Comecei a usar a bicicleta em 2017, no dia em que me cansei de fazer um percurso mínimo de carro para ir trabalhar. Eram apenas cinco quilómetros entre a casa e a Estação de Braga, de onde seguia para o Porto. Porque comecei? Porque o trânsito me cansava, porque tinha de pagar estacionamento e porque fazia pouco sentido para mim usar o carro a uma distância tão curta. Já tinha adquirido o hábito da bicicleta quando vivia nos Países Baixos e decidi arriscar novamente, em Braga. Desde então, muita coisa mudou na minha rotina quando passei a trabalhar remotamente, mas a bicicleta manteve-se como hábito.
Hoje olho para a cidade e noto algumas mudanças. Vejo mais pessoas a andar de bicicleta: estafetas, estrangeiros, jovens e, com especial agrado, cada vez mais pais a levarem os filhos para a escola. Outras coisas, no entanto, pouco mudaram. Existem mais ciclovias, mas são desconexas, obrigam a constantes ginásticas de montar e desmontar e, muitas vezes, a optar pelo caminho mais longo. Há mais lugares de estacionamento para bicicletas, mas ainda são poucos. Os buracos nos percursos continuam a aparecer.
Se as condições não melhoraram significativamente, porque continuo a andar de bicicleta? Porque há mais gente a fazê-lo? Porque, apesar de tudo, se as condições para andar de carro já não eram boas, pioraram, e muito. A infraestrutura rodoviária é praticamente a mesma de há quase dez anos, mas o número de carros aumentou muito além do espaço disponível. O piso está desgastado, é frequente haver filas para entrar e sair da cidade, acidentes que agravam ainda mais o congestionamento e há cada vez menos estacionamento.
Continuo a andar de bicicleta em Braga porque, na maioria dos trajetos curtos que faço, é mais rápido do que o carro. Tenho sempre onde estacionar e o trânsito raramente me afeta. Gostava que a rede ciclável fosse melhor? Sem dúvida. É por isso que, na Braga Ciclável, lutamos todos os dias por melhores condições. Mas sei que, se optasse pelo carro para percorrer três quilómetros e passasse vinte minutos entre filas e procura de estacionamento, estaria muito pior.

