Braga Ciclável reuniu com Junta de Freguesia de Gualtar

Braga Ciclável reuniu com Junta de Freguesia de Gualtar


No passado dia 18 de novembro a Braga Ciclável, representada por Mário Meireles e por Arnaldo Pires, reuniu na sede da Junta de Freguesia Gualtar com o Presidente da Junta, João Vieira.

Esta reunião, que surge na sequência de um projeto da associação de reunir com todas as freguesias da cidade, começou com a Braga Ciclável a dar a conhecer a sua fundação e formalização. Deu-se também a conhecer os vários projetos que a associação tem vindo a desenvolver, nomeadamente os diversos passeios levados a cabo durante o ano, o Cycle Chic, as cicloficinas, as aulas de iniciação à bicicleta, as propostas apresentadas a empresas privadas para a instalação de bicicletários, a criação de um mapa com os percursos mais utilizados e os pontos de procura de estacionamento, as tomadas de posição junto do Município, o trabalho de colaboração efetuado com o Município quer no período do Eng. Mesquita Machado, quer no primeiro mandato do Dr. Ricardo Rio e a atenção que damos aos projetos desenvolvidos pelo Município.

Foram discutidas algumas situações mais macro, de ligações interurbanas e de possíveis soluções para alguns pontos da cidade, mostrando-se também que há uma necessidade de melhoria das placas de sinalização na saída das autoestradas e ainda da necessidade de se criarem ligações ferroviárias entre Braga – Vila Verde e Braga e as cidades do Quadrilátero, para se poder reduzir a pressão automóvel sobre a centralidade, que Braga é. Quando João Vieira defendia a supressão da central de camionagem do local atual para a deslocar para a Estação da CP, Mário Meireles defendeu que a mesma se deve manter no mesmo local para não correr o risco de matar toda a sua envolente e as ligações ao centro, como aconteceu com o Hospital, defendendo que poderia sim ser equacionada uma estação final junta da Estação CP que servisse como zona de estacionamento dos autocarros interurbanos, mas que a Estação Central de Camionagem deve continuar a funcionar como ponto de paragem, para alimentar todo o centro e toda a sua envolvente.

Foi discutida a nível da cidade a necessidade de implementar um projeto estruturante, como é aquele que está aprovado em reunião de executivo e que contempla a Rodovia e as Avenidas da Liberdade e 31 de Janeiro, bem como a requalificação da Ciclovia de Lamaçães, pois seria esse o caminho para reverter o atual paradigma em que o carro é o preferido nas deslocações diárias. Apesar de algumas questões técnicas, que o Presidente das Junta considera que deveriam ser repensadas, e talvez até mais discutidas e explanadas, este considera que a cidade precisa de ajustar a sua infraestrutura para acolher as pessoas que pretendam utilizar a bicicleta, mas, sobretudo, para dar prioridade ao Transporte Público. João Vieira considerou ainda que o eixo estação da CP – Centro da Cidade – D.Pedro V – Rua Nova de Santa Cruz – UM – Estrada Velha de Gualtar é um eixo fundamental para a mobilidade sustentável.

O Presidente da Junta de Gualtar lamentou a falta de delegação de competências que sente, e que o deixa de pés e mãos atados, no que respeita a intervenções que podiam melhorar a mobilidade. Apesar de ser uma freguesia claramente urbana, inserida na cidade, com uma grande centralidade junto da Farmácia onde diariamente se assistem a acidentes, é uma junta que continua à espera de intervenções simples como pintar as passadeiras.

Relativamente à freguesia, o presidente da junta explicou que para a estrada nacional 103, conhecida como estrada velha, está prevista uma requalificação total, numa obra que será planeada pelo Município de Braga. Disse que soube desta realidade depois de ter requerido ao Município a criação de uma rotunda na zona da farmácia de Gualtar, ponto negro da freguesia. Aproveitou para pedir que o projeto contemplasse passeios, que hoje não existem nesta via, pistas cicláveis, vias dedicadas aos autocarros e vias para automóveis que garantam uma circulação a uma velocidade adequada àquela rua. Deu nota que poderá haver um constrangimento de espaço entre os semáforos da Universidade e o antigo Mariano. Mário Meireles disse que via com bons olhos essa solução, que permitiria ligar a zona do Novainho, onde está previsto um hub, à Universidade do Minho, dando às pessoas a segurança necessária para escolherem, em consciência e sem o obstáculo da falta de segurança, o modo de transporte mais adequado à sua viagem. Disse ainda que essa intervenção potenciaria a deslocação de estudantes a residirem para zonas como a Encosta do Sol, passando assim a ter mais alternativas. O Presidente da Junta disse ainda que esta solução poderia ser benéfica para a economia local.

Mário Meireles lembrou que foi atropelado nessa recta e que, tal como ele, muitas outras pessoas foram já atropeladas na freguesia, especialmente a pé. O presidente da junta corroborou esse facto, mostrando-se preocupado com a falta de manutenção das vias e a falta de pintura das passadeiras. Criticou ainda o facto do Município se recusar a comprar uma máquina de pintar a quente, que tem um custo baixo e garante uma duração muito maior da tinta, dando exemplos de casos em que com as pinturas atuais do município, ao fim de algumas manobras e travagens de veículos, desapareceram.

Abordou-se ainda a problemática do terreno em frente ao Campus de Gualtar, que tem a estrada nacional 103 a separar o Campus desse mesmo terreno. Defendeu-se que não se pode perder essa ligação que garante capilaridade à cidade e que liga o centro de Gualtar ao centro histórico. Cortar a nacional 103 seria, para Mário Meireles, matar a freguesia e por em causa a segurança e a acessibilidade de todos, pois a única escapatória passaria a ser a Variante do Fojo, o que é impensável. O Presidente da Junta disse que aquela ligação nunca poderia ser perdida, podendo-se equacionar uma ligação em tunel daquilo que é atualmente a nacional 103 nessa zona.

Mário Meireles disse prontamente que a era dos túneis e viadutos acabou e que em toda a Europa já há muito se começaram a destruir os existentes.

Arnaldo Pires considera que se continua a focar muito no automóvel e a esquecer as pessoas e soluções que têm como foco as pessoas defendendo que a solução não pode ser a criação de tuneis ou viadutos, uma vez que isso está mais do que provado que não é solução e apenas aumenta o problema. É necessário criar melhores condições nas ruas da freguesia, melhorar as passadeiras, sobreelevando-as, iluminando-as e garantindo a sua boa manutenção. Para este dirigente é inconcebível que numa freguesia como Gualtar continue a ser difícil andar a pé, porque os passeios ou não existem, ou são pequenos ou têm barreiras que impedem uma fluidez pedonal e desconvidam as pessoas a não andarem a pé.

Ao mesmo tempo Arnaldo Pires defende que se olhe para a freguesia e se pense de que forma é que garantimos que os nossos filhos podem ir a pé, de bicicleta ou até mesmo de autocarro para as suas atividades e de que forma é que garantimos que não há atropelamentos na freguesia. Destacou ainda que a lei das acessibilidades não foi implementada na freguesia o que é lamentável. Isto porque, na ótica de Arnaldo Pires, os atropelamentos não acontecem só aos outros, hoje foi uma pessoa, amanhã poderá ser um presidente ou um ex-presidente de junta.

O Presidente da Junta disse que nunca escondeu ser automobilista, mas considera que as ruas da cidade têm que mudar para garantir a segurança de todos.

Os dirigentes da associação deixaram ainda bem claro que sabem que numa cidade há sempre 30% da população que nunca deixará de andar de carro, mas que há pelo menos 55% da população que equacionaria uma mudança nas suas viagens se as condições fossem favoráveis para essa mudança. Apontaram que o problema é que em Braga as condições convidam todos a andar de carro, repugnando e tratando mal quem não o faz.

Ficou ainda a hipótese, por parte do Presidente da Junta, de ligar o Hospital, as Sete Fontes, o Cemitério de Gualtar e a Bela Vista através de uma ecovia, promovendo também a vertente desportiva e de lazer da bicicleta.

A Braga Ciclável deixou as portas abertas para parcerias e colaborações em projetos que promovam o uso da bicicleta como modo de transporte na freguesia de Gualtar.

Braga Ciclável reuniu com a Plataforma dos Amigos da Freguesia de São Vicente

Braga Ciclável reuniu com a Plataforma dos Amigos da Freguesia de São Vicente


No passado dia 3 de agosto, pelas 10h00, a associação Braga Ciclável reuniu com a Plataforma dos Amigos da Freguesia de São Vicente na rotunda de Infias, seguindo-se uma pequena volta pela freguesia que culminou na Praça da Galiza, junto da Estação Central de Camionagem.

A representar a Plataforma dos Amigos de São Vicente esteve José Macedo e a representar a associação Braga Ciclável esteve Mário Meireles e Arnaldo Pires.

Esta reunião, que decorreu na sequência de um pedido da Plataforma, teve como propósito a identificação de necessidades e melhorias da freguesia de São Vicente ao nível da mobilidade em bicicleta.

Ao longo da conversa foram abordados vários temas relacionados com a mobilidade em geral e com a bicicleta em particular. A reunião decorreu no pelourinho existente na rotunda de Infias que, apesar da falta de acessibilidade ao mesmo, há uma utilização daquele espaço central pelas pessoas. Um espaço que é fresco e que poderia ter uma fruição maior pela população, da freguesia e da cidade. No entanto, o problema do congestionamento da rotunda de Infias e o excesso de carros a utilizar o Nó de Infias foram alertas deixados pela Braga Ciclável.

Os representantes da associação disseram mesmo que há a necessidade de semaforizar esta rotunda, por forma a organizar os fluxos e reduzir tempos de percurso. Ao mesmo tempo falaram da necessidade de melhoria do piso daquela rotunda, que está muito gasto e que em dias húmidos ou com chuva se nota a dificuldade, e muitas vezes impossibilidade de circular, por parte dos veículos pesados, e que ao mesmo tempo é bastante desconfortável na utilização da bicicleta.


imagens gentilmente cedidas pela Faro a Pedalar

O surgimento de inúmeros lugares pintados de vermelho com o símbolo de trotinetes e bicicletas, mas sem qualquer infraestrutura de apoio, foi também alvo de conversa. Sem se saber exatamente o que são, não deixou de haver alguma perplexidade por em tão pouco tempo se conseguir implementar lugares que parecem ser para operadores de partilha de trotinetes, numa solução semelhante à existente em Faro, mas que ao fim de 3 anos os lugares de estacionamento para bicicletas, que venceram os orçamentos participativos da junta de freguesia de São Victor e da União de Freguesia de São João do Souto e São José de São Lázaro e que iam servir toda a população, continuarem por executar.

A par disso sugeriu-se que se trabalhe no sentido de melhorar as condições para utilizar a bicicleta em São Vicente. Medidas de rápida implementação e baixo custo como o encerramento da rua Dr. Domingos Soares acesso ao Sá de Miranda), permitindo acesso a moradores com garagem, ambulâncias e bicicletas, ou a colocação de bicicletários em pontos estratégicos, a sobreelevação de várias passadeiras na freguesia fora a zona do projeto BUILD, ou mesmo a melhoria do pavimento para a utilização da bicicleta em diversos pontos da freguesia são medidas que poderão ser trabalhadas e executadas rapidamente.

Através da pequena volta efetuada pela freguesia foi possível também a José Macedo perceber que a utilização da bicicleta pode ser útil para determinadas deslocações, em especial no acesso ao nosso centro histórico. Ligações da Estação Central de Camionagem ao Centro da cidade, ligar de forma segura as zonas residenciais às escolas, são aspectos fundamentais para que os pais possam deixar os filhos pedalar no dia a dia e assim retirar pressão automóvel destes pontos que estão diariamente congestionados.

Arnaldo Pires reforçou ainda que os ganhos para a saúde, quer pela deslocação ativa, quer pela redução da poluição sonora e ambiental, quer pela redução das partículas inaladas (PM), são factores de saúde importantes, mas que ao mesmo tempo têm ganhos económicos para a pessoa em questão, mas também para a economia local e nacional.

Braga Ciclável intervém na Assembleia Municipal de Braga para reivindicar zero atropelamentos

Braga Ciclável intervém na Assembleia Municipal de Braga para reivindicar zero atropelamentos


Esta sexta-feira, dia 19 de julho, a Braga Ciclável, representada pelo médico Arnaldo Pires, participou no período do público da Assembleia Municipal para alertar para o problema da segurança de peões e ciclistas e reivindicar a necessidade urgente de implementar medidas efetivas com vista à eliminação dos atropelamentos em Braga.

O texto lido durante a intervenção foi o seguinte:

Excelentíssima Sra Presidente da Assembleia Municipal
Sr Presidente da Câmara
Srs Vereadores municipais
Srs Deputados municipais

O que me traz cá hoje são os atropelamentos no nosso concelho!

Num concelho que apresenta cerca de um atropelamento em cada 3 dias, relembramos Sebastião Alba, poeta bracarense, que morreu após ser vítima de atropelamento, em 2000, uma das muitas vítimas de atropelamentos que se conhecem no concelho.

O movimento #BragaZeroAtropelamentos tem alertado para esta problemática, destacando que muito há a fazer, para que este número se aproxime do ZERO. O movimento, criado no seio da Associação Braga Ciclável, já reuniu com as diversas forças políticas e de segurança, do concelho, no sentido de cativar os diversos agentes do poder, para que se implementem alterações na mobilidade, de forma a reduzir a nossa sinistralidade rodoviária.

Segundo a OMS, a nível da sinistralidade rodoviária, mais de metade das mortes dizem respeito a utilizadores vulneráveis. A média europeia, em 2015, era de 11 peões vítimas mortais por milhão de habitantes, e em Portugal de 14. Ou seja, estamos quase 30% acima da média europeia, num indicador onde o objetivo tem de ser Zero. Em Braga, nos últimos 20 anos, desenrolaram-se 2391 atropelamentos, e se acrescentarmos as colisões entre veículos ligeiros e utilizadores de bicicletas o número sobe para 2657 casos, de onde resultaram 55 mortos.

Em 1997, na Suécia, decidiu-se que era fundamental resolver a problemática da sinistralidade e desenvolveram o projeto Visão Zero. Com o foco na redução da mortalidade, os suecos implementaram medidas de segregação, dos intervenientes na mobilidade urbana, tendo obtido uma redução de 66% de mortes por acidentes rodoviários. Neste momento, a Suécia apresenta 2,8 mortes por cada 100.000 habitantes e Portugal 5.1.

Entretanto outros países seguiram esta visão e atingiram semelhantes benefícios, na sinistralidade.

Um aumento de 1% da velocidade automóvel aumenta o risco de acidentes fatais em 4%. Já uma redução de 5% da velocidade reduz em 30% o risco de acidentes fatais. É necessário implementar medidas de contenção da velocidade, no centro urbano. Em 2018, 70% dos Atropelamentos, em Portugal, ocorreram dentro de localidades.

A implementação de zona urbana com velocidade máxima de 30Km/h, é urgente, contudo não basta colocar sinaléticas e pintar o asfalto, é preciso introduzir nas vias de circulação automóvel obstáculos físicos que obriguem ao cumprimento do limite de velocidade.

No nosso concelho descura-se o peão e os utilizadores de bicicleta, seja pelo ruído, pela poluição, ou pela perigosidade de determinadas vias.

Sou médico e trabalho no Serviço de Urgência, Unidade de Cuidados Intermédios e VMER de Braga. Já assisti imensos atropelados. Conheço bem a realidade da cidade, no que toca a esta problemática.

É hora de:

  • averiguar os “pontos negros para os utilizadores vulneráveis” e aplicar ações com vista ao seu desaparecimento;
  • estimular a efetiva redução da velocidade automóvel, na malha urbana;
  • proceder à correta sinalização das vias de coexistência, sobrelevar as passadeiras e a proibir o estacionamento automóvel, ou colocação de outros obstáculos, 5 metros antes e depois das mesmas;
  • realizar operações permanentes de fiscalização da velocidade, nas ruas e avenidas da cidade, como sejam as avenidas que compõem a Rodovia, Avenida da Liberdade, 31 de Janeiro, Júlio Fragata, D. João II e Avenida Imaculada Conceição;
  • garantir a defesa dos utilizadores vulneráveis, levando a que criem campanhas que coloquem o ónus e o foco no veículo e não na vítima; criar Zonas Escola, garantir a existência de passeios, em todas as vias públicas e a segregação de todos os intervenientes na mobilidade, nos casos em que esta é necessária.

Só com uma visão mais humanista e democrática da mobilidade, teremos garantias de promoção da mobilidade ativa e segura, o acesso a estilos de vida saudáveis e diminuição da mortalidade.

É hora desta assembleia decidir mudar a visão da mobilidade do nosso concelho, colocando a vida humana em primeiro lugar, no momento de encontrar a melhor solução para a deslocação das pessoas.

Obrigado.

Braga Ciclável reuniu com PSD

Braga Ciclável reuniu com PSD


Na sequência do recente lançamento do Movimento Cívico #BragaZeroAtropelamentos e das diversas reuniões que vem realizando nesse âmbito, a associação Braga Ciclável reuniu esta segunda-feira, dia 15 de julho, com a concelhia de Braga do Partido Social Democrata (PSD). O encontro serviu para apresentar o movimento #BragaZeroAtropelamentos e também para discutir diversos assuntos relacionados com a mobilidade pedonal e em bicicleta.

Na reunião estiveram presentes Hugo Soares, João Granja e Joaquim Barbosa, do PSD, e Arnaldo Pires, Mário Meireles, Victor Domingos, Manuela Sá Fernandes e Rafael Remondes, da associação Braga Ciclável. O presidente da Braga Ciclável, Mário Meireles, começou por traçar uma retrospetiva acerca da história, dos objetivos e do trabalho desenvolvido pela associação, referindo alguns dos seus projetos, iniciativas e reivindicações mais marcantes. Deu ainda nota do longo historial de estreita colaboração com o Município de Braga, tanto com o executivo PS como com o executivo da Coligação Juntos Por Braga.

Por sua vez, Arnaldo Pires explanou as razões que motivaram a constituição do Movimento Cívico #BragaZeroAtropelamentos, com um grupo multidiciplinar a dar suporte ao movimento que tem como ponto comum a falta de segurança ao circular a pé ou de bicicleta em Braga. Isso é comprovado com o elevado número de atropelamentos no concelho que, ao longo dos últimos anos, têm causado a morte a dezenas de pessoas, entre outros danos. Destacou, por isso, a necessidade de “focar a mobilidade nas pessoas, tornando-a mais humana e menos máquina, levando assim a uma melhoria da qualidade de vida para os Bracarenses que hoje se deparam com 1 atropelamento a cada 3 dias”.

O movimento #BragaZeroAtropelamentos tem como base a iniciativa sueca Visão Zero, que se iniciou na década de 90 do século passado, e que fez com que todo um país conseguisse em poucos anos implementar medidas concretas que levaram a uma redução drástica no número e gravidade dos atropelamentos.

Arnaldo Pires deu ainda o exemplo de outras cidades, como Bogotá ou Pontevedra e explicou que o objetivo deste movimento criado pela Braga Ciclável é levar o Município a implementar medidas que reduzam efetivamente as velocidades de circulação em meio urbano e a criar infraestruturas, incluindo vias segregadas, por forma a permitir que as deslocações a pé ou de bicicleta sejam feitas em segurança, intervindo para tal em eixos estruturantes, mas, também, junto das escolas. Sugeriu ainda que sempre que esteja prevista uma intervenção numa determinada rua da cidade, seja ela de que jurisdição for, o projeto contemple medidas que melhorem as condições para quem pretende deslocar-se a pé ou de bicicleta. Por fim deixou algumas medidas concretas a título de sugestão, como sendo fechar ao trânsito motorizado certas zonas junto das escolas, impedir fisicamente os estacionamentos junto a cruzamentos ou passadeiras, retirar contentores do lixo junto às passadeiras, segregar todos os intervenientes das ruas e intervir nos pontos críticos onde são registados atropelamentos de forma recorrente: Avenida Imaculada Conceição, Avenida João XXI, Rua Cidade do Porto, N101 – Nogueiró, e outros que estão a ser mapeados pelo movimento #BragaZeroAtropelamentos, em conjunto com as forças de segurança da cidade.

Por sua vez, o presidente da Braga Ciclável, Mário Meireles, sugeriu ainda que se reduza o número de vias de circulação na Avenida 31 de Janeiro. “Uma avenida que em 40% da sua extensão já só tem duas vias e funciona, levando inclusive a velocidades mais reduzidas”, lembrou. Recomendou também a alteração da Avenida da Liberdade, que “hoje em dia tem duas das suas cinco vias de trânsito com estacionamento em segunda fila, ou seja, a avenida funciona com 3 vias de trânsito automóvel”, e da Avenida Imaculada Conceição, que desde os “Pelames” até à Avenida da Liberdade apenas tem duas vias de circulação automóvel e também funciona. “Ao reduzir as vias vai-se conseguir reduzir o volume de automóveis e, também, uma redução da velocidade”, refere.

Avenida Imaculada Conceição – desde os “Pelames” até à Avenida da Liberdade apenas tem duas vias de circulação automóvel e funciona.

Mário Meireles reitera que as pessoas em Braga só vão passar a utilizar modos ativos se o puderem fazer em segurança, deixando ainda números sobre a realidade de cidades centradas no automóvel: no máximo, apenas 3% da população pedala em cidades sem infraestrutura segura. Assim, defende que se avance com medidas pontuais e mais rápidas de implementar, com menos custos, e que se vá avaliando o impacto das mesmas. Deixou ainda a nota para que ao se construirem as ciclovias se evite a todo o custo os erros técnicos que cidades como Guimarães e Vila Verde cometeram. “Pintar passeios de vermelho, ou com uns pictogramas, não é construir uma rede ciclável, é potenciar conflitos entre pessoas que andam a pé e de bicicleta, provocando um efeito contrário aos que se pretende, despromovendo assim a utilização destes dois modos”, alerta o presidente da Braga Ciclável.

Hugo Soares afirmou que entendia as reivindicações da Braga Ciclável, agradecendo a apresentação das propostas. Relembrou que quem decide precisa de ter uma visão mais holística que vai mais além do que as bicicletas, sendo que cabe aos eleitos tomar essas decisões, podendo estes ouvir a sociedade civil, e salientou que “esta é também uma imagem de marca deste executivo: envolver as pessoas”. Deu nota que a concelhia do PSD tentaria sensibilizar para a problemática, acreditando que o Plano de Mobilidade que o Município contratou irá solucionar as questões.

João Granja deu nota que foi aprovada por unanimidade, em sede de Assembleia de Freguesia de São Victor, uma proposta levada pela CDU, relativamente à sinistralidade rodoviária e aos atropelamentos, demonstrando assim algo que a Braga Ciclável tem vindo a defender, ou seja, que a mobilidade ativa e a segurança rodoviária é um tema transversal e que pode, e deve, gerar consensos entre todas as forças partidárias e associativas da cidade. Ao mesmo tempo, questionou qual a opinião da Braga Ciclável sobre o projeto da Requalificação da Variante da Encosta. A associação mostrou-se agradada com a requalificação, mas apreensiva com o tipo de implementação previsto para a sua expansão até à Universidade do Minho. João Granja relembrou ainda que a cidade é muito conservadora, dizendo que tem consciência que “ainda somos uma cidade que valoriza muito o automóvel, a individualidade e que ainda há algum status associado à posse do mesmo”. No entanto defendeu que é necessário dar passos sólidos, criar espaços para circulação, haver uma consciencialização das pessoas, campanhas e trabalho integrado para o uso dos modos ativos, numa lógica de progressão em várias frentes.

Rafael Remondes deu conta que a falta de rede é um problema gritante na cidade de Braga e que a requalificação e expansão não vão resolver este problema. Deu como exemplo a falta de ligação entre a Rua D.Pedro V e Rua Nova de Santa Cruz, cada vez mais utilizadas por estudantes universitários que recorrem à bicicleta para se deslocarem nesta rua, bem como a falta de ligação desde o Rio Este até à zona pedonal, frisando que hoje é nesta zona que as pessoas mais se sentem seguras a andar de bicicleta.

Joaquim Barbosa questionou a viabilidade da utilização da bicicleta na cidade de Braga devido à sua orografia e níveis de pluviosidade. Mário Meireles respondeu que em Braga existem 195 dias sem chuva, ao passo que em Utrecht apenas não chove em 130 dias e há gelo em 64 dias. Na vizinha Espanha, em San Sebastian, uma cidade que se assemelha a Braga, há 176 dias sem chuva, há mais pluviosidade total do que em Braga, e há ainda assim mais gente a pedalar do que em Braga. Quanto à orografia, frisou que em Braga 55% da população vive numa zona densa e plana, mais densa do que Amesterdão, e que 73% dessa população faz deslocações dentro da cidade. Deu ainda nota que não se pretendem extremismos ao ponto de ter toda a gente a andar de bicicleta, mas sim que possa haver a hipótese de escolher o modo mais adequando à deslocação, sem que seja necessário correr risco de vida.

Para rematar, Manuela Sá Fernandes disse que espera não ter que aguardar mais 6 anos para ver, efetivamente, alguma mudança. Os representantes do PSD garantiram que não seria o caso.

As reuniões levadas a cabo pela Braga Ciclável foram no sentido de unir esforços para acabar com os atropelamentos. A Visão Zero (isto é, o fim dos atropelamentos) é um objetivo que algumas cidades europeias já abraçaram, e a Braga Ciclável defende que Braga deve seguir esse exemplo e ambicionar uma cidade sem atropelamentos, porque todas as vidas contam.

Braga Ciclável reuniu com GNR

Braga Ciclável reuniu com GNR


Na sequência do recente lançamento do Movimento Cívico #BragaZeroAtropelamentos e das diversas reuniões que vem realizando nesse âmbito, a associação Braga Ciclável reuniu esta sexta-feira, dia 21 de junho, com o Capitão Pinheiro, da Guarda Nacional Republicana. O encontro serviu para apresentar o movimento #BragaZeroAtropelamentos e também para discutir diversos assuntos relacionados com a mobilidade pedonal e em bicicleta.

Na reunião estiveram presentes o Capitão Pinheiro e o Cabo João Mendes do destacamento de trânsito GNR, e Arnaldo Pires e Mário Meireles da associação Braga Ciclável. O presidente da Braga Ciclável, Mário Meireles, traçou uma retrospetiva acerca da história, dos objetivos e do trabalho desenvolvido pela associação, referindo alguns dos seus projetos, iniciativas e reivindicações.

Por sua vez, Arnaldo Pires explanou as razões que motivaram a constituição do Movimento Cívico #BragaZeroAtropelamentos, de entre as quais se destaca o elevado número de atropelamentos no concelho que, ao longo dos últimos anos, têm causado a morte a dezenas de pessoas, entre outros danos.

A GNR mostrou-se disponível para colaborações futuras em tudo o que seja passível de reduzir a sinistralidade rodoviária, deixando a porta aberta para colaborações em ações no terreno e/ou outro tipo de sensibilizações.

Braga Ciclável reuniu com concelhia do BE

Braga Ciclável reuniu com concelhia do BE


Na sequência do recente lançamento do Movimento Cívico #BragaZeroAtropelamentos e das diversas reuniões que vem realizando nesse âmbito, a associação Braga Ciclável reuniu esta segunda-feira, dia 17 de junho, com representantes da concelhia de Braga do BE – Bloco de Esquerda. O encontro serviu para apresentar o movimento #BragaZeroAtropelamentos e também para discutir diversos assuntos relacionados com a mobilidade pedonal e em bicicleta.

Na reunião estiveram presentes Alexandra Vieira, Jorge Vilela, Manuela Airosa e Rui Antunes do BE, e Arnaldo Pires, Mário Meireles e Victor Domingos, Sara da Costa e Rafael Remondes da associação Braga Ciclável. O presidente da Braga Ciclável, Mário Meireles, começou por traçar uma retrospetiva acerca da história, dos objetivos e do trabalho desenvolvido pela associação, referindo alguns dos seus projetos, iniciativas e reivindicações mais marcantes.

Por sua vez, Arnaldo Pires explanou as razões que motivaram a constituição do Movimento Cívico #BragaZeroAtropelamentos, de entre as quais se destaca o elevado número de atropelamentos no concelho que, ao longo dos últimos anos, têm causado a morte a dezenas de pessoas, entre outros danos. Dando o exemplo de Pontevedra, que em poucos anos conseguiu implementar medidas concretas que levaram a uma redução drástica no número e gravidade dos atropelamentos, explicou a importância de reduzir as velocidades de circulação em meio urbano e de criar infraestruturas, incluindo vias segregadas, que permitam que as deslocações a pé ou de bicicleta sejam feitas em segurança. A este respeito, salientou que é fundamental garantir que as imediações das escolas tenham passeios e passadeiras com boas condições e devidamente desimpedidos, e que as velocidades reais de circulação do trânsito motorizado não constituam risco para as crianças e jovens que se desloquem a pé ou de bicicleta. Criar condições para que os alunos possam deslocar-se em segurança pelos seus próprios meios ou em transportes públicos, defendeu Arnaldo Pires, é permitir que eles desenvolvam a sua autonomia pessoal. Ao mesmo tempo, seria uma forma de melhorar significativamente a fluidez do trânsito, já que para muitos pais já não seria necessário levarem diariamente os filhos à escola.

Mário Meireles destacou os exemplos positivos de Sevilha e de cidades outras cidades europeias que também conseguiram, recentemente, dar passos consideráveis no sentido da melhoria de condições para o uso da bicicleta e onde esse uso aumentou exponencialmente, reduzindo o número de automóveis no meio urbano, melhorando os transportes públicos e aumentando a segurança das vias para todos os seus utilizadores.

Relembrou que em Braga na altura em que se abriram as avenidas da Liberdade, Imaculada Conceição e João XXI apenas existiam “meia dúzia de carros em Braga”, citando um lojista que abriu a loja nessa época. E foi essa aposta na infraestrutura automóvel que captou as pessoas para o seu uso. O princípio a ser utilizado para potenciar o uso da bicicleta deve ser o mesmo, criar infraestruturas para que as pessoas passem a utilizar este modo de transporte.

Ainda no que diz respeito aos atropelamentos, Arnaldo Pires, médico de profissão, partilhou um pouco da sua experiência profissional, para concluir que todas as vidas contam e que o objetivo de todos os setores da sociedade tem de ser a Visão Zero, ou seja, reduzir para zero o número de atropelamentos. Algo que, afirma, pode ser alcançado, mas que sobretudo permite traçar uma meta clara. No entender da Braga Ciclável, é importante que sejam analisados os dados referentes aos atropelamentos, no sentido de identificar possíveis pontos negros e conceber intervenções eficazes, que deverão ser avaliadas de forma objetiva. Como exemplo de uma reflexão que consideram necessária, apontam o Nó de Infias, onde circular a pé ou de bicicleta continua a ser perigoso, ou mesmo a Rua Cidade do Porto, Rua do Taxa, Avenida Imaculada Conceição, Avenida João XXI e Rotunda das Piscinas que apresentam números de atropelamentos elevados e que podiam facilmente ser intervencionadas para acalmar o tráfego e serem implementadas medidas, de baixo custo, que beneficiariam a utilização da bicicleta.

É importante, defende Arnaldo Pires, que ao intervencionar esta e outras vias o Município garanta um desenho democrático das vias, isto é, um desenho inclusivo, onde as necessidades de todos os utilizadores, incluindo pessoas que andam a pé e de bicicleta, sejam devidamente acauteladas. Sugeriu que se criem zonas de coexistência, zonas escolas – com limitação de entrada do automóvel -, de zonas 30 e de uma rede ciclável estruturante.

Mário Meireles afirmou que “temos de começar a considerar a cidade de Braga de acordo com os limites geográficos da própria cidade, e não somente o centro histórico”. Como exemplos de medidas práticas que são necessárias um pouco por toda a cidade, e relativamente económicas e fáceis de implementar, referiu as passadeiras, que devem estar devidamente visíveis, elevadas ao nível do passeio, e com outras medidas de abrandamento do trânsito, incluindo estreitamento das vias. Por outro lado, recordou a necessidade de adaptar as rotundas por forma a apenas terem uma via de trânsito em cada saída, conforme parecer o jurídico que a Braga Ciclável divulgou, reduzindo assim o número de atropelamentos a pessoas que andam a pé e de bicicleta, bem como a probabilidade de colisão entre veículos nesses locais. Os cruzamentos, defende, devem também em muitos casos ser sobrelevados. Estas e outras medidas permitiriam reduzir a velocidade e o número de carros, aumentando assim a segurança e a fluidez do trânsito, com claros benefícios para todos.

Rafael Remondes deixou uma chamada de atenção para que as intervenções feitas sejam respeitando as melhores práticas, sem que se repitam os erros da Rua Nova de Santa Cruz, que continua a ter queixas, ou os erros em Guimarães, no qual pintaram passeios de vermelho e lhes chamaram ciclovias. Esta má prática levará apenas a conflitos entre pessoas que andam a pé e de bicicleta.

Sara da Costa mostrou-se preocupada com a possibilidade destas más práticas serem implementadas também em Braga, e lembrou que a promoção da utilização da bicicleta traz vários benefícios para o comércio e economia local, para a saúde da cidade e das pessoas que a utilizam, bem como para o ambiente.

A Braga Ciclável sugeriu que em todas as novas obras executadas as mesmas contemplassem, como requisito, medidas de acalmia de tráfego ou a criação de ciclovias (caso a velocidade e volume de tráfego o justifique). Todas as passadeiras da cidade deveriam ser sobre-elevadas e as velocidades efetivas reduzidas com a redução da largura da faixa de rodagem e das respectivas vias de trânsito, o estreitamento da faixa de rodagem nas interseções, bem como a adaptação das rotundas para que contemplem apenas uma via de trânsito na saída. Sugeriu ainda que se criem zonas de coexistência, zonas escolas – com limitação de entrada do automóvel -, de zonas 30 e de uma rede ciclável estruturante.

Alexandra Vieira, do BE, referiu que é necessária uma mudança de paradigma nas ruas da cidade para que estas possam permitir uma circulação em segurança de todas as pessoas.

Jorge Vilela, do BE, referiu que este assunto é de todo o interesse não só do Bloco de Esquerda, mas dos cidadãos, estando disponível para levar o assunto à Assembleia Municipal.
A Braga Ciclável pretende reunir proximamente com todas as forças políticas do município, bem como com diversas outras instituições, no sentido de unir esforços para acabar com os atropelamentos. A Visão Zero (isto é, o fim dos atropelamentos) é um objetivo que algumas cidades europeias já abraçaram, e a Braga Ciclável defende que Braga deve seguir esse exemplo e ambicionar uma cidade sem atropelamentos, porque todas as vidas contam.

Transporte Ativo e Áreas Pedonais

Transporte Ativo e Áreas Pedonais


A cidade de Braga possui uma excelente área pedonal, no seu centro histórico. Trata-se de uma área extensa, plana e globalmente bem pavimentada, onde afloram várias áreas de comércio e turismo, bem como de habitação.

As áreas pedonais incentivam a deslocação a pé e de bicicleta, promovendo atividade física. A deslocação ativa apresenta benefícios para a saúde dos cidadãos, bem como benefícios ambientais; otimiza, ainda, a atividade comercial e turística dos centros pedestres. Esta áreas são consideradas como zonas de conforto, onde as famílias se podem deslocar com descontração, sem a preocupação do confronto com o automóvel.

Vários estudos têm sido realizados, no sentido da obtenção do ideal de promoção da deslocação ativa, pelas cidades, de forma recreativa, ou em trabalho. Num ponto são unânimes: sem perceção de segurança, os esforços de promoção da deslocação ativa, são inglórios.

Os atropelamentos têm relação com a idade dos peões, volume de tráfego e velocidade automóvel e estação do ano. A população 65+ tem aumentado.

Este grupo populacional apresenta uma menor acuidade visual e auditiva; menor agilidade; por vezes, deterioração cognitiva, apresentando maior possibilidade de se envolver em atropelamentos. De igual modo, verifica-se uma probabilidade de morte 50% superior, aos peões mais novos, em caso de atropelamento. Os atropelamentos devem ser monitorizados, no sentido de estimularem o surgimento de medidas para sua redução efectiva.

Em Pontevedra, Galiza, os esforços dos executivos camarários, no sentido da promoção do deslocar ativo seguro, permitiu atingir a fabulosa meta de zero atropelamentos. Para isso, foi necessário fechar estradas, sobretudo no centro da cidade, ao trânsito automóvel, criando condições para que as pessoas deixassem os automóveis em parques gratuitos, fora do centro. Associaram, ainda, medidas educativas, no sentido da promoção dos benefícios dessas alterações.

Lentamente, e porque estes assuntos assim o exigem, as estradas foram sendo entregues aos peões e ciclistas. Agora, o ruído e fumo dos carros foram substituídos pelo prazeroso som dos pássaros e das crianças a brincarem.

A população, na sua maioria, relata maior índice individual de felicidade e os comerciantes garantem que o comércio melhorou, também.

Será de esperar que Braga evolua, ao afirmar-se como uma cidade ainda mais amiga do transporte ativo, com o aumento de áreas partilhadas, por peões e ciclistas, bem identificadas, e com zero atropelamentos.

Orçamento Participativo Aciclável!

Orçamento Participativo Aciclável!

Nos últimos anos, surgiu uma ferramenta de participação popular, democrática, que pretende uma maior aproximação dos munícipes às decisões camarárias e resolução de variados problemas das cidades.

É interessante verificar a representatividade, nestas propostas, de ideias e projetos associados a novas vias cicláveis, ou de outras medidas de proteção, para um ciclar mais seguro.

Contudo, no orçamento participativo de Braga, por questões técnicas, ou orçamentais, nenhuma das propostas chegou à fase de votação. Estará já previsto um plano de infraestruturas cicláveis pela cidade, que ainda não terá sido executado, e todas as propostas colidiram, com tal plano, já estabelecido, em papel!

A crescente utilização de bicicletas e o número crescente de propostas para vias cicláveis, demonstram que este tema é de importância emergente. Num futuro muito breve, será necessário reformular a mobilidade da cidade, materializando os alertas e propostas já realizados sobre este assunto.

Quando não existem condições de utilização segura da bicicleta, em determinados locais, e as alternativas não são viáveis, não se pode afirmar que exista liberdade de escolha, de meio de transporte. O acesso ao hospital da cidade é um exemplo. Com pilaretes no meio das vias, se as bicicletas circularem na estrada e os carros cumprirem com a distância de segurança, o trânsito fica caótico ou a vida do ciclista em risco. 

Talvez nem tudo exija grande alçada orçamental, apenas arrojadas tomadas de decisão, técnico-políticas. Políticas de estímulo à utilização de meios de transporte ativo podem facilitar a mobilidade dos cidadãos, na cidade. Certos trajetos podem ser realizados, sem a utilização de automóvel, e substituídos por transportes públicos, bicicleta ou caminhada.

Ao contrário do que se pensa, as políticas de estímulo à utilização de transporte ativo promovem o comércio local, para além de uma qualidade de vida diferente, menor nível de ruído e poluição do ar.

As propostas cicláveis demonstraram vontades, participação cívica e democrática. Propostas, mesmo que possam não ser tecnicamente perfeitas, terão impacto junto deste, e de próximos executivos camarários, certamente. Demonstram, também, que os cidadãos pretendem uma mudança de mobilidade, para uma mobilidade sustentável, saudável e futurista.

Pela positividade da mudança, e pela democratização do transporte ativo, usemos menos o automóvel e facilitemos a deslocação segura, de quem se transporta ativamente.

Pedalar é saudável!

Pedalar é saudável!


As cidades modernas têm evoluído para esquemas de limitação do tráfego automóvel, em prol da melhoria das acessibilidades, para peões e ciclistas, conhecido como estímulo ao transporte ativo (TA).

O TA apresenta francos benefícios para a saúde das populações, sendo que a limitação do tráfego automóvel promove a redução da poluição urbana. A poluição, tal como o sedentarismo, é, por si
só, uma causa de morte.

O ganho, em bem estar e saúde, para as populações, com esta tipologia de TA, pode ser calculado e os resultados são surpreendentes.

Existem vários estudos relacionados com o TA. Um deles aponta que Varsóvia e Praga teriam uma redução de 113 e 61 mortes, respetivamente, com um aumento para 35% de utilização de bicicleta, em todas as deslocações efetuadas pela população, como já acontece em Copenhaga. Copenhaga e Paris são consideradas cidades modelo em questão de TA. Copenhaga apresenta taxas de 35% de ciclismo, e Paris 50% de caminhada.

Em Barcelona, foi feita a comparação entre utilização combinada de carro e transportes públicos vs a utilização de transportes públicos e bicicleta, em 40% das deslocações. Encontraram-se resultados interessantes: a 2° opção pode apresentar uma redução de 98 mortes/ano, e a 1° opção, uma redução de 40.

Os benefícios em saúde, para quem se transporta de bicicleta, tem relação direta com o incremento da sua atividade física, reduzindo o risco cardiovascular, permitindo um melhor controlo do peso, do metabolismo do açúcar e das gorduras, para além da melhoria da coordenação motora.

A utilização de bicicleta tem benefícios, não só para o próprio, como também para a comunidade, dado que reduz: as emissões de CO2, melhorando a qualidade do ar; a poluição sonora; o congestionamento de tráfego, melhorando a conectividade dos transportes.

Para a implementação de políticas de TA, é importante conhecer as singularidades de cada cidade. Assim como, para incentivar a deslocação de bicicleta é importante criar condições, definir rotas, ciclovias, para deslocações seguras.

Braga é uma cidade com excelentes condições de relevo, para a utilização da bicicleta. Urge criar mais vias cicláveis, seguras, garantindo a ligação dos principais pólos da cidade; e estimular a população a utilizar a bicicleta em, pelo menos, 35% dos seus trajetos. Uma boa solução parece ser a co-utilização da bicicleta e transportes públicos, sobretudo para os locais de relevo geográfico mais elevado, como é o caso do Hospital de Braga.