Terá Braga a perspicácia, a vontade e a coragem para arriscar?

Terá Braga a perspicácia, a vontade e a coragem para arriscar?


Neste momento tão atípico e difícil que o mundo atravessa, algumas cidades identificaram já uma oportunidade para impulsionar o uso da bicicleta como forma de minimização do contágio (exemplos como Bogotá, Berlim, cidade do México, Budapeste, Pamplona, Milão, Barcelona, Dublin, entre outras).

A Organização Mundial de Saúde sugere que “sempre que possível, pondere andar a pé ou de bicicleta. Conseguirá manter a distância física enquanto cumpre a atividade física mínima recomendável, que hoje é mais difícil devido ao aumento do teletrabalho e à diminuição de alternativas para a prática desportiva”, permitindo, assim, o devido distanciamento físico e todos os cuidados essenciais às deslocações estritamente necessárias.

É certo que esta pandemia terá efeitos sobre o nosso estilo de vida e sobre a forma como nos deslocamos. O uso dos transportes coletivos reduzirá inevitavelmente, com vista a evitar aglomerados. Encontramos aqui uma oportunidade, um ponto de viragem para o incentivo ao uso de outros tipos de locomoção que sejam mais seguros e sustentáveis, mas, para tal, precisamos também de criar cidades onde todos circulem em segurança, independentemente do modo de transporte que utilizem.

Esta pandemia ajudou-nos a perceber ainda mais a importância de modos de transporte como a bicicleta. Temos aqui a oportunidade para priorizar esses mesmos modos e as cidades responderem a este desafio que estamos a viver, readaptando infraestruturas, repensando os espaços e a forma como estes são usados. Criar ciclovias protegidas e aumentar o espaço pedonal, por redução do espaço do automóvel nas atuais ruas e avenidas da cidade, deverá ser o primeiro passo desta transformação.

Há momentos que não podem ser apenas de passagem, e este é definitivamente um deles, um ponto de viragem, uma oportunidade para tornar Braga uma cidade vibrante, uma cidade das pessoas. Todas as crises e pandemias na história da humanidade levaram a grandes mudanças. Foram momentos de repensar e fazer diferente. Se, por um lado, este é um momento negro na nossa história, é também uma oportunidade. Terá Braga a perspicácia, a vontade e a coragem para arriscar?

Obras colocam em perigo utilizadores da ciclovia de Lamaçães

Obras colocam em perigo utilizadores da ciclovia de Lamaçães


Quando há uma obra na via pública é muitas vezes necessário criarem-se desvios ou simplesmente sinalizar temporariamente novas vias de circulação. Este procedimento surge não só para obras na via pública, mas também para obras de novas construções que levem à ocupação da via pública, muitas vezes para a criação do espaço necessário para estaleiro de obra e/ou para espaço de colocação de grua. O normal, nestas situações, é que se criem percursos alternativos para os diversos modos de transporte.

Por vezes é necessário suprimir lugares de estacionamento automóvel para que se mantenham os dois sentidos de trânsito e, ao mesmo tempo, criam-se duas passadeiras temporárias. Um destes exemplos em Braga é a obra em execução na Rua Gabriel Pereira de Castro.

Noutras alturas é necessário alterar, temporariamente, a paragem de transporte público, suprimir lugares de estacionamento e criar passadeiras temporárias, como aconteceu com a obra na Pousada da Juventude.

Há outros casos que a supressão da via pública se limita ao passeio, e aí é muitas vezes criada uma passagem que substitui o passeio, como aconteceu já na Rua dos Chãos ou na Rua de São Sebastião ou até mesmo na Avenida da Liberdade.

Ora se assim é nestas situações, porquê que quando nos deparamos com a ocupação da via pública a ser feita em passeio e ciclovia, não se cria uma alternativa para a ciclovia?

É assim que acontece em Amesterdão, em Berlim, ou em qualquer cidade que tenha a bicicleta em conta como parte da solução para a mobilidade, que a veja de uma forma séria e que, acima de tudo, tenha uma estratégia e um plano para a promoção da mobilidade em bicicleta, para além de um plano de mobilidade urbana sustentável!

Em Lamaçães hoje deparamo-nos com uma ocupação de via pública, fruto de uma obra que está a arrancar, que suprime o passeio e a ciclovia, mas que apenas cria alternativa para o passeio. Isto leva a que as pessoas que ali circulam de bicicleta tenham que se desviar deste obstáculo sem qualquer sinalização ou percurso temporário definido, ficando assim ainda mais em risco a sua segurança!

Os desvios temporários de trânsito, seja ele em que modo de transporte for, têm como principal objetivo garantir a segurança dos utilizadores dos modos de transporte desviado. Neste caso os utilizadores daquela ciclovia não têm a sua segurança garantida!

Isto é mais uma demonstração da falta de cuidado, de valorização da utilização da bicicleta e de dar garantias de segurança para aqueles que utilizam a bicicleta em Braga, por parte do Município que tem o papel de autorizar, fiscalizar e planear estas situações.