Numa Braga poluída: o papel de cada um de nós e o da Câmara

Numa Braga poluída: o papel de cada um de nós e o da Câmara


Em Braga a poluição ambiental não é algo de que se fale regularmente. E é estranho que tal aconteça: tal como Lisboa e o Porto, Braga excede os valores máximos permitidos por lei. Sabemos hoje os riscos de saúde que corremos por vivermos em permanência em locais poluídos – e há dias um novo estudo juntou mais uma preocupação: as micropartículas libertadas também provocam diabetes tipo 2.

O grande responsável pela poluição das cidades é o automóvel particular. E, em Braga, a mobilidade assenta sobretudo neste meio de transporte poluente e ineficaz. Porém, quando se propõe que utilizemos a bicicleta, os argumentos contra centram-se na impossibilidade desta substituir em permanência um automóvel.

Ora, não é disso que se trata. O que se pretende é que, à semelhança do que acontece até em cidades de grande dimensões como Copenhaga, Barcelona ou Berlim, vejamos a bicicleta como uma alternativa ao carro para determinados percursos. É algo simples que podemos fazer, tal como fechar a água da torneira enquanto escovamos os dentes.

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Braga podia ser das crianças!

Braga podia ser das crianças!


Não há muitos locais em Braga onde possamos deixar os pequenos ciclistas pedalar à vontade. As ciclovias são perigosas ou porque funcionam lado a lado com vias rápidas ou porque não têm proteções junto ao rio. Mesmo na área pedonal é impossível deixar um miúdo andar de bicicleta sem a atenção de um adulto. Há sempre veículos que surgem dos mais diversos locais. A avenida Central serve, até, para os condutores acelerarem de forma a chegarem mais rápido à saída na Senhora-a-Branca, ignorando que passam à porta duma escola (D. Pedro V). E fora da zona pedonal nem vale a pena pensar em deixar as crianças pedalarem sozinhas.

Toda a cidade é muito perigosa. Tem de ser assim? A uma hora e pouco daqui há uma cidade que acabou com a prioridade dada aos carros. O médico e Presidente da Câmara de Pontevedra Miguel Fernández pôs fim à ditadura não saudável dos automóveis. E as crianças são uma prioridade porque “cando están na rúa fan que a cidade sexa máis segura”. Em toda a cidade – e não apenas na zona histórica – a prioridade é dada aos peões. Seguem-se, por ordem, as bicicletas, os transportes públicos e os restantes veículos. Promove-se a coexistência entre vários modos e para isso há um limite de 30km/h e inúmeras medidas de acalmia de tráfego (que produziram uma redução drástica dos acidentes). (mais…)

Estratégia além das infraestruturas

Estratégia além das infraestruturas


​Na rua ou nas redes sociais, uma das críticas sistemáticas em Braga é relativa ao funcionamento caótico da área pedonal. Não é de agora. A área pedonal nasceu sem estratégia e corresponde a um somatório de ruas fechadas a todo o trânsito. E, se é muito aprazível ter uma extensa área para peões, a verdade é que esta está na origem de problemas sérios de acessibilidade para diversos utilizadores. Entre estes incluem-se não só as pessoas mais velhas mas também os mais novos e todos aqueles com mobilidade reduzida de forma permanente ou temporária. Por outro lado as situações de exceção que existem – cargas e descargas, moradores, recolha de resíduos, etc – causam conflitos com os peões que já se habituaram a que seja seu todo o espaço público. A gestão de acesso à área pedonal é pouco inteligente e está ultrapassada. Na verdade, está tão parada no tempo que nem sequer é clara quanto à possibilidade das bicicletas circularem sem restrições na área pedonal.​ (mais…)