Dossiê apresentado à CMB (propostas para alteração da Rede Ciclável em estudo)

Dossiê apresentado à CMB (propostas para alteração da Rede Ciclável em estudo)


Conforme prometido, publicamos hoje os documentos que integraram o dossiê apresentado pelos ciclistas urbanos à Câmara Municipal de Braga, na última reunião.

A partir da rede ciclável proposta pela CMB e presente na revisão em curso do Plano Diretor Municipal, do Programa de Ciclovias Interurbanas do CÁVADO (estudo desenvolvido pelo professor António Perez Babo) e utilizando também os percursos fornecidos por 31 ciclistas urbanos (Mapa Braga Ciclável) e a experiência no terreno obtida pelo grupo de ciclistas que participaram na elaboração do dossiê, chegou-se a uma nova proposta com algumas pequenas, mas significativas alterações ao mapa inicial.

Ciclistas discutem Rede Ciclável com Câmara Municipal de Braga

Ciclistas discutem Rede Ciclável com Câmara Municipal de Braga


No seguimento da Proposta Para Uma Mobilidade Sustentável, decorreu esta quinta-feira, dia 10 de abril, pelas 17 horas, em Braga, uma reunião com a Câmara Municipal de Braga, para apresentação de um conjunto de sugestões de alteração ao mapa da rede ciclável para a cidade de Braga que se encontra em fase de planeamento. Nesta reunião, estiveram presentes, em representação dos cidadãos utilizadores de bicicleta, Rómulo Duque (Encontros com Pedal) e Mário Meireles (Braga Ciclável). A equipa municipal esteve representada pela arquiteta Fátima Pereira, assessora de Miguel Bandeira, vereador responsável pelos pelouros do Património, Urbanismo, Regeneração Urbana, Planeamento e Ordenamento, pelo arquiteto Octávio Oliveira, chefe da divisão de Planeamento Urbanístico do Município, e pelo geógrafo Nuno Jacob, Técnico Superior de Planeamento.

Na sequência de contactos que vêm sendo realizados regularmente ao longo dos últimos dois anos, a autarquia convidou os utilizadores de bicicleta a analisarem o trabalho, ainda em curso, de planeamento da futura rede ciclável para a cidade de Braga e a sugerirem eventuais alterações ou melhoramentos, e assim contribuírem com a perspetiva de quem já usa regularmente a bicicleta como meio de transporte.

Foi defendido que a rede ciclável prioritária deve ser a que vai servir as pessoas que usam ou que pretendem usar a bicicleta como meio de transporte e foram mostrados alguns dos benefícios da aposta na bicicleta. Foram apresentados exemplos de cidades com orografias (São Francisco, Berna, Basileia, Trondheim) e climas (Abu Dhabi, Copenhaga, Cambridge, Berna, Ferrara) bem mais adversos que os de Braga e onde a aposta na bicicleta – que foi efetuada inicialmente na parte plana dessas mesmas cidades – é, já hoje, um enorme sucesso. Foram demonstrados vários casos do nosso país e de outras cidades a nível mundial onde foram implementadas medidas eficazes, como a partilha de zonas pedonais com os ciclistas, zonas de coexistência, faixas cicláveis, vias cicláveis, as formas de resolução dos pontos de conflito (cruzamentos, paragens BUS, rotundas), e também diversos exemplos de ruas com sentido proibido para tráfego automóvel, mas permitido para bicicletas, entre outros. Foram ainda apresentadas soluções inteligentes para vencer desníveis, para estacionar a bicicleta em segurança e para compatibilizar a bicicleta com o autocarro. Foi recordado a excelente relação custo-benefício recentemente obtida com implementação de uma rede de 400 km de faixas cicláveis protegidas em Nova Iorque. Para finalizar, foram apresentados os critérios básicos a serem seguidos para a escolha do tipo de vias a implementar em Braga, tendo em conta, por exemplo, o parâmetro V85 que contabiliza a velocidade média de 85% dos veículos que passam numa determinada via, para assim definir qual o tipo de via ciclável mais adequada ao local de modo a garantir a segurança de todos os utentes da via, incluindo os ciclistas.

A partir da rede ciclável proposta pela CMB e presente na revisão em curso do Plano Diretor Municipal, do Programa de Ciclovias Interurbanas do CÁVADO (estudo desenvolvido pelo professor António Perez Babo) e utilizando também os percursos fornecidos por 31 ciclistas urbanos (Mapa Braga Ciclável) e a experiência no terreno obtida pelo grupo de ciclistas que participaram na elaboração do dossier, chegou-se a uma nova proposta com algumas pequenas, mas significativas alterações ao mapa inicial.

Proposta de alterações dos ciclistas à Rede Ciclável em fase de planeamento para a cidade de Braga

Os representantes da CMBraga mostraram-se bastante satisfeitos com a proposta apresentada, tendo mesmo existido consenso quanto às alterações efetuadas.

Mário Meireles, colaborador do blog Braga Ciclável, está convicto de que a aposta na bicicleta “é a solução certa para uma cidade inteligente, sustentável, próspera e amiga das pessoas”. Desta reunião resultou a conclusão de que a aposta de uma rede ciclável direta, segura e confortável deverá começar prioritariamente na cidade plana, ou seja, num retângulo delimitado a este por S. Pedro de Este, a oeste por Ferreiros, a norte pelas Infias e a sul pelo Picoto e pelos três montes sacros. “Nesta Braga plana habitam mais de 100 mil bracarenses”, salientou. “É nela que estão os jovens, que está o conhecimento (Universidade do Minho e Universidade Católica), estão as escolas secundárias, estão os principais polos de comércio (Centro Histórico, Braga Parque e vale de Lamaçães) e está uma forte indústria (Bosch, Ideia Atlântico, Grundig)”. Para além de toda a sua potencialidade, é aí que está a procura: “num curto espaço de tempo recolhemos os percursos de 31 ciclistas urbanos de Braga e foi-nos, assim, possível traçar desde já eixos prioritários.”

Victor Domingos, fundador do blog Braga Ciclável, que apesar de não ter estado presente nesta reunião acompanhou sempre de perto o processo de elaboração dos documentos agora apresentados, não tem dúvidas em afirmar que “este é um momento histórico para a cidade de Braga”. “É provavelmente a primeira vez na história desta cidade”, afirmou, “que os utilizadores da bicicleta são consultados para ajudar a delinear uma rede viária útil, abrangente, confortável e segura para quem deseja usar este meio de transporte nas suas deslocações diárias”.

Brevemente, publicaremos aqui no Braga Ciclável o dossiê apresentado, que ficará disponível para consulta em mais detalhe.

Ciclistas urbanos reuniram com Câmara Municipal de Braga

Ciclistas urbanos reuniram com Câmara Municipal de Braga


No seguimento da Proposta Para Uma Mobilidade Sustentável, decorreu esta terça-feira, dia 18 de fevereiro, pelas 17 horas, em Braga, uma reunião com o novo executivo da Câmara Municipal de Braga, para discussão de medidas de promoção e apoio ao uso da bicicleta como meio de transporte na cidade de Braga.

Nesta reunião, estiveram presentes, em representação dos cidadãos utilizadores de bicicleta, Antony Gonçalves e Rómulo Duque (Encontros com Pedal), Victor Domingos e Mário Meireles (Braga Ciclável). A equipa municipal esteve representada pelo arquiteto Octávio Oliveira, chefe da divisão de Planeamento Urbanístico do Município e pela arquiteta Fátima Pereira, assessora de Miguel Bandeira, vereador responsável pelos pelouros do Património, Urbanismo, Regeneração Urbana, Planeamento e Ordenamento.

Na sequência de contactos realizados ao longo dos últimos dois anos, esta reunião teve como objetivo principal propor algumas alterações à regulamentação municipal e outras medidas facilmente exequíveis a curto prazo, por forma a melhorar as condições de estacionamento e de circulação em segurança para os ciclistas na cidade de Braga.

O número de ciclistas vem aumentando gradualmente ao longo dos últimos anos, e pode vir a aumentar consideravelmente nos tempos que se avizinham. Tal aumento é desejável, na medida em que contribui para uma melhor qualidade de vida dos cidadãos (a bicicleta é um meio de transporte mais saudável, menos poluente, mais económico e mais rápido, sobretudo nos percursos até cerca de 5 km), pelo que deve ser incentivado de forma inequívoca através da criação de vias cicláveis, sobretudo nos percursos de cariz utilitário.

Nesta reunião foram apresentadas algumas sugestões de medidas práticas para tornar Braga uma cidade com melhores condições para o uso da bicicleta como meio de transporte. Pretende-se que, a curto ou médio prazo, os bracarenses e todos aqueles que visitam a cidade de Braga possam sentir a necessária segurança para poderem livremente usufruir das vantagens deste meio de transporte mais económico, mais saudável e mais amigo do ambiente.

Reunião dos ciclistas urbanos de Braga com Fátima Pereira da câmara Municipal de Braga

O conteúdo do dossiê agora apresentado vem aprofundar e concretizar algumas das medidas que faziam parte da Proposta para Uma Mobilidade Sustentável e inclui, entre outras, as seguintes sugestões devidamente detalhadas:

  • Regulamento do controlo de velocípedes na área pedonal da cidade Braga;
  • Regulamento do controlo de velocípedes em vias reservadas aos transportes públicos;
  • Estacionamentos para Bicicletas:
    • Sinalizar devidamente os estacionamentos “Sheffield” já existentes,
    • Implementar requerimentos de instalação de estacionamento de bicicletas CMB junto de instituições e estabelecimentos comerciais,
    • Regulamento para o estacionamento de bicicletas,
    • Instalação de novos estacionamentos nas localizações já identificadas como sendo mais procuradas pelos ciclistas;

    Regulamento para a criação da rede ciclável quotidiana;

  • Sistema de partilha de bicicletas e multimodalidade;
  • Educação Rodoviária;
  • Campanhas.

Segundo Fátima Pereira, “esta é a atitude que pretendemos estimular em Braga. É importante que as organizações, as instituições e as associações estejam em estreita comunicação com a autarquia e sejam agentes ativos na construção das políticas do município e na definição dos projetos para a cidade”. Aquela responsável acrescentou ainda que “o conhecimento produzido entre a autarquia e este grupo de cidadãos é certamente uma mais-valia na definição de uma proposta para a mobilidade ciclável em Braga. Esta será a forma deste executivo agir e intervir”.

Abordou-se ainda a rede ciclável proposta pela CMB e presente na revisão em curso do Plano Diretor Municipal, e o Programa de Ciclovias Interurbanas do CÁVADO (estudo desenvolvido pelo professor António Perez Babo), cujas plantas foram apresentadas e explicadas pelo Arq. Octávio Oliveira.

Para a arquiteta e assessora do pelouro “será importante contar, num futuro próximo, com os pareceres do Braga Ciclável e dos Encontros Com Pedal, na sua qualidade de utilizadores da bicicleta como meio de transporte, com o objetivo de ajustar as medidas a implementar às reais necessidades dos cidadãos. Só assim iremos ao encontro desta realidade e asseguramos que os investimentos não são desajustados face à realidade da cidade como aconteceu no passado.”

O dossiê hoje apresentado está disponível para consulta e será também entregue às diversas forças políticas com assento na Assembleia Municipal.

Revisão do PDM de Braga – Sessão Pública de apresentação e discussão


A Câmara Municipal de Braga realiza este sábado, dia 18 de janeiro, às 14:30h, no auditório do Parque de Exposições de Braga, uma Sessão Pública de apresentação e exposição do processo de revisão do PDM de Braga. Essa sessão será aberta aos munícipes em geral, bem como a todos os intervenientes pelo futuro do ordenamento do município.

Cartaz Sessão Pública de Apresentação, Exposição e Discussão do Processo de revisão do PDM de Braga

A organização deste evento carateriza-o como “um importante ato de cidadania e de participação na estratégia de desenvolvimento de Braga”. A revisão do PDM, que servirá de base ao ordenamento do território da cidade (por exemplo em termos de áreas urbanizáveis, espaços verdes e rede viária) para os próximos anos, é sem dúvida uma oportunidade fundamental para assumir um compromisso sério, determinado e concreto no sentido da construção de uma cidade mais voltada para as pessoas, com uma aposta clara na promoção de políticas de mobilidade sustentável.

Assim, a vossa participação é muito importante. Apareçam (a pé, de bicicleta ou em qualquer outro meio de transporte que vos dê jeito nesse dia) e participem no debate!

 

PROGRAMA

14:00 h – Abertura da Exposição da Revisão do PDM de Braga

14:30 h – Abertura da Sessão Pública do Processo de Revisão do PDM de Braga

  • Dr. Ricardo Rio (Presidente da Câmara Municipal de Braga)
  • Prof. Dr. Miguel Bandeira (Vereador dos pelouros da Regeneração Urbana, Património, Ligação à Universidade e Planeamento, Ordenamento e Urbanismo, da Câmara Municipal de Braga)

15:00 h – Painel I – Enquadramento do Processo

15:20 h – Painel II –Caracterização e Diagnóstico

15:45 h – Painel III – Proposta de Ordenamento

16:20 h – Painel IV – Avaliação Ambiental Estratégica

16:30 h – Debate

17:30 h – Encerramento

  • Dr. Ricardo Rio (Presidente da Câmara Municipal de Braga)

Sessão pública participativa sobre Estudo de Mobilidade Integrada


A Câmara Municipal de Braga e a Associação de Municípios Quadrilátero Urbano (que abrange os municípios de Barcelos, Braga, Famalicão e Guimarães), realizam no próximo dia 19 de novembro, pelas 15:00h, no auditório da Biblioteca Lúcio Craveiro uma Sessão Pública Participativa do Estudo de Mobilidade Integrada do Quadrilátero Urbano.

Síntese Estudo de Mobilidade Quadrilátero

O referido estudo pretende constituir uma plataforma de identificação, análise e conceção de orientações estratégicas que sustentem a construção de um sistema integrado de transportes no Quadrilátero. A temática da Mobilidade Sustentável, que por aqui vimos defendendo, faz todo o sentido num enquadramento mais global, sendo que todos têm a ganhar com a promoção e facilitação do uso de meios de transporte mais económicos e menos poluentes, como é o caso da bicicleta.

De acordo com a informação que recebemos, os trabalhos de elaboração do estudo organizam-se em 4 fases:

  • Fase I – Preliminar (Prep. Trabalhos de Campo)
  • Fase II – Caraterização e Diagnóstico
  • Fase III – Definição de Estratégia
  • Fase IV – Final (Síntese)

A síntese da caracterização e diagnóstico, documento que serve de base à apresentação e discussão pública a realizar nessa data e que, de forma bem mais importante, se constituirá como o alicerce para todas as políticas de mobilidade a implementar nos próximos anos, pode ser consultada aqui. Vale a pena dar uma olhada!

Presentemente encontra-se já em curso a Fase III, ou seja, na parte em que se irá proceder à definição de estratégias e ao desenvolvimento de orientações e propostas de atuação.

De acordo com a organização deste evento, “para além da divulgação dos trabalhos de caracterização e diagnóstico, já desenvolvidos no âmbito desta operação, o principal objetivo desta sessão, será promover a participação das diversas entidades e individualidades, neste processo, recolhendo o máximo de contributos para a fase seguinte deste plano”.

É, pois, uma excelente oportunidade para ficar por dentro do que está a ser preparado em matéria de mobilidade nestes quatro concelhos e, quem sabe, até para dar algumas dicas construtivas. Vamos até lá de bicicleta? 😉

Associação de Profissionais de Educação Física (APEFB) apoia a Proposta Para Uma Mobilidade Sustentável


APEFB

A Associação de Profissionais de Educação Física de Braga (APEFB) decidiu juntar o seu nome à lista de instituições que já manifestaram o seu apoio público à Proposta Para Uma Mobilidade Sustentável, a iniciativa que o Braga Ciclável lançou há cerca de um ano em conjunto com diversas instituições da cidade de Braga.

O dossiê da Proposta Para Uma Mobilidade Sustentável, que contempla um conjunto de sugestões para a promoção do uso da bicicleta na cidade de Braga, foi apresentado em 2012 à CMB e às diversas forças políticas da cidade. Contou desde o início com o apoio público do blog Braga Ciclável, dos Encontros Com Pedal, da Associação de Cicloturismo do Minho e do Clube de Cicloturismo de Braga, e tem vindo a receber posteriormente outros apoios de diversas instituições da cidade de Braga. Trata-se de uma iniciativa de cariz apartidário, sendo que qualquer entidade da cidade de Braga pode manifestar, se assim o entender, o seu apoio público a esta iniciativa.

A todos, agradecemos o voto de apoio. Vamos fazer de Braga uma cidade mais amiga dos ciclistas!

Novos apoios à Proposta Para Uma Mobilidade Sustentável: JovemCoop, ecoSpot e Associação de Futebol de Braga


Jovemcoop ecoSpot e Associação de Futebol de Braga

O convite lançado à sociedade bracarense para se unir em torno da causa da mobilidade sustentável e da promoção do uso da bicicleta na cidade de Braga continua a ser aceite por diversas entidades. A Proposta Para Uma Mobilidade Sustentável passa agora a contar também com o apoio formal da JovemCoop, da ecoSpot e da Associação de Futebol de Braga.

Este dossiê, que contempla um conjunto de sugestões para a promoção do uso da bicicleta na cidade de Braga, foi apresentado em 2012 à CMB e às diversas forças políticas da cidade. Contou desde o início com o apoio público do blog Braga Ciclável, dos Encontros Com Pedal, da Associação de Cicloturismo do Minho e do Clube de Cicloturismo de Braga, e tem vindo a receber posteriormente outros apoios de diversas instituições da cidade de Braga. Trata-se de uma iniciativa de cariz apartidário, sendo que qualquer entidade da cidade de Braga pode manifestar, se assim o entender, o seu apoio público a esta iniciativa.

A todos, agradecemos o voto de apoio. Vamos fazer de Braga uma cidade mais amiga dos ciclistas!

Sobre a necessidade de ciclovias


Sempre que se fala de promoção do uso da bicicleta na cidade, discute-se a necessidade de ciclovias. Não sou nenhum perito em urbanismo ou em ordenamento de trânsito mas, enquanto cidadão e utente das ruas e da bicicleta, tenho algumas humildes opiniões sobre o assunto. Acrescente-se a isto que a minha experiência e as minhas sugestões mais específicas referem-se quase sempre à cidade de Braga, onde resido atualmente e onde vou votar em todas as eleições (leram bem isto, senhores governantes?).

As ciclovias, se forem bem pensadas e bem implementadas no contexto de uma rede de vias cicláveis (ou seja, o conjunto dos diferentes tipos de vias onde circularão as bicicletas na cidade e arredores), podem ser uma peça importante na criação de condições para uma maior utilização da bicicleta nesta cidade.

Devem ligar de forma lógica e integrada, e bidirecionalmente, todos os pontos principais da cidade, incluindo as estações terminais de transportes públicos, zonas e centros comerciais, polos empresariais ou industriais, zonas habitacionais, áreas de lazer e de desporto, escolas e universidades.

Na conceção de vias cicláveis segregadas (ciclovias, ciclofaixas…), deve evitar-se alguns erros infelizmente muito comuns. Por exemplo: roubar espaço aos peões para criar ciclovias, manter zonas de perigo junto à faixa de rodagem reservada a ciclistas (como lugares de estacionamento sem separador nem distância de segurança) ou permitir ou facilitar a circulação de peões ou de veículos motorizados. Outro erro comum que deve ser evitado é a atribuição de uma largura insuficiente, que impede o cruzamento (nas vias de dois sentidos) ou a ultrapassagem por outros ciclistas, em condições de segurança. É particularmente delicada nestas infraestruturas a intersecção entre vias, pelo que deve ser dada a devida atenção à cuidadosa planificação de entroncamentos, cruzamentos e rotundas.

Mau exemplo de como se implementa uma ciclovia, no Porto

Não creio que todas as vias cicláveis tenham de ser necessariamente ciclovias, mas em alguns casos essa é a melhor opção. O importante é que a cidade seja repensada globalmente em função da desejada mobilidade sustentável e seja criada uma rede de vias cicláveis – um mapa da cidade que possa ser proposto aos cidadãos que já usam ou que desejam começar a utilizar de forma regular a bicicleta como meio de transporte.

Mas há mais medidas que fazem falta… Por exemplo:

  • Estacionamentos para bicicletas em quantidade adequada, em locais próprios e com um design funcional (são de evitar os modelos do tipo “dobra-rodas”, sendo recomendáveis os estacionamentos em “U invertido”)
  • Criação de corredores Bici+Bus (ou eventualmente, Bici+Bus+Moto) em ruas que atualmente têm sentido único apenas para transportes públicos. Um exemplo paradigmático é a Rua D. Pedro V, onde esta medida deveria ser acompanhada, na minha opinião, por uma fiscalização mais assídua do estacionamento ilegal e eventual redução das áreas reservadas a estacionamento automóvel.
  • Promoção da intermodalidade(p.ex., comboio + Bicicleta), assegurando as condições necessárias ao transporte de bicicletas nos comboios entre Braga e outras cidades, e divulgando amplamente essa opção económica e ecológica junto dos estudantes universitários e dos trabalhadores que fazem diariamente essa viagem.
  • Acalmia de tráfego, isto é, a redução da velocidade máxima em certas vias, e a devida fiscalização. Ainda há dias, na vizinha Espanha, vi agentes da autoridade a fiscalizarem uma “zona 30” com radar de segurança. Aqui além de praticamente ainda não existirem zonas 30, pura e simplesmente não existe fiscalização e quase ninguém cumpre os limites de velocidade dentro das localidades.
  • Criação de mais zonas amplas para os cidadãos: retirar espaço aos carros e devolvê-lo prioritariamente a peões, regulando devidamente o seu uso por parte de veículos. Em algumas cidades, existem ruas em que as crianças podem brincar em segurança: os carros e demais veículos são obrigados a respeitar os peões reduzindo a velocidade e dando-lhes sempre prioridade. Em Barcelona, as bicicletas podem usar determinados passeios, mas reduzindo a sua velocidade máxima para 15km/h para evitar acidentes com peões.

Seria interessante e muito útil que algum académico realizasse um estudo com rigor científico, no que se refere à questão da mobilidade sustentável em Braga. Talvez algo do género do que fez o Eng.
Paulo Guerra Dos Santos
na cidade de Lisboa. Uma análise sistematizada das vantagens de cada meio de transporte, e mesmo da intermodalidade, em diferentes cenários; dos obstáculos atualmente existentes a uma mobilidade mais sustentável e promotora de uma maior qualidade de vida para os cidadãos; e ainda das soluções mais indicadas, numa lógica de conjunto, para esta cidade.

Será que já algum dia alguém da Universidade do Minho elaborou alguma tese sobre estes assuntos?

Ciclistas Urbanos em Braga #8


Ciclistas Urbanos em Braga

O Nuno usa a bicicleta para se deslocar, por exemplo, entre a zona de Gualtar e o centro da cidade. Diz que, na sua opinião, muitos automobilistas ainda não são muito cordiais com os ciclistas, o que dificulta a circulação em algumas vias.

Nota:
Eu, enquanto ciclista, tenho tido uma experiência mista na minha relação com o trânsito. Se, por um lado, os motoristas dos TUB têm sido impecáveis, mantendo distâncias laterais de segurança ao ultrapassar e nunca fazendo “cara feia” quando nos cruzamos numa rua mais estreita, por outro lado nem sempre o mesmo acontece com os automobilistas (incluindo, infelizmente, alguns taxistas).

Em parte, isso deve-se ao facto de os automobilistas ainda estarem pouco familiarizados com a presença de velocípedes a circular na via – algo que irá melhorando à medida que o número de ciclistas for aumentando nas ruas.

Por outro lado, é importante mencionar que em Braga há vias em que a circulação automóvel é feita a velocidades de autoestrada e que, além disso, é ainda praticamente inexistente a sinalização relacionada com a circulação de bicicletas. Seria útil, por exemplo, criar faixas BUS + BICI (à semelhança do que vem sendo implementado com sucesso noutras cidades) devidamente sinalizadas. Na minha opinião, a Rua D. Pedro V, que vemos retratada na foto acima, é um exemplo paradigmático dessa necessidade, já que é utilizada diariamente por muitos ciclistas como via principal de acesso ao centro e à Estação.