Pedalar na cidade de Braga

Pedalar na cidade de Braga


Há pouco menos de uma década, por ocasião da fundação do então blog Braga Ciclável, publiquei um breve artigo que, apesar da sua simplicidade, faria despertar muitas vozes até então pouco ouvidas. Semente de uma consciência coletiva que aguardava a oportunidade certa para germinar, florir e dar fruto. Mas, infelizmente, muito pouco mudou entretanto, e praticamente nada se constrói nesta cidade a pensar em quem se desloca de bicicleta no dia-a-dia.

Fui reler esse artigo, num momento de tristeza, depois de ter recebido, há dias, a notícia de mais um atropelamento grave na cidade de Braga. Mais um atropelamento! Um de muitos, naquelas estatísticas de todos os anos. Números que de nada valem, se deles nada procede.

Mas todos conhecemos alguém que já foi atropelado nas ruas de Braga, às vezes mesmo ao nosso lado, não é mesmo? Pode ter sido um amigo, um familiar, um vizinho… ou até mesmo alguns de nós. E amanhã pode ser a pessoa que mais estimamos neste mundo. Isto tem de mudar!
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Os lobos em Yellowstone e a Mobilidade Sustentável

Os lobos em Yellowstone e a Mobilidade Sustentável


Comemoraram-se, no início deste ano, 25 anos que os lobos foram reintroduzidos no Parque Nacional de Yellowstone nos E.U.A. Na altura, quem estava contra a medida argumentava, que a reintrodução dos lobos iria ser dispendiosa, implicar riscos para a população e iria ter impactos económicos importantes pelos danos que causaria na pastorícia. Reconhece-se hoje que a presença dos lobos matou alguns alces e afastou-os das grandes áreas de pastagem. Isso permitiu que nesses locais crescessem árvores cujos rebentos antes eram anteriormente comidos pelos alces. As árvores trouxerem aves e também castores, que com as suas “barragens” deram habitats para peixes. A isto juntou-se um aumento de visitantes anuais no Parque. (mais…)

Braga Ciclável aguarda concretização da Ciclovia no Fojo

Braga Ciclável aguarda concretização da Ciclovia no Fojo


A Braga Ciclável aplaude o recente anúncio que noticia a criação de uma ciclovia na variante do Fojo, que originará no estreitamento das 4 vias automóveis para que, na faixa de rodagem, surjam as ciclovias unidirecionais com “balizadores ou tatus”.

A intervenção na variante do Fojo, numa artéria que introduz todo o fluxo de tráfego vindo da zona da Póvoa de Lanhoso e Gerês na cidade de Braga, requererá uma grande mestria técnica na gestão do trânsito dado que haverá uma redução da largura das vias.

A Associação aguardará a sua implementação com especial atenção, já que outros projetos, nomeadamente a anunciada “humanização da rodovia” em Janeiro de 2018, aprovada previamente em reunião de câmara em 2017, nunca viu a luz do dia e foi mesmo recentemente afastada pelo Presidente da Câmara, que a considerou criadora de condicionantes à fluidez do trânsito, em tempos de pandemia.

No entanto, a Associação é da opinião de que estes dois projetos não poderão ser implementados separadamente, já que se encontram no seguimento um do outro e poderão contribuir para a resolução do problema da fluidez de tráfego e velocidade excessiva que caracterizam aquelas artérias. É necessário adotar uma perspetiva geral de eficácia de rede e não apenas introduzir alterações centralizadas em pequenos focos problemáticos.

Para se chegar ao centro da cidade de uma forma direta e segura, utilizando a bicicleta na futura ciclovia da Variante do Fojo, terá então que haver intervenção na Rodovia. O acesso de bicicleta ao centro tem de ser uma prioridade, já que é aí que os cidadãos precisam de se deslocar todos os dias para trabalhar, aceder a serviços ou estudar. É necessário pensar o acesso de bicicleta num todo, quer seja para entrar, sair ou circular na cidade.

Recordamos ainda que a resolução do atravessamento da Júlio Fragata está também por cumprir, já que a Rua Nova de Santa Cruz ou a Via Pedonal e Ciclável do Rio Este não representam uma alternativa viável na ligação ao centro da cidade e às várias escolas que se localizam no perímetro da Rodovia.

A estratégia para promoção da utilização da bicicleta deve reger-se pela transformação das infraestruturas, garantindo que estas oferecem segurança às crianças e adultos que aí circulam. Sem uma rede ciclável segura, o medo em utilizar a bicicleta na cidade permanecerá. Não basta estreitar vias e esperar a coexistência. Nas grandes Avenidas de Braga a promoção do uso da bicicleta passará pela coragem em implementar a segregação das vias.

Recordando o projeto “BragaZeroAtropelamentos” da Braga Ciclável, que sinaliza os pontos com mais acidentes na cidade como sendo as Avenidas que compõem a Rodovia, a Rotunda das Piscinas, a Avenida Padre Júlio Fragata, o Largo da Estação e a Avenida D. João II, consideramos que as intervenções se devem concentrar numa primeira fase na zona central da cidade, para depois crescerem para a periferia, garantindo que no centro há segurança total para as deslocações casa-escola e casa-trabalho.

Portanto, louvamos a intenção do Município em intervir na Variante do Fojo, criando espaço para os ciclistas, mas não podemos considerá-la como a mais urgente e necessária para a criação de condições ótimas de segurança para a circulação em bicicleta de crianças e adultos. Precisamos sim de uma rede estratégica que permita aos habitantes utilizar diariamente a bicicleta nos seus percursos e não de mais uma ciclovia dedicada ao lazer.

Uma viagem até ao mundo das bicicletas

Uma viagem até ao mundo das bicicletas


Olá, eu sou a Sandra tenho 24 anos e sou Engenheira Informática e, portanto, tenho pela frente uma vida propícia a muita movimentação, atividade física e energia. Só que não!

Comecei a trabalhar há cerca de dois anos no Porto e, como tal, o uso de transportes públicos e o uso do carro faziam parte do meu dia-a-dia. Todos os dias fazia a viagem Braga-Porto, Porto-Braga. Eram duas horas do meu dia despendidas a andar de autocarro, que somadas às oito horas de trabalho me tiravam qualquer energia existente para praticar qualquer tipo de exercício físico.

Enquanto isso, via as pessoas à minha volta a começarem o dia a caminhar, a correr e a deslocarem-se de bicicleta para o trabalho. Também eu queria fazer parte deste grupo de pessoas.

Quando surgiu a oportunidade de me mudar para Braga uma das coisas que tive em conta na minha decisão foi a possibilidade de poder transformar a aborrecida viagem casa-trabalho em algo agradável.

Tinha já em mente mil e um planos, mas como qualquer grande parte das boas intenções que temos não passa disso mesmo…uma boa intenção. Optei pelo caminho mais fácil: deslocar-me de carro e a mudança de uma hora para oito minutos de viagem parecia fantástica e até me dava a ilusão de ganhar tempo para fazer o tão necessário exercício. Isto até me deparar com o tão desagradável trânsito da Universidade. Aí já não eram 8 minutos, mas sim tempos infinitos no pára-arranca que me deixavam frustrada e maldisposta.

Com a chegada dos dias de sol todo o propósito da mudança da vida sedentária voltou a ganhar força, de tal forma que reparei numa alternativa mesmo em frente dos meus olhos: tinha perto de mim e ao meu dispor uma ciclovia que ligava a Universidade ao Polo de Negócios, o meu atual local de trabalho. Era a altura certa para a mudança!

Juntei o gosto que sempre tive por andar de bicicleta ao encorajamento, que o meu namorado e amigos me davam, para tirar o pó à bicicleta que estava parada em casa e a trazer até as ruas da cidade de Braga.

Fiz a minha primeira viagem a medo, não vou mentir. O trânsito infernal, a velocidade a que os carros circulam na zona das rotundas da Universidade e do INL, aliadas à falta de respeito que os condutores tinham e têm para com os ciclistas assustavam-me. Ainda hoje me sinto insegura até chegar à zona em que realmente existe a ciclovia, mas a verdade é que sinto que isso é um mal menor comparado com a energia e boa disposição que a bicicleta repôs nas minhas manhãs e finais de tarde. A vontade de pedalar deu lugar ao cansaço e stress que acabam por ficar pelo caminho.

Deixei o carro, poupei no combustível, passei a contribuir para o bem do planeta e, sem perceber, cumpri o desejo de voltar a introduzir o exercício físico e, desse modo, melhorar a minha qualidade de vida.

Braga Ciclável reuniu com os candidatos do PEV, na Lista da CDU, pelo círculo de Braga

Braga Ciclável reuniu com os candidatos do PEV, na Lista da CDU, pelo círculo de Braga

No dia 29 de Julho de 2019, pelas 19H00, a Associação Braga Ciclável, reuniu com os candidatos do Partido Ecologista Os Verdes, na lista da CDU pelo circulo de Braga, Fernando Sá e Filipe Gomes, no Parque da Ponte, em Braga. A representar a associação estiveram Mário Meireles, Victor Domingos e Arnaldo Pires.
A pedido do Partido Ecologista os Verdes foi agendada esta reunião para se debater quais as medidas que se deverão tomar para fomentar mobilidade ativa e, sobretudo, o que muito há a fazer para melhorar a segurança dos utilizadores de bicicletas e peões.
Filipe Gomes iniciou  a reunião destacando as preocupações do partido a nível ambiental e de mobilidade sustentável, apontou ao longo da reunião vários projetos que foram, e outros que ainda, estão em desenvolvimento pelo partido.
Victor Domingos realizou uma resenha histórica do que foi o início da Braga Ciclável e como esta evoluiu ao longos dos últimos ano. Apontou as dificuldades mais debatidas pelos utilizadores de bicicletas, nomeadamente a falta de segurança para as crianças andarem de bicicleta na cidade, nomeadamente se deslocarem para a escola.
Foram debatidos os pontos mais preocupantes da cidade, em termos de segurança rodoviária, e o que se pode vir a desenvolver para dinamizar a mobilidade ativa, segura, e mais sustentável na cidade de Braga.
Debateu-se ainda que o estacionamento direcionado para as bicicletas é insuficiente, e em alguns, casos desajustado. Foi sugerida pela Braga Ciclável a implementação de bicicletários em todas as escolas do concelho, como medida para estimular a mobilidade ativa e autónoma das crianças.
 
Outros temas abordados foram as metas de descarbonização, a mobilidade ativa e a sustentabilidade ambiental, e o impacto positivo sobre a qualidade de vida dos habitantes, com benefícios para a saúde, economia pessoal e ambiente. A Braga Ciclável sugeriu a implementação de controlo trimestral da qualidade do ar, a nível nacional, com debates regulares sobre as medidas a implementar, para a sua melhoria constante.
Pedalar de Braga ao mar da Póvoa e mais além!

Pedalar de Braga ao mar da Póvoa e mais além!


A ecovia do rio Este deixa muito a desejar aos ciclistas. Além dos múltiplos conflitos com os peões – é uma via partilhada -, tem uns míseros 4 km de extensão o que a pedalar se faz em poucos minutos. E não é desinteressante apenas para os ciclistas adultos. Mesmo uma criança de 8 anos rapidamente se aborrece de ali pedalar. Em poucas viagens o passeio vira “seca”. Até porque é uma ecovia muito pouco estimulante: além da envolvente ser desinteressante, estabelece uma ligação entre dois não-lugares, começando no passeio da rodovia para o Bom Jesus e terminando, abruptamente, na estrada em Ponte Pedrinha. Soa demasiado a projeto sem rumo – pelo menos na vertente ciclável – e pouco mudou desde a inauguração em 2013.

E se não temos ciclovias para recreio, também não as temos para circulação na cidade pois, como temos vindo aqui a dizer, os 70km de vias prometidas não saíram do papel. Estranhamente não é difícil em países mais a norte – e até nas ex-repúblicas soviéticas – encontrarmos ciclovias com tramos de mais de 100km de extensão que servem várias cidades.

Uma boa resposta ao problema é gerar rede, interligando o pouco que vai existindo em Portugal e que resulta quase sempre da reconversão de antigas vias férreas. Assim, para os bracarenses a ciclovia mais perto com dimensão aceitável (30km) é a da antiga linha da Póvoa a Famalicão. De momento a solução é levarmos as bicicletas no comboio urbano até à Estação de Famalicão e de lá descobrirmos o início da tão mal sinalizada e conectada ciclovia. Algo que o Município de Famalicão devia urgentemente corrigir, até para a ligar ao excelente Parque da Devesa (a 1200m).

Mas Braga e Famalicão deviam pensar mais além! Aproveitando o vale do Rio Este podem estabelecer uma ligação fácil entre as duas ciclovias (assinalada na planta a pontilhado), ficando a cargo de cada município 10km. Em grande parte nem faria falta construir uma via de raiz. Poder-se-iam aproveitar os caminhos rurais já existentes próximos do rio, conectando-os e sinalizando-os. Esta ciclovia teria também a vantagem de ligar à Bosch, ao parque industrial de Celeirós, à estação de Nine, além de nos levar a Rates, à Póvoa, a Vila do Conde ou à Apúlia. E, claro, de igual forma, aproximando esses locais do centro de Braga. Quando pudermos ir ver o mar à Póvoa a pedalar em segurança então, sim, teremos algo a que poderemos chamar uma ecovia ciclável!

Que falta fazia uma ciclovia a subir e outra a descer na 31 de janeiro?

Que falta fazia uma ciclovia a subir e outra a descer na 31 de janeiro?


Raros são os dias que não vejo uma publicação nas redes sociais sobre o termo “bicicleta”, no entanto continua a ser uma tarefa complicada utilizar a mesma para nos deslocarmos diariamente quando não temos uma faixa específica para circular: utilizar os passeios é desagradável, pois estamos a ocupar um espaço que é destinado aos peões, utilizar a faixa de rodagem – ainda que seja obrigatório – poderá ser deveras perigoso, principalmente quando nos deparamos com automobilistas com falta de sensibilidade e respeito. Pior ainda quando se junta o factor chuva. Aí o cenário rodoviário desta cidade chega a estar separado por uma linha muito ténue daquilo que é um cenário caótico.

Para quem vive aqui há alguns anos e utiliza o carro recorrentemente consegue confirmar que este problema se tem agravado ao longo dos tempos, consequência de um progresso significativo que esta metrópole tem sofrido. É, então, necessário pensar em estratégias de circulação mais sustentáveis que permitam o crescimento da cidade.
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Câmara Municipal de Braga exclui ciclovias do Orçamento Participativo

Câmara Municipal de Braga exclui ciclovias do Orçamento Participativo


A Câmara Municipal de Braga publicou há dias o resultado da avaliação das propostas apresentadas à edição deste ano do Orçamento Participativo. Das 73 propostas submetidas pelos cidadãos, apenas 34 foram aceites. Surpreendentemente, este ano foram excluídas pela equipa técnica da Câmara todas as propostas que iam no sentido de criação de ciclovias ou outras infraestruturas com vista à melhoria das condições de segurança para quem queira usar a bicicleta como meio de transporte.

A Associação Braga Ciclável tem conhecimento de que houve, este ano, pelo menos 4 cidadãos que submeteram propostas com vista à melhoria das condições de segurança para quem se desloque de bicicleta nesta cidade:

OP19/PROP0007 – Adaptação de Ponte Pedonal

Esta proposta visa a adaptação da ponte pedonal que liga a Rua Dom Pedro V à Rua Nova de Santa Cruz. No panorama actual desta via de ligação importantíssima para a circulação de milhares de pessoas todos os dias já não corresponde de forma eficaz a todos os seus utilizadores quer sejam eles jovens universitários, trabalhadores ou idosos e pessoas com mobilidade reduzida.

A proposta em si seria adaptar os acessos ao viaduto de forma a reduzir o desnível (inclinação) como também as curvas apertadas entre patamares de acesso ao mesmo. Este acesso feito em linha recta seria uma melhor opção quer para peões como tornaria o acesso ao viaduto ciclável unindo assim as duas vias cicláveis actualmente  bloqueadas pela maior “cicatriz” que a cidade de Braga atravessando uma das artérias de maior tráfego. Esta alteração facilitaria ainda o acesso ao equipamento por idosos e pessoas com mobilidade reduzida e invisuais unindo duas margens densamente povoadas e aproximando escolas e serviços evitando deslocações de automóvel. Um desafio da maior importância para a qualidade de vida na cidade pois grande parte dos riscos de saúde podem ser diminuídos pela alteração dos hábitos.

Depois das cidades terem levado cinquenta anos a adaptar-se ao automóvel, o novo desafio é que se readaptem e consigam viver sem ele. O novo paradigma da mobilidade deve assentar na sustentabilidade.

OP19/PROP0025 – Via urbana ciclável

A proposta visa a criação de dois trajectos cicláveis, na mancha urbana da cidade. A intenção é a promoção da mobilidade e acessibilidade dentro da cidade, com a interligação do centro histórico à central de camionagem, estação de comboios e Universidade do Minho.

Este projecto visa apenas a criação de trajectos, sob marcação do pavimento atual, não necessitando de obras de requalificação ou instalação de equipamentos.

Seria definido uma via que ligava a estação de comboios à Universidade do Minho, uma segunda linha que unia a central de camionagem à ciclovia já existente, na zona da ponte de São João. A união da zona histórica a três grandes pólos da cidade, permitem a redução do transito automóvel, promove a saúde física dos seus utilizadores, melhora a qualidade do ar na cidade e permite uma circulação em 2 rodas segura e de baixo custo.

OP19/PROP0027 – Pistas cicláveis nas Avenidas 31 de Janeiro e Porfírio da Silva

A cidade de Braga apresenta-se como muito adequada para promover a bicicleta como modo de transporte, mas, para tal acontecer, é necessário criar condições de segurança para todas as pessoas que queiram usar a bicicleta. As questões de segurança são especialmente sensíveis para que as pessoas possam circular de bicicleta na cidade com todo o conforto e segurança. A resolução dos pontos críticos, como cruzamentos e rotundas, é também fundamental para a promoção do uso da bicicleta como meio de transporte.

As avenidas 31 de janeiro e Porfírio da Silva constituem um eixo estrutural da cidade com ligações a diversos equipamentos (centros de saúde, ciclovia do rio Este, escolas, tribunal, centro da cidade, Segurança Social, mercados, talhos, entre outros). Este projeto sugere a criação de pistas cicláveis nesse eixo (com pavimentação e criação de via adequada) e nas ligações dessas avenidas às escolas instaladas na zona (Alberto Sampaio, Carandá, Companhia da Música, André Soares, D.ª Maria II, São Lázaro, Carlos Amarante, São Vítor, Calouste Gulbenkian) na faixa de rodagem, sem prejuízo do espaço do peão.

OP19/PROP0028 – Ciclovias na Avenida da Liberdade

A Avenida da Liberdade é um dos eixos estruturantes da cidade de Braga. Outrora fundamental para a expansão da cidade, é agora um dos principais eixos do comércio de rua da cidade e das movimentações na cidade. Esta Avenida, desenhada com passeios amplos, tem uma oferta excessiva de vias dedicadas aos automóveis. Entre a Rua 25 de Abril e até à Rotunda da Ponte de São João a avenida deve passar a ter o mesmo perfil rodoviário recorrendo a pouca intervenção física. Pintar duas ciclovias unidirecionais (uma de cada lado e na faixa da rodagem), segregando a mesma com recurso a balizadores ou armadillos é fundamental, ligando a zona central à Ponte num dos eixos estruturantes para promover a mobilidade em bicicleta em Braga.

Pode ser equacionada ainda a pintura de duas vias BUS (uma em cada sentido). A existência de veículos estacionados em 2ª e 3ª fila, reduzindo as vias de trânsito de circulação para duas, demonstram que há uma oferta demasiado grande de corredores de circulação automóvel. Os estacionamentos de automóveis existentes devem ser substituídos por parklets onde são introduzidas as esplanadas e/ou lugares de estacionamento para bicicletas.

Nenhuma destas propostas foi aceite pelos serviços da Câmara Municipal de Braga.

A proposta OP19/PROP0007 – Adaptação de Ponte Pedonal não foi aceite porque, de acordo com o Município, “a proposta não é exequível dado que não se enquadra na lei das acessibilidades”.

As propostas OP19/PROP0025 – Via urbana ciclável, OP19/PROP0027 – Pistas cicláveis nas Avenidas 31 de Janeiro e Porfírio da Silva e OP19/PROP0028 – Ciclovias na Avenida da Liberdade foram todas elas recusadas com os mesmos argumentos: ultrapassam o montante máximo de 85 mil euros e já estão previstas para execução pelo Município.

Seriam excelentes notícias, se as obras estivessem efetivamente em fase de execução ou de concurso público, o que, infelizmente, parece não ser o caso.

A Braga Ciclável sabe que os cidadãos que submeteram estas quatro propostas já apresentaram as suas reclamações, conforme previsto no regulamento, para que as mesmas sejam sujeitas a reapreciação. Assim que for tornada pública a lista definitiva das propostas que vão a votação, tencionamos como habitualmente apresentar e analisar no nosso blog aquelas que incidem sobre a melhoria de condições para o uso da bicicleta como meio de transporte.

Projetos não saem do papel, mas impedem propostas de ir a votos

Em relação à proposta OP19/PROP0027 – Pistas cicláveis nas Avenidas 31 de Janeiro e Porfírio da Silva, que já conhecemos de anos anteriores, os serviços do OP da CMB indicam este ano, como acima explicamos, que não pode ser aceite, por supostamente exceder o valor de 85 mil euros (o limite máximo aceite para cada proposta vencedora do OP, ou seja, um montante igual ao disponibilizado nos anos anteriores) e, adicionalmente, por essa proposta já estar prevista para execução pelo município. É uma decisão surpreendente, tendo em conta que não é a primeira vez que esta proposta concorre ao Orçamento Participativo.

Ciclovias ou Pistas cicláveis na Avenida 31 de Janeiro (proposta ao Orçamento Participativo de Braga)

Recordamos, a este propósito, que o tema das ciclovias na Avenida 31 de janeiro concorre este ano pela 4ª vez consecutiva. A primeira delas foi há 3 anos, em que a proposta em questão passou à segunda fase, na qual foi a mais votada na área de trânsito, mobilidade e segurança rodoviária. No ano seguinte, a ciclovia da 31 de janeiro conseguiu novamente ir à 2ª fase de votação, sendo não apenas a proposta mais votada nessa área de intervenção, mas superando em mais 30% o número de votos alcançado no ano anterior.

No ano passado, quando já se esperava que o projeto começasse a conquistar ainda mais adeptos, os serviços da Câmara rejeitaram duas propostas de ciclovia para a 31 de janeiro, afirmando que já se encontrava previsto para execução pelo município. De facto, no ano passado a Câmara Municipal de Braga impediu que fossem a votação todas as propostas cujo sumário mencionava a criação ou extensão de vias cicláveis, com a justificação de que tais projetos já estariam em curso. Para além da Av. 31 de Janeiro e Av. Porfírio da Silva, segundo o relatório da análise das propostas, também já estaria em curso uma extensão da ciclovia do Rio Este até Ferreiros. Os participantes no Orçamento Participativo não puderam, portanto, votar em nenhuma dessas propostas.

Mas era por um bom motivo, porque isso significava que em 2018 teríamos finalmente a tão esperada via ciclável numa das avenidas mais procuradas por quem se desloca de bicicleta cá em Braga, e ainda uma nova extensão da ciclovia do Rio Este até Ferreiros. Até ao momento, contudo, ao fim de mais de um ano, as obras ainda não começaram, os tais projetos nunca foram a concurso público e nunca foram apresentados publicamente aos cidadãos em geral e, em particular, aos milhares de participantes no orçamento Participativo. E, uma vez que o horizonte temporal para cabimentação orçamental e execução dos projetos do Orçamento Participativo é de um ano, que sentido fará bloquear sucessivamente a participação dos cidadãos por causa de projetos camarários que, mesmo que já existam, ainda não são do conhecimento público e que, quem sabe, podem até vir a passar mais alguns anos na gaveta?

Não havendo obra realizada nos locais em questão, nem qualquer informação concreta publicada pela CMB relativamente aos tais projetos, isto levanta portanto sérias dúvidas sobre a transparência e seriedade do próprio Orçamento Participativo. É que este ano, as vias cicláveis na 31 de janeiro foram novamente excluídas antes de poderem ir sequer a votação, mas desta vez com um reforço da argumentação. Se nos três anos anteriores o montante máximo não era um problema, este ano, por algum motivo que aparentemente nada tem que ver com alterações à proposta, parece que o montante é excedido. O relatório publicado no site do Orçamento Participativo não explica de que forma é feito o cálculo, nem em que medida este ano os custos para a execução da mesma são considerados significativamente superiores, nem até que ponto a opção por diversos materiais ou técnicas de construção poderia permitir ou não a concretização desta proposta sem ultrapassar o plafond proposto.

De referir, contudo, que ainda é uma decisão provisória e sujeita a nova apreciação antes da apresentação da lista final, que deverá ser publicada até dia 1 de outubro, data em que começa a 1ª fase de votação. Pode ser que, no final de contas, tenhamos uma surpresa positiva e possamos votar nalguma(s) destas propostas.

Regeneração da Ciclovia de Lamaçães – Análise e Reflexão

Regeneração da Ciclovia de Lamaçães – Análise e Reflexão


No dia 23 de julho de 2018, foi aprovado em reunião de executivo um projeto de arquitetura e especialidades intitulado “Inserção da Rede Pedonal e Ciclável do Centro Urbano de Braga – Variante da Encosta – Lamaçães”. O projeto avançará agora para a fase de concurso público com vista à adjudicação de obra.

Da má construção à falta de manutenção: uma ciclovia perigosa

A chamada ciclovia de Lamaçães foi, desde o seu início, alvo de críticas à forma como foi construída. Entre os problemas que foram sendo identificados e denunciados, podemos apontar, por exemplo, a não aplicação de técnicas urbanísticas que levassem o trânsito motorizado a circular a velocidades adequadas para aquela área, a ciclovia perigosamente posicionada “nas traseiras” dos carros estacionados, o lancil elevado e afiado do lado da ciclovia, a falta de proteção da ciclovia nas intersecções ovais e circulares e a falta de conetividade desta ciclovia, isolada ali no vale de Lamaçães e sem fazer a esperada e necessária ligação aos principais destinos de interesse… E mais recentemente, a degradação do piso e a criação de interrupções sem o devido tratamento para acesso a novos edifícios que foram surgindo. São algumas das numerosas críticas que vinham sendo apontadas ao longo dos últimos 10 anos. Sim, 10 anos à espera de obras naquela espécie de ciclovia.

Projetos e estudos que tardam em avançar para o terreno

De acordo com anúncio publicado pelo Município de Braga no dia 22 de janeiro de 2018, o Projeto de Execução de Inserção Urbana da Rede Ciclável do Centro de Braga prevê “entre 2018 e 2020 a execução de 20,44 km de rede ciclável” na Avenida da Liberdade, Avenida 31 de Janeiro, no conjunto das avenidas que formam a chamada “Rodovia”, bem como na Variante da Encosta. Assim, segundo o Município, seria criada uma primeira rede ciclável que permitiria a um maior número de pessoas optar pela bicicleta como meio de transporte.

Esta rede, desde que efetuada respeitando os critérios funcionais, é condição necessária para o crescimento do modo ciclável como meio de transporte. Sem uma infraestrutura adequada, Braga não dará o salto qualitativo que lhe falta para conseguir atrair mais pessoas para o uso da bicicleta. A cidade ficou 6 meses à espera da “discussão pública” destes projetos, que havia sido anunciada para fevereiro de 2018.

Poderia tentar desculpar-se o facto de as obras não avançarem com a suposta falta de fundos ou de financiamento. Mas para além de ter sido anunciada no dia 15 de setembro de 2018 o financiamento por parte do Governo de um programa, através do Fundo Ambiental, para a construção de ciclovias e vias cicláveis municipais (30 milhões de euros para 21 ) e intermunicipais, convém lembrar que uma alteração à rede viária que venha aumentar a segurança de peões e ciclistas, dando prioridade aos transportes públicos e, consequentemente, reduzindo o número de veículos automóveis, leva a uma redução não só da sinistralidade, mas também da poluição. Estes fatores levam por sua vez a melhorias na saúde da população e potenciam a economia local. Portanto, o retorno do investimento é garantido, pelo que haverá, certamente, cabimentação orçamental para prosseguir com as obras necessárias na infraestrutura. Só tem que haver vontade política, por parte do executivo, para cumprir o seu programa eleitoral (a “Implementação da rede estruturante Pedonal e Ciclável e da Inserção Urbana de Transporte Público” era o ponto 8 do capítulo “Um novo modelo de desenvolvimento Urbano” do programa eleitoral de Ricardo Rio).

“Projeto de Inserção da Rede Pedonal e Ciclável do Centro Urbano de Braga – Variante da Encosta – Lamaçães”

De ressalvar que a Braga Ciclável não teve acesso a este projeto, nem foi auscultada na fase de conceção do mesmo, apesar de ter pedido formalmente para aceder ao mesmo e analisá-lo.

E antes de entrar em detalhes convém dar nota que, de acordo com o noticiado, os 2,8 milhões previstos para o projeto não são apenas para a ciclovia propriamente dita, mas também para a requalificação das rotundas – quer das bolachas centrais, quer dos triângulos nos acessos – que acarreta mais custos.

Ao contrário do que afirma a memória descritiva (disponível nos documentos da reunião de câmara do dia 23 de julho), a Variante da Encosta não é uma das vias mais importantes do centro de Braga, nem esta intervenção permitirá criar uma rede pedonal e ciclável. Uma intervenção mais ampla, que abranja todas as avenidas indicadas, talvez permita criar a rede necessária. Contudo, uma intervenção limitada a uma rua ou avenida isolada, ainda que a venha a prolongar até à universidade, não produz efeito de rede.

É verdade que a extensão prevista neste projeto poderia permitir não só ligar a ciclovia de Lamaçães à Via Pedonal e Ciclável do Rio Este – uma infraestrutura claramente de lazer – e ficar a umas centenas de metros da “ciclovia” da Rua Nova de Santa Cruz, mas, uma vez mais, também isto é insuficiente para criar efeito de rede.

Ficamos, em vez disso, com uma espécie de “tridente” enfraquecido, sem lança e com um dos dentes partidos, sem ligação às principais zonas residenciais, às escolas, ao centro da cidade, às interfaces de transportes públicos e aos principais pontos de interesse para a mobilidade do dia-a-dia. Portanto, esta requalificação e extensão da ciclovia de Lamaçães não permite criar rede, mas apenas mitigar alguns dos problemas de longa data, algo que que a Braga Ciclável tem vindo a defender como necessário. Necessário, mas não suficiente.

No projeto agora aprovado, é positivo o melhoramento de todas as intersecções giratórias ao longo da ciclovia de Lamaçães, com a retificação do seu desenho. Estas intersecções deixarão de ter forma oval, passando a ser circulares, e deverão adicionalmente oferecer alguma proteção a quem circule na ciclovia.

A par disso, é também de destacar positivamente a remoção dos atuais lancis amarelos e a colocação da ciclovia ao nível da via de trânsito (evitando assim os conflitos com peões até agora habituais), ficando protegida por tatus ou armadillos, semelhantes aos já existentes na Rua Nova de Santa Cruz.

De 15 passagens para peões (passadeiras) e 13 passagens para velocípedes, entre a rotunda da Estrada Via Falperra e a Avenida dos Lusíadas (avenida de acesso ao Bom Jesus), passaremos a ter 17 passagens para peões (das quais apenas 4 são ao nível do passeio) e 14 passagens para velocípedes (apenas 1 de nível). As passagens elevadas, sendo bem construídas, são uma ferramenta eficaz de moderação de velocidade para o trânsito motorizado, oferecendo maior visibilidade e proteção a peões e ciclistas. Tendo em conta que este projeto prevê, e bem, que a ciclovia fique ao nível da faixa de rodagem, mas apenas separada desta por pequenas estruturas de borracha muito fáceis de transpor, torna-se crucial garantir que todos os condutores praticam velocidades seguras para todos e circulam com a devida atenção junto à ciclovia e à aproximação dessas passagens.

A este propósito, não podemos deixar de notar que praticamente todas as rotundas possuem duas vias nas suas saídas para avenidas com duas vias por sentido (com exceção da rotunda do Hotel de Lamaçães em que a saída para o lado da Avenida dos Lusíadas passa a ter, e bem, apenas uma só saída). Uma vez que o estreitamento da faixa de rodagem é uma medida eficaz de acalmia de tráfego que se traduz em mais segurança para os peões e ciclistas que estejam a efetuar o atravessamento (e tal como já aqui demonstramos juridicamente, é ilegal saírem duas viaturas a par de uma rotunda), continua a não se entender que um projeto desta envergadura não contemple esse melhoramento em todas as rotundas.

Em cerca de 6 km de intervenção, está previsto serem colocados 40 bicicletários distribuídos por 8 localizações diferentes. Nenhum deles repõe o estacionamento recentemente retirado da Rua Nova de Santa Cruz e, muitos dos locais que já deviam, há muito tempo, estar servidos por estacionamentos para bicicletas ainda não estão previstos. Parece-nos muito pouco!

A extensão da ciclovia de Lamaçães até ao Campus de Gualtar da Universidade do Minho é de louvar, no entanto o projeto apresentado deixa-nos muitas reservas.

Em primeiro lugar, pela má solução que prevê para a Avenida dos Lusíadas. A ciclovia efetua um gancho à esquerda atravessando a via de trânsito, sem contar sequer com a sobreelevação da passagem de peões e de velocípedes, nem com uma ilha de resguardo. Uma viragem tão brusca da ciclovia depois de uma reta para automóveis aumenta substancialmente o risco de acidentes graves uma vez que não é possível estabelecer contacto visual entre ciclistas e automobilistas. Era aconselhável que este atravessamento fosse sobreelevado, por forma a garantir o abrandamento dos veículos motorizados à aproximação desse local. Idealmente, a ciclovia descendente deveria ser feita do lado do sentido do trânsito, contemplando a criação de um atravessamento para velocípedes na Avenida dos Lusíadas, junto ao entroncamento com a Avenida D. João II.

O projeto deixa-nos ainda muitas reservas pelo facto de optar por uma ciclovia bidirecional naquele trecho da Avenida dos Lusíadas. Esta opção implicará o abate de 5 árvores. E sabemos que em geral as ciclovias bidirecionais aumentam o risco de acidentes em cerca de 13 vezes, pelo que são de evitar. Neste caso concreto, deveria haver unidirecionalidade de cada lado da Avenida dos Lusíadas, e com atravessamento em pelo menos 3 sítios: Avenida D. João II, Via Pedonal e Ciclável do Rio Este e na rotunda.

Não se entende porque haverá atravessamento em todos os braços da rotunda do McDonalds exceto no braço da Avenida dos Lusíadas. Mantém-se também o problema das saídas com duas vias de trânsito automóvel, que aumentam o risco para peões e ciclistas. Se esta tiver sido uma imposição das IP – Infraestruturas de Portugal (uma vez que foi noticiado terem existido alterações por imposição das IP), não se entende a não existência de uma contraposição por parte do Município ou um pedido de transferência deste troço para o Município.

A ligação entre a rotunda do McDonalds e a rotunda da Universidade do Minho vai, a nosso ver, contra todos os critérios funcionais.

  • A começar pelo da “legibilidade” que nos diz, no PDM, que “os percursos devem ter ligações claras e diretas, através das ruas que facilitam uma rede legível dos percursos que as pessoas seguem”.
  • Assim como o da “conveniência”, que nos diz que “os percursos devem ser facilmente acessíveis, contínuos e dispor de cruzamentos diretos, convenientes e úteis. O planeamento das ruas e a criação de percursos que permitam o cruzamento prático e direto de barreiras físicas provocadas pelo ambiente natural ou construído, e outros modos de transporte”.
  • E ainda o da “Continuidade” que nos diz que “para alcançar um alto nível de conveniência, os percursos devem evitar a necessidade de parar e reiniciar a marcha (especialmente para os ciclistas). Onde estão os obstáculos, tais como cruzamentos, as paragens devem ser minimizadas”.

Nem parece que este troço faz parte de uma requalificação que pretende corrigir erros antigos na ciclovia de Lamaçães, uma vez que vem introduzir outros erros graves.

A Braga Ciclável, associação pela mobilidade urbana em bicicleta, teve contacto com este projeto visualmente na consulta pública que decorreu no dia 25 de agosto de 2017 na sede de União de Freguesias de Nogueiró e Tenões.

No sentido de melhor analisar e poder contribuir para o projeto enviamos um email, no dia 24 de agosto de 2017, por forma a solicitar acesso ao projeto em formato digital e pedindo ainda a indicação de um contacto para questões adicionais e envio de sugestões.

No dia 25 de agosto de 2017 foi-nos respondido, pelo email do Munícipe, que o nosso email havia sido remetido para o Eng. Miguel Mesquita, responsável deste projeto.

Até à data de hoje não recebemos nenhuma resposta ao nosso pedido, nem nos foi indicado nenhum email ou telefone para contactarmos e sugerirmos algumas melhorias ao projeto.

Ainda assim, e com o que pudemos ver na apresentação que o Presidente da Junta efetuou, deixamos aqui, publicamente, as nossas sugestões. Um ano depois verificamos que relativamente ao projeto inicial nada do que dissemos foi tido em conta, tendo sido completamente ignorados pelos decisores.

Este projeto, recordamos, vai ao encontro daquele que era o ponto 4 do programa eleitoral do atual executivo (“Intervenção e requalificação da ciclovia de Lamaçães, reforçando o seu uso e as condições que oferece, fazendo a ligação direta à Universidade do Minho”), mas não podemos deixar de lembrar que fica ainda por cumprir o ponto 8, acima referido, bem mais importante numa ótica de promoção do uso da bicicleta.

Até porque para alcançar os 10% de utilizadores da bicicleta, objetivos previstos no PDM em vigor para 2025 (e que continuará no novo PDM, segundo noticia veiculada na comunicação social), é necessário que exista uma infraestrutura adequada atempadamente.

É necessário que exista uma rede ciclável em que, forçosamente, terá que existir uma componente de infraestrutura segregada – as principais avenidas de Braga, para funcionarem como a parte estruturante de uma rede ciclável, têm, obrigatoriamente, que possuir segregação. É a única forma de garantir a segurança e o conforto necessários para atrair pessoas para este modo.

Com esta requalificação, passará a haver cerca de 9 km de percursos cicláveis em Braga, mas não existe efeito de rede e ainda não é possível atravessar a cidade de um lado ao outro sem correr graves riscos, que não existiriam com uma rede ciclável adequada. Para se alcançar os 76km da rede ciclável prevista no PDM, falta construir 67km de vias cicláveis. Para termos em 2023 (233 semanas) toda a rede construída, será necessário construir cerca de 300 metros de via ciclável por semana, de forma ininterrupta, e começar já na próxima semana.

O efeito de rede é essencial para o bom funcionamento da mobilidade em bicicleta, e os eixos estruturantes da rede ciclável funcionam como as principais artérias do nosso corpo. Sem elas de pouco servem as capilaridades.