Sempre que se fala das obras que ocorreram na Avenida da Liberdade, surgem críticas várias, o estacionamento e uma ciclovia que alguns dizem que está sempre vazia. Sobre o estacionamento, acho sempre curioso o argumento, pois não vejo qualquer vantagem de ter carros parados no mesmo local das 9 às 17, senão mais. Não dinamizam o comércio local e, diga-se, ocupam espaço público escasso e precioso, o qual pode e deve ser aproveitado de formas mais sustentáveis e racionais. Mas nem é disto que quero falar, pois se fosse por aí poderia sim falar do facto de existirem poucos lugares para cargas e descargas. Esses são escassos e estão frequentemente ocupados indevidamente com carros estacionados.
O que quero focar é mesmo a ciclovia, a qual é uma artéria fundamental de mobilidade suave do centro da cidade. É apenas na ciclovia que nós, utilizadores da bicicleta como modo de transporte, diário ou não, estamos seguros dos carros. Ou pelo menos quase sempre seguros, pois há sempre alguém que se acha especial e usa a ciclovia como estacionamento do tipo 5 minutos. Ou então alguém que entra pela ciclovia dentro rumo ao passeio, quase que atropelando utilizadores da bicicleta, tal como me ia acontecendo outro dia quando descia a Avenida.
É esta mesma ciclovia, a qual naturalmente tem alguns erros de pormenor, que possibilita a todos os que utilizam a bicicleta, tenham segurança e confiança nos trajectos. Segurança esta que é ainda mais importante quando vamos com crianças na cadeirinha ou no atrelado puxado pela bicicleta. É precisamente a insegurança que leva tantas pessoas a afirmar que não se atreve a andar de bicicleta em Braga e muito menos deixar os filhos andar de bicicleta.
Mesmo assim há quem, por mero preconceito, ache que a ciclovia foi um disparate e um desperdício de dinheiro, quando afinal é um trunfo na mobilidade de Braga. Afirmam teimosamente que não passam ali bicicletas quando basta abrir os olhos e vê-las passar. Se poderiam ser mais? Sim, poderiam, mas o caminho faz-se caminhando e o número de utilizadores de bicicletas tem aumentado bastante na última década.
Na óptica de algumas pessoas nós, utilizadores de bicicleta, temos de ser reféns da (i)lógica deles, do carro, posso e mando, da mentalidade de que a bicicleta é para os pobres e para os maluquinhos. Mas a realidade é que vemos todo o tipo de pessoas, homens e mulheres, a utilizar a bicicleta em Braga, também na ciclovia da Avenida da Liberdade. Seja quem, de facto, não tem outra alternativa, a médicos, arqueólogos, enfermeiros, advogados, professores universitários, investigadores, engenheiros e outros mais. Várias gerações de ciclistas usam esta ciclovia, aproveitando ser uma via segura e que dá confiança. Isto seja em lazer ou para ir ao comércio de proximidade. Só vantagens, nenhuma desvantagem, todos ficam a ganhar e ninguém perde. Agora imaginem o que aconteceria se fosse seguro andar de bicicleta por toda a cidade. Lá chegaremos!

