Braga Ciclável apela ao uso da bicicleta

Braga Ciclável apela ao uso da bicicleta


A Associação Braga Ciclável sugeriu ao presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, que pedisse aos munícipes para “evitarem o uso dos transportes públicos durante este período, apelando para que, nos casos excepcionais em que tenham que fazer alguma deslocação, o façam recorrendo, sempre que possível, ao uso da bicicleta”.

Outra das sugestões apresentadas à edilidade foi a redução temporária do número de vias na Avenida da Liberdade, Avenida 31 de Janeiro, Avenida Imaculada Conceição, Avenida João XXI, Avenida João Paulo II, Av. Robert Smith e Av. Dr. António Palha. No entender da associação possuem actualmente, menos trânsito (devido à pandemia do Covid-19), mas registam velocidades mais elevadas por parte dos automobilistas. “A supressão de uma via de trânsito em cada uma destas artérias, levará a uma acalmia de tráfego que é desejável e necessária para a segurança de todos”, considera a Braga Ciclável.

As sugestões apresentadas têm como referência as práticas adoptadas por algumas cidades da Dinamarca, Holanda e Reino Unido.

Além dos benefícios do exercício físico, o uso da bicicleta evita que as pessoas viagem em espaços contaminados.

@Correio do Minho 27 de Março de 2020

“Braga Ciclável acusa Câmara de desistir das bicicletas”

“Braga Ciclável acusa Câmara de desistir das bicicletas”


ASSOCIAÇÃO questiona não execução da primeira fase da rede ciclável estruturante da cidade. Câmara Municipal é criticada por desperdiçar fundos comunitários para a mobilidade suave.

“A Câmara Municipal de Braga desistiu de apostar na mobilidade activa, e mais concretamente nas bicicletas”, denunciou ontem a direcção da Associação Braga Ciclável.

Em conferência de impresa para abordar o tema ‘A modalidade em bicicleta em Braga’, aquela associação questionou a não execução de um projecto aprovado pela Câmara Municipal, por unanimidade, em Dezembro de 2017, que previa a construção de uma primeira rede ciclável estruturante com uma extensão de 22 quilómetros. “Não terá sido por problemas financeiros, uma vez que havia um envelope financeiro comunitário destinado a isso”, responde a própria direcção da ‘Braga Ciclável’, que lembra ter sido esta uma proposta eleitoral do actual executivo autárquico.

A primeira fase da rede estruturante, investimento na ordem dos 11 milhões de euros, prevê a criação de pistas cicláveis na Avenida da Liberdade, Avenida 31 de Janeiro, em toda a Rodovia e na ciclovia de Lamaçães.

O plano de actividades da Câmara Municipal para 2019 estima 1, 8 milhões de euros apenas para a regeneração desta última ciclovia, que será aumentada em 800 metros até ao ‘campus’ universitário de Gualtar.

Sobre a “regeneração da ciclovia de Lamaçães”, a ‘Braga Ciclável’ defende revisões do projecto, nomeadamente no prolongamento à Universidade do Minho, adiantando que “não se pode usar a regeneração de uma via como sendo a grande estratégia e o impulsionador da mobilidade em bicicleta de uma cidade”.

Na tomada de posição de ontem, a associação que tem como fim aumentar as condições para o uso da bicicleta como meio de transporte entende que a Câmara Municipal “desistiu de criar condições para os seus residentes utilizarem a bicicleta como modo de transporte e, em vez disso, voltou a falar e apostar apenas no trânsito automóvel”.

Depois de terem ficado “sem resposta” a um pedido de reunião com o presidente da Câmara Municipal, os dirigentes da ‘Braga Ciclável’ criticam o “aparente desinvestimento” na mobilidade activa, alertando que o mesmo “está em contracorrente com centenas de cidades europeias, que têm reforçado as suas políticas no domínio da mobilidade com bicicleta”.

Dizem não entender também “como se desperdiçam fundos europeus que visam uma melhoria da qualidade de vida dos bracarenses, proporcionando-lhes mais e melhores opções de mobilidade, com todos os benefícios clínicos, ambientais e económicos que daí poderiam advir”.

+mais: A ‘Braga Ciclável’ recorda que o Município de Braga estabeleceu o objectivo de 18 mil utilizadores de bicicleta nas deslocações citadinas em 2025. Actualmente, serão apenas 800 as pessoas que recorrem a este meio de transporte.

@Correio do Minho, 17 de Maio de 2019

As cidades e a bicicleta

As cidades e a bicicleta


Há muitas pessoas que têm a tendência para afirmar que as cidades portuguesas não têm uma cultura da bicicleta. Utilizam esta afirmação, desprendida de verdade, para justificar a falta de investimentos neste modo de transporte. E tanto conseguimos ouvir isto de um cidadão no café, como de técnicos municipais que deviam aprofundar as temáticas antes de, levianamente, proferirem estas afirmações, como mesmo de pessoas com altas responsabilidades nas cidades. E falo de cidades portuguesas de um modo geral. A desinformação e a ignorância são gerais. Chega a ser preocupante a leviandade que se trata um assunto tão sério quanto a forma como as pessoas se decidem deslocar e se quer impingir que todos se deslocam de carro.

E digo que as cidades têm uma cultura da bicicleta, porque se pesquisarmos um bocadinho e se falarmos com as pessoas mais velhas encontramos ainda traços de uma cultura que já foi forte. Aliás, não nos devemos esquecer que a Bicicleta surgiu 100 anos antes do carro.
Falando agora especificamente de Braga, temos pessoas que toda a vida trabalharam em bicicletas, em tempos produziram bicicletas em Braga, e entretanto passaram apenas para a manutenção de bicicletas. Há pessoas que nos dizem que na Rua D.Pedro V, nos anos 50, havia apenas 3 ou 4 carros, muitas bicicletas e muitas motorizadas. Há registos da presença de um velódromo na Ponte de São João, entrega de gelados de bicicleta (ainda hoje há, e de pizza, e de outros recados) e sempre teve lojas de alugueres e reparação de bicicletas.

Braga terá, de acordo com os estudos de 2011 e 2013, cerca de 200 utilizadores da bicicleta como modo de transporte e 800 utilizadores da bicicleta de um modo geral. Estes números hoje serão diferentes, certamente maiores, mas ainda assim não temos um boom na utilização da bicicleta. E nem vamos ter um aumento significativo, a não ser que tenhamos uma rede ciclável segura, segregada e conectada na cidade de Braga. Continuaremos a esperar, ansiosamente, pelos 22 km de ciclovias na zona urbana e pelos 76 km de vias cicláveis para podermos ser muitos mais pessoas de bicicleta e muitas menos de carro individual para deslocações urbanas.

Braga, cidade Feliz

Braga, cidade Feliz


No dia 21 de Setembro de 2015, inserido na Semana Europeia da Mobilidade, o Correio do Minho publicou um suplemento dedicado à Mobilidade Sustentável.

Para além de um conjunto de artigos sobre mobilidade, sobre o uso da bicicleta como meio de transporte e sobre temas ligados a deslocações pedonais e em bicicleta, no mesmo suplemento consta uma entrevista ao Presidente da Câmara Municipal de Braga, Dr. Ricardo Rio, onde se destacam as seguintes afirmações:

“Braga, no centro da cidade, acaba por ter condições para potenciar um crescimento muito significativo da utilização da bicicleta como meio de transporte. Aspiramos a que até 2025 sejam dez mil os bracarenses que utilizem diariamente a bicicleta como meio de transporte preferencial. Vamos investir na criação de novas ciclovias, nomeadamente em contexto urbano.(…)”

“a criação de novos postos de estacionamento para bicicletas. Braga tinha apenas sete e agora passamos para 22.”

(mais…)