Desde 1920 que existe uma rede de coexistência entre Bicicletas e Carros em Braga

Desde 1920 que existe uma rede de coexistência entre Bicicletas e Carros em Braga


Desde a chegada do automóvel às cidades que a bicicleta coexiste com este na rede viária. Em Braga, desde os anos 20 até hoje, existem cerca de 1200 quilómetros de rede viária de coexistência entre bicicleta e o automóvel.

Estes 100 anos de investimento numa rede de ruas em coexistência já nos fez perceber que não basta ter ruas onde o espaço é partilhado. Dizer que se vai apostar numa rede de coexistência entre bicicletas e automóveis é irrelevante, porque ela já existe. O resultado dessa política para a adoção do uso da bicicleta está à vista: 0,5%.

Há ruas onde tem que haver segregação. A espinha dorsal do sistema, o esqueleto, o pilar que fará toda a rede funcionar, as “aortas” da rede ciclável, tem que ser uma infraestrutura segregada, que permita uma circulação em segurança, sem sobressaltos, o mais direta e rápida possível.

Podemos reduzir o complexo exercício de planeamento e desenho da rede ciclável a uma simples pergunta, quando temos o desenho da rua pronto: “uma criança de bicicleta circularia e chegaria em segurança, de uma forma rápida, confortável e direta, até ao seu destino nesta rua?” Se a resposta for sim, então a rede estará desenhada para todos poderem usufruir dela. Mas falta coragem para resgatar o espaço público e devolver parte dele às pessoas, garantindo a segurança das mesmas.

E lá porque hoje temos uma avenida com 6 vias de trânsito, com algumas filas em hora de ponta, isso não significa que essa avenida não possa ser reprogramada para outros usos que transformem a sensação que temos a andar na rua e a sua função em algo mais humano. Falta o sentimento de vizinhança, de convívio e de fruição da rua, nas principais avenidas de Braga.

Não, ninguém quer banir os carros. É necessário reorganizar e distribuir melhor o espaço público que, neste momento, é praticamente todo dedicado ao carro. E essa redistribuição reduzirá o espaço ao carro, espaço esse que deixa de ser necessário, porque algumas pessoas vão passar a utilizar a bicicleta nas suas deslocações. E como assim é, então já não é preciso tantas vias, nem é preciso tanto estacionamento.

Folgo em ouvir, por parte do Município, que a promoção da segurança rodoviária é a prioridade das prioridades, mas, quando olhamos para os números, vemos que continua a morrer gente (muita gente) todos os anos e a tendência não está a diminuir. Se essa é a prioridade das prioridades, então é tempo do Município adotar uma #VisãoZero e implementar verdadeiras medidas de redução das velocidades e dos volumes de tráfego na cidade. Medidas que funcionem por uma #BragaZeroAtropelamentos! Precisamos de mais semáforos, mais cruzamentos de nível, mais ciclovias, mais passadeiras. Nada fazer é irresponsável.

Hoje posso dizer com toda a certeza que há 14% dos bracarenses que nunca vão utilizar a bicicleta como modo de transporte. Mas, se existissem condições infraestruturais e segregação das vias, 29% utilizariam de certeza absoluta e 31% com muita certeza que utilizariam a bicicleta. Os restantes 26% são indecisos (em breve falarei mais sobre estes números).

Para podermos ter uma Braga amiga das pessoas, inclusive das que andam e querem andar a pé e de bicicleta, é fundamental que se crie a rede ciclável estruturante. Só assim a cidade terá mais pessoas a utilizar a bicicleta no seu dia-a-dia. Só assim a cidade evolui para uma cidade sustentável!

Uma cidade diamante

Uma cidade diamante


Tinha uma vontade. Fui ao mapa e tracei a minha rota. Peguei na minha bicicleta e fui. Cheguei com a maior simplicidade com que se pode chegar a um lugar. Durante a viagem sonhei… sonhei que Braga poderia também ser um “paraíso ciclável” e que tudo ganharia outro ar. Apercebi-me tão rapidamente o quão atrasados estamos em relação ao resto da Europa. Sair de Braga para viver uns meses em Antuérpia é ser presenteada todos os dias a nível da mobilidade. Antuérpia, que em 2019, foi classificada a 4º cidade mais bike friendly pelo The Copenhagenize Index, e isso sente-se na perfeição para quem por aqui circula e reflete-se, realmente, no dia-a-dia das pessoas, com mais de 700km de ciclovias seguras e confortáveis. (mais…)

Pedalar mentalidades

Pedalar mentalidades


Escrever estas linhas é duplamente gratificante, primeiro porque partilho a minha experiência e segundo porque a minha escrita acaba por produzir reacções, umas positivas outras nem por isso. Interpretar estas mesmas reacções é fundamental para trazer à tona aquilo que é realmente mais importante e que deve ser trabalhado por aqueles que, como eu, fazem da bicicleta um dos seus meios de transporte e pugnam por uma mobilidade racional, longe da carrocefalia crónica da qual o país e Braga padecem. A mobilidade é plural, ao contrário do que nos impingem há demasiados anos. (mais…)

Para a escola, de bicla!

Para a escola, de bicla!


Levar os filhos à escola de bicicleta não é muito comum em Braga. É tão pouco habitual que infelizmente é raro encontrarmos bicicletas estacionadas nas escolas do ensino básico ou secundário. Se soubermos que no concelho da Murtosa cerca de 90% da população escolar se desloca neste meio de transporte percebemos quão diferentes podíamos ser em Braga.

E a culpa não é dos mais novos. É nossa, dos educadores, porque os enfiamos dentro de um carro para fazer, muitas vezes, percursos ridículos. E nem sequer paramos para pensar, tentando fazer de outra forma. Em vez de desistirmos logo por nos lembrarmos dos casos extremos – de quem não consegue ir de bicicleta ou de quem tem de circular numa estrada nacional perigosa ou de quando chove – foquemo-nos na rotina que corresponde à da maioria das pessoas num dia sem chuva (e são mais de 200 dias sem chuva por ano em Braga). Como é o seu percurso?

No meu caso, de casa à escola são 960 metros a pé. De bicicleta o percurso é ligeiramente mais extenso porque optamos por outro mais cómodo e seguro. A verdade é que de bicicleta sentimos que a cidade é muito mais curta e por isso temos uma grande liberdade de escolher entre percursos. Principalmente no regresso a casa, em que há menos pressa.

Nem a cidade nem a escola têm as condições ótimas para os pequenos ciclistas mas isso não é um problema. Circula-se com cuidado e prende-se a bicicleta e o capacete na entrada da escola. Levar um filho de bicicleta à escola não implica necessariamente que o adulto também vá de bicicleta. Não é difícil acompanhar a pé uma criança de bicicleta.

Ao levarmos os nossos filhos de bicicleta estamos a ensinar-lhes muitas coisas: a orientarem-se na cidade, ganhando noção das distâncias; a estarem atentos ao que acontece à sua volta; a perceberem quanto ruído e poluição fazem os carros; a constatarem que em meio urbano a bicicleta é o transporte mais rápido e versátil. Além claro, do exercício físico, num país em que uma em cada três crianças tem excesso de peso. E estamos também a mostrar à Câmara Municipal que há imenso para fazer e para melhorar neste concelho, tão longe dos mínimos europeus nas questões da mobilidade.

No meu caso, o resultado é muito curioso: já não faço a mínima ideia de quantas vezes este ano letivo fomos de bicicleta – ou a pé – mas lembro-me perfeitamente das duas únicas vezes que tive de levar o carro. E, claro, que criança é que não fica contente – e muito orgulhosa – de ir e voltar para a escola a conduzir a sua bicicleta?


(Artigo originalmente publicado na edição de 18/02/2017 do Diário do Minho)

Bicicleta e Gravidez

Bicicleta e Gravidez


No momento em que uma mulher que gosta e anda de bicicleta recebe a confirmação de que está grávida, várias questões surgem no pensamento:

“E agora, posso continuar a usar a bicicleta?”

“Que cuidados adicionais devo ter?”

“Como será a reação do meu corpo e do meu bebé ao uso da bicicleta?”

Para obter resposta a este tipo de questões, a opção mais prudente e sensata é conversar com o obstetra ou médico que fará a vigilância e acompanhamento da gravidez. Este profissional de saúde é a melhor escolha para ajudar a mulher a decidir sobre o que é mais seguro fazer até ao término da gravidez. (mais…)

Braga podia ser das crianças!

Braga podia ser das crianças!


Não há muitos locais em Braga onde possamos deixar os pequenos ciclistas pedalar à vontade. As ciclovias são perigosas ou porque funcionam lado a lado com vias rápidas ou porque não têm proteções junto ao rio. Mesmo na área pedonal é impossível deixar um miúdo andar de bicicleta sem a atenção de um adulto. Há sempre veículos que surgem dos mais diversos locais. A avenida Central serve, até, para os condutores acelerarem de forma a chegarem mais rápido à saída na Senhora-a-Branca, ignorando que passam à porta duma escola (D. Pedro V). E fora da zona pedonal nem vale a pena pensar em deixar as crianças pedalarem sozinhas.

Toda a cidade é muito perigosa. Tem de ser assim? A uma hora e pouco daqui há uma cidade que acabou com a prioridade dada aos carros. O médico e Presidente da Câmara de Pontevedra Miguel Fernández pôs fim à ditadura não saudável dos automóveis. E as crianças são uma prioridade porque “cando están na rúa fan que a cidade sexa máis segura”. Em toda a cidade – e não apenas na zona histórica – a prioridade é dada aos peões. Seguem-se, por ordem, as bicicletas, os transportes públicos e os restantes veículos. Promove-se a coexistência entre vários modos e para isso há um limite de 30km/h e inúmeras medidas de acalmia de tráfego (que produziram uma redução drástica dos acidentes). (mais…)