A bicicleta não é um brinquedo

A bicicleta não é um brinquedo


Muitos de nós guardamos recordações felizes de uma infância ou juventude marcada pela presença da bicicleta. Primeiro, como brinquedo, mas mais tarde como meio de emancipação, um modo de transporte de baixo custo, acessível e sem requisitos complicados. Hoje em dia, demasiadas vezes esquecemos esse potencial libertador e utilitário da bicicleta, e apenas a consideramos, erradamente, como um mero brinquedo.

Pode parecer uma discussão fútil e despropositada, mas não é. A bicicleta tem algumas características que fazem dela a melhor opção de transporte para boa parte das nossas deslocações diárias, com vantagens impossíveis de igualar por outros modos de transporte.

Em trajetos curtos, por exemplo de 3 a 5 quilómetros, o tempo de viagem em bicicleta costuma ser até mais curto, quando comparado com a mesma viagem em automóvel. Além disso, os custos de aquisição e manutenção de uma bicicleta são 5 a 10 vezes mais baixos, ou seja, poupamos dinheiro.

Ao mesmo tempo que nos deslocamos para o trabalho, para a escola, para a universidade ou para as compras do dia-a-dia, indo de bicicleta estamos a aproveitar para fazer exercício físico, sem arcar com os custos de tempo e dinheiro associados aos ginásios.

Finalmente, quando há escassez de combustível nos postos de abastecimento, até isso já não nos afeta de forma tão direta, e podemos prosseguir a nossa viagem sem preocupações.

Encarar a bicicleta como mais uma das nossas opções de transporte pode facilmente traduzir-se numa transformação libertadora a nível pessoal. Menos despesa, menos tempo perdido, mais saúde, melhor disposição. Não é evidentemente solução para todas as necessidades de transporte, mas é sem dúvida o melhor transporte em muitas situações nas quais habitualmente ainda usamos o carro.

O desafio que vos lanço, agora que estamos em plena primavera, é que considerem experimentar utilizar a bicicleta no dia-a-dia. Uma ou várias vezes por semana, todos os dias, ou só às vezes.

Vai ser uma experiência inesquecível!

COMUNICADO: Braga Ciclável desafia CMB a ser mais Ativa na Semana Europeia da Mobilidade

COMUNICADO: Braga Ciclável desafia CMB a ser mais Ativa na Semana Europeia da Mobilidade


A Semana Europeia da Mobilidade (European Mobility Week) decorre todos os anos, de 16 a 22 de Setembro. Desde 2002, tem procurado mudar o paradigma da mobilidade e do transporte em contexto urbano, contribuindo para uma melhoria da saúde e da qualidade de vida dos cidadãos. Constitui-se como uma oportunidade perfeita para a inclusão de alternativas de mobilidade mais económicas e mais ecológicas, para a introdução de mudanças comportamentais e, sobretudo, para a ação no sentido de uma evolução ativa para sistemas de transportes sustentáveis. Pretende também que os cidadãos experimentem no terreno soluções concretas. É uma oportunidade para as diferentes partes interessadas confluírem num mesmo sentido e criarem soluções inovadoras que levem à redução efetiva do uso do automóvel e, consequentemente, à redução de emissões poluentes. Os requisitos impostos a uma qualquer cidade que queira participar na Semana da Europeia da Mobilidade passam pela apresentação das ações e medidas permanentes a adotar e ainda pela adesão ao Dia Europeu Sem Carros.

Braga participa há já 3 anos consecutivos na Semana Europeia da Mobilidade, mas infelizmente este ano não ofereceu um programa que causasse verdadeiro impacto nos cidadãos e os sensibilizasse para a necessidade de mudança. Faltaram medidas permanentes de melhoria de eficiência, conveniência e conforto do transporte público, bem como medidas de prioridade deste transporte sobre o particular. Faltaram também medidas que aumentassem a segurança dos que utilizam a bicicleta e dos que a pretendem adotar como meio de transporte diário.

Além disso, como seria de esperar, a opção de fechar uma rua pouco movimentada como a Rua D. Gonçalo Pereira não levou a população a refletir sobre as questões da mobilidade, e muito menos a alterar os seus comportamentos. Se Paris consegue fechar ao trânsito uma artéria estruturante como os Campos Elísios, porque é que Braga continua a apostar em ruas insignificantes?

Braga, através do PDM e da Visão Política para a Mobilidade (defendida pelo Presidente da Câmara em Vila Nova de Gaia a 8 de Abril de 2016), tem a ambição de mudar de paradigma até 2025: reduzir em 25% o número de automóveis a circular, aumentar para 18 000 os utilizadores de bicicleta na cidade e duplicar o número de passageiros transportados pelos TUB.

Não se percebe, assim, qual a estratégia global do Município quando, logo no dia seguinte ao Dia Europeu sem Carros, se promove um Salão Automóvel. A não ser que os objetivos definidos no PDM e na visão do Presidente da Câmara não correspondam a uma estratégia ampla e consistente de mobilidade.

É, portanto, importante que se organizem eventos informativos e se implementem medidas permanentes associados à mobilidade ciclável e ao transporte público ao longo de todo o ano. Se o PDM prevê a criação de 76 quilómetros de vias cicláveis, muitas destas alterações podem ser introduzidas já implementando medidas de acalmia de tráfego (gincanas, rotundas, passadeiras elevadas, redução de faixas, semáforos, etc) e tornando a zona pedonal numa zona de coexistência. Importa simultaneamente criar vias cicláveis (mesmo que nalguns casos se limitem a pinturas e balizadores) e instalar mais bicicletários. Só criando primeiro as condições mínimas de segurança motivaremos mais pessoas a utilizar a bicicleta. Não faz qualquer sentido que se aguarde que existam 18 000 utilizadores para depois agir. Aliás, para cumprir esta meta em 2025 é necessário instalar 22 bicicletários e criar 162 metros de vias cicláveis por semana! Só com pequenos incrementos frequentes conseguiremos atingir os objetivos a longo prazo.
Além disso, Portugal é o terceiro maior produtor de bicicletas da Europa, um impacto na economia que vai além da produção e exportação. O uso da bicicleta representa também um ganho, para a cidade, de 0,15€ por quilómetro percorrido (ao passo que o carro constitui um custo de 0,16€).

Tendo em conta este impacto positivo, a Braga Ciclável desafia a Câmara Municipal e a InvestBraga enquanto entidades locais promotoras de feiras a organizar uma Feira Internacional de Bicicletas em Braga. Este evento deverá contar com parceiros como a European Cyclist Federation, a FPCUB – Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta, a MUBi – Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta, a AIMinho, a ABIMOTA, a Órbita, a Decathlon, a SportZone, a BikeZone, a GoByBike e todos os produtores, fabricantes e vendedores de bicicletas da Europa, do País e de Braga.

A mobilidade – e em particular a mobilidade ciclável – não é uma moda. A bicicleta é usada diariamente como meio de transporte em toda a Europa por uma elevada percentagem da população. É importante que Braga tome medidas para conquistar o mesmo lugar!

A Braga Ciclável defende uma cidade mais amiga das pessoas que optam por andar a pé e de bicicleta e disponibiliza-se para participar na urgente mudança de paradigma!