Braga Ciclável reuniu com a Real Associação Humanitária do Bombeiros Voluntários de Braga

Braga Ciclável reuniu com a Real Associação Humanitária do Bombeiros Voluntários de Braga


No passado dia 7 de Outubro, pelas 18h30, a Associação Braga Ciclável reuniu com os Bombeiros Voluntários de Braga, no seu quartel, no Largo Paulo Orósio.

A representar os Bombeiros Voluntários de Braga esteve o Capitão Miguel Ferreira, Presidente da Real Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Braga, e Pedro Ribeiro, Comandante Interino dos Bombeiros Voluntários de Braga, e a representar a associação Braga Ciclável esteve Mário Meireles e Arnaldo Pires.

Esta reunião, que decorreu na sequência de um pedido da Bragaciclável e Movimento BragaZeroAtropelamentos, para se apresentar a associação e o movimento e, dada a experiência diária dos Bombeiros, muitas vezes chamados para assistir vitimas de acidentes de viação, discutir o que se deveria mudar para diminuir a sinistralidade, do concelho de Braga.

Após apresentações iniciais, Mário Meireles iniciou a reunião apresentando a associação, e do movimento, e o porquê do pedido de agendamento da reunião.

Ao longo da conversa foram abordados vários temas relacionados com a mobilidade em geral, com foco principal nos peões, utilizadores de bicicletas e veículos de emergência, em particular. A reunião decorreu no quartel dos Bombeiros, local de onde saem veículos em emergência e que muitas vezes se encontram bloqueados, por automóveis mal estacionados, tráfego congestionado e organização de eventos municipais, junto do mesmo, prejudicando o auxilio a situações de emergência.

Os representantes da associação Braga Ciclável falaram nas alterações que poderiam ser realizadas no Largo, em frente ao quartel, por forma a organizar os fluxos e reduzir tempos de percursos, sem limitar os veículos de emergência. Ao mesmo tempo falou-se da necessidade de melhoria do ordenamento da mesma, com a retirada os contentores de lixo e reciclagem, junto a uma passadeira, o que aumenta o risco de atropelamentos; colocação de bicicletários adequados para que as pessoas se possam deslocar ao centro de saúde ou biblioteca e ter um local adequado para aparcar a bicicleta. Junto deste largo existem bicicletários da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva que não garantem as condições necessárias para aparcamento das bicicletas. O surgimento de um lugar pintado de vermelho com o símbolo de trotinetes e bicicletas, mas sem qualquer infraestrutura de apoio, foi também alvo de conversa, apesar de se destacar a correcção da sinalética que anteriormente se encontrava inconforme.

A par disso sugeriu-se que se trabalhe no sentido de melhorar as condições para utilizar a bicicleta em todo o concelho. Medidas de rápida implementação e baixo custo como o encerramento de determinadas ruas, algumas mesmo no Largo Paulo Orósio, permitindo acesso a moradores com garagem, ambulâncias e bicicletas, ou a colocação de bicicletários em pontos estratégicos, a sobreelevação de várias passadeiras, ou mesmo a melhoria do pavimento para a utilização da bicicleta, em diversos pontos,  são medidas que poderão ser trabalhadas e executadas rapidamente. Estas medidas visam um ganho do espaço para o peão e utilizadores de bicicletas, e outros modos suaves, com maior aproveitamento da cidade, por parte das pessoas.

A utilização da bicicleta pode ser útil para determinadas deslocações, em especial no acesso ao nosso centro histórico, sendo necessário ligar este, de forma segura, as zonas residenciais e às zonas escolas. Para isso é fundamental reduzir a velocidade automóvel no centro da cidade, assim como garantir a não permissão de não cumprimento dos limites de velocidade atuais. Estes aspectos são fundamentais, para a Braga Ciclável, para que os pais possam deixar os filhos pedalarem, no dia a dia, e assim retirar pressão automóvel destes pontos que estão diariamente congestionados.

Arnaldo Pires reforçou ainda que os ganhos para a saúde, quer pela deslocação ativa, quer pela redução da poluição sonora e ambiental, quer pela redução das partículas inaladas (PM), são factores de saúde importantes, mas que ao mesmo tempo têm ganhos económicos para a pessoa em questão, mas também para a economia local e nacional.

 

A Pertinência dos Eventos

A Pertinência dos Eventos


Aconteceu em Braga, no passado dia 29 de Junho, o “V Braga Cycle Chic”. Um evento anual que, através de um passeio de bicicleta pela zona envolvente ao centro histórico da cidade, pretende promover a utilização da bicicleta em contexto urbano, no dia-a-dia. Cerca de duas semanas antes, no dia 16 de Junho, acontecia o “Ciclo Passeio Solidário de São João”. Um passeio de bicicleta, desta feita de cariz solidário e com um percurso mais alargado, dotado de uma componente informativa e histórica sobre aquela que é a maior festividade da cidade. De uma forma periódica, acontecem também os “Encontros Com Pedal”, encontros informais onde os amantes das bicicletas se reúnem para passeios temáticos ou para pedalar juntos e conhecer parceiros que a estes eventos se associam.

Muitos se questionarão da pertinência de juntar um grupo de pessoas a pedalar pela cidade. Se vale a pena todo o trabalho de coordenação e logística envolvido, para colocar um número, nem sempre previsível, mas sempre significativo, de ciclistas a circular pela cidade. Na Braga Ciclável, acreditamos que sim! É pela presença nas ruas, seja ela conjunta ou individual, que nos fazemos sentir.

Todos os dias vemos aumentar o número de pessoas que utilizam a bicicleta nos seus percursos. Nuns mais do que em outros. Basta que tiremos um par de horas, durante um dia da semana, e nos sentemos numa esplanada do eixo Rua D. Diogo de Sousa/Rua do Souto, sobretudo nas horas pré e pós horário de expediente, para perceber a enorme quantidade de pessoas que se arrisca por este percurso em bicicleta. “Arrisca” porque se trata de uma zona pedonal que, quiçá, pela presença continua de ciclistas, poderá ver o seu estatuto e condições infraestruturais revistas pelas autoridades competentes.

Mas não são apenas as instituições, como o Município ou as forças de segurança, que pretendemos sensibilizar. Queremos também fazer-nos notar junto dos automobilistas, queremos familiarizá-los com a circulação de bicicletas nas estradas para que se possa construir um respeito mútuo. Existem regras de trânsito a respeitar, nomeadamente no que diz respeito a distâncias de segurança, mas acima de tudo, existem princípios morais e humanos a preservar.

É preciso insistir, estranhar, para depois entranhar e aceitar.

Ciclo Passeio Solidário de São João

Ciclo Passeio Solidário de São João


No dia 16 de Junho, às 10H00, a Braga Ciclável, em colaboração com a Associação Anima Una e a Associação de Festas do São João de Braga, organizou um Ciclo Passeio, pelas ruas da cidade, de cariz histórico e solidário. No local compareceram cerca de meia centena de pessoas, que se fizeram acompanhar com donativos, sobretudo peças de vestuário, para a causa da Associação CPAC, que presta apoio a imigrantes em dificuldades socioeconómicas.

O passeio teve o seu início na Praça da República, um dos locais de passagem obrigatória durante as modernas festividades de São João, depois de uma breve introdução ao evento, à Braga Ciclável com destaque ao seu contributo para a melhoria da mobilidade de peões e utilizadores de bicicleta na cidade, e à CPAC. Essa introdução foi realizada por Arnaldo Pires, Mário Meireles e Rafael Sousa, organizadores do eventos.

Depois de partir da Praça da República, o grupo passou pela Capela de São João de Braga, onde o Dr. Ricardo Silva, atual presidente da Junta de Freguesia de São Victor e um apaixonado pela história da cidade de Braga, apresentou uma muito relevante e agradável revisão histórica, sobre a grande festa do São João de Braga; a Capela de São João e sua importância; e a já não existente Quinta da Devesa, onde, no passado, os Arcebispos da cidade passavam o verão.

Após se ter ciclado pelo atual parque da ponte, a coluna de bicicletas dirigiu-se para a via pedonal ciclável, do rio Este, e seguiu para o Seminário de Fraião. No local, o grupo foi recebido e acarinhado pelo Sr Padre Manuel Martins, padre responsável pela Comunidade Espiritana de Braga. No mesmo local, junto à Igreja, o Sr Padre Manuel Martins presidiu a uma breve oração que culminou com a benção de todas as bicicletas que participaram no encontro.

Benção das Bicicletas

 

Ao longo do passeio, o grupo teve o acompanhamento de uma ciclo-patrulha da Policia de Segurança Pública, que garantiu a segurança de todos no evento.

Para registo fotográfico esteve presente a Midtones Photography (www.midtonesphotography.com) que, com o seu profissionalismo já reconhecido, garantiu a obtenção de imagens, que de outra forma não teria sido possível obter.

É com agrado que a organização comunica que o Ciclo Passeio contou com a presença de adultos e crianças e se desenrolou sem incidentes. A boa disposição e a postura ordeira esteve presente, em todo o desenrolar do encontro. Mais um evento que demontra que é possivel ciclar ao longo da cidade, apesar de muitos a considerarem com uma geografia não amigável para deslocações diárias. Imagine-se como seria caso a cidade permitisse uma correta segregação dos diversos agentes de mobilidade, com maior estrutura ciclável e acalmias, reais, de tráfego.

Como nota final fica um agradecimento a todos que colaboraram ou participaram no evento, permitindo estimular a utilização de bicicletas, a solidariedade entre todos e a divulgação dos registos históricos.

Braga participa este mês na 14ª Semana Europeia da Mobilidade

Braga participa este mês na 14ª Semana Europeia da Mobilidade


Braga adere este ano, pela 3ª vez, à Semana Europeia da Mobilidade, que já vai na sua 14ª edição. O programa para Braga, que se pode ver no cartaz abaixo, é bastante extenso e inclui atividades para todos os gostos e para todos os públicos:

Cartaz Braga Semana Mobilidade 2015

São de destacar também as seguintes medidas permanentes, que a CMB se propõe a aplicar e que estão presentes no site da Semana Europeia da Mobilidade:

  • Implementação de estacionamentos para bicicletas em novos locais;
  • Implementação de uma rota para bicicletas: Universidade do Minho – Centro Histórico, autorizando a circulação em coexistência de tráfego com os veículos de transporte coletivo na Rua Nova de Santa Cruz, Rua D. Pedro V e Rua de S. Vítor;
  • Abertura da Loja da Mobilidade;
  • Implementação do programa “Via Azul” – policiamento em zonas de fiscalização prioritárias para prevenir o estacionamento automóvel abusivo;
  • Intervenção na rotunda à entrada da Universidade do Minho para melhorar as condições de circulação.

Esperamos esta comemoração da Semana da Mobilidade sirva, por um lado para encorajar os cidadãos a experimentarem e usarem este meio de transporte e, por outro lado, para sensibilizar os decisores bracarenses a toda sociedade para a necessidade de alterações de paradigma por forma a tornar a cidade mais amiga dos peões e dos ciclistas.

Câmara Municipal de Braga adere à Semana Europeia da Mobilidade!

Braga volta a aderir, 9 anos depois, à 13ª Semana Europeia da Mobilidade que decorre entre 16 e 22 de Setembro, terminando, em grande, com o Dia Mundial Sem Carros!


Durante esta semana ocorrem diversos eventos ligados à Mobilidade.
Em Braga vamos ter os dias todos preenchidos com algum evento, senão vejamos:




Terça-Feira, 16 de Setembro de 2014


10h Protocolo a assinar entre a CMB, os TUB e a CP (Quinta Pedagógica)




Quarta-Feira, 17 de Setembro de 2014


14h30 Assinatura de Protocolos “Linha do Hospital”

18h30 1º Desafio Modal de Braga e de Portugal




Quinta-Feira, 18 de Setembro de 2014


10h Assinatura de Protocolos “Campus Gualtar”

11h Ação Promocional na ES Carlos Amarante

14h – 17h30 Disponibilidade de carros e bicicletas da Escola Rodoviária – EB1 e EB2,3 (dos 8 aos 15 anos) na Praça do Município Inscrições: ambiente@cm-braga.pt

21h15 “Debate Mobilidade: Que futuro para Braga?” – Auditório da Junta de Freguesia de São Victor




Sexta-Feira, 19 de Setembro de 2014


10h30 Circuito Simulado e Percurso Urbano de Olhos Vendados – Avenida Central, junto ao Chafariz com a presença do Reciclónico dos TUB

21h30 Palestra sobre mobilidade – Ciclismo: Desporto, Recreação e Mobilidade/TUB e o futuro com a presença do ciclista profissional Rui Costa na BLCS

9h-12h30 Disponibilidade de carros e bicicletas da Escola Rodoviária – EB1 e EB2,3 (dos 8 aos 15 anos) Inscrições: ambiente@cm-braga.pt Praça Conde de Agrolongo




Sábado, 20 de Setembro de 2014


09h30 – 13h Caminhada e Visita Guiada por Espaços Verdes da Cidade com contextualização histórica, cultural e arquitetónica

14h30 – 16h Demonstração de trial bike e Passeio de bicicleta Inscrições: www.acm.pt e ambiente@cm-braga.pt

15h – 16h Animação nas ruas cortadas ao trânsito e zona pedonal

16h – 17h30 Bici-paper Inscrições: info@jovemcoop.com e ambiente@cm-braga.pt

17h30 – 24h00 II Gualtar Ciclável





Domingo, 21 de Setembro de 2014


11h Aventura pelo Ambiente – caminhada urbana, circular, a começar em Ponte Pedrinha, pelas 11h, com piquenique na lagoa dos Parques Desportivos da Rodovia

10h – 13h “Estradas com Vida” – realização de atividades desportivas, em espaço fechado à circulação automóvel: basquetebol, patinagem, aula de zumba… – Lamaçães

15h – 16h Animação nas ruas cortadas ao trânsito e zona pedonal

15hMobilidade elétrica: carros elétricos, segways e bicicletas – demonstração na Avenida Central

16h – 17h Avenida Central





Segunda-Feira, 22 de Setembro de 2014 – Dia Mundial sem Carros


Manhã Escolas vão pintar os abrigos da TUB que tenham grafitis

14h30 – 16h30 Seminário: “Mobilidade Para Todos”- Abordar a Mobilidade das Pessoas com Deficiência Visual em Braga, na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva. Inscrições: braga@acapo.pt

21h30 Fórum “Cidade Acessível” Entrada livre na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva




E muitos mais eventos, inaugurações e novidades para acompanhar durante a 13ª Semana da Mobilidade comemorada em Braga pelo Município!



De louvar ainda as medidas permanentes a que a CMB se propôs a criar e que estão presentes no site da Semana Europeia da Mobilidade:


  • Melhoria das infraestruturas cicláveis (estacionamentos, cacifos, etc)
  • Extensão ou criação de vias cicláveis verdes
  • Melhoria e extensão do serviço de transporte público (Serviços expresso, aumento de frequência, etc)
  • Criar rampas para cadeiras de rodas
  • Aumentar os passeios
  • Remover barreiras arquitetónicas
  • Sensibilizar para o uso Responsável do automóvel
  • Lançar Campanhas de sensibilização





Esperemos que venha para ficar a comemoração da semana da mobilidade e que sirva para sensibilizar as pessoas para as necessidades de alterações de paradigma por forma a tornar a cidade mais amiga dos peões e dos ciclistas.

A Fnac vai por Braga a andar de Bicicleta!

No próximo sábado dia 6 de Setembro realiza-se o Fnac Fan Day. Durante todo o dia decorrerão diversos eventos, com diversas atividades e passatempos.

No final do dia, às 21 horas, haverá um passeio noturno em formato de cicloturismo denominado “FNAC FAN DAY – City Night Bike Tour”. O Passeio partirá do centro da cidade, junto ao Turismo, e terá o acompanhamento de duas motos da PSP. Percorrerá 13 km das ruas da cidade e retornará ao centro, num percurso fácil e acessível a todos, mesmo os que não utilizam a bicicleta regularmente.

Para participar basta inscrever-se no site fnacfanday.pt e aparecer no dia um pouco antes das 21 horas. A Go By Bike associou-se a este evento e terá disponível bicicletas para emprestar aos inscritos que indicarem a sua necessidade.

Boas pedaladas a todos!

Braga Trendy Cycle – o vídeo


Já está disponível o vídeo oficial do 1º Braga Trendy Cycle. Se estiveram lá, aproveitem para recordar os bons momentos. Se não tiveram a oportunidade de participar, podem espreitar um pouco neste vídeo. Ah, e fiquem atentos para não perderem a próxima edição!

Entretanto, um passarinho contou-nos que os Encontros com Pedal também já estão a preparar um novo evento para breve. Vamos pedalar?

Acerca de um comentário à recente reportagem do P3/Público


Na sequência da recente publicação de uma reportagem no P3/Público sobre o Braga Ciclável e o uso da bicicleta em Braga, um leitor do P3 dedicou alguns minutos a escrever o seu testemunho na área de comentários. Pela sua pertinência para o tema que preside a este blog, reproduzimos abaixo o referido texto:

Tendo vivido 10 anos em Braga e passado todos eles entre andar a pé, transportes públicos, de automóvel e, por vezes, de bicicleta, posso dizer que apesar de ser altamente louvável o que o Victor faz, Braga não tem estrutura montada para levar com mais do que 1 ou 2 bicicletas na vias. Infelizmente. E não vejo como é que a moda possa pegar, embora espero estar enganado. Braga é feita de muitas vias rápidas (a Rodovia, por exemplo), muitos sentidos únicos e muito automóvel a enorme velocidade.

Conheço muito bem o percurso efetuado por Victor no vídeo e devo dizer que quando o vi a ter que passar na rotunda do Feira Nova (agora é o Pingo Doce, não é?) para a via que eventualmente passa em frente ao Braga Parque, eu próprio fiquei apreensivo ao vê-lo ter que fazer tal coisa. Se já de automóvel é perigoso andar por essas zonas (entrar nessa rotunda é uma verdadeira corrida de automóveis… Eu de bicicleta fazia-o sempre no passeio nessa zona), então de bicicleta…!

É muito complicado e tirando as estradas como a Rua D. Pedro V (onde no vídeo o Victor acaba), que na essência só se encontram no centro mesmo da cidade, tudo o resto e’ aceleração perigosa de automóveis onde o mais rápido vence. Mas espero que a tendência possa obviamente ser revertida a favor das bicicletas.

Ainda que circular de bicicleta no centro histórico de Braga seja bem mais seguro e bem mais prazeroso do que no meu percurso casa-emprego, temos de reconhecer que este testemunho é esclarecedor sobre a situação de Braga, em termos de segurança rodoviária e de promoção da mobilidade sustentável.

Poderia tecer alguns comentários, dizendo que o meu percurso é mais fácil de realizar do que o vídeo dá a entender – e de certo modo até é, depois de aprendermos a conduzir de forma mais ou menos estratégica e de decidirmos voluntariamente correr algum risco. Ou que existem percursos alternativos ao que eu faço atualmente – e existem, embora não tão cómodos nem tão eficientes para quem circula de bicicleta… Mas a verdade é que entrar na zona mais central de Braga, como eu e muitos outros ciclistas temos de fazer diariamente, é na maior parte dos casos uma aventura, com deficientes condições de segurança.

Acredito, como já por repetidas vezes o tenho afirmado, que o comportamento dos demais condutores irá melhorando à medida que mais ciclistas forem circulando nas ruas – a visibilidade acrescida pelo aumento do seu número a isso levará, inevitavelmente. E também à medida que nós ciclistas vamos aprendendo a conviver com o trânsito (sim, que também nós temos responsabilidade na matéria), as coisas irão melhorando.

Mas não chega. O perigoso anel de pseudo-autoestradas que circunda a zona histórica de Braga, da forma como existe atualmente, condiciona o acesso a quem se desloca a pé ou de bicicleta das zonas da periferia.

Vai sendo tempo de Braga modernizar a sua rede viária, tornando mais amiga dos ciclistas, como vem sendo tendência geral em grandes cidades europeias, e não só. Se queremos uma cidade onde é bom viver, não podemos continuar a promover a utilização abusiva do automóvel até para os percursos curtos, nem as velocidades excessivas que por cá se vêem. Se queremos uma cidade onde os nossos filhos possam caminhar em segurança quando saem à rua ou quando vão para a escola, precisamos de desenhar e construir a cidade em função dessa nossa vontade.

Respondendo ao comentário de um leitor, sobre ciclovias em Braga…


Um destes dias, num dos artigos da série “Ciclistas Urbanos em Braga”, tivemos um interessante comentário do nosso leitor Miguel Lobo. O seu testemunho, pela pertinência do tema que aborda, merece ser aqui destacado e deveria inclusivamente ser objeto de reflexão por parte de quem decide em matéria de planeamento urbano, ordenamento de trânsito e obras públicas.

Viva,

Parabens por este blog, só agora me apercebi dele e vou estar atento porque tambem vivo em Braga.
Tambem eu sinto falta de uma rede de vias para bicicleta em Braga. Seria quase um sonho se um dia isso viesse a surgir. Braga tem uma ciclovia, é certo, mas, para além de pequena partilha o mesmo espaço que uma estrada em que os automobilista teimam em fazer parecer uma autoestrada. Andei uma vez nela com a minha esposa e filha e não volto mais, é um perigo. Aliás, andar na estrada de bicicleta em Braga para mim foi traumático. Já fui abalroado por uma carrinha e o tipo teve o descaramento de me dizer que eu é que devia ter cuidado e depois ainda vieram os GNR’s de bigode ajudar à festa. Enfim, foi a primeira e certamente uma má experiencia, agora quando quero andar de bicicleta meto tudo no carro e vou para ciclovias seguras.
Mesmo assim sonho com um dia poder circular em segurança em Braga.
Boa sorte com o Blog, faz falta este tipo de atitude para criar um certo movimento e quem sabe um lobbie.
Cumprimentos

Miguel Lobo

Olá, Miguel!
Obrigado pelo testemunho e pelo incentivo. Estamos a tentar contribuir para a sensibilização da população e dos responsáveis pelo urbanismo, para ver se as coisas melhoram um pouco cá em Braga.

Cada dia que qualquer um destes ciclistas – entre os quais me incluo – sai à rua na sua bicicleta (seja para passear, para tomar um copo com os amigos, para ir às compras ou ir para o emprego), está a contribuir ativamente para mudar mentalidades. À medida que mais ciclistas vão circulando nas ruas – e o número está mesmo a aumentar – passará a haver uma adaptação dos comportamentos dos automobilistas, mais não seja, porque passam a contar com a presença de ciclistas na via. Claro que há ainda muitos receios, alguns deles justificados, outros nem tanto, mas com algum esforço de adaptação, é possível e relativamente simples pedalar. A zona da periferia (incluindo essa ciclovia) coloca alguns desafios aos ciclistas, mas em compensação no centro da cidade conseguimos circular com relativa facilidade.

Quanto à nossa única e polémica ciclovia (ver foto abaixo, retirada de um artigo no blog Avenida Central), que supostamente serviria para a prática de desporto e ciclismo de lazer, tem realmente vários defeitos graves. O primeiro deles, na minha opinião, é o facto de se encontrar numa localização periférica, com um percurso que não a torna muito útil a quem deseja utilizar a bicicleta como meio de transporte para o emprego, para a escola ou para a universidade.

Ciclovia em Braga

Além disso, tem também alguns problemas de conceção que a tornam insegura não só para o ciclismo desportivo mas também para o ciclismo de lazer. Por exemplo, além de ser estreita e não permitir a ultrapassagem entre ciclistas, a ciclovia encontra-se agrupada com o passeio, ao longo de praticamente todo o seu traçado, sem qualquer tipo de separação, sendo frequente o seu uso por parte de peões, animais de estimação, carrinhos de bebés… Em alguns pontos do percurso, temos constantemente carros estacionados em cima da ciclovia, interrompendo a passagem dos ciclistas e obrigando-os a seguir ilegalmente por uma das faixas reservadas a veículos motorizados. Mas não é só. Em alguns pontos, há estacionamento automóvel na berma, pelo que os carros precisam de ocupar a ciclovia para entrar e sair do estacionamento (escusado será dizer que qualquer carro que vá a sair em marcha-atrás tem pouca ou nenhuma visibilidade para verificar se na ciclovia vem algum ciclista na sua direção). Isso, a juntar às numerosas rotundas que interrompem a viagem mas não oferecem qualquer proteção aos utentes da ciclovia, faz com que esta continue a ser uma das obras mais polémicas alguma vez realizadas em Braga.

É por estes e outros motivos que há neste momento um movimento de cidadãos de Braga a tentar fazer chegar uma mensagem aos responsáveis da autarquia – de que os ciclistas existem em Braga e que é preciso melhorar as condições de circulação e estacionamento, não só para os ciclistas que já andam nas nossas ruas, mas também para aqueles que gostavam de o poder fazer, mas ainda não se sentem seguros.

Gosto de ser otimista, e acredito que as coisas irão melhorar. O número de ciclistas aumenta de dia para dia, não só em passeios de fim de semana, mas também nas deslocações diárias para o emprego, no centro da cidade e nas zonas periféricas. Basta passar algumas horas na Avenida Central ou na Rua D. Pedro V, para o comprovar. Com o poder de compra a baixar e os custos dos combustíveis a aumentar, cada vez mais pessoas acabarão por tomar a decisão de perder o medo e a vergonha e passarão a usar a bicicleta em vez do carro. Aos poucos, esta nova realidade tornar-se-á cada vez mais difícil de ignorar por quem quer que esteja à frente dos órgãos autárquicos competentes…