A ecologia não está nos genes nem está na água, é uma questão de empenhamento político

A ecologia não está nos genes nem está na água, é uma questão de empenhamento político


“Não está nos nossos genes, nem está na nossa água” diz o Morten Kabell, o actual responsável da Câmara de Copenhaga pela mobilidade e ambiente, acerca dos números apresentados a semana passada que mostram que o número de bicicletas na cidade ultrapassou finalmente o número de carros.

Copenhaga, a capital da fria e chuvosa Dinamarca, monitoriza desde os anos 70 a mobilidade citadina e os relatórios mostram uma profunda (r)evolução na forma como as pessoas se deslocam – de 1 bicicleta para cada 3 carros na década de 70 para a circulação de 256700 bicicletas para 252600 carros no relatório do último mês. Nos últimos 20 anos o trafego ciclável aumentou 68%. No último ano, aumentou 15%.

Mas nada disto é o resultado de uma divina providência ou de alguma propensão dos dinamarqueses para dar à perna. Estes números são o resultado de mais de 20 anos de investimento direccionado para uma mobilidade mais ecológica, menos dependente de combustíveis fósseis. Mais de 20 anos a pensar em como tornar o ar da cidade mais limpo e ao mesmo tempo promover a fluidez de trânsito numa cidade cuja população continua a crescer.

Desde 2005 a cidade investiu cerca de 140 Milhões de euros em infraestruturas ligadas à utilização da bicicleta e promete não ficar por aqui. O objectivo final é libertar o centro da cidade de carros até 2025. E se os números parecem astronómicos, o autarca esclarece – os últimos 12 anos de investimento em vias cicláveis ascenderam apenas a metade dos custos de uma variante exclusivamente para automóveis na parte norte da cidade.

Como defende Kabell, tudo começa com vontade política, decisões pensadas e investimentos a longo prazo e Copenhaga tem consistentemente feito escolhas certas no sentido de melhorar a já elevada qualidade de vida dos seus cidadãos.

Copenhaga começou nos anos 70. E Braga? A revolução da mobilidade ecológica, quando começará? (mais…)

Ecologia e Educação

Ecologia e Educação


A bicicleta não é uma moda. Como a alimentação saudável não é uma moda, a preocupação com o meio ambiente não é uma moda, a reciclagem de residuos não é uma moda, os electrodomésticos com classes ecológicas não são uma moda. A ecologia não é uma moda! A verdade é que já não vivemos na era industrial, o conhecimento científico já provou que alterações climatéricas drásticas estão e irão ocorrer com mais e mais frequência se não abrandarmos o ritmo de poluição e a população portuguesa já não é indiferente a esta questão. Mas as mentalidades não mudaram de um dia para o outro e se é óbvio que o protocolo de Quioto, o compromisso quase mundial de reduzir as emissões de carbono, as crescentes leis nacionais e internacionais para a redução dos níveis de poluição, os incentivos comunitários ao desenvolvimento de energias limpas e renováveis, o controlo e fiscalização das emissões das industrias para muito contribuiram para esta mudança de paradigma, também é evidente que há um factor que vale mais do que a fiscalização, as multas, as leis, as polícias que é o factor educação.

Quem não se lembra do anúncio das crianças a ensinar aos pais que reciclar era tão fácil que até um macaco o conseguia fazer? As novas gerações são muito mais abertas a mudanças de paradigma e abraçam-no com muito mais facilidade.

Quem está atento ao trânsito na cidade de Braga concerteza já reparou que os principais pontos de engarrafamento da cidade são as saídas das escolas nos horários de entrada e saída das crianças – um carro, um pai, à espera de uma criança, estacionado na beira da estrada às 8, às 13 e às 18, multiplicado por milhares de alunos de cada escola.

Perante o óbvio, as minhas perguntas são:

  • para quando estacionamentos de bicicletas à porta das escolas?
  • para quando políticas de educação, prevenção rodoviária e incentivos escolares que permitam que as novas gerações adoptem formas ecológicas, responsáveis e saudáveis de locomoção dentro da cidade de forma a cimentar um futuro mais sustentável?

(Artigo originalmente publicado na edição de 24/10/2015 do Diário do Minho)