Reportagem no Público destaca o perigo da velocidade excessiva em Braga

Reportagem no Público destaca o perigo da velocidade excessiva em Braga


O jornal Público, na edição do passado dia 8 de setembro, publicou, a propósito do recente atropelamento de um grupo de ciclistas na cidade de Braga, uma interessante reportagem sobre o excesso de velocidade nesta cidade e do perigo que esse excesso representa, sobretudo para quem circula de bicicleta.

Na reportagem, que pode ser lida na íntegra na edição digital do jornal, o jornal relembra o recente atropelamento, que aconteceu numa via urbana cuja velocidade máxima está atualmente fixada entre os 50 e os 70 km/h, mas onde é habitual haver carros a circular a velocidades superiores a esses limites legais. O Público escutou a opinião de Mário Meireles, presidente da Associação Braga Ciclável, que resumiu a principal origem do problema, denunciando que as velocidades reais estão muito acima desses valores. Opinião que foi corroborada pelo vereador do Urbanismo da Câmara de Braga, Miguel Bandeira, que confirmou que nessas avenidas “são atingidas velocidades verdadeiramente escandalosas”.
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Braga podia ser das crianças!

Braga podia ser das crianças!


Não há muitos locais em Braga onde possamos deixar os pequenos ciclistas pedalar à vontade. As ciclovias são perigosas ou porque funcionam lado a lado com vias rápidas ou porque não têm proteções junto ao rio. Mesmo na área pedonal é impossível deixar um miúdo andar de bicicleta sem a atenção de um adulto. Há sempre veículos que surgem dos mais diversos locais. A avenida Central serve, até, para os condutores acelerarem de forma a chegarem mais rápido à saída na Senhora-a-Branca, ignorando que passam à porta duma escola (D. Pedro V). E fora da zona pedonal nem vale a pena pensar em deixar as crianças pedalarem sozinhas.

Toda a cidade é muito perigosa. Tem de ser assim? A uma hora e pouco daqui há uma cidade que acabou com a prioridade dada aos carros. O médico e Presidente da Câmara de Pontevedra Miguel Fernández pôs fim à ditadura não saudável dos automóveis. E as crianças são uma prioridade porque “cando están na rúa fan que a cidade sexa máis segura”. Em toda a cidade – e não apenas na zona histórica – a prioridade é dada aos peões. Seguem-se, por ordem, as bicicletas, os transportes públicos e os restantes veículos. Promove-se a coexistência entre vários modos e para isso há um limite de 30km/h e inúmeras medidas de acalmia de tráfego (que produziram uma redução drástica dos acidentes). (mais…)

Um exemplo aqui ao lado

Um exemplo aqui ao lado


Aqui bem perto de nós, na vizinha Galiza, situa-se Pontevedra, uma cidade com cerca de 82.000 habitantes, pouco menos que Viana do Castelo. Ao longo das últimas duas décadas, Pontevedra tem levado a cabo, em estreita colaboração com diversas instituições da sociedade civil, políticas de mobilidade que visam conciliar o automóvel com o respeito pelos peões e pelo espaço comum.

Uma das medidas mais emblemáticas foi a limitação da velocidade dos automóveis a 30km/h em toda a área urbana e estabelecer zonas onde o limite de velocidade é 20 km/h. A esta juntaram-se outras medidas, como por exemplo: acabar com o estacionamento pago no centro da cidade, substituindo-o por estacionamento gratuito mas limitado a 15 minutos e parques gratuitos na periferia, a cerca de 10 minutos a pé do centro; favorecer a atividade comercial e serviços dentro da cidade, sem o deslocalizar para grandes superfícies em zonas periféricas; programas para conferir segurança e incentivar as deslocações de crianças a pé para as escolas; colocação de passadeiras ao nível do passeio e conferir-lhes segurança através de iluminação própria.

Com este plano, entre 1996 e 2014, Pontevedra aumentou em 35% a velocidade média de circulação, reduziu 78% o tempo perdido em engarrafamentos, diminuiu em 65% o consumo de combustível dentro da cidade e reduziu muito significativamente o ruído e a concentração de gases poluentes. Paralelamente, neste período, não houve mortos em acidentes rodoviários, estando neste aspeto entre as cidades mais seguras do mundo. Tudo isto valeu-lhe, em 2014, o prémio “ONU-Hábitat” atribuído pelas Nações Unidas.

Certamente com as suas especificidades, o exemplo de Pontevedra faz acreditar que não é só no norte e no centro da Europa que são possíveis cidades onde os diferentes meios de transporte convivem harmoniosamente e onde a qualidade de vida dos cidadãos é o aspeto central na definição das políticas de mobilidade.