Movimentos sociais em bicicleta

Em tempos em que as manchetes dos jornais cobrem as subidas dos preços de barril, a criatividade floresce e nem todas as consequências são negativas. Novos movimentos populares em bicicleta surgem um pouco por toda a cidade de Braga e promovem o encontro e convívio entre as pessoas. Hoje partilho convosco dois movimentos que vejo crescer com apreço – o “Bagar” e o “À Deriva”.

O “Bagar”, segundo as palavras do próprio fundador – João Rodrigues – é uma iniciativa democrática “de todos e para todos”. Está aberto a todo o tipo de idades, bicicletas e nível de preparação física. Inspirado no “Lisbora”, tem o mesmo conceito implícito de pedalar até um tasco. O objetivo é promover o uso da bicicleta como meio de transporte na cidade, dar mais visibilidade aos ciclistas e promover e apoiar negócios locais.

Tem uma periodicidade semanal – todas as quintas-feiras são selecionados diferentes percursos para diferentes zonas da cidade e diferentes tascos. Estes passeios permitem dar a conhecer zonas da cidade diferentes do habitual, uma vez toda a gente participa ativamente nas decisões de futuros percursos e toda a gente vive a cidade de maneira diferente. Os tascos recebem-nos sempre com grande entusiasmo. Ao darem uma nova vida e visibilidade a estes locais procuram também impulsionar o comércio local e impedir que estes espaços de convívio desapareçam.

Os percursos são curtos e acessíveis, entre 5 a 10km. Se o receio for a falta de segurança na estrada, o grupo é grande e tem muita adesão (nunca teve menos de 15 participantes até hoje), acabando por ser muito visível para os condutores. Há o lema de nunca deixar ninguém para trás, preferem levar um ritmo mais lento e incluir e acolher todos os participantes.

O “À deriva” à semelhança do “Bagar” pretende ser um movimento cooperativo em que todos colaboram com diferentes propostas de passeios de bicicleta. Segundo a fundadora, Rosa Soares, este movimento promove valores de inclusão, acessibilidade e mobilidade ativa combinando com um espirito de aventura e liberdade.

Tem a particularidade de pretender romper algumas barreiras e amarras, ao promover a participação do género feminino e mitigar a sensação de insegurança acrescida eventual ou real que este género possa sentir ao pedalar na estrada. O grupo é direcionado para mulheres, mas não é só para mulheres, é para quem quiser aparecer e se identificar com o propósito do grupo.

É dirigido a toda a gente, mas tem tido percursos mais longos (mais de 30km), com maior duração, pelo que convém consultar o grau de dificuldade previamente. Os participantes com menor experiência são geralmente aconselhados a participar primeiro nos passeios mais curtos da “Bagar”. É, no entanto, objetivo do grupo promover vários tipos de passeios heterogéneos com diferentes durações e níveis de dificuldade no futuro.

Precisamente pela maior duração do percurso, os passeios são geralmente realizados ao fim de semana, sendo selecionados diferentes dias/horários conforme o passeio em questão.

Quem já participou num movimento social em bicicleta volta sempre. Convido também os leitores a participarem. Se estiver interessado em participar no “Bagar”, basta aparecer todas as quintas-feiras às 19h no campo das Carvalheiras, onde se inicia a viagem todas as semanas. O “À Deriva” tem uma página no Instagram com o mesmo nome, onde no início de cada mês são anunciadas todas as viagens planeadas para esse mês.

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