São Victor cria Banco de Doação de Bicicletas

São Victor cria Banco de Doação de Bicicletas


A Braga Ciclável e a Junta de Freguesia de São Victor iniciaram no dia 22 de Setembro um Banco de Doação de Bicicletas, celebrando, desta forma, o Dia Europeu sem Carros e o último dia da Semana Europeia da Mobilidade.

Esta iniciativa convida as pessoas que tenham bicicletas paradas em casa, sem utilização, a dar uma nova vida às mesmas, entregando-as ao Banco de Doação de Bicicletas, que fica situado no edifício da Junta de Freguesia de S. Victor.

As bicicletas entregues serão reparadas por voluntários da Braga Ciclável e, posteriormente, serão colocadas ao serviço da Junta de Freguesia de S. Victor como incentivo à mobilidade suave em recursos partilhados. Contudo, ao abrigo de uma política social, algumas bicicletas poderão vir a ser entregues a famílias em situação de baixos recursos financeiros, sobretudo se o agregado for constituído por menores de idade.

Desta forma, a Braga Ciclável e a Junta de Freguesia não só promoverão a utilização da bicicleta na cidade, como permitirão que crianças, jovens e adultos possam usar a bicicleta, incentivando à progressiva utilização desta como meio de transporte e motivando a educação e sensibilização para a sua correta utilização.

Segundo Mário Meireles, dirigente da Braga Ciclável, este é um projeto com potencial de crescimento e que assenta, sobretudo, em duas grandes premissas: o incentivo para o uso quotidiano da bicicleta e a vertente voluntária e altruísta de participação na comunidade, promovendo melhor qualidade ambiental.

Já Ricardo Silva, Presidente da Junta de Freguesia de S. Victor, deseja que este projeto seja a alavanca para uma educação rodoviária inclusiva e que estabeleça a cooperação entre instituições e a solidariedade entre cidadãos, funcionando em rede, num exemplar projeto social de cidadania.

Este projeto insere-se numa candidatura vencedora ao Fundo Ambiental, apresentada pela Braga Ciclável e pela Junta de Freguesia de S. Victor que alcançou a pontuação máxima, demonstrando a pertinência do conjunto de ações preconizadas pela uma mobilidade mais amiga do ambiente.

Braga Ciclável reune com a Junta de Freguesia de São Vicente

Braga Ciclável reune com a Junta de Freguesia de São Vicente

No dia 04 de Novembro de 2019, a Associação Braga Ciclável reuniu com a Junta de Freguesia São Vicente, na sua sede, sendo que em representação da Braga Ciclável estiveram Arnaldo Pires e Rafael Remondes, e em representação da Freguesia esteveram Daniel Pinto e Raquel Pinto, membros do executivo.

A reunião começou com a associação a apresentar os motivos do pedido de encontro: discussão da estrutura pedonal e ciclável da freguesia; apresentação do movimento #BragaZeroAtropelamentos e do projecto Pedalo para a Escola!

A Associação defendeu a necessidade de reestruturação de alguns locais, sobretudo locais com passadeiras, começando pelo exemplo das passareiras junto da sede de freguesia que se encontram colocadas em cima das curvas , locais de menor visibilidade, que já condicionaram atropelamentos. Foi abordada a necessária implementação, urgente, da lei das acessibilidades, e discutida a necessária implementação da rede ciclável, para garantia de segurança de quem se desloca de bicicleta, na freguesia. A associação focou como necessário a ligação entre a central de camionagem e a zona pedonal, com uma zona segregada de bicicletas; assim, como a ligação das zonas residenciais, nomeadamente o bairro das Fontainhas, que se encontra em fase de implementação de Zona 30, com o centro, para que não fiquem como “ilhas sem ligação”, que não garantem, a quem ai mora, deslocar-se ativamente de bicicleta, em segurança.
Em relação ao projecto Pedalo para a Escola!, a associação apresentou o mesmo, referindo a intenção de ajudar crianças e jovens a adquirirem maior autonomia, nas deslocações pela cidade, no combate à obesidade e na envolvência na problemática das questões ambientais.
Foi destacada a falta de segurança, por excesso de velocidade praticado em determinados locais da freguesia, que impedem que os grandes bairros habitacionais permitam às crianças deslocarem-se para a escola de bicicleta.
Foi estimulada a Junta a proceder a implementação de zonas escola e pedonalização de algumas vias da freguesia, assim como à necessária revisão dos estacionamentos 5 metros antes das passadeiras.
A associação abordou o pacote técnico da Organização mundial de saúde, sobre segurança nas estradas ( Save LIVES), que onde, claramente, se destaca a necessária envolvência multidisciplinar no combate à mortalidade e sinistralidade rodoviária. Este combate começa na definição de estratégia politica e técnica, implementação das medidas e controlo da sua eficácia, assim como no necessário reforço policial para garantir o cumprimento das leis, como seja o excesso de velocidade e o estacionamento indevido.
Com base nesse documento, a associação, insistiu na necessária abordagem dos perímetros escolares, com a criação de zonas escola, que são uma mas medidas mais eficazes na redução da morbimortalidade, na seio das cidades.
Os representantes do executivo da Junta ressalvaram todos os esforços efetuados, por si, na melhorias de acessibilidades, desta que é uma das juntas de freguesia mais centrais da cidade, deixando claro que defendem que a cidade se deve preparar para que as deslocações internas sejam feitas preferencialmente a pé, de bicicleta ou de transporte público. Contudo, consideram que esse passo deve ser gradual, que a cidade foi desenvolvida com o foco no automóvel e que agora é preciso tempo para ajustar a cidade às necessárias mudanças.
Destacaram que a freguesia é uma freguesia modelo, a nível da mobilidade, com destaque para a Escola de Prevenção Rodoviária, para a implementação de Zonas Residenciais 30, passadeiras inteligentes, assim como na colaboração com o município na semana da mobilidade, com vários projetos.
Destacam que sentem serem necessários mais efectivos de policiamento, pois muitas vezes identificam estacionamentos indevidos e têm dificuldade em que se atue com a aplicação de coimas. Destacam ainda, que estão a tentar implementar a limitação de estacionamento automóvel antes das passadeiras, assim como a repintar as mesmas.
Foi valorizada a intervenção no Nó de Infias, por parte do executivo da Junta, por considerarem que a seu tempo permitirá garantir maior escoamento automóvel, de e para a cidade. Trata-se de uma obra complexa que exige concertação entre as Infraestruturas de Portugal, Município e Junta.
A Braga Ciclável mostrou-se disponível para colaborar, na medida do possível, com a Junta de Freguesia e o executivo mostrou total disponibilidade para eventuais acções da associação na freguesia.
A associação irá reunir todas as semanas com uma freguesia urbana, tendo para isso encetado contactos com todas as juntas inseridas no perímetro urbano.
Pedalo para a Escola!

Pedalo para a Escola!


Pedalo para a escola!

O Pedalo para a Escola é um novo projecto, da Braga Ciclável, que pretende estimular os jovens a deslocarem-se, de bicicleta, para a escola. O seu início decorrerá no dia 25 de Setembro de 2019, e decorrerá todas as quartas feiras.

A utilização de bicicleta apresenta inúmeros benefícios para o jovens, desde aumentar a capacidade de concentração para o estudo, promover a melhoria da capacidade cardiorrespiratória, diminuir a ansiedade, aumentar a capacidade de orientação espacial, na cidade, e promover a autonomia.

Nesse sentido a Braga Ciclável definiu um trajeto (LINHA 1), para já único, que passará por 3 escolas: Escola Secundária Carlos Amarante; Escola Básica Francisco Sanches e Colégio Teresiano.

Assim, os alunos e seus encarregados de educação, que vivam nas imediações deste trajeto, podem comparecer nas cicloparagens (7 no total), nos horários definidos, e entrar na coluna de bicicletas que se deslocará de Nogueira à Rua do Taxa, de manhã, e no sentido inverso à tarde.

 

Horários e  cicloparagens:

IDA

1- Rua de Vila Nova, Nogueira, junto ao semáforo da Agrimil —- 07H55  — Símbolo: SELIM

2- Imediações da paragem de Autocarro, em frente à Carclasse —- 08H00 — Símbolo: CORRENTE

3- Imediações da paragem de Autocarro, na Devesa, perto da Rotunda de São João —- 08H03 — Símbolo: DESVIADOR

4- Imediações da paragem de Autocarro, na 31 de Janeiro, perto da BP —- 08H05 — Símbolo: RAIO

5- Imediações da paragem de Autocarro, em frente ao café Chave d’ouro —- 08H10  — Símbolo: PRATO

6 – Imediações da M & Costa, na Rua de São Victor —- 08H12  — Símbolo: PEDAL

7- Em frente ao Colégio Teresiano —– 08H15  — Símbolo: ALOQUETE

REGRESSO A CASA

7- Em frente ao Colégio Teresiano —– 16H50

6 – Imediações da M&Costa, na rua de São Victor —- 16H53

5- Imediações da paragem de Autocarro, em frente ao café Chave d’ouro —- 16H55

4- Imediações da paragem de Autocarro, na 31 de Janeiro, perto da BP —- 17H00

3- Imediações da paragem de Autocarro, na Devesa, perto da Rotunda de São João —- 17H03

2- Imediações da paragem de Autocarro, em frente à Carclasse —- 17H10

1- Rua de Vila Nova, Nogueira, junto ao semáforo da Agrimil —- 17H13

 

Cada cicloparagem terá o nome de um acessório de bicicleta, para ser mais estimulante para os jovens, como podem verificar na imagem.

Aconselha-se a que crianças pequenas sejam transportadas em cadeira ou atrelado, pelos encarregados de educação, e os adolescentes, que garantidamente consegue deslocar-se de bicicleta no trajeto definido, cumprindo as regras de trânsito, sejam acompanhados pelos pais ao longo do trajeto casa-escola. Convém ter atenção ao vestuário e adaptar de acordo com as condições climatéricas. Não existe mau tempo, apenas equipamento desadequado.

 

A Braga ciclável não se responsabiliza por eventuais acidentes que decorram ao longo do trajeto, contudo garante a presença de um adulto que, também, se deslocará de bicicleta com os seus filhos. Qualquer acidente que decorra desta deslocação pode e deve ser reportado ao seguro escolar. A Braga Ciclável fará chegar a informação às escolas e associações de pais. Qualquer dúvida não hesite em contactar a Braga Ciclável.

 

 

Comunicado da Associação Braga Ciclável sobre a exclusão das ciclovias do Orçamento Participativo 2019

Comunicado da Associação Braga Ciclável sobre a exclusão das ciclovias do Orçamento Participativo 2019


Na sequência do alerta lançado há dias acerca da exclusão, no Orçamento Participativo deste ano, de todas as propostas relacionadas com ciclovias e afins, e face à aparente ausência de esclarecimentos públicos por parte do Município, a Braga Ciclável vem expressar publicamente o seu profundo desagrado com os procedimentos adotados.

Pelo segundo ano consecutivo, vemos serem excluídos do Orçamento Participativo de Braga TODOS E QUAISQUER projetos que estavam relacionados com a melhoria das condições para o uso da bicicleta como meio de transporte. A exclusão forçada destas propostas ocorreu, tal como no ano passado, antes de elas poderem sequer ir a votação. Os argumentos apresentados para tal recusa são, no mínimo, discutíveis. À semelhança do procedimento usado no ano passado, o Município de Braga continua sem concretizar perante os milhares de participantes no Orçamento Participativo, as razões pelas quais rejeita determinadas propostas. Este bloqueio por parte do Município vem somar-se a algo parecido que também sucedeu com os orçamentos participativos das freguesias, em que a CMB bloqueou por tempo indeterminado e sem explicação pública a implementação de 2 projetos vencedores (Freguesia de São Victor e União de Freguesias de São João do Souto e São Lázaro), relativos à colocação de novos estacionamentos para bicicletas na cidade.

Os Serviços do O. P. do Município de Braga afirmam que estas quatro propostas não podem ser aceites porque supostamente ultrapassam o montante de 85 mil euros, mas não apresenta nenhum dado concreto, nenhum cálculo que o demonstre de forma inequívoca. E algumas das propostas rejeitadas já puderam concorrer em anos anteriores, indo a votos apesar de sempre ter estado em vigor esse limite máximo. Claro que em todas as obras públicas há sempre diversas opções de técnicas e materiais, uns mais dispendiosos do que outros, mas quais as escolhas dos técnicos utilizadas nos cálculos com que justificam o veto de propostas de cidadãos?

Os Serviços do O. P. do Município de Braga afirmam, e reiteram, que 3 destas propostas correspondem a projetos cuja execução já está prevista pelo Município, mas sobre os quais não é publicada nenhuma documentação efetivamente que o comprove. Nomeadamente:

  • “a intervenção na Avenida da Liberdade encontra-se actualmente a ser discutida e desenvolvida no âmbito do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável, e compatibilizada com toda a envolvente que implica”;
  • a execução das ligações cicláveis entre a Estação de Braga e o Campus de Gualtar, e entre a Central de Camionagem e a ciclovia já existente na zona da ponte de São João “estão a ser discutidas e trabalhadas em sede de Plano de Mobilidade Urbana Sustentável, tendo em consideração um enquadramento global do planeamento urbanístico”.
  • os projectos de pistas cicláveis nas avenidas 31 de Janeiro e Porfírio da Silva “estão a ser discutidos trabalhados, e compatibilizados com toda a envolvência que implicam, em sede de Plano de Mobilidade Urbana Sustentável, tendo em consideração um enquadramento global do planeamento urbanístico”.

Só isto. Nenhuma planta, nenhum dossier, nenhum estudo, nenhum rascunho, nada em concreto que pudesse eventualmente permitir perceber se estas propostas poderiam ou não vir a ser utilizadas como etapas intermédias entre a situação atual e a prevista no tal Plano de Mobilidade Urbana Sustentável. Nada. Apenas uma menção vaga de que “está a ser discutido” e “desenvolvido” ou “trabalhado”. Mas basta uma consulta rápida ao site do Orçamento Participativo e ou ao da Câmara Municipal de Braga, para perceber que aos mais de 6 mil inscritos no Orçamento Participativo nenhuma prova é dada de que tais projetos camarários existam mesmo e que estejam realmente para avançar em breve. Segundo o site da Semana Europeia da Mobilidade, o PMUS deveria ter sido apresentado publicamente no passado dia 16 de setembro, o que aparentemente não aconteceu. Talvez essa apresentação pública, se tivesse chegado a existir, permitisse dissipar algumas das dúvidas e objeções suscitadas.

E porque haveriam os cidadãos de desconfiar? Mais não fosse, porque já em julho de 2017 foi bloqueada a participação da proposta de pistas cicláveis nas avenidas 31 de Janeiro e Porfírio da Silva, e já nessa altura a justificação dada pela Câmara era: “a CMB tem já um projecto de intervenção para a zona indicada”. Ao fim de 14 meses sobre o primeiro veto dessa proposta, impõe-se a questão: onde está afinal a intervenção que já estava projetada, e por que razão o projeto não foi apresentado publicamente nem sujeito a concurso público?

Que garantias têm estes milhares de participantes de que estejam a participar num processo democrático, justo e transparente? Que garantias têm os cidadãos bracarenses de que suas propostas e as propostas em que votam não estão a ser previamente censuradas de forma injustificada?

Reflexão

Reflexão


Escrever sobre mobilidade num dia normal, sem que o leitor adormeça, é por si um desafio de certa envergadura, tendo em conta que para muitos se trata de um tema supérfluo. Escrever sobre mobilidade, num dia de reflexão pré-eleitoral, correndo o risco de involuntariamente apontar referências político-partidárias, é um desafio ainda maior. Mas cá vai!

O passado dia 22 de setembro foi o último de uma semana dedicada, a nível europeu, às questões da Mobilidade. Braga fez mais uma vez parte desta rede e o município, juntamente com algumas entidades externas, levou a cabo atividades no sentido da sensibilização, sobretudo junto dos mais jovens, para esta questão. Foi suficiente? Variadas serão as opiniões.

O argumento de que a Mobilidade deve ser algo a ser pensado e desenvolvido ao longo do ano é, na minha opinião, bastante válido desde que isso seja efetivamente uma realidade. Mas a Semana Europeia da Mobilidade é o momento ideal para reforçar essa necessidade junto da população. Apenas a título de exemplo, não respeitamos ou amamos os nossos pais apenas no Dia da Mãe ou do Pai, pois não? Fazemo-lo todos os dias (ou deveríamos), mas gostamos de os mimar um pouco mais naquele dia específico. O mesmo acontece com a Mobilidade.

Vivemos numa cidade que até há uns anos se orgulhava de permitir aos seus habitantes uma boa qualidade de vida, em grande parte associada ao pouco tempo dispensado nos percursos diários. O cenário foi-se degradando e temos hoje artérias fulcrais completamente estranguladas pelo trânsito, sobretudo em hora de ponta. Temos cada vez mais automóveis a entrar diariamente na cidade e a provocar engarrafamentos junto a escolas e serviços. Dispensamos cada vez mais tempo no trânsito quando o poderíamos canalizar a outras atividades mais produtivas e prazerosas.

Torna-se cada vez mais urgente a necessidade de estratégias de ação eficazes no sentido de contrariar o caminho em que nos encontramos atualmente, conjugando os esforços dos vá- rios atores no campo da Mobilidade, sejam eles da área do ciclável, do pedonal ou dos transportes coletivos.


(Artigo originalmente publicado na edição de 30/09/2017 do Diário do Minho)

Vale a pena Braga participar na Semana Europeia da Mobilidade?

Vale a pena Braga participar na Semana Europeia da Mobilidade?


Um dos primeiros textos que escrevi neste Diário foi sobre o Dia Europeu Sem Carros, num artigo assinado pelo ProjetoBragaTempo em 2001 (ano em que Braga aderiu ao dia pela primeira vez). Esta iniciativa, promovida pela UE, integra atualmente um programa mais vasto denominado «Semana Europeia da Mobilidade». O objetivo é ajudar-nos a perceber os danos causados pelas tendências atuais de mobilidade – poluição ambiental e sonora, congestionamento, acidentes rodoviários, problemas graves de saúde – e forçar as cidades a definir novas políticas, testando alternativas e implementando medidas permanentes a favor de deslocações menos agressivas ou verdes. O tema em 2017 é a «Mobilidade Verde, Partilhada e Inteligente».

Propus-me escrever sobre a iniciativa bracarense mas à hora que escrevo este texto (tarde do dia 14) não está ainda disponível o programa da Semana Europeia da Mobilidade 2017 que começa hoje (dia 16). Não duvido que venha a existir, até porque a cidade está inscrita no site europeu. A falta de divulgação atempada reduzirá o impacto que uma iniciativa arrojada como esta deveria causar. Braga é uma cidade perfeita para estas iniciativas porque não sendo muito extensa tem um problema sério de excesso de trânsito e de poluição que decorre em grande medida da falta de alternativas ao automóvel particular.

Decorridos 16 anos sobre aquele texto, a primeira semelhança que noto é precisamente esta: hoje, como em 2001, a iniciativa é organizada em cima da hora. E não há razão para isso. No site www.mobilityweek.eu está disponível inúmera documentação, incluindo manuais com exemplos de dezenas de iniciativas e soluções possíveis. Fica claro, portanto, que as questões relacionadas com mobilidade e principalmente as consequências de uma mobilidade assente quase em exclusivo no automóvel particular poluente, não constituem uma preocupação séria do Município. E com séria quero dizer consistente, consciente e progressiva. Aderir à Semana Europeia da Mobilidade faz sentido se corresponder a uma política estratégica e a uma visão inovadora e mais ecológica da cidade. Se se trata apenas de figurar na lista das cidades aderentes, não vale a pena perder tempo.

Não havendo programa a tempo, temos a III edição do Braga Cycle Chic com encontro marcado hoje às 14h30 na Arcada! Este evento organizado pela Associação Braga Ciclável pretende mostrar que é possível utilizar a bicicleta usando a roupa do dia-a-dia. Vamos lá?


(Artigo originalmente publicado na edição de 16/09/2017 do Diário do Minho)

III Braga Cycle Chic

III Braga Cycle Chic


A terceira edição do Braga Cycle Chic, este ano integrada na Semana Europeia da Mobilidade, está agendada para o próximo dia 16 de Setembro. O evento, organizado pela Associação Braga Ciclável, com o apoio do Município de Braga, pretende mostrar como é possível utilizar a bicicleta na cidade, usando roupa do dia-a-dia.

Este ano o evento conta com uma parceria e participação muito especiais. Trata-se do NEE’d for Dance, um projeto de carácter solidário, com a finalidade de estimular e trabalhar competências motoras, cognitivas, comunicativas, afetivas e emocionais, de bebés, crianças, jovens e adultos com necessidades especiais e assim demonstrarem todo o seu potencial à sociedade. Portanto, quem melhor para nos mostrar o longo caminho a percorrer no que respeita a mobilidade inclusiva?

A participação é gratuita, mas poderá fazer um donativo para que o NEE’d for Dance possa continuar a crescer e levar esta oportunidade a cada vez mais pessoas com deficiência. Porque acreditamos que podemos mudar o mundo, pedalada a pedalada, acreditamos também que podemos mudar o mundo ajudando o próximo.

Uma tarde a passear com estilo, de bicicleta, pelo centro histórico de Braga, sempre na zona pedonal, com paragens em vários pontos da cidade, é a proposta da Braga Ciclável para celebrar a bicicleta como meio de transporte após cerca de 250 pessoas terem marcado presença na segunda edição. Quem não tiver bicicleta, poderá reservar uma antecipadamente.

ATENÇÃO:

Inscrição gratuita, mas obrigatória, em: www.eventbrite.pt/e/bilhetes-iii-braga-cycle-chic-36975676243

Para Inglês ver!

Para Inglês ver!


No rescaldo da Semana Europeia da Mobilidade, que decorreu de 16 a 22 de Setembro, em que 2424 cidades do continente europeu, incluindo Braga, se uniram em torno da causa da mobilidade sustentável, é necessário analisar em que medida as autoridades locais levam em real consideração todas as promessas lançadas nos últimos tempos no âmbito desta matéria e qual o seu real impacto junto da população. (mais…)

COMUNICADO: Braga Ciclável desafia CMB a ser mais Ativa na Semana Europeia da Mobilidade

COMUNICADO: Braga Ciclável desafia CMB a ser mais Ativa na Semana Europeia da Mobilidade


A Semana Europeia da Mobilidade (European Mobility Week) decorre todos os anos, de 16 a 22 de Setembro. Desde 2002, tem procurado mudar o paradigma da mobilidade e do transporte em contexto urbano, contribuindo para uma melhoria da saúde e da qualidade de vida dos cidadãos. Constitui-se como uma oportunidade perfeita para a inclusão de alternativas de mobilidade mais económicas e mais ecológicas, para a introdução de mudanças comportamentais e, sobretudo, para a ação no sentido de uma evolução ativa para sistemas de transportes sustentáveis. Pretende também que os cidadãos experimentem no terreno soluções concretas. É uma oportunidade para as diferentes partes interessadas confluírem num mesmo sentido e criarem soluções inovadoras que levem à redução efetiva do uso do automóvel e, consequentemente, à redução de emissões poluentes. Os requisitos impostos a uma qualquer cidade que queira participar na Semana da Europeia da Mobilidade passam pela apresentação das ações e medidas permanentes a adotar e ainda pela adesão ao Dia Europeu Sem Carros.

Braga participa há já 3 anos consecutivos na Semana Europeia da Mobilidade, mas infelizmente este ano não ofereceu um programa que causasse verdadeiro impacto nos cidadãos e os sensibilizasse para a necessidade de mudança. Faltaram medidas permanentes de melhoria de eficiência, conveniência e conforto do transporte público, bem como medidas de prioridade deste transporte sobre o particular. Faltaram também medidas que aumentassem a segurança dos que utilizam a bicicleta e dos que a pretendem adotar como meio de transporte diário.

Além disso, como seria de esperar, a opção de fechar uma rua pouco movimentada como a Rua D. Gonçalo Pereira não levou a população a refletir sobre as questões da mobilidade, e muito menos a alterar os seus comportamentos. Se Paris consegue fechar ao trânsito uma artéria estruturante como os Campos Elísios, porque é que Braga continua a apostar em ruas insignificantes?

Braga, através do PDM e da Visão Política para a Mobilidade (defendida pelo Presidente da Câmara em Vila Nova de Gaia a 8 de Abril de 2016), tem a ambição de mudar de paradigma até 2025: reduzir em 25% o número de automóveis a circular, aumentar para 18 000 os utilizadores de bicicleta na cidade e duplicar o número de passageiros transportados pelos TUB.

Não se percebe, assim, qual a estratégia global do Município quando, logo no dia seguinte ao Dia Europeu sem Carros, se promove um Salão Automóvel. A não ser que os objetivos definidos no PDM e na visão do Presidente da Câmara não correspondam a uma estratégia ampla e consistente de mobilidade.

É, portanto, importante que se organizem eventos informativos e se implementem medidas permanentes associados à mobilidade ciclável e ao transporte público ao longo de todo o ano. Se o PDM prevê a criação de 76 quilómetros de vias cicláveis, muitas destas alterações podem ser introduzidas já implementando medidas de acalmia de tráfego (gincanas, rotundas, passadeiras elevadas, redução de faixas, semáforos, etc) e tornando a zona pedonal numa zona de coexistência. Importa simultaneamente criar vias cicláveis (mesmo que nalguns casos se limitem a pinturas e balizadores) e instalar mais bicicletários. Só criando primeiro as condições mínimas de segurança motivaremos mais pessoas a utilizar a bicicleta. Não faz qualquer sentido que se aguarde que existam 18 000 utilizadores para depois agir. Aliás, para cumprir esta meta em 2025 é necessário instalar 22 bicicletários e criar 162 metros de vias cicláveis por semana! Só com pequenos incrementos frequentes conseguiremos atingir os objetivos a longo prazo.
Além disso, Portugal é o terceiro maior produtor de bicicletas da Europa, um impacto na economia que vai além da produção e exportação. O uso da bicicleta representa também um ganho, para a cidade, de 0,15€ por quilómetro percorrido (ao passo que o carro constitui um custo de 0,16€).

Tendo em conta este impacto positivo, a Braga Ciclável desafia a Câmara Municipal e a InvestBraga enquanto entidades locais promotoras de feiras a organizar uma Feira Internacional de Bicicletas em Braga. Este evento deverá contar com parceiros como a European Cyclist Federation, a FPCUB – Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta, a MUBi – Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta, a AIMinho, a ABIMOTA, a Órbita, a Decathlon, a SportZone, a BikeZone, a GoByBike e todos os produtores, fabricantes e vendedores de bicicletas da Europa, do País e de Braga.

A mobilidade – e em particular a mobilidade ciclável – não é uma moda. A bicicleta é usada diariamente como meio de transporte em toda a Europa por uma elevada percentagem da população. É importante que Braga tome medidas para conquistar o mesmo lugar!

A Braga Ciclável defende uma cidade mais amiga das pessoas que optam por andar a pé e de bicicleta e disponibiliza-se para participar na urgente mudança de paradigma!