E se o parque de estacionamento da Câmara deixasse de fazer falta?

E se o parque de estacionamento da Câmara deixasse de fazer falta?


Há dias um vereador anunciou a disponibilização para teste de uma bicicleta elétrica aos trabalhadores municipais. A iniciativa é muito interessante mas com a configuração atual é muito pouco eficaz. Basta fazermos as contas: se o empréstimo a cada trabalhador for pelo período de uma semana, sabendo que há mais de 2500 trabalhadores, demoraremos 5 décadas a contemplar todos!

É pena que mais uma medida de promoção do uso da bicicleta seja implementada de forma tão tímida. Faz infelizmente lembrar a disponibilização de estacionamentos temporários pelo centro da cidade através da colocação de vedações amovíveis. Tinha um bom propósito mas, além de inconsequente, foi mal executada ao ponto de a descredibilizar.

Numa cidade atulhada de veículos poluentes e com décadas de atraso nas políticas de mobilidade, numa altura em que começamos a sofrer seriamente os efeitos das alterações climáticas, são necessárias medidas mais energéticas, consistentes e em crescendo. O que está em causa, não tenhamos dúvidas, é a qualidade de vida que vamos deixar aos nossos filhos e aos deles. Não se trata de eliminar os carros, mas de reduzir o seu uso ao francamente indispensável.

As bicicletas elétricas são uma extraordinária oportunidade de reduzirmos a poluição sem grande esforço. Quem nunca utilizou uma, recomendo que experimente. De imediato vai perceber as inúmeras vantagens de combinar a versatilidade da bicicleta com um pequeno motor na roda que reduz substancialmente o esforço a pedalar. E, até distâncias de 5Km, qualquer bicicleta é o transporte que nos leva mais rápido de um ponto a outro.

Mas disponibilizar bicicleta(s), por si só, não vai resolver o problema. É preciso implementar diversas outras medidas simultâneas, seja promovendo o uso da bicicleta, seja dando incentivos claros aos trabalhadores que a utilizem, penalizando os que optam sem razão pelo carro. Ao mesmo tempo, os políticos têm de ser os primeiros dar o exemplo. Muitos dos atuais eleitos, assessores e gestores municipais vivem a menos de 5Km. Têm todas as condições para se deslocarem de bicicleta para o trabalho. Nem que para já fosse apenas às sextas-feiras, como se faz noutras cidades.

Assim, a meta da Câmara poderia ser a de reduzir todos os seus parques de estacionamento para metade, eliminando um lugar por cada trabalhador que passe a deslocar-se de bicicleta.


(Artigo originalmente publicado na edição de 24/06/2017 do Diário do Minho)

Braga Ciclável subscreve o Compromisso pela Bicicleta

Braga Ciclável subscreve o Compromisso pela Bicicleta


A Associação Braga Ciclável acaba de subscrever o Compromisso pela Bicicleta, uma iniciativa da Plataforma Tecnológica da Bicicleta e Mobilidade Suave da Universidade de Aveiro que foi lançada esta terça-feira, na Murtosa, e que já conta com vasto apoio vindo de vários pontos do país.

O Compromisso pela Bicicleta é um desafio dirigido às autarquias e comunidades intermunicipais, às instituições de ensino e saúde, a entidades e organizações públicas, privadas e da sociedade civil, e tem 7 objetivos:

  • Fomentar o uso da bicicleta, aumentando a sua quota modal;
  • Reduzir o tráfego automóvel;
  • Promover a aquisição de bicicletas;
  • Reduzir a sinistralidade rodoviária;
  • Mais saúde – estimular estilos de vida saudáveis e combater a obesidade;
  • Menos CO2 – reduzir as emissões e a dependência energética dos combustíveis fósseis;
  • Melhores Cidades – qualificar e humanizar o espaço público das cidades.

Na lista de entidades subscritoras do Compromisso, aparecem já dezenas de entidades, onde se incluem, por exemplo, os municípios de Barcelos e Guimarães. O município de Braga, apesar de ainda não constar nessa lista, tem já inseridos no seu PDM, muito graças também ao trabalho da Braga Ciclável, estes objetivos que seguem diretivas europeias e nacionais. Aliás, como pudemos assistir há dias, o próprio presidente da Câmara de Braga tem afirmado inequivocamente que a bicicleta faz parte da sua visão para a Mobilidade em Braga. Queremos, por isso, que Braga subscreva publicamente este Compromisso e que participe desde já nos desafios que ele coloca.

Para que o compromisso e os seus objetivos possam ser alcançados, a Plataforma Tecnológica da Bicicleta e Mobilidade Suave da Universidade de Aveiro entendeu lançar este desafio, que a Braga Ciclável agora abraça, mas que é também dirigido às autarquias e comunidades intermunicipais, a instituições de ensino e saúde, a entidades e organizações públicas, privadas e da sociedade civil. A iniciativa, a realizar com periodicidade anual, pretende estimular as diferentes organizações participantes a promover o uso regular da bicicleta junto dos seus trabalhadores, clientes, visitantes, associados ou do público em geral.

Assim, são 9 os Desafios:

  • realizar debates, estudos e investigação sobre mobilidade, com particular enfoque nos modos ativos (peões e bicicletas);
  • organizar eventos de promoção de deslocações ativas (em bicicleta e a pé) ou oferta de estímulos para utilização regular da bicicleta;
  • promover medidas de partilha de viatura e iniciativas de sensibilização para o novo Código da Estrada (proteção dos utilizadores mais vulneráveis);
  • criar condições de estacionamento dedicado e equipamentos de apoio, nomeadamente balneários (duche ou mudança de roupa) ou cacifos;
  • organizar eventos que incentivem o desenvolvimento de novos produtos e serviços para a bicicleta (ex. acessórios, componentes, conteúdos,…);
  • definir um plano de mobilidade de empresas e polos;
  • nomear um gestor da mobilidade e da promoção do uso da bicicleta na organização;
  • criar serviços de logística urbana em bicicleta;
  • disponibilizar bicicletas ou oferta de serviços de bikesharing e/ou intermodalidade.

Assumimos o Compromisso!

Desafiamos agora o Município de Braga a fazê-lo!