Pedalar mentalidades

Pedalar mentalidades


Escrever estas linhas é duplamente gratificante, primeiro porque partilho a minha experiência e segundo porque a minha escrita acaba por produzir reacções, umas positivas outras nem por isso. Interpretar estas mesmas reacções é fundamental para trazer à tona aquilo que é realmente mais importante e que deve ser trabalhado por aqueles que, como eu, fazem da bicicleta um dos seus meios de transporte e pugnam por uma mobilidade racional, longe da carrocefalia crónica da qual o país e Braga padecem. A mobilidade é plural, ao contrário do que nos impingem há demasiados anos. (mais…)

Sai da frente, ó ciclista!

Sai da frente, ó ciclista!


– Quantas vezes lhe apareceu um ciclista na estrada que o deixou nervoso?

Se respondeu ou pensou “várias” ou “todas”, recomendamos que leia este artigo até ao final!

Desde Janeiro 2015 o Código da Estrada sofreu alterações, parte das quais relacionadas com a circulação de bicicletas. Uma das principais modificações foi a aplicação da regra geral de cedência de passagem também aos velocípedes. Se antes, num cruzamento não sinalizado, o ciclista tinha de deixar passar os veículos motorizados, agora simplesmente tem prioridade quem se apresenta pela direita. De referir contudo que no caso dos cruzamentos e rotundas com sinalização nada mudou, nesse caso a sinalização de cedência de passagem aplica-se a todos, independentemente de se tratarem carros ou bicicletas.

Também vale a pena referir o fim da obrigatoriedade de circular o mais à direita possível. Agora o ciclista pode e deve reservar uma distância segura e razoável, face à berma da estrada, de modo a evitar acidentes.

Uma regra frequentemente esquecida, mas muito importante, é a que obriga os condutores a abrandar e assegurar uma distância mínima lateral de 1,5 metros relativamente ao ciclista no momento da sua ultrapassagem. Adicionalmente, é obrigatório mudar para a via da esquerda durante a manobra da ultrapassagem. (mais…)

Vai um ciclista à minha frente – e agora?

Vai um ciclista à minha frente – e agora?


Quando circular atrás de um ciclista, deixe sempre uma distância frontal de segurança. O que é uma distância de segurança adequada? Vai depender de muitos fatores, como o estado do piso e a velocidade de circulação. Mas, basicamente, basta imaginar que, por azar, o ciclista à nossa frente se desequilibra ou tropeça num buraco e cai de imediato. A distância de segurança será a que permita automobilista parar em segurança sem atropelar o ciclista. Pode parecer um exagero, mas a verdade é que os imprevistos acontecem quando menos os esperamos, e a prevenção é o melhor remédio.

A este propósito, posso relatar algo que se passou comigo um destes dias, cá em Braga. No fim de um dia de trabalho, quando regressava a casa, de bicicleta, parei numa passadeira para ceder a passagem a uma senhora. Um carro que seguia atrás de mim, apesar de já vir a baixa velocidade, não conseguiu parar a tempo e bateu-me por trás. Um guarda-lamas partido, uma roda empenada, talvez um risco ou amolgadela no pára-choques… E uma grande sorte de não ter havido feridos nem mortos a lamentar.

Tenho notado imensas situações como esta, em que carros, autocarros e camiões se encostam perigosamente a poucos metros da traseira das bicicletas, situação em que, se o ciclista cai ou trava de repente, é impossível parar sem atropelar.

Deixo por isso um conselho de amigo a todos os condutores, inspirado numa das regras mais importantes e mais frequentemente descuradas do Código da Estrada: guardem sempre distância de segurança, sobretudo quando vai uma bicicleta à vossa frente. E abrandem, se necessário. Matar ou tornar alguém inválido não é um risco que queiram correr, acreditem!

Igual cuidado deve ser tido também ao efetuar uma manobra de ultrapassagem a uma bicicleta. Não podemos esquecer-nos de que um ciclista nem sempre consegue circular em linha reta. Frequentemente precisa de desviar-se de pequenos buracos ou outros obstáculos na via, bem como de executar um ligeiro ziguezague para se equilibrar. É por isso que a lei obriga a abrandar e deixar uma distância lateral de segurança de pelo menos um metro e meio ao ultrapassar um ciclista, para além, obviamente, de mudar totalmente para a via de trânsito à esquerda.

A terminar, acrescentaria apenas que uma das melhores formas de prevenir acidentes na estrada é reduzir a velocidade. Abrandar significa literalmente salvar vidas. E isso todos nós podemos fazer quando conduzimos um veículo na estrada. Não há pressa que justifique correr o risco de atropelar alguém.

Com estas três pequenas dicas, creio que podemos tornar a condução na nossa cidade bem mais segura para todos. Vamos a isso?


(Artigo originalmente publicado na edição de 04/02/2017 do Diário do Minho)