Se ficar o bicho come, se pedalar o bicho não pega

Se ficar o bicho come, se pedalar o bicho não pega


Seguramente, toda a gente sentirá que a pandemia alterou imenso as nossa vidas. Ficamos fechados, confinados, durante meses e só no início de Junho pudemos aos poucos deixar a quarentena. Ainda com receios e muitas precauções, vamos saindo e retomando a pouca normalidade que é possível. Sabemos que a nossa vida normal não voltará tão cedo. O actual estado exige muitas precauções.

De tudo de mau e disruptivo que o COVID trouxe às nossas vidas, há oportunidades que nasceram e aspectos menos maus que ocorreram durante este período. O ambiente agradeceu o nosso recolhimento: as emissões de CO2 diminuíram, a qualidade dos nossos rios e mares melhorou e a acalmia do trânsito contribuiu para a redução da poluição sonora. Neste novo quotidiano, alguns perguntaram-se se não seria possível manter aquilo que foi positivo, se seria possível alterar a nossa forma de consumir, produzir e de viver para diminuirmos a nossa pegada ecológica. Neste texto foco-me numa parte, na mobilidade, nomeadamente como esta pandemia pode ser uma oportunidade para massificar o uso da bicicleta. (mais…)

Pedalar em sentido contrário

Pedalar em sentido contrário


Não tenho a menor dúvida de que esta pandemia deixou e deixará marcas em todos nós. Entre as cicatrizes, umas mais profundas e outras menos, estou certa de que despertou também muitas vontades. Muito nos temos vindo a questionar sobre este ser o ponto de viragem, sobre ser a oportunidade para agarrar com todas as forças estas vontades.

Enquanto seres individuais, mas também enquanto grupo de pessoas tão diferentes, mas que tem como ponto de encontro a bicicleta, vimos esta vontade a alastrar e a contagiar ainda mais e mais as pessoas em nosso redor, neste contexto de pandemia. (mais…)

Vivemos verdadeiros tempos de transformação!

Vivemos verdadeiros tempos de transformação!


Este chavão é dito e redito vezes sem conta, no entanto eu também me vejo forçado a usar no momento em que falo do mundo das duas rodas.

É inegável que após tudo que sucedeu nos últimos meses a nossa postura face o mundo teria de ser outra e os nossos comportamentos também, não só pela privação de muitos prazeres antigos mas porque nos levou à redescoberta de velhos hábitos que sem dúvida nos fazem saltar diretamente para a nossa infância. Por isso verificamos um crescimento fantástico no mundo do ciclismo. Os últimos dois anos já tinham sido um excelente reflexo disso, mas estes últimos meses… Surreal! (mais…)

Terá Braga a perspicácia, a vontade e a coragem para arriscar?

Terá Braga a perspicácia, a vontade e a coragem para arriscar?


Neste momento tão atípico e difícil que o mundo atravessa, algumas cidades identificaram já uma oportunidade para impulsionar o uso da bicicleta como forma de minimização do contágio (exemplos como Bogotá, Berlim, cidade do México, Budapeste, Pamplona, Milão, Barcelona, Dublin, entre outras).

A Organização Mundial de Saúde sugere que “sempre que possível, pondere andar a pé ou de bicicleta. Conseguirá manter a distância física enquanto cumpre a atividade física mínima recomendável, que hoje é mais difícil devido ao aumento do teletrabalho e à diminuição de alternativas para a prática desportiva”, permitindo, assim, o devido distanciamento físico e todos os cuidados essenciais às deslocações estritamente necessárias.

É certo que esta pandemia terá efeitos sobre o nosso estilo de vida e sobre a forma como nos deslocamos. O uso dos transportes coletivos reduzirá inevitavelmente, com vista a evitar aglomerados. Encontramos aqui uma oportunidade, um ponto de viragem para o incentivo ao uso de outros tipos de locomoção que sejam mais seguros e sustentáveis, mas, para tal, precisamos também de criar cidades onde todos circulem em segurança, independentemente do modo de transporte que utilizem.

Esta pandemia ajudou-nos a perceber ainda mais a importância de modos de transporte como a bicicleta. Temos aqui a oportunidade para priorizar esses mesmos modos e as cidades responderem a este desafio que estamos a viver, readaptando infraestruturas, repensando os espaços e a forma como estes são usados. Criar ciclovias protegidas e aumentar o espaço pedonal, por redução do espaço do automóvel nas atuais ruas e avenidas da cidade, deverá ser o primeiro passo desta transformação.

Há momentos que não podem ser apenas de passagem, e este é definitivamente um deles, um ponto de viragem, uma oportunidade para tornar Braga uma cidade vibrante, uma cidade das pessoas. Todas as crises e pandemias na história da humanidade levaram a grandes mudanças. Foram momentos de repensar e fazer diferente. Se, por um lado, este é um momento negro na nossa história, é também uma oportunidade. Terá Braga a perspicácia, a vontade e a coragem para arriscar?

Depois da Pandemia

Depois da Pandemia


Subitamente vimo-nos todos no centro daquilo que sentimos como uma qualquer distopia de ficção científica filmada em Hollywood. Dizem os cientistas que ainda há muito para descobrir sobre este vírus. Questões como qual é a sua taxa de letalidade, a sua sensibilidade às condições ambientais, o grau de imunidade que tem alguém que tenha sido previamente infetado e a percentagem de pessoas infetadas que não apresentam sintomas, não têm ainda respostas estabelecidas. Das respostas que obtivermos, vai depender muito do nosso futuro próximo.

Sabemos, no entanto, que o vírus é especialmente perigoso para os mais velhos e por isso, aceitamos empenhadamente as medidas que as autoridades definiram como necessárias para o conter. Essas medidas têm um custo económico enorme, fala-se que poderá ser a maior recessão dos últimos cem anos, mas essa é uma fatura que aceitamos pagar, numa prova de grande solidariedade intergeracional.

Embora estejamos a percorrer um caminho ainda com mais dúvidas do que com certezas, sabemos que chegará o momento em que o problema de saúde pública estará controlado e teremos de começar a reconstruir as nossas economias. Estou tentado a adivinhar que por essa altura ouviremos muitas vezes o argumento de que deveremos pôr de lado preocupações ambientais para favorecer o crescimento económico. Não estarei a falhar por muito se imaginar que, entre outras coisas, serão postos em causa, por exemplo, os limites e taxas às emissões de carbono, a proteção da biodiversidade terrestre e marinha, o ordenamento urbano, bem como as limitações ao tráfego automóvel e a promoção dos transportes públicos e da mobilidade ciclável.

Não tenho grandes ilusões e sei que este argumentário terá muitos adeptos, mas fará realmente sentido? Não me parece. Independentemente da pandemia, os problemas ambientais não deixaram de existir. Se fomos capazes de, a uma escala global, parar para proteger os nossos mais velhos, não seremos capazes de nos mobilizar para estratégias de desenvolvimento que protejam os mais novos, nomeadamente aqueles que ainda não nasceram?

Redução de vias de trânsito para acalmia de tráfego e apelo ao uso da bicicleta em deslocações estritamente essenciais

Redução de vias de trânsito para acalmia de tráfego e apelo ao uso da bicicleta em deslocações estritamente essenciais

A Braga Ciclável tem vindo a acompanhar, atentamente, todos os desenvolvimentos relacionados com a pandemia e, consequentemente, o estado de emergência em que vivemos.

A ECF – European Cycling Federation considera que o uso da bicicleta, convencional ou com assistência elétrica, deve ser encorajado pelos Estados Membros da União Europeia, também durante a disseminação desenfreada do COVID-19. Isto porque, ao usarem a bicicleta, as pessoas desde logo mantêm as distâncias necessárias para evitar a infeção e, ao mesmo tempo, têm probabilidade muito menor de tocarem em objetos contaminados no espaço público ou em transportes públicos. Tal foi reconhecido, ainda há dias, pelo ministro federal da saúde da Alemanha, Jens Spahn, que recomendou o uso da bicicleta aos cidadãos que continuam a ter de sair de casa para trabalhar nos serviços essenciais. Também outras autoridades europeias, por exemplo na Dinamarca, Holanda e Reino Unido, incluíram nas suas recomendações à população, no âmbito do COVID-19, instruções específicas relativas ao uso de bicicleta durante a pandemia.

A atividade física regular, como por exemplo andar de bicicleta, ajuda a manter o sistema cardiovascular e os pulmões saudáveis, prevenindo doenças e protegendo o corpo de infeções. Portanto, é importante que as pessoas pedalam durante a crise.

Assim, a Braga Ciclável sugere que o Município de Braga vá ao encontro dos protocolos relativos às saídas de casa e às restantes medidas nacionais de combate ao COVID-19, e peça aos seus habitantes para evitarem o uso dos transportes públicos durante este período, apelando para que, nos casos excepcionais em que tenham que fazer alguma deslocação, o façam recorrendo, sempre que possível, ao uso da bicicleta.

A Braga Ciclável sugere que, à semelhança do que estão a fazer outras cidades (p. ex., Bogotá, Cidade do México, Nova Iorque), o Município de Braga introduza reduções temporárias do número de vias na Avenida da Liberdade, Avenida 31 de Janeiro, Avenida Imaculada Conceição, Avenida João XXI, Avenida João Paulo II, Av. Robert Smith e Av. Dr. António Palha. Trata-se de avenidas que, neste momento, possuem menos tráfego mas onde se circula a velocidades ainda mais elevadas e perigosas do que o já habitual. A supressão de uma via de trânsito em cada uma destas artérias, levará a uma acalmia de tráfego que é desejável e necessária para a segurança de todos.

Após o regresso à normalidade, esta supressão poderá ser tornada definitiva, avançando então para a implementação do projeto que foi aprovado em reunião de executivo em 2018, de modo a que nessa altura a bicicleta e o transporte público possam passar a ser fortes aliados na promoção de uma mobilidade sustentável.

A Braga Ciclável apela a todos os Bracarenses para ficarem em casa mas, caso sejam uma exceção e tenham mesmo que sair, que o façam recorrendo à bicicleta, procedendo à necessária lavagem ou desinfeção das mãos após o uso da bicicleta.