Estar do lado certo

Estar do lado certo


Estocolmo, Oslo, Copenhaga ou Amesterdão são invariavelmente usadas como exemplos de cidades cicláveis. São locais com espaços amplos para peões, reduzidas estradas para o automóvel e muitos kms de ciclovias. Transformaram-se em sítios considerados por vários rankings como dos melhores do mundo para se viver e tudo graças a opções políticas centradas nos meios suaves de transporte como a bicicleta que foram sendo consistentemente tomadas ao longo de décadas. Graças ao seu sucesso, foram seguidas por outras cidades europeias como Paris, Londres, Barcelona, Madrid ou Sevilha que optaram pelo mesmo tipo de políticas e por cá, também Lisboa decidiu seguir o mesmo caminho.
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Será este, o ponto de viragem?

Será este, o ponto de viragem?


Lia-se estes dias que a Câmara Municipal de Braga pretende “humanizar o eixo da Rodovia” e que “Braga quer mudar a sua forma de mobilidade, com as pessoas a privilegiar os transportes públicos em vez dos veículos pessoais e a preferir a marcha a pé ou de bicicleta rumo à sustentabilidade e a uma cidade com menos acidentes rodoviários e ambientalmente mais amiga dos cidadãos.”

O crescimento das cidades veio acompanhado das infraestruturas viárias necessárias. Este crescimento levou a um aumento das distâncias no nosso quotidiano (deslocações para casa, trabalho, escola, comércio, entre outros) e passou a ser feito preferencialmente de automóvel.

No caso específico de Braga, o crescimento foi desmesurado e sem sentido. E é urgente intervir. Túneis e viadutos construídos pensando exclusivamente na ótica do automobilista, onde são evitadas as intersecções em meio urbano, são um convite ao uso do mesmo e em velocidades excessivas pois não existem semáforos nem passadeiras para acalmia do tráfego. E não raras vezes o carro é usado por uma única pessoa, aumentando assim o fluxo de veículos e consequente congestionamento das vias de trânsito. Num raio de 7Km, a bicicleta torna-se o mais eficiente dos meios de transporte, evitando não só este congestionamento, mas também a emissão de CO2.

Cidades como Amesterdão, Londres ou Paris já têm vindo a contrariar este panorama com efeitos diretos no grande aumento de utilizadores diários da bicicleta. Estas têm vindo a implementar medidas como a restrição de lugares de estacionamento para automóveis, delimitação de velocidades em meio urbano, criação de redes cicláveis seguras, implementação de sistemas de bikesharing, entre outras.

Querer mudar é positivo, mas pode não ser suficiente. Se vamos construir ciclovias, é preciso que elas sejam bem construídas. E têm que ser seguras! Se assim for, então de certeza que teremos mais gente a andar de bicicleta na cidade! E com toda a certeza menos mortes e atropelamentos.

Será este, o ponto de viragem?


(Artigo originalmente publicado na edição de 03/02/2018 do Diário do Minho)

As bicicletas e o clima

As bicicletas e o clima


Atualmente a temperatura média do nosso planeta está cerca de 1,3°C acima da temperatura média na era pré-industrial. Parecerá coisa pouca, mas se pensarmos que 2017 se assistiu, só em Portugal, a uma das maiores secas de que há registos e a recordes máximos de temperaturas e mínimos de humidade que estiveram na origem de trágicos incêndios que causaram mais de 100 mortos, os números deixam de ser só números. Cientes deste problema, 169 países e a União Europeia (UE) assinaram e ratificaram o Acordo de Paris, comprometendo-se a um aumento máximo da temperatura média de 2,0°C em relação a 1880.

É praticamente consensual que a origem do aquecimento global está na emissão humana dos designados gases de efeito de estufa (GEE). Para essas emissões os transportes são um dos principais contribuidores. Estima-se que em toda a UE metade das viagens de automóvel são para distâncias inferiores a cerca de 5km, algo que poderá ser percorrido de bicicleta em cerca de 20 minutos. Será então a bicicleta um possível instrumento ativo no combate ao aquecimento global?

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Pedalar para a Cidadania

Pedalar para a Cidadania


Durante duas semanas, representantes de 195 países e da União Europeia, estiveram reunidos na cidade-luz para um sem-número de negociações (in)tensas que resultaram num acordo muito aquém das expetativas iniciais. Se, por um lado, podemos falar em sucesso no que diz respeito à imposição da meta realista de 1.5°C como valor limite para a subida da temperatura média, tal como na restrição ao uso de combustíveis fósseis, por outro, o facto de a limitação das emissões dos gases com efeito de estufa de cada país e do seu total global, não fazerem parte do rol de medidas vinculativas contempladas no acordo, faz com que o rescaldo da Conferência do Clima, de Paris, tenha um sabor agridoce.

Mas se, a nível global, os valores capitalistas se sobrepõem à consciência de que o nosso planeta está a morrer às nossas mãos e de que não temos outro para onde ir, a nível local, todos temos a obrigação, enquanto cidadãos, de nos consciencializar de que pequenos gestos do quotidiano podem contribuir para de alguma forma retrair e, quiçá, reverter o processo de deterioração da Terra.

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