Se ficar o bicho come, se pedalar o bicho não pega

Se ficar o bicho come, se pedalar o bicho não pega


Seguramente, toda a gente sentirá que a pandemia alterou imenso as nossa vidas. Ficamos fechados, confinados, durante meses e só no início de Junho pudemos aos poucos deixar a quarentena. Ainda com receios e muitas precauções, vamos saindo e retomando a pouca normalidade que é possível. Sabemos que a nossa vida normal não voltará tão cedo. O actual estado exige muitas precauções.

De tudo de mau e disruptivo que o COVID trouxe às nossas vidas, há oportunidades que nasceram e aspectos menos maus que ocorreram durante este período. O ambiente agradeceu o nosso recolhimento: as emissões de CO2 diminuíram, a qualidade dos nossos rios e mares melhorou e a acalmia do trânsito contribuiu para a redução da poluição sonora. Neste novo quotidiano, alguns perguntaram-se se não seria possível manter aquilo que foi positivo, se seria possível alterar a nossa forma de consumir, produzir e de viver para diminuirmos a nossa pegada ecológica. Neste texto foco-me numa parte, na mobilidade, nomeadamente como esta pandemia pode ser uma oportunidade para massificar o uso da bicicleta. (mais…)

Pedalar é saudável!

Pedalar é saudável!


As cidades modernas têm evoluído para esquemas de limitação do tráfego automóvel, em prol da melhoria das acessibilidades, para peões e ciclistas, conhecido como estímulo ao transporte ativo (TA).

O TA apresenta francos benefícios para a saúde das populações, sendo que a limitação do tráfego automóvel promove a redução da poluição urbana. A poluição, tal como o sedentarismo, é, por si
só, uma causa de morte.

O ganho, em bem estar e saúde, para as populações, com esta tipologia de TA, pode ser calculado e os resultados são surpreendentes.

Existem vários estudos relacionados com o TA. Um deles aponta que Varsóvia e Praga teriam uma redução de 113 e 61 mortes, respetivamente, com um aumento para 35% de utilização de bicicleta, em todas as deslocações efetuadas pela população, como já acontece em Copenhaga. Copenhaga e Paris são consideradas cidades modelo em questão de TA. Copenhaga apresenta taxas de 35% de ciclismo, e Paris 50% de caminhada.

Em Barcelona, foi feita a comparação entre utilização combinada de carro e transportes públicos vs a utilização de transportes públicos e bicicleta, em 40% das deslocações. Encontraram-se resultados interessantes: a 2° opção pode apresentar uma redução de 98 mortes/ano, e a 1° opção, uma redução de 40.

Os benefícios em saúde, para quem se transporta de bicicleta, tem relação direta com o incremento da sua atividade física, reduzindo o risco cardiovascular, permitindo um melhor controlo do peso, do metabolismo do açúcar e das gorduras, para além da melhoria da coordenação motora.

A utilização de bicicleta tem benefícios, não só para o próprio, como também para a comunidade, dado que reduz: as emissões de CO2, melhorando a qualidade do ar; a poluição sonora; o congestionamento de tráfego, melhorando a conectividade dos transportes.

Para a implementação de políticas de TA, é importante conhecer as singularidades de cada cidade. Assim como, para incentivar a deslocação de bicicleta é importante criar condições, definir rotas, ciclovias, para deslocações seguras.

Braga é uma cidade com excelentes condições de relevo, para a utilização da bicicleta. Urge criar mais vias cicláveis, seguras, garantindo a ligação dos principais pólos da cidade; e estimular a população a utilizar a bicicleta em, pelo menos, 35% dos seus trajetos. Uma boa solução parece ser a co-utilização da bicicleta e transportes públicos, sobretudo para os locais de relevo geográfico mais elevado, como é o caso do Hospital de Braga.

Ciclistas Urbanos em Braga #10


Ciclistas Urbanos em Braga

O Joaquim, de Gualtar, usa a bicicleta entre outras coisas como uma forma agradável de praticar exercício e combater o colesterol. Até gostava de ir para o trabalho de bicicleta (na zona da antiga Grundig), se não fosse o receio de enfrentar o trânsito. Diz que se a cidade tivesse melhores condições certamente iria muitas vezes de bicicleta para o trabalho.

Nota:
Tenho vindo a notar que há muitos bracarenses que gostavam de usar a bicicleta para algo mais do que apenas o exercício físico prescrito pelo médico ou o passeio dominical. Entre os principais obstáculos encontra-se o trânsito e, de certa forma, a ausência de ciclovias.
Quanto ao primeiro, e boa parte dos casos, daria para resolver promovendo e fiscalizando medidas de acalmia do trânsito – dito de outra forma, reduzindo a velocidade de circulação dentro da cidade.
Quanto às ciclovias, diria que não são solução para tudo, mas que poderão ser particularmente úteis nos casos em que o trajeto dos ciclistas coincida com vias de grande movimento automóvel, com velocidades mais elevadas. Sobretudo quando há subidas à mistura.
No caso em análise, já ouvi dizer que a CMB terá prevista uma ciclovia ou ecovia junto ao Rio Este, que poderia vir a beneficiar os ciclistas que precisam de se deslocar da zona Este da cidade para a zona da Grundig, Ferreiros, Celeirós, etc. Vamos ver.
Para quem está a dar as primeiras pedaladas e tem medo de se aventurar no trânsito, eu recomendaria começar por vias menos movimentadas e progressivamente ir adaptando os percursos à medida que se ganha experiência e confiança. O trânsito em Braga tem as suas dificuldades, mas até nem é assim tão mau, quando comparado com outras cidades portuguesas…