A verdade da mentira: os bicicletários que deram lugar ao estacionamento automóvel

A verdade da mentira: os bicicletários que deram lugar ao estacionamento automóvel


No dia 6 de maio de 2013, na sequência da Proposta Para Uma Mobilidade Sustentável, surgia em Braga um dos seus primeiros bicicletários em U invertido, mais precisamente no Rossio da Sé de Braga. Mesmo sendo discutível a localização exata dos bicicletários, é inegável que aquele se tratava de um ponto estratégico, uma vez que a Sé é um destino frequente não só para os bracarenses, mas também para turistas nacionais e estrangeiros (onde se incluem muitos cicloturistas).

Passados alguns dias, contudo, este estacionamento foi inesperadamente removido, sem que voltasse a ser reposto em alguma outra localização próxima. Fonte ligada ao gabinete da vice-presidência da Câmara Municipal de Braga, afirmou-nos na altura que haviam entretanto recebido um parecer negativo do IPPAR – Instituto Português do Património Arquitetónico (atualmente integrado na DGPC – Direção-Geral do Património Cultural) relativo à instalação daqueles bicicletários no Rossio da Sé. Por se tratar de uma Zona Non Aedificandi dentro de uma Zona Especial de Proteção ao lado de um Monumento Nacional – salvaguardadas no PDM –, aquela entidade entendia que os bicicletários não tinham enquadramento numa zona destas.

Passados 5 anos sobre esse episódio, acaba de surgir no mesmo local um sinal vertical de Parque Reservado para quem estiver “ao serviço da Sé”, pelo que continuamos a ver o Rossio da Sé tantas vezes invadido por automóveis, agora de forma legalizada pela Câmara Municipal de Braga.

No coração da cidade antiga, em plena Sé de Braga, zona em que o trânsito automóvel está condicionado e em que, supostamente, se dá preferência aos modos ativos (a pé e de bicicleta), o que levará a que se continue a permitir, autorizar e legalizar este tipo de estacionamento, quando ainda há poucos anos se removeram esses estacionamentos para bicicletas? O que prejudica mais o património, 10 carros (que é como quem diz, mais de 10 toneladas e muita poluição sonora, visual e ambiental) ou 10 bicicletas (cerca de 100 quilos – com passageiro! – e zero poluição)? A resposta é óbvia.

Para além desta situação, temos ainda outros episódios mais recentes de desaparecimento de estacionamentos para bicicletas na cidade de Braga, que parecem indiciar uma tendência preocupante. Nomeadamente, na Rua Nova de Santa Cruz, onde aquando das últimas obras foram retirados 4 bicicletários que existiam nas imediações da rotunda da Universidade. Inexplicavelmente, esses estacionamentos não voltaram a ser repostos após a conclusão da obra, que, paradoxalmente, pretendia beneficiar quem pretenda deslocar-se de bicicleta. É também no Parque de Exposições, agora Fórum Braga, foram eliminados 20 lugares de estacionamento (10 bicicletários), sem qualquer justificação, ali mesmo ao lado de uma “via pedonal e ciclável”…

Ao mesmo tempo, as propostas vencedoras dos orçamentos participativos de duas juntas de freguesia do centro, relativas à colocação de bicicletários, continuam com a sua execução bloqueada pelo município, sem nenhuma razão válida e com os valores para implementar estes orçamentos participativos (de 2017!) congelados.

Para chegarmos a 1 de janeiro de 2025 (a data que Ricardo Rio propôs para alcançar a meta dos 10% de quota modal), faltam 2319 dias, cerca de 1592 dias úteis. Ter pelo menos 10 mil lugares de estacionamento implica que sejam instalados quase 5000 bicicletários, ou seja, instalar cerca de 15 bicicletários por semana.

Quando coisas tão simples, como a colocação de estacionamentos para bicicletas em locais estratégicos e identificados de uma forma cuidada, não são postas em prática, o que dizer das outras medidas mais estruturais e fundamentais para a promoção da mobilidade? Se este tipo de intervenções não são levadas a cabo, não é por falta de recetividade da população, mas falta de vontade técnica e política.

Face aos factos acima relatados, urge questionar: qual é, afinal, a estratégia de mobilidade do município, e qual o papel que prevê para as bicicletas? A mobilidade sustentável é uma aposta a sério, ou apenas fumaça? Será que é colocando ainda mais entraves ao uso quotidiano da bicicleta que se fará a tão necessária mudança de paradigma?

Mudar o paradigma da mobilidade implica adaptação e naturais transtornos iniciais. Foi precisa coragem, por exemplo, para criar no nosso centro histórico uma das maiores zonas pedonais da Europa. Ainda que esta tenha muitos aspetos a melhorar, o certo é que nunca teríamos colhido os seus benefícios se tivesse faltado coragem. Assumir essa responsabilidade é, por isso, algo para que o município deve estar consciente se, de facto, essa mudança é um objetivo real e não apenas propaganda.

É que não basta discursar e declarar intenções políticas, é preciso colocá-las em prática, em vez de fazer o contrário do que se prega.

A Massa Crítica está de volta a Braga (foto)


Na passada sexta-feira, voltou a realizou-se em Braga a Massa Crítica. Ainda que contando apenas com um número simbólico de participantes, é bom ver que a vontade de pedalar e contribuir para consciencializar para esta causa ainda não esmoreceu.

Massa Crítica em Braga, em agosto de 2013

No próximo mês, a Massa Crítica realiza-se no dia 27 de setembro, na antevéspera das eleições autárquicas. Vamos lá pedalar? 🙂

Ciclistas Urbanos em Braga #70 e #71


Ciclistas Urbanos em Braga

O Javier e a Arancha são de Madrid e, quando visitaram Braga, decidiram alugar bicicletas para passear pela cidade. Pedalar pelo centro foi agradável, dada a pouquíssima inclinação e a existência de um importante conjunto de ruas de trânsito automóvel condicionado.

No entanto, as dificuldades surgiam invariavelmente na hora de visitar um monumento ou um museu, ou quando precisavam de parar para um café ou para almoçar. Encontrei-os junto à Sé, a esforçarem-se para prender as bicicletas àqueles pilares de pedra. Infelizmente, em Braga, não é possível encontrar estacionamentos adequados para bicicletas, e os ciclistas têm de improvisar como podem…

 
Notas:

Todos os anos, temos um número considerável de turistas que chegam à cidade de Braga de bicicleta, ou que por cá alugam bicicletas para visitar a cidade. A falta de estacionamento para bicicletas junto aos monumentos e museus da cidade é sem dúvida uma falha grave, e que é urgente resolver. E também não se compreende como é que ainda não existem estacionamentos junto ao Posto de Turismo, na Avenida Central.

Até eu, que não sou turista, mas que por vezes gosto de fornecer informações úteis a visitantes, já precisei de ir algumas vezes ao Posto de Turismo, deixando cá fora a bicicleta. Senti, como sentem todos os ciclistas em Braga, uma grande insegurança, pelo facto de não poder prender a bicicleta num local adequado.

Ciclistas Urbanos em Braga #69


Ciclistas Urbanos em Braga #69

O Augusto é designer e tem um inequívoco bom gosto que, como podemos ver, se refletiu na escolha de uma bicicleta com linhas simples e elegantes. Na empresa onde trabalha, junto à Sé, já costuma haver regularmente duas bicicletas estacionadas durante o dia.

Ciclistas Urbanos em Braga #48 e #49


Ciclistas Urbanos em Braga

A Helena e o Paulo, dois jovens empreendedores de Braga, gostam de usar a bicicleta para as suas deslocações pelo centro de Braga, por exemplo, para tomar um café. São os promotores do muito acolhedor Braga Pop Hostel, onde brevemente passarão a ser disponibilizadas algumas bicicletas para os seus hóspedes. Uma iniciativa inovadora que merece o nosso aplauso.

Nota
Durante uma pequena troca de impressões, veio à baila o assunto dos estacionamentos para bicicletas – praticamente inexistentes em Braga – e os frequentes roubos de bicicletas. Quase diariamente, vou conversando com ciclistas de Braga a quem já roubaram bicicletas, ou que conhecem alguém próximo a quem isso já aconteceu.

Parte do problema tem necessariamente que ver com o facto de ainda não haver estacionamentos adequados, em localizações úteis e em quantidade suficiente, no centro da cidade e não só. Não é fácil prender em segurança uma bicicleta usando o mobiliário urbano existente em Braga. Muitas pessoas acabam assim por prender a bicicleta de forma improvisada (e pouco segura), ou simplesmente facilitam e deixam-na sem prender, por alguns instantes. Infelizmente, bastam 2 ou 3 segundos para pegar numa bicicleta alheia e fugir nela…

Ciclistas Urbanos em Braga #20 e #21


Ciclistas Urbanos em Braga

A Bárbara e o António gostam de usar a bicicleta para passear ou ir às compras e estão a pensar começar a usá-la também para ir para o trabalho. Para eles, Braga é uma cidade excelente para pedalar, dado que quase nem tem inclinações.

Encontros com Pedal estão de volta


Encontros com Pedal

É já este domingo que se realiza mais uma edição dos Encontros com Pedal. A pretexto do Domingo de Ramos, os participantes irão visitar em bicicleta a Sé e os calvários da famosa Semana Santa de Braga.

O ponto de encontro é na esplanada do Café Brasileira, a partir das 10h. Aí, quem não tiver bicicleta, pode ainda alugar uma por um preço bastante acessível, de modo a poder participar neste evento.

A participação no evento é livre e gratuita, e há sempre um ambiente de muita boa disposição. Apareçam!

Ciclistas Urbanos em Braga #9


Ciclistas Urbanos em Braga

O Pedro, estudante de Ensino de Filosofia, vai da Universidade do Minho (Gualtar) até à zona da Sé. Para tal, costuma seguir pela Rua Nova de Santa Cruz e depois pela Rua D. Pedro V.

Nota:

O trajeto acima descrito é um dos acessos mais importantes para ciclistas entre o campus de Gualtar e o centro da cidade, e é também uma das principais vias de ligação à estação de comboios. Diariamente, há um conjunto considerável de ciclistas que percorrem essas ruas em ambos os sentidos. É fácil de perceber porquê: apesar de não haver uma forma fácil de atravessar a Avenida Padre Júlio Fragata de bicicleta, é o caminho mais direto e praticamente não tem subidas. Além disso, estas ruas têm pouco trânsito, que geralmente circula a velocidades moderadas.

No entanto, é necessário – no mínimo – colocar sinalização vertical e horizontal que alerte os condutores para presença habitual de ciclistas em ambos os sentidos (parte deste trajeto inclui trechos de sentido reservado a transportes públicos, mas que poderia perfeitamente vir a permitir também a circulação de ciclistas). Faltam, pois, nestas ruas, condições para que os ciclistas possam circular em mais segurança e, já agora, em legalidade.