade! Tentamos alargar estradas, ter mais vias para abrir espaço para o automóvel mas isso apenas significa ainda mais veículos e mais filas. Da mesma maneira que muitas vezes sentimos que uma casa maior é a necessidade para os nossos problemas de arrumação para no fim chegarmos à conclusão que o que precisamos mesmo é de nos livrar das coisas que não precisamos e que vamos acumulando, as cidades não precisam de estradas mais largas, precisam é de menos carros.

Mas esta conclusão não é assim tão óbvia para os decisores políticos. Enquanto continuamos com verdadeiras autoestradas a cortar a cidades podemos tomar nós o primeiro passo.

Neste mês de setembro e início de outono, enquanto o sol ainda não se esconde por trás da nuvens aproveite para deixar o carro em casa e tire a bicicleta do canto da garagem para dar umas pedaladas nas pequenas deslocações. Sem filas, sem buzinadelas, sem stresses. Um bem para a alma e para o corpo. Apenas 30 minutos de bicicleta são o suficiente para estar de acordo com as recomendações de exercício físico diário segundo a OMS. Acredite que 15 minutos são, na maior parte dos casos, suficientes para se chegar ao centro da cidade.

Existem muitas desculpas para não começar a pedalar. Calor a mais, subidas a mais, chuva a mais, esforço a mais… Mas no meio disso tudo há um “a mais” que nós teimamos em esquecer. Há carros a mais em Braga. Milhares todos os dias a entrar e a sair da cidade. Vamos cada um de nós a tirar um carro da cidade de Braga. Evite horas de ponta, vá de bicicleta. Verá que pelo menos para si, o calmo e querido mês de agosto na estrada não chegou ao fim.

Boas pedaladas

Há carros a mais!

Há carros a mais!


Temos assistido a um aumento de tráfego automóvel que leva a congestionamentos nas ruas. O excesso de carros numa cidade traduz-se nisso mesmo: filas. E o problema do trânsito só se resolve com melhor mobilidade a pé, de bicicleta e em transporte público, ou seja, formas de mobilidade que são muito mais eficientes em termos da ocupação do espaço público.

A cidade de Braga é constituída por 11 freguesias do concelho onde residem 126 710 pessoas. É na cidade que surgem os problemas de mobilidade. O (pequeno) congestionamento de trânsito automóvel na cidade de Braga não é novidade. Há, por exemplo, um mau encaminhamento na saída das autoestradas A11 e A3, em Celeirós, onde os automóveis que querem ir para Infias são encaminhados pela Av. Padre Júlio Fragata (8,7 km), quando deviam ser encaminhados pelo trajeto mais curto, mais rápido e mais direto – a Avenida António Macedo (6,7 km).

Mas o tráfego automóvel que sai do Concelho representa menos de 25% do tráfego automóvel, de acordo com estudos do Quadrilátero de 2013. A maior parte das viagens de automóvel são dentro da cidade. Estas são as viagens que congestionam a cidade, porque muitas vezes não é necessário, nem é eficiente, utilizar o carro nestas viagens. Em viagens até 8 km a bicicleta e o transporte público são mais eficientes. Se combinarmos estes dois modos de transporte ainda melhor. Agora imaginem que se conseguia substituir uma parte destas viagens de carro feitas dentro da cidade por viagens feitas de bicicleta e/ou de transporte público: a cidade ficava menos congestionada, porque andavam menos carros na rua e haveria menos carros estacionados a ocupar o espaço público.

Então o que é preciso para reduzir o número de pessoas a andar de carro e aumentar as que andam de bicicleta e transportes públicos? Simples, adequar a infraestrutura existente. Não, não é preciso criar mais estradas, mais túneis e mais viadutos. Aliás, dever-se-ia trabalhar no sentido de reverter a existência de túneis e viadutos na cidade, e isso só reduzindo o número de carros a circular. É necessário acalmar as ruas, reduzir as velocidades e reduzir o número de carros, sim, mas é fundamental redesenhar as ruas por forma a que exista uma infraestrutura (em muitos casos segregada) que garanta a segurança de quem pedala e que traga vantagens a quem vai dentro do autocarro.

Ricardo Rio e Miguel Bandeira prometeram 76 km de vias cicláveis, mas está quase tudo por fazer. É hora de avançar pelo menos com o Projeto de Execução de Inserção Urbana da Rede Ciclável do Centro de Braga, anunciado e aprovado pelo executivo em janeiro de 2018 e que prevê entre 2018 e 2020 a execução de 20 km de ciclovias segregadas no núcleo da cidade.