Ciclovias ou árvores? A escolha que não pode acontecer

Ciclovias ou árvores? A escolha que não pode acontecer


Uma das polémicas atuais da cidade é o abate de árvores no arranque da subida para o Bom Jesus. O motivo é a construção pela Câmara Municipal de um pequeno trecho de ciclovia que ligará a Universidade à zona de Lamaçães. Importa dizer que a Câmara Municipal ao anunciar a obra da “Variante da Encosta” nunca fez qualquer referência ao abate. Foram os cidadãos e as associações que, ao analisarem os escassos elementos gráficos que a Câmara disponibilizou, se aperceberam da intenção de abater árvores adultas (algumas das quais na fotografia). Em resposta às críticas, a Câmara emitiu um comunicado alegadamente esclarecedor mas que, através de eufemismos como “saldo de espécies arbóreas”, “replantar”, “removidas da atual localização”, não explica por que razão o Município quer abater mais árvores (ainda há pouco tempo a Câmara anunciou o abate de 130 árvores na cidade e a I.P. destruiu dezenas de árvores na Av. António Macedo).

A Câmara aproveita ainda o comunicado para, em abstracto, acusar os cidadãos e associações de não estarem informados. Mas uma Câmara que opta por manter sempre a informação e os projetos no segredo dos seus gabinetes, não os tornando públicos pelas inúmeras formas que atualmente existem e divulgando apenas o que lhe convém, pode apontar o dedos aos cidadãos acusando-os de não estarem informados? Não é óbvio que são os gestores da cidade que têm de pôr os projetos de intervenção em cima da mesa com tempo para serem apreciados e debatidos?

O que é claro é que em 2020 um abate a despropósito não pode mais acontecer. Todos sabemos que temos de mudar o nosso estilo de vida se queremos deixar um planeta habitável aos nossos filhos. Há um esforço que todos podemos fazer individualmente. Mas uma grande parte desse salto tem de ser induzido pelas Câmaras Municipais, designadamente na reconversão do imenso espaço público reservado ao automóvel em zonas agradáveis para os peões e os demais modos suaves. E, claro, a Câmara deve constituir o exemplo inspirador para todos. A pandemia que agora atravessamos tem desencadeado por todo o mundo – de Paris a Bogotá ou de Kampala a Lisboa – iniciativas rápidas e económicas do poder local de criação de corredores para bicicletas e afins, roubando espaço aos carros e dando resposta às preocupações dos cidadãos. E Braga? Nada.

Se há coisa que não falta na subida para o Bom Jesus, como, aliás, em toda a rodovia, é espaço para introduzir duas ciclovias (uma em cada sentido) sem qualquer necessidade de eliminar árvores cuja sombra é essencial aos peões e ciclistas. Em 2020 querer destruir árvores adultas para fazer uma ciclovia deveria dar lugar à perda automática de todos os fundos comunitários. Não se pode querer ser ecologista na Europa, e predador da natureza na terrinha.

Estar do lado certo

Estar do lado certo


Estocolmo, Oslo, Copenhaga ou Amesterdão são invariavelmente usadas como exemplos de cidades cicláveis. São locais com espaços amplos para peões, reduzidas estradas para o automóvel e muitos kms de ciclovias. Transformaram-se em sítios considerados por vários rankings como dos melhores do mundo para se viver e tudo graças a opções políticas centradas nos meios suaves de transporte como a bicicleta que foram sendo consistentemente tomadas ao longo de décadas. Graças ao seu sucesso, foram seguidas por outras cidades europeias como Paris, Londres, Barcelona, Madrid ou Sevilha que optaram pelo mesmo tipo de políticas e por cá, também Lisboa decidiu seguir o mesmo caminho.
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Pedalar pela Europa: a perspetiva de uma principiante

Pedalar pela Europa: a perspetiva de uma principiante


Uma parte considerável das grandes cidades europeias tem já uma preocupação constante pela instalação das infraestruturas necessárias para a utilização da bicicleta. Em muitas dessas cidades, este é considerado o principal meio de transporte, que se prenderá, a meu ver, com preocupações ambientais e económicas, implementação de hábitos de vida saudáveis, entre tantos outros motivos.

De uma recente experiência intensa por oito países, poderia falar da – tão badalada nesta temática – cidade de Amesterdão, de Nuremberga – pela sua organização exemplar – passando por Varsóvia e até Florença – referenciando o seu sistema de bicicletas partilhadas, da Mobike, cujo lema é o “free slow”, que considero valer a pena pesquisar e, quiçá, implementar na nossa realidade geográfica.

Escolhi para meu testemunho, relativamente à experiência na utilização da bicicleta, a cidade de Viena. Para uma ciclista, ainda inexperiente em meio urbano, um tanto insegura na partilha da estrada com automobilistas e cuja vivência ciclista até agora tinha sido apenas a cidade de Braga, Viena revelou-se um verdadeiro paraíso.
A condução da bicicleta em Viena está garantida pela existência de extensas ciclovias preparadas para a sua utilização, com a devida sinalização, integradas no sistema de trânsito da cidade, e com a frequente existência de estacionamentos em diversos pontos da cidade – tornando-se eficaz e confortável a utilização deste veículo como meio de transporte.

Revelou-se extremamente agradável conduzir uma bicicleta numa cidade em que o trânsito flui facilmente e cujo civismo dos habitantes enche de orgulho os próprios e os que a visitam. Do que lá experienciei, posso dizer que o excesso de velocidade, por norma, não é praticado e os automobilistas não ultrapassam os ciclistas em condições perigosas para os mesmos, respeitando a ciclovia, quando existente, e a distância mínima de segurança entre eles na faixa de rodagem.

A utilização da bicicleta, concomitantemente com transportes públicos, o automóvel e a existência de peões, ocorre em perfeita simbiose. Todos coabitam em harmonia, sentindo-se permanentemente a cordialidade e o respeito pela existência uns dos outros.

É evidente que a infraestrutura da cidade terá sido pensada precisamente nesse sentido: permitir a existência e a escolha, por parte de todos, de qualquer meio de transporte.

Não sendo conhecedora das leis que regulamentam o trânsito na capital austríaca, perpassa-me a ideia de que nos seus habitantes se encontram inculcados valores como a tolerância e o respeito pelo próximo, aliado a aspetos de outra ordem como o humanismo e o civismo, que conduziram a este investimento ativo e consciente no ciclismo urbano.

Braga participa este mês na 14ª Semana Europeia da Mobilidade

Braga participa este mês na 14ª Semana Europeia da Mobilidade


Braga adere este ano, pela 3ª vez, à Semana Europeia da Mobilidade, que já vai na sua 14ª edição. O programa para Braga, que se pode ver no cartaz abaixo, é bastante extenso e inclui atividades para todos os gostos e para todos os públicos:

Cartaz Braga Semana Mobilidade 2015

São de destacar também as seguintes medidas permanentes, que a CMB se propõe a aplicar e que estão presentes no site da Semana Europeia da Mobilidade:

  • Implementação de estacionamentos para bicicletas em novos locais;
  • Implementação de uma rota para bicicletas: Universidade do Minho – Centro Histórico, autorizando a circulação em coexistência de tráfego com os veículos de transporte coletivo na Rua Nova de Santa Cruz, Rua D. Pedro V e Rua de S. Vítor;
  • Abertura da Loja da Mobilidade;
  • Implementação do programa “Via Azul” – policiamento em zonas de fiscalização prioritárias para prevenir o estacionamento automóvel abusivo;
  • Intervenção na rotunda à entrada da Universidade do Minho para melhorar as condições de circulação.

Esperamos esta comemoração da Semana da Mobilidade sirva, por um lado para encorajar os cidadãos a experimentarem e usarem este meio de transporte e, por outro lado, para sensibilizar os decisores bracarenses a toda sociedade para a necessidade de alterações de paradigma por forma a tornar a cidade mais amiga dos peões e dos ciclistas.

Câmara Municipal de Braga adere à Semana Europeia da Mobilidade!

Braga volta a aderir, 9 anos depois, à 13ª Semana Europeia da Mobilidade que decorre entre 16 e 22 de Setembro, terminando, em grande, com o Dia Mundial Sem Carros!


Durante esta semana ocorrem diversos eventos ligados à Mobilidade.
Em Braga vamos ter os dias todos preenchidos com algum evento, senão vejamos:




Terça-Feira, 16 de Setembro de 2014


10h Protocolo a assinar entre a CMB, os TUB e a CP (Quinta Pedagógica)




Quarta-Feira, 17 de Setembro de 2014


14h30 Assinatura de Protocolos “Linha do Hospital”

18h30 1º Desafio Modal de Braga e de Portugal




Quinta-Feira, 18 de Setembro de 2014


10h Assinatura de Protocolos “Campus Gualtar”

11h Ação Promocional na ES Carlos Amarante

14h – 17h30 Disponibilidade de carros e bicicletas da Escola Rodoviária – EB1 e EB2,3 (dos 8 aos 15 anos) na Praça do Município Inscrições: ambiente@cm-braga.pt

21h15 “Debate Mobilidade: Que futuro para Braga?” – Auditório da Junta de Freguesia de São Victor




Sexta-Feira, 19 de Setembro de 2014


10h30 Circuito Simulado e Percurso Urbano de Olhos Vendados – Avenida Central, junto ao Chafariz com a presença do Reciclónico dos TUB

21h30 Palestra sobre mobilidade – Ciclismo: Desporto, Recreação e Mobilidade/TUB e o futuro com a presença do ciclista profissional Rui Costa na BLCS

9h-12h30 Disponibilidade de carros e bicicletas da Escola Rodoviária – EB1 e EB2,3 (dos 8 aos 15 anos) Inscrições: ambiente@cm-braga.pt Praça Conde de Agrolongo




Sábado, 20 de Setembro de 2014


09h30 – 13h Caminhada e Visita Guiada por Espaços Verdes da Cidade com contextualização histórica, cultural e arquitetónica

14h30 – 16h Demonstração de trial bike e Passeio de bicicleta Inscrições: www.acm.pt e ambiente@cm-braga.pt

15h – 16h Animação nas ruas cortadas ao trânsito e zona pedonal

16h – 17h30 Bici-paper Inscrições: info@jovemcoop.com e ambiente@cm-braga.pt

17h30 – 24h00 II Gualtar Ciclável





Domingo, 21 de Setembro de 2014


11h Aventura pelo Ambiente – caminhada urbana, circular, a começar em Ponte Pedrinha, pelas 11h, com piquenique na lagoa dos Parques Desportivos da Rodovia

10h – 13h “Estradas com Vida” – realização de atividades desportivas, em espaço fechado à circulação automóvel: basquetebol, patinagem, aula de zumba… – Lamaçães

15h – 16h Animação nas ruas cortadas ao trânsito e zona pedonal

15hMobilidade elétrica: carros elétricos, segways e bicicletas – demonstração na Avenida Central

16h – 17h Avenida Central





Segunda-Feira, 22 de Setembro de 2014 – Dia Mundial sem Carros


Manhã Escolas vão pintar os abrigos da TUB que tenham grafitis

14h30 – 16h30 Seminário: “Mobilidade Para Todos”- Abordar a Mobilidade das Pessoas com Deficiência Visual em Braga, na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva. Inscrições: braga@acapo.pt

21h30 Fórum “Cidade Acessível” Entrada livre na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva




E muitos mais eventos, inaugurações e novidades para acompanhar durante a 13ª Semana da Mobilidade comemorada em Braga pelo Município!



De louvar ainda as medidas permanentes a que a CMB se propôs a criar e que estão presentes no site da Semana Europeia da Mobilidade:


  • Melhoria das infraestruturas cicláveis (estacionamentos, cacifos, etc)
  • Extensão ou criação de vias cicláveis verdes
  • Melhoria e extensão do serviço de transporte público (Serviços expresso, aumento de frequência, etc)
  • Criar rampas para cadeiras de rodas
  • Aumentar os passeios
  • Remover barreiras arquitetónicas
  • Sensibilizar para o uso Responsável do automóvel
  • Lançar Campanhas de sensibilização





Esperemos que venha para ficar a comemoração da semana da mobilidade e que sirva para sensibilizar as pessoas para as necessidades de alterações de paradigma por forma a tornar a cidade mais amiga dos peões e dos ciclistas.