O exemplo de Donostia (San Sebastian)

O exemplo de Donostia (San Sebastian)


Há vários anos a cidade basca de Donostia (San Sebastian em castelhano) é apontada como um dos bons exemplos ibéricos em políticas de mobilidade. Donostia é uma cidade com 185 mil habitantes, sensivelmente a mesma população do que Braga, e é o centro de uma área metropolitana com cerca de 400 mil. No final dos anos 80 do século passado, depois de trinta anos de forte incremento no transporte automóvel, a cidade iniciou uma nova estratégia agregada de mobilidade e qualidade urbana, cujos objetivos foram não só a promoção dos modos de transporte mais sustentáveis como a devolução do espaço público aos peões.

Para tal o estacionamento foi fortemente regrado, havendo poucos lugares nos bairros centrais da cidade, onde reside a maior parte da população. Os que há são pagos, e com tempo de permanência limitado. Em alternativa existem parques subterrâneos pagos e, principalmente, os parques dissuasores gratuitos na periferia, servidos por transportes públicos. Os proveitos das taxas de estacionamento são investidos em transportes públicos, que são rápidos, frequentes, cómodos e de simples utilização.

O espaço libertado pela redução de lugares de estacionamento na via pública foi utilizado na criação de condições para que os cidadãos se pudessem deslocar de formas mais sustentáveis. Andar a pé é simples e seguro, passeios largos, muitas passadeiras e sem passagens desniveladas. Para utilizar a bicicleta, Donostia é hoje servida por cerca de 50km de ciclovias percorridas dia e noite por homens, mulheres e crianças, faça chuva ou faça sol. Aliás, a quantidade de bicicletas estacionadas na rua é enorme, parecendo que o sucesso da utilização deste meio de transporte criou necessidades que os cerca de 2000 lugares disponíveis em bicicletários não são capazes de satisfazer.

Hoje em dia, em Donostia, estima-se que cerca de 70% das deslocações são feitas a pé, de bicicleta ou de transportes públicos, em Braga este valor andará na ordem dos 45%. Este facto não piora em nada a qualidade de vida dos seus cidadãos, antes pelo contrário, menos atropelamentos, menos tempo perdido em deslocações e uma cidade mais amiga do ambiente. É isto que Donostia tem para oferecer e inspirar a quem a visita.

Braga Ciclável reune com a Junta de Freguesia de São Vicente

Braga Ciclável reune com a Junta de Freguesia de São Vicente

No dia 04 de Novembro de 2019, a Associação Braga Ciclável reuniu com a Junta de Freguesia São Vicente, na sua sede, sendo que em representação da Braga Ciclável estiveram Arnaldo Pires e Rafael Remondes, e em representação da Freguesia esteveram Daniel Pinto e Raquel Pinto, membros do executivo.

A reunião começou com a associação a apresentar os motivos do pedido de encontro: discussão da estrutura pedonal e ciclável da freguesia; apresentação do movimento #BragaZeroAtropelamentos e do projecto Pedalo para a Escola!

A Associação defendeu a necessidade de reestruturação de alguns locais, sobretudo locais com passadeiras, começando pelo exemplo das passareiras junto da sede de freguesia que se encontram colocadas em cima das curvas , locais de menor visibilidade, que já condicionaram atropelamentos. Foi abordada a necessária implementação, urgente, da lei das acessibilidades, e discutida a necessária implementação da rede ciclável, para garantia de segurança de quem se desloca de bicicleta, na freguesia. A associação focou como necessário a ligação entre a central de camionagem e a zona pedonal, com uma zona segregada de bicicletas; assim, como a ligação das zonas residenciais, nomeadamente o bairro das Fontainhas, que se encontra em fase de implementação de Zona 30, com o centro, para que não fiquem como “ilhas sem ligação”, que não garantem, a quem ai mora, deslocar-se ativamente de bicicleta, em segurança.
Em relação ao projecto Pedalo para a Escola!, a associação apresentou o mesmo, referindo a intenção de ajudar crianças e jovens a adquirirem maior autonomia, nas deslocações pela cidade, no combate à obesidade e na envolvência na problemática das questões ambientais.
Foi destacada a falta de segurança, por excesso de velocidade praticado em determinados locais da freguesia, que impedem que os grandes bairros habitacionais permitam às crianças deslocarem-se para a escola de bicicleta.
Foi estimulada a Junta a proceder a implementação de zonas escola e pedonalização de algumas vias da freguesia, assim como à necessária revisão dos estacionamentos 5 metros antes das passadeiras.
A associação abordou o pacote técnico da Organização mundial de saúde, sobre segurança nas estradas ( Save LIVES), que onde, claramente, se destaca a necessária envolvência multidisciplinar no combate à mortalidade e sinistralidade rodoviária. Este combate começa na definição de estratégia politica e técnica, implementação das medidas e controlo da sua eficácia, assim como no necessário reforço policial para garantir o cumprimento das leis, como seja o excesso de velocidade e o estacionamento indevido.
Com base nesse documento, a associação, insistiu na necessária abordagem dos perímetros escolares, com a criação de zonas escola, que são uma mas medidas mais eficazes na redução da morbimortalidade, na seio das cidades.
Os representantes do executivo da Junta ressalvaram todos os esforços efetuados, por si, na melhorias de acessibilidades, desta que é uma das juntas de freguesia mais centrais da cidade, deixando claro que defendem que a cidade se deve preparar para que as deslocações internas sejam feitas preferencialmente a pé, de bicicleta ou de transporte público. Contudo, consideram que esse passo deve ser gradual, que a cidade foi desenvolvida com o foco no automóvel e que agora é preciso tempo para ajustar a cidade às necessárias mudanças.
Destacaram que a freguesia é uma freguesia modelo, a nível da mobilidade, com destaque para a Escola de Prevenção Rodoviária, para a implementação de Zonas Residenciais 30, passadeiras inteligentes, assim como na colaboração com o município na semana da mobilidade, com vários projetos.
Destacam que sentem serem necessários mais efectivos de policiamento, pois muitas vezes identificam estacionamentos indevidos e têm dificuldade em que se atue com a aplicação de coimas. Destacam ainda, que estão a tentar implementar a limitação de estacionamento automóvel antes das passadeiras, assim como a repintar as mesmas.
Foi valorizada a intervenção no Nó de Infias, por parte do executivo da Junta, por considerarem que a seu tempo permitirá garantir maior escoamento automóvel, de e para a cidade. Trata-se de uma obra complexa que exige concertação entre as Infraestruturas de Portugal, Município e Junta.
A Braga Ciclável mostrou-se disponível para colaborar, na medida do possível, com a Junta de Freguesia e o executivo mostrou total disponibilidade para eventuais acções da associação na freguesia.
A associação irá reunir todas as semanas com uma freguesia urbana, tendo para isso encetado contactos com todas as juntas inseridas no perímetro urbano.
Braga Ciclável reune com UF de S. José de S. Lázaro e de S. João do Souto

Braga Ciclável reune com UF de S. José de S. Lázaro e de S. João do Souto

No dia 28 de Outubro de 2019, a Associação Braga Ciclável reuniu com a Junta da União de Freguesias de S. José de S. Lázaro e de S. João do Souto, na sua sede, sendo que em representação da Braga Ciclável estiveram Victor Domingos e Arnaldo Pires, e em representação da União de Freguesias esteve o Presidente do Executivo, João Pires, e a Vogal Amélia Rodrigues.

A reunião começou com a associação a louvar o exemplo que o Sr Presidente da Junta dá, ao utilizar regularmente a sua bicicleta, em deslocações pela cidade; e apresentou os motivos do pedido de encontro: discussão da estrutura pedonal e ciclável da freguesia; apresentação do movimento #BragaZeroAtropelamentos e do projecto Pedalo para a Escola!

A Associação defendeu a necessidade de re-estruturação de alguns locais, sobretudo locais com passadeiras, onde regularmente ocorrem atropelamentos, como a passadeira perto da rotunda de São João Batista e as passadeiras do Fujacal. Foi abordada a necessária implementação, urgente, da lei das acessibilidades, e discutida a necessária melhoria da rede ciclável, para garantia de segurança de quem se desloca de bicicleta para o centro e do centro para fora da cidade. A associação garantiu a possibilidade de segregação da Avenida da Liberdade, com um orçamento de 73 mil euros, que chegou a ser enviado como proposta de orçamento participativo, municipal, que foi chumbado antes de votação.
Em relação ao projecto Pedalo para a Escola!, a associação apresentou o mesmo, referindo a intenção de ajudar crianças e jovens a adquirirem maior autonomia, nas deslocações pela cidade, no combate à obesidade e na envolvência da problemática das questões ambientais.
Foi destacada a falta de segurança, por excesso de velocidade praticado na estrada nacional, inserida na cidade, da zona que vai do parque de campismo até à rotunda de São João Batista.O presidente da junta ressalvou todos os esforços efetuados por si nas melhorias de acessibilidades, desta que é uma das juntas de freguesia mais centrais da cidade, deixando claro que defende que a cidade se deve preparar para que as deslocações internas sejam feitas preferencialmente a pé, de bicicleta ou de transporte público. Destacou a dificuldade de ajustes nas estruturas que pertencem ao IP, assim como destacou que desde 2006 que tentam resolver o problema dos atropelamentos no Fujacal, sem que até agora tenha conseguido uma intervenção eficaz.

O Sr Presidente louvou, ainda , a existência de 3 orçamentos participativos, que envolvem a freguesia, sendo que um deles contempla a pedonalização da rua do Anjo. A associação destacou, que essa rua iria beneficiar com essa medida, caso fosse implementada, contudo alertou que seu piso, e passeios, não são amigáveis para peões e utilizadores de bicicletas.

Lamentou não conseguir fazer mais por não ter mais delegação de competências, defendendo que se deveria munir as freguesias de mais competências para aumentar a eficiência da resposta. Considera, também, que a gestão de todas as estruturas viárias da cidade deveria passar para a alçada do município, facilitando sua reparação ou alteração de acordo com as recomendações, sem se ter de recorrer ao IP.

A Braga Ciclável mostrou-se disponível para colaborar, na medida do possível, com esta União de Freguesias.

No final a associação entregou um pacote técnico da Organização mundial de saúde, sobre segurança nas estradas ( Save Lives), que onde, claramente, se fala na necessária envolvência multidisciplinar no combate à mortalidade e sinistralidade rodoviária. Este combate começa na definição de estratégia politica e técnica, implementação das medidas e controlo da sua eficácia, terminando na necessária equipa de apoio clínico pré-hospitalar, pronta e eficaz.
Com base nesse documento, a associação, insistiu na necessária abordagem dos perímetros escolares, com a criação de zonas escola, que são uma mas medidas mais eficazes na redução da morbimortalidade, na seio das cidades. Como exemplo foi apresentado o Kénia e a Coreia do Sul.
A associação irá reunir todas as semanas com uma freguesia urbana, tendo para isso encetado contactos com todas as juntas inseridas no perímetro urbano.
Braga Ciclável reuniu com os candidatos do PEV, na Lista da CDU, pelo círculo de Braga

Braga Ciclável reuniu com os candidatos do PEV, na Lista da CDU, pelo círculo de Braga

No dia 29 de Julho de 2019, pelas 19H00, a Associação Braga Ciclável, reuniu com os candidatos do Partido Ecologista Os Verdes, na lista da CDU pelo circulo de Braga, Fernando Sá e Filipe Gomes, no Parque da Ponte, em Braga. A representar a associação estiveram Mário Meireles, Victor Domingos e Arnaldo Pires.
A pedido do Partido Ecologista os Verdes foi agendada esta reunião para se debater quais as medidas que se deverão tomar para fomentar mobilidade ativa e, sobretudo, o que muito há a fazer para melhorar a segurança dos utilizadores de bicicletas e peões.
Filipe Gomes iniciou  a reunião destacando as preocupações do partido a nível ambiental e de mobilidade sustentável, apontou ao longo da reunião vários projetos que foram, e outros que ainda, estão em desenvolvimento pelo partido.
Victor Domingos realizou uma resenha histórica do que foi o início da Braga Ciclável e como esta evoluiu ao longos dos últimos ano. Apontou as dificuldades mais debatidas pelos utilizadores de bicicletas, nomeadamente a falta de segurança para as crianças andarem de bicicleta na cidade, nomeadamente se deslocarem para a escola.
Foram debatidos os pontos mais preocupantes da cidade, em termos de segurança rodoviária, e o que se pode vir a desenvolver para dinamizar a mobilidade ativa, segura, e mais sustentável na cidade de Braga.
Debateu-se ainda que o estacionamento direcionado para as bicicletas é insuficiente, e em alguns, casos desajustado. Foi sugerida pela Braga Ciclável a implementação de bicicletários em todas as escolas do concelho, como medida para estimular a mobilidade ativa e autónoma das crianças.
 
Outros temas abordados foram as metas de descarbonização, a mobilidade ativa e a sustentabilidade ambiental, e o impacto positivo sobre a qualidade de vida dos habitantes, com benefícios para a saúde, economia pessoal e ambiente. A Braga Ciclável sugeriu a implementação de controlo trimestral da qualidade do ar, a nível nacional, com debates regulares sobre as medidas a implementar, para a sua melhoria constante.
A verdade da mentira: os bicicletários que deram lugar ao estacionamento automóvel

A verdade da mentira: os bicicletários que deram lugar ao estacionamento automóvel


No dia 6 de maio de 2013, na sequência da Proposta Para Uma Mobilidade Sustentável, surgia em Braga um dos seus primeiros bicicletários em U invertido, mais precisamente no Rossio da Sé de Braga. Mesmo sendo discutível a localização exata dos bicicletários, é inegável que aquele se tratava de um ponto estratégico, uma vez que a Sé é um destino frequente não só para os bracarenses, mas também para turistas nacionais e estrangeiros (onde se incluem muitos cicloturistas).

Passados alguns dias, contudo, este estacionamento foi inesperadamente removido, sem que voltasse a ser reposto em alguma outra localização próxima. Fonte ligada ao gabinete da vice-presidência da Câmara Municipal de Braga, afirmou-nos na altura que haviam entretanto recebido um parecer negativo do IPPAR – Instituto Português do Património Arquitetónico (atualmente integrado na DGPC – Direção-Geral do Património Cultural) relativo à instalação daqueles bicicletários no Rossio da Sé. Por se tratar de uma Zona Non Aedificandi dentro de uma Zona Especial de Proteção ao lado de um Monumento Nacional – salvaguardadas no PDM –, aquela entidade entendia que os bicicletários não tinham enquadramento numa zona destas.

Passados 5 anos sobre esse episódio, acaba de surgir no mesmo local um sinal vertical de Parque Reservado para quem estiver “ao serviço da Sé”, pelo que continuamos a ver o Rossio da Sé tantas vezes invadido por automóveis, agora de forma legalizada pela Câmara Municipal de Braga.

No coração da cidade antiga, em plena Sé de Braga, zona em que o trânsito automóvel está condicionado e em que, supostamente, se dá preferência aos modos ativos (a pé e de bicicleta), o que levará a que se continue a permitir, autorizar e legalizar este tipo de estacionamento, quando ainda há poucos anos se removeram esses estacionamentos para bicicletas? O que prejudica mais o património, 10 carros (que é como quem diz, mais de 10 toneladas e muita poluição sonora, visual e ambiental) ou 10 bicicletas (cerca de 100 quilos – com passageiro! – e zero poluição)? A resposta é óbvia.

Para além desta situação, temos ainda outros episódios mais recentes de desaparecimento de estacionamentos para bicicletas na cidade de Braga, que parecem indiciar uma tendência preocupante. Nomeadamente, na Rua Nova de Santa Cruz, onde aquando das últimas obras foram retirados 4 bicicletários que existiam nas imediações da rotunda da Universidade. Inexplicavelmente, esses estacionamentos não voltaram a ser repostos após a conclusão da obra, que, paradoxalmente, pretendia beneficiar quem pretenda deslocar-se de bicicleta. É também no Parque de Exposições, agora Fórum Braga, foram eliminados 20 lugares de estacionamento (10 bicicletários), sem qualquer justificação, ali mesmo ao lado de uma “via pedonal e ciclável”…

Ao mesmo tempo, as propostas vencedoras dos orçamentos participativos de duas juntas de freguesia do centro, relativas à colocação de bicicletários, continuam com a sua execução bloqueada pelo município, sem nenhuma razão válida e com os valores para implementar estes orçamentos participativos (de 2017!) congelados.

Para chegarmos a 1 de janeiro de 2025 (a data que Ricardo Rio propôs para alcançar a meta dos 10% de quota modal), faltam 2319 dias, cerca de 1592 dias úteis. Ter pelo menos 10 mil lugares de estacionamento implica que sejam instalados quase 5000 bicicletários, ou seja, instalar cerca de 15 bicicletários por semana.

Quando coisas tão simples, como a colocação de estacionamentos para bicicletas em locais estratégicos e identificados de uma forma cuidada, não são postas em prática, o que dizer das outras medidas mais estruturais e fundamentais para a promoção da mobilidade? Se este tipo de intervenções não são levadas a cabo, não é por falta de recetividade da população, mas falta de vontade técnica e política.

Face aos factos acima relatados, urge questionar: qual é, afinal, a estratégia de mobilidade do município, e qual o papel que prevê para as bicicletas? A mobilidade sustentável é uma aposta a sério, ou apenas fumaça? Será que é colocando ainda mais entraves ao uso quotidiano da bicicleta que se fará a tão necessária mudança de paradigma?

Mudar o paradigma da mobilidade implica adaptação e naturais transtornos iniciais. Foi precisa coragem, por exemplo, para criar no nosso centro histórico uma das maiores zonas pedonais da Europa. Ainda que esta tenha muitos aspetos a melhorar, o certo é que nunca teríamos colhido os seus benefícios se tivesse faltado coragem. Assumir essa responsabilidade é, por isso, algo para que o município deve estar consciente se, de facto, essa mudança é um objetivo real e não apenas propaganda.

É que não basta discursar e declarar intenções políticas, é preciso colocá-las em prática, em vez de fazer o contrário do que se prega.

E se o parque de estacionamento da Câmara deixasse de fazer falta?

E se o parque de estacionamento da Câmara deixasse de fazer falta?


Há dias um vereador anunciou a disponibilização para teste de uma bicicleta elétrica aos trabalhadores municipais. A iniciativa é muito interessante mas com a configuração atual é muito pouco eficaz. Basta fazermos as contas: se o empréstimo a cada trabalhador for pelo período de uma semana, sabendo que há mais de 2500 trabalhadores, demoraremos 5 décadas a contemplar todos!

É pena que mais uma medida de promoção do uso da bicicleta seja implementada de forma tão tímida. Faz infelizmente lembrar a disponibilização de estacionamentos temporários pelo centro da cidade através da colocação de vedações amovíveis. Tinha um bom propósito mas, além de inconsequente, foi mal executada ao ponto de a descredibilizar.

Numa cidade atulhada de veículos poluentes e com décadas de atraso nas políticas de mobilidade, numa altura em que começamos a sofrer seriamente os efeitos das alterações climáticas, são necessárias medidas mais energéticas, consistentes e em crescendo. O que está em causa, não tenhamos dúvidas, é a qualidade de vida que vamos deixar aos nossos filhos e aos deles. Não se trata de eliminar os carros, mas de reduzir o seu uso ao francamente indispensável.

As bicicletas elétricas são uma extraordinária oportunidade de reduzirmos a poluição sem grande esforço. Quem nunca utilizou uma, recomendo que experimente. De imediato vai perceber as inúmeras vantagens de combinar a versatilidade da bicicleta com um pequeno motor na roda que reduz substancialmente o esforço a pedalar. E, até distâncias de 5Km, qualquer bicicleta é o transporte que nos leva mais rápido de um ponto a outro.

Mas disponibilizar bicicleta(s), por si só, não vai resolver o problema. É preciso implementar diversas outras medidas simultâneas, seja promovendo o uso da bicicleta, seja dando incentivos claros aos trabalhadores que a utilizem, penalizando os que optam sem razão pelo carro. Ao mesmo tempo, os políticos têm de ser os primeiros dar o exemplo. Muitos dos atuais eleitos, assessores e gestores municipais vivem a menos de 5Km. Têm todas as condições para se deslocarem de bicicleta para o trabalho. Nem que para já fosse apenas às sextas-feiras, como se faz noutras cidades.

Assim, a meta da Câmara poderia ser a de reduzir todos os seus parques de estacionamento para metade, eliminando um lugar por cada trabalhador que passe a deslocar-se de bicicleta.


(Artigo originalmente publicado na edição de 24/06/2017 do Diário do Minho)

Estacionar em Braga

Estacionar em Braga


Usar um carro não é nada barato e, nas deslocações urbanas, paradoxalmente, quando criamos novos lugares de estacionamento automóvel, aparecem ainda mais carros, fazendo com que haja sempre uma grande probabilidade de termos de deixar o carro a uma distância que demora 5 ou 10 minutos a pé. Usar a bicicleta como meio de transporte é uma excelente alternativa que, apesar de ainda faltarem infraestruturas básicas, nos permite facilmente poupar tempo e dinheiro, ao mesmo tempo que desfrutamos mais da cidade e melhoramos a nossa forma física.

A quantidade e a proporção de espaço público (e privado) que se encontra atualmente alocado para estacionamento automóvel encontram-se totalmente desalinhadas com os objetivos que vêm sendo traçados para o futuro da cidade. Fala-se em aumentar o número de ciclistas, em melhorar as condições para quem deseje escolher alternativas ao carro, mas continuam a faltar vias seguras, confortáveis e diretas na maioria dos percursos que necessitamos de realizar no dia-a-dia, bem como estacionamentos de qualidade que nos permitam prender ou guardar as bicicletas em segurança, por períodos que em muitos casos podem ser prolongados. É que, se o roubo de carros atormenta muitos automobilistas em Braga, o furto de bicicletas (integral, ou às peças) é uma calamidade escondida. Quem, nesta cidade, não conhece alguém a quem já tenha sido roubada uma, ou duas, ou mesmo três bicicletas?…


Já lá vão uns anos desde que foi entregue às várias forças políticas de Braga a Proposta Para Uma Mobilidade Sustentável, onde alertávamos precisamente para estas questões. Mas continuamos a deparar-nos com uma enorme escassez de estacionamento para bicicletas, sendo que não há ainda nenhum local adequado para estacionamento de média ou longa duração. Continua a existir, isso sim, uma enorme disponibilidade de lugares de estacionamento automóvel, na ordem das várias dezenas de milhares, só na via pública, sem contar com os numerosos estacionamentos privativos e subterrâneos.

Por outro lado, em diversas ruas, o estacionamento automóvel faz-se à custa da fluidez dos transportes públicos ou da qualidade da vivência pedonal, prejudicando moradores, comerciantes e proprietários de imóveis, ao tornar as ruas menos seguras, menos confortáveis e menos atrativas.

Se o objetivo é termos, a curto prazo, 10% das deslocações diárias dentro da cidade a serem feitas de bicicleta, não seria lógico que as infraestruturas disponibilizadas refletissem essa aposta? Se queremos uma quota modal de 10% para os meios de transporte mais económicos e não poluentes, então faz todo o sentido criar, digamos, 10% de lugares de estacionamento para bicicletas. E, claro, 100% de vias seguras, com ZERO atropelamentos e ZERO mortes.


(Artigo originalmente publicado na edição de 1/4/2017 do Diário do Minho)

Afinal, Braga quer ou não apostar na bicicleta?

Afinal, Braga quer ou não apostar na bicicleta?


Quem se interessa pela Mobilidade Sustentável e pelo que se vai dizendo e escrevendo sobre esse assunto certamente se recordará das declarações de Ricardo Rio, a propósito da sua “Visão Política”: até 2025, Braga deverá reduzir em 25% a utilização do automóvel e passar a ter 18 mil utilizadores regulares de bicicleta. Com esses objetivos em vista, este executivo prometeu 76km de vias cicláveis, isto é, ruas e avenidas concebidas ou adaptadas para serem realmente seguras, confortáveis e práticas para quem se desloca de bicicleta.

Mas passando das palavras às ações, é preciso começar a implementar medidas concretas que permitam alcançar as metas definidas, sem deixar de avaliar os resultados periodicamente.

A este propósito, tivemos há dias a oportunidade de ler nos jornais da nossa praça que o Município de Braga prevê a utilização de apenas 1,5% do orçamento municipal para 2017 em medidas relacionadas com a promoção da Mobilidade Suave, sendo referidos 500 mil euros para criação de uma Ciclovia Urbana de Braga, 200 mil euros para medidas de acalmia de trânsito e 750 mil euros para promoção da mobilidade pedonal. Em termos de comparação, e uma vez mais segundo a informação divulgada estes dias pela comunicação social, o investimento nessa área será praticamente equivalente em montante (mas não em proporção) ao do município vizinho de Vila Verde, que decidiu investir nessas áreas quase 5% do seu orçamento municipal para 2017.

Estes números do orçamento, convém notar, são mínimos quando comparados com os montantes gastos anualmente com a construção e manutenção da infraestrutura rodoviária do concelho. Não parecem portanto demonstrar na prática uma grande vontade de melhorar as condições para quem pretenda deslocar-se diariamente de bicicleta em Braga, nem de incentivar cada vez mais pessoas a fazê-lo.

Grandes opções do orçamento municipal de Braga para 2017 nas áreas de transportes e Mobilidade
Se queremos realmente tornar Braga uma cidade onde se vive bem, mesmo não usando o carro, precisamos de começar já a investir mais a sério em domínios onde durante décadas não investimos. E a verdade é que faltam 8 anos para chegarmos a 2025. Resta apenas cerca de um ano para terminar o mandato atual e continuamos à espera da quase totalidade dessas obras…

A terminar, deixo apenas duas perguntas:

– Quantos novos lugares de estacionamento para bicicletas foram criados em Braga em 2016?

– Quantos quilómetros de vias cicláveis foram criados este ano? (mais…)

Quando é que começamos a sério a mudar?

Quando é que começamos a sério a mudar?


Desde os anos 90 uma irresponsável confusão entre velocidade e fluidez foi alterando as ruas de Braga de forma a servir um único utilizador – o automóvel. Fora do centro histórico, mal temos cidade: as avenidas são uma pista de alta-velocidade, o caminho desejável dos peões foi cortado, o ambiente tornou-se suburbano e agressivo, os passeios estão vazios, as pessoas com mobilidade condicionada e as crianças só estão seguras em casa e os bracarenses passaram a ter de usar o carro para se deslocarem 500m. Não é agradável passear fora do centro e dezenas dos que ousaram utilizar a cidade como se utiliza uma cidade foram atropelados, dando a Braga um triste record.

A oposição, em particular o seu mais longo líder Ricardo Rio, apontou o dedo – e bem – à política automobilista de Mesquita Machado. Conquistado o poder de atenuar esta vergonha, a Coligação PSD-PP podia, em 3 anos, ter revolucionado a cidade. A verdade é que nem as passagens áreas pedonais foram removidas, nem os “novos” políticos dão o exemplo nas suas próprias deslocações! (mais…)