De Praga a Budapeste

De Praga a Budapeste


De Praga a Budapeste por estrada são 528 Km. Por ciclovias e estradas secundárias programamos 518 km de bicicleta em autonomia, a fazer em nove etapas de 75 km cada.

O caminho foi-se fazendo, umas vezes rápido outras mais lento, não estávamos a contar com o calor abrasador, talvez inusual para esta época do ano naquelas paragens, obrigando-nos a saltar duas etapas, já que, as anteriores de montanha, com um desnível acentuado, nos tinham literalmente quebrado. A paisagem compensava o desnível, assim como a simpatia das pessoas. No total fizemos 450 km. As odisseias pelo caminho foram muitas, aventuras e desventuras que ficam por contar.

Na República Checa, até Brno, seguimos por estradas nacionais, vias partilhadas, nomeadamente a via 19, 24 e via 1. Estas, fazem-se em terreno montanhoso sempre acompanhados pela floresta centro-europeia onde nos refrescamos à sombra de ciprestes, faias, carvalhos e nogueiras. Nas áreas mais cultivadas, o lúpulo e o milho eram as culturas mais presentes, as estradas eram circundadas por árvores de fruto como macieiras, pereiras, abrunheiros e cerejeiras.
Depois de Brno e já na Eslováquia, apanhamos fragmentos da EuroVelo 9 (rota do âmbar). A rota é plana com vinhas circundantes, antes de chegar à área de paisagem protegida, a cidade cultural de Lednice-Valtice da UNESCO. Passamos também pela EuroVelo 13, apelidada de Cortina de Ferro, esta passa por todos os países que pertenceram ao pacto de Varsóvia. Aproximou-nos da época histórica que estes países viveram durante a guerra fria. No ponto em que a Áustria, a Eslováquia e a Hungria se encontram, há numerosos memoriais e marcas assinalando esse conturbado período da história europeia. Este fragmento da Hungria, faz parte da Grande Planície Húngara e a rota passa por uma paisagem encantadora com inúmeras pequenas povoações.

A EuroVelo 6 tão ansiada por nós, segue ao longo do Danúbio, era já um sinal de aproximação a Budapeste. Este segmento da Eurovelo húngara está protegido como um sítio Natura 2000, que fornece às espécies ameaçadas habitats naturais.

A Europa é anfitriã de uma extensa rede de ciclovias, num total de 15 trilhos de longa distância, chamados de rotas EuroVelo que percorrem 43 países.

Já em Budapeste e a relaxar nas termas, depois do longo percurso, tivemos duas contrariedades antes da partida, embalar as bicicletas, as companhias aéreas são rigorosas relativamente ao transporte de velocípedes e a necessidade de transportar as bicicletas para o aeroporto de Budapeste que fica a 20kms do centro da cidade. Os autocarros não permitem o transporte de bicicletas. Fomos de comboio até cerca de 15kms do aeroporto, pedalámos 5kms até ao mesmo. Depois de todas as aventuras, o trajeto foi duro o calor apertou, mas olhando para trás, surge a questão “vale a pena?” sim, se querem experimentar um turismo diferente, em permanente contacto com a natureza, conhecer gentes, degustar gastronomia, ver paisagens magnificas, esta é uma excelente forma de fugir às grandes confusões das cidades europeias que em agosto são caóticas.

Verão em Duas Rodas

Verão em Duas Rodas


Para uma boa parte dos cidadãos, verão é sinónimo de férias, pelas quais se anseia todo o ano… e férias são sinónimo de liberdade, de dias longos (e noites!) de quebrar a rotina, conhecer novas paragens, ter liberdade de horários e de movimentos!Falando em movimentos, recordo umas férias deverão recentes no Algarve, no mês de agosto, em que a opção foi deixar o carro do dia a dia em repouso e usar uma bicicleta de dois lugares. Foi uma opção totalmente acertada! Enquanto víamos as filas de carros a entrar e a sair das praias, circulávamos sem constrangimentos, ao mesmo tempo que sentíamos que estávamos a fazer bem ao nosso organismo e ao ambiente. Víamos os rostos entediados das pessoas dentro dos carros, como se estivessem nas filas de trânsito do dia a dia, o nervosismo do estacionamento, etc. Para isso, já chega o resto do ano.

Que tal chegar ao seu destino de férias e alugar uma bicicleta ou levar a sua? O facto determos bom tempo no verão elimina todos os argumentos usados no inverno para não usar a bicicleta. Aproveite, faça algo diferente este verão: utilize mais vezes a bicicleta. Existem várias possibilidades de aluguer e o facto de ter crianças não o impede de tal, pois as soluções são várias. Que tal deixar o carro do dia a dia em repouso e trocá-lo por uma bicicleta? Talvez o seu carro também precise de férias e o seu organismo de novas sensações! Quer esteja de férias na praia, na montanha, planície ou mesmo cidade, vai gostar seguramente de sentir o sol e a brisa na pele, de uma forma que não sentirá dentro de um carro ou andando a pé. Talvez adquira o gosto e quem sabe, quando regressar a casa, ponderará utilizara bicicleta para outras coisas que nem imaginava antes!

Desafie-se e experimente. Boas férias e boas pedaladas!

DICAS

Tenho uma bicicleta na garagem parada há muito tempo, e agora?

Importante encher os pneus e verificar se há furos ou se o ar simplesmente se evaporou com o passar do tempo. Se tiver furos precisa de uma câmara de ar nova, há em qualquer loja que venda material de ciclismo. Se não quiser fazer o trabalho pode sempre procurar um garagista ou uma loja que lhe faça a revisão à bicicleta. Normalmente não fica muito caro.

Tenho que fazer muito esforço a pedalar com o calor?

Não. As bicicletas convencionais possuem mudanças e nesta altura de calor o ideal é pedalar numa mudança “mais leve”, dimensionando o esforço a fazer. Teste as mudanças, a desmultiplicação que atualmente conseguimos vai surpreendê-lo. Vai conseguir circular por ruas que achava que só com uma elétrica é que conseguiria!