Braga Ciclável reuniu com concelhia da CDU

Braga Ciclável reuniu com concelhia da CDU


Na sequência do recente lançamento do Movimento Cívico #BragaZeroAtropelamentos e das diversas reuniões que vem realizando nesse âmbito, a associação Braga Ciclável reuniu esta segunda-feira, dia 3 de junho, com representantes da concelhia de Braga da Coligação Democrática Unitária (CDU). O encontro serviu para apresentar o movimento #BragaZeroAtropelamentos e também para discutir diversos assuntos relacionados com a mobilidade pedonal e em bicicleta.

Na reunião estiveram presentes o vereador Carlos Almeida e o deputado da assembleia municipal Marcos Couto, da CDU, e Arnaldo Pires, Sara da Costa e Victor Domingos, da associação Braga Ciclável. O vice-presidente da Braga Ciclável, Victor Domingos, começou por traçar uma retrospetiva acerca da história, dos objetivos e do trabalho desenvolvido pela associação.

Por sua vez, Arnaldo Pires explanou as razões que motivaram a constituição do Movimento Cívico #BragaZeroAtropelamentos, de entre as quais se destaca o elevado número de atropelamentos no concelho que, ao longo dos últimos anos, têm causado a morte graves a dezenas de pessoas, entre outros danos. Dando o exemplo de Pontevedra, que em poucos anos conseguiu implementar medidas concretas que levaram a uma redução drástica no número e gravidade dos atropelamentos, explicou a importância de reduzir as velocidades de circulação em meio urbano e de criar infraestruturas, incluindo vias segregadas, que permitam que as deslocações a pé ou de bicicleta sejam feitas em segurança. Assinalou também a importância de garantir que todos os cruzamentos e passadeiras têm condições de visibilidade adequadas, o que em alguns casos não acontece no presente, seja pela presença de veículos estacionados, seja por causa de contentores de recolha de lixo mal posicionados.

Braga Zero Atropelamentos - reunião com CDU

Carlos Almeida exprimiu a sua consonância com os objetivos deste movimento cívico promovido pela Braga Ciclável, destacando a importância crucial do desenho urbano para a segurança de todos os utentes da via pública. Recordou, a este respeito, o antigo vereador do trânsito, Eng. Casais Baptista, que já há décadas tentara implementar na cidade de Braga uma rede de parques de estacionamento periféricos articulados com os transportes públicos, no sentido de favorecer a mobilidade intermodal e reduzir o número de veículos motorizados em circulação no interior da cidade.

O vereador da CDU referiu ainda que seria bom criar zonas sem carros nas imediações das escolas e jardins de infância, bem como garantir uma mais eficaz fiscalização do estacionamento nas paragens de transportes públicos, por forma a aumentar a segurança das crianças. Carlos Almeida mostrou-se disponível para dar voz à Visão Zero e trazer estes temas para a ordem do dia, no contexto das suas intervenções a nível municipal.

A Braga Ciclável pretende reunir proximamente com todas as forças políticas do município, bem como com diversas outras instituições, no sentido de unir esforços para acabar com os atropelamentos. A Visão Zero (isto é, o fim dos atropelamentos) é um objetivo que algumas cidades europeias já abraçaram, e a Braga Ciclável defende que Braga deve seguir esse exemplo e ambicionar uma cidade sem atropelamentos, porque todas as vidas contam.

E se o parque de estacionamento da Câmara deixasse de fazer falta?

E se o parque de estacionamento da Câmara deixasse de fazer falta?


Há dias um vereador anunciou a disponibilização para teste de uma bicicleta elétrica aos trabalhadores municipais. A iniciativa é muito interessante mas com a configuração atual é muito pouco eficaz. Basta fazermos as contas: se o empréstimo a cada trabalhador for pelo período de uma semana, sabendo que há mais de 2500 trabalhadores, demoraremos 5 décadas a contemplar todos!

É pena que mais uma medida de promoção do uso da bicicleta seja implementada de forma tão tímida. Faz infelizmente lembrar a disponibilização de estacionamentos temporários pelo centro da cidade através da colocação de vedações amovíveis. Tinha um bom propósito mas, além de inconsequente, foi mal executada ao ponto de a descredibilizar.

Numa cidade atulhada de veículos poluentes e com décadas de atraso nas políticas de mobilidade, numa altura em que começamos a sofrer seriamente os efeitos das alterações climáticas, são necessárias medidas mais energéticas, consistentes e em crescendo. O que está em causa, não tenhamos dúvidas, é a qualidade de vida que vamos deixar aos nossos filhos e aos deles. Não se trata de eliminar os carros, mas de reduzir o seu uso ao francamente indispensável.

As bicicletas elétricas são uma extraordinária oportunidade de reduzirmos a poluição sem grande esforço. Quem nunca utilizou uma, recomendo que experimente. De imediato vai perceber as inúmeras vantagens de combinar a versatilidade da bicicleta com um pequeno motor na roda que reduz substancialmente o esforço a pedalar. E, até distâncias de 5Km, qualquer bicicleta é o transporte que nos leva mais rápido de um ponto a outro.

Mas disponibilizar bicicleta(s), por si só, não vai resolver o problema. É preciso implementar diversas outras medidas simultâneas, seja promovendo o uso da bicicleta, seja dando incentivos claros aos trabalhadores que a utilizem, penalizando os que optam sem razão pelo carro. Ao mesmo tempo, os políticos têm de ser os primeiros dar o exemplo. Muitos dos atuais eleitos, assessores e gestores municipais vivem a menos de 5Km. Têm todas as condições para se deslocarem de bicicleta para o trabalho. Nem que para já fosse apenas às sextas-feiras, como se faz noutras cidades.

Assim, a meta da Câmara poderia ser a de reduzir todos os seus parques de estacionamento para metade, eliminando um lugar por cada trabalhador que passe a deslocar-se de bicicleta.


(Artigo originalmente publicado na edição de 24/06/2017 do Diário do Minho)

Braga Ciclável reuniu com CDU

Braga Ciclável reuniu com CDU


A Associação Braga Ciclável reuniu este sábado, dia 3 de junho, com o candidato da CDU às próximas eleições autárquicas, Carlos Almeida, para apresentação de uma proposta relacionada com a mobilidade urbana sustentável para Braga. Trata-se da segunda de uma série de reuniões que a Braga Ciclável pretende realizar, com cada uma das forças políticas que concorrem este ano para a eleição do próximo executivo municipal.

A associação esteve representada por Mário Meireles e Marta Sofia Silva (membros da Direção), e Luís Tarroso Gomes (membro do Conselho Fiscal), que entregaram pessoalmente ao candidato Carlos Almeida e à sua equipa um breve dossiê com algumas medidas de promoção da utilização da bicicleta e de melhoria da segurança para todos os utentes da via pública. Os utilizadores da bicicleta esperam assim que estas e outras medidas venham a ser incluídas no programa eleitoral deste ano.

As medidas propostas são diversas e vão desde a implementação dos 80 km de rede ciclável, já anteriormente prometidos pela CMB, até à colocação de bicicletários, a sobreelevação de todas as passadeiras para proteção dos peões, a criação de um sistema de bicicletas partilhadas, o aumento da frota de bicicletas das forças policiais da cidade, a implementação de programas municipais de incentivo do uso da bicicleta, entre outras.

Uma vez que o dossiê não havia sido entregue previamente, esperamos ainda receber uma resposta oficial da candidatura da CDU após a sua análise da proposta agora apresentada.

Entretanto, estão ainda a ser agendadas as reuniões com os candidatos da coligação PSD/CDS/PPM, bem como do PS.

Rua Nova de Santa Cruz

À margem deste tema foi ainda discutida a obra em execução na Rua Nova de Santa Cruz, local escolhido pela CDU para reunir com a Braga Ciclável. Relativamente a este assunto a Braga Ciclável mantém a opinião de que uma via ciclável segregada, neste caso, é uma armadilha e um erro técnico, uma vez que a obra que está a ser executada não pretende ter volumes e velocidades de tráfego automóvel que justifique essa segregação. Para além disso não existe, claramente, espaço físico para tal. Para além disso foi dito, na apresentação pública, que toda a rua, desde a rotunda da UM até perto da Fábrica Confiança, seria à mesma cota. Tal não se está a verificar. A Braga Ciclável mostra-se assim apreensiva e preocupada com a solução que está a ser implementada nesta rua.

Carlos Almeida, candidato da CDU ao Município de Braga, deu nota da sua preocupação com a execução desta obra que claramente não irá resolver os problemas de constrangimento causados ao transporte público pelo transporte individual, possivelmente irá agravar este problema, porque não é possível os autocarros se cruzarem naquilo que estamos a ver a ser implementado. Para além disso neste momento estamos a ver os automóveis a apoderarem-se do espaço destinado a paragens de autocarro, zonas de circulação de bicicletas e passeios, impedindo inclusive a circulação de pessoas no mesmo. Deixou ainda nota da preocupação sobre a solução encontrada para a bicicleta, que não lhe parece a correta.