Estar do lado certo

Estar do lado certo


Estocolmo, Oslo, Copenhaga ou Amesterdão são invariavelmente usadas como exemplos de cidades cicláveis. São locais com espaços amplos para peões, reduzidas estradas para o automóvel e muitos kms de ciclovias. Transformaram-se em sítios considerados por vários rankings como dos melhores do mundo para se viver e tudo graças a opções políticas centradas nos meios suaves de transporte como a bicicleta que foram sendo consistentemente tomadas ao longo de décadas. Graças ao seu sucesso, foram seguidas por outras cidades europeias como Paris, Londres, Barcelona, Madrid ou Sevilha que optaram pelo mesmo tipo de políticas e por cá, também Lisboa decidiu seguir o mesmo caminho.
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Será a mobilidade ciclável um bom investimento público?

Será a mobilidade ciclável um bom investimento público?


A análise do custo/benefício deve ser um aspeto fundamental de suporte às decisões de investimento público. No entanto, este tipo de análises nem sempre são um exercício simples: se por um lado, os custos não se restringem aos que estão diretamente associados a uma dada obra, por outro, a totalidade dos benefícios não se faz sentir no imediato.

Esta introdução vem a propósito de um estudo que se dedica a analisar o custo/benefício dos investimentos feitos em mobilidade ciclável na cidade espanhola de Sevilha.

A partir do ano de 2003, foi estabelecido um plano que transformou Sevilha numa improvável cidade modelo para a mobilidade ciclável. Do plano fizeram parte a construção de cerca de 140km de ciclovias urbanas, um sistema de bicicletas partilhadas com 260 pontos de partilha e “bicicletários” para o parqueamento de cerca de 5000 bicicletas. Com este plano, entre 2006 e 2011 houve um aumento, em números redondos, de 6.000 para 70.000 utilizadores regulares da bicicleta. No entanto, terá sido ele um bom investimento de dinheiros públicos?

Um estudo realizado por uma equipa liderada pelo professor de Economia da Universidade de Sevilha, José Ignacio Castillo Manzano, publicado em 2017 na revista Land Use Policy, assegura que sim. Nele foram considerados não só os custos diretos deste investimento como também os custos de manutenção e outro tipo de custos, como por exemplo o aumento do número de acidentes entre carros e bicicletas (que, naturalmente, aumentou em números absolutos devido ao aumento do número de bicicletas). Do lado dos benefícios pesaram na balança, por exemplo, a redução dos custos associada à diminuição da emissão de poluentes, a redução do tempo médio das deslocações, as poupanças relacionadas nos custos de manutenção dos veículos a motor, que passaram a fazer menos quilómetros, etc. Feitas as contas, e considerando um prazo de 25 anos, o investimento na mobilidade ciclável terá, em Sevilha, um retorno de cerca de 130% do valor investido, o que, de acordo com o autor, é um valor muito significativo quando comparado com outras infraestruturas urbanas e do setor dos transportes.

@Diário do Minho, 1 de junho de 2019