TUBiclas – conheça um projeto para Braga que ficou na gaveta

 
O que era o TUBiclas?

O TUBiclas era um projecto de partilha/aluguer de bicicletas que pretendia servir todos aqueles que pretendessem utilizar a bicicleta para se deslocar no seio urbano, quer em complementaridade com a TUB, quer exclusivamente. Foi notícia do Diário do Minho e da RUM em 2009:

“Os Transportes Urbanos de Braga põem este ano na estrada o «TUBiclas».
Um projecto que priviligia o uso da bicicleta. Trata-se de um projecto inovador lançado pelos TUB e a Câmara de Braga, que vai permitir o aluguer de bicicletas, tradicionais ou eléctricas, bem como de Segways, que poderão ser encontradas em estações apropriadas.
No caso das bicicletas passam a poder ser transportadas a bordo dos autocarros públicos.Um projecto sobre duas rodas e que quer sensibilizar os bracarenses para outros meios de transporte, como a bicicleta, como disse à Universitária, Vítor de Sousa, responsável dos Transportes Urbanos de Braga. O projecto «Tubiclas» está apenas à espera da aprovação, no âmbito da candidatura ao QREN e deve arrancar nos primeiros meses deste ano. Os Transportes Urbanos de Braga põem este ano na estrada o «TUBiclas». O projecto vai custar 1 milhão e duzentos mil euros.”

Com o TUBiclas, a TUB pretendia diversificar a mobilidade urbana de Braga, promovendo a bicicleta como meio de transporte através da aposta política e universitária nas vias e projetos cicláveis.

O projecto pretendia assegurar a integração e complementaridade de modos” do sistema fornecendo a TUB um serviço para o último quilómetro (last mile), afirmando que “a integração dos modos permite racionalizar a oferta do transporte colectivo, uma vez que as bicicletas são um ótimo instrumento de apoio aos percursos de ligação à rede de transporte público.”


O TUBiclas não seria um serviço totalmente gratuito, ou seria apenas numa primeira fase, uma vez que a TUB entende que deve haver um registo de utilização de modo a responsabilizar quem utiliza o serviço.

 

A minha análise

Até este ponto estou de acordo, uma vez que temos o exemplo de Aveiro, com o projecto BUGA que é gratuito e, graças ao vandalismo que sofreu e à falta de manutenção das bicicletas, atualmente possui apenas uma estação a funcionar e está a ser repensado (ler mais). A responsabilização é necessária e o serviço deve ser pago, até para ser viável e sustentável, mas não uma fonte de rendimento. Deve ser, tal como diz no documento do TUBiclas, “atrativo em termos de custos para o utilizador”.


Concordo quando se diz que o TUBiclas deve utilizar o passe e/ou os módulos da TUB e inclusive permitir a criação de um tarifário ainda mais atrativo para os utilizadores dos transportes públicos e do TUBiclas, mas não concordo com o sistema proposto.
Assim sendo, não acho que a aposta deva ser feita no aluguer de bicicletas e na cobrança de estacionamento, mas sim num sistema de bicicletas partilhadas. E a diferença é muita.

 

Estratégia
1- Criação de Estações de Parqueamento

Não concordo com o texto que informa o que existirá nas
estações:

“Cada Estação deverá dispor de lugares livres para parqueamento, e também de algumas bicicletas eléctricas funcionando sob o regime de aluguer, possibilitando o levantamento e recolha em estações diferenciadas, durante um determinado período de tempo.”

Entendo que cada estação deverá ser um ponto de recolha e/ou levantamento de bicicletas e não um estacionamento pago.

Concordo com a localização dos pontos de cada estação para uma fase inicial, que poderia depois ser alargada. No entanto entendo que poderiam, nesta fase inicial, inserir uma estação no Braga Parque e outra no cemitério.

 

2-Disponibilização dos meios de mobilidade (bicicletas eléctricas)

Não concordo com a estratégia escolhida.

 

“Além do parqueamento, disponível mediante pagamento e registo prévio a qualquer cidadão que pretenda utilizar a sua própria bicicleta.”

Não é de todo a medida mais correta.
Ninguém que possua bicicleta própria iria pagar para estacionar, por muito que o estacionamento fosse bom. Esta medida só afastaria os ciclistas dos estacionamentos. Iriam acabar por prender a bicicleta a um poste ou a uma árvore ou a algo
alternativo ao pagamento.

 

“o sistema permitirá o aluguer de meios, designadamente bicicletas eléctricas, as quais serão carregadas nas próprias estações.”

Agrada-me a presença de bicicletas elétricas no projeto, mas não me agrada o conceito pensado para este projecto.

O que eu penso que funcione enquanto partilha de bicicletas é algo muito similar ao que está implementado na cidade
de Nova York, de Moscovo ou de Barcelona (sem a exclusividade para residentes imposta nesta última).

 

Estes três exemplos funcionam da mesma maneira, existem estações – que tanto são de levantamento como de recolha – nas quais uma pessoa, com um cartão próprio, levanta uma bicicleta, utiliza-a e quando não pretende utilizar mais coloca-a no ponto de recolha. Durante a sua utilização a responsabilidade é do utilizador. Se entretanto tiver pousado uma bicicleta num ponto de recolha e queira voltar a utilizar o serviço, a bicicleta pode já não ser a mesma e é feita uma nova cobrança do mesmo.

Esta deveria ser a aposta também de Braga quanto à partilha de bicicletas.

 

3– Complementaridade com os transportes colectivos

Essa complementaridade efectivar-se-ia através da possibilidade de efectuar o transporte de bicicletas nos autocarros, quer fossem propriedade do sistema ou propriedade individual.

Acho este ponto fundamental para a promoção de uma maior sustentabilidade e mobilidade em Braga especialmente nas linhas que vencem um grande desnível, como é o caso, por exemplo, da linha 2 que une a ponte de Prado ao Bom Jesus. Esta linha é, para mim, a prioritária no que à inserção de bike racks diz respeito, pois permite o transporte de ciclistas entre a parte baixa da cidade (downtown) e a parte urbana e plana da mesma permitindo ainda a deslocação de ciclistas até ao Bom Jesus. Para além dos autocarros desta linha, todos os autocarros que liguem as freguesias junto ao Cávado e se liguem à
parte urbana do concelho devem possuir esta plataforma, bem como todos aqueles que se liguem à parte mais alta do Concelho (Sobreposta, Espinho, Pedralva).

O modelo de exploração não deve nunca passar pelo aluguer de bicicletas, mas sim pela partilha de bicicletas. O valor da partilha deverá ser cobrado no levantamento da mesma e nunca na recolha e deverá ser um valor fixo. Quanto mais baixo for o valor, maior será a sua utilização e a rotatividade das bicicletas, isto é, se por exemplo for cobrado 1€ por utilização – entre levantamento e recolha – haverá um maior número de utilizadores – novos e repetidos – do que se o valor for mais elevado.
Não deve existir cobrança de estacionamento de uma bicicleta, esta cobrança só faria com que o mesmo não fosse utilizado.
Os lugares de estacionamento devem, portanto, ser gratuitos e variados, mas sempre diferentes das estações de levantamento/recolha – as estações deverão ser exclusivas para as bicicletas do sistema.

O acesso ao sistema deverá permitir a utilização do passe ou dos cartões recarregáveis da TUB (módulos). Poderá ainda existir a possibilidade de, em caso do passe, existir um valor mensal ou anual para utilização do mesmo sistema. Poderá ainda existir um passe exclusivo para o TUBiclas, que poderá ser utilizado, por exemplo, para turistas ou estudantes ou
residentes na zona urbana.
Poderão existir promoções ou algum tipo de prémio para utilizadores mais frequentes, ou que usem ambos os serviços com elevada frequência.
Deverá existir um sistema de informação que permita a reposição de bicicletas em determinadas estações que fiquem mais vazias e para o controlo de utilizadores.
As estações deverão ser seguras e vigiadas.

 

O que aconteceu ao TUBiclas?

O projecto TUBiclas foi abandonado em 2011 pela autarquia devido ao surgimento de um projeto privado que iria implementar um sistema de bicicletas partilhadas pela cidade. Este projecto foi noticiado pelos jornais
locais e pretendia instalar-se em várias cidades, mas não chegou a avançar.

 

Note-se que o TUBiclas tinha financiamento de fundos comunitários, não na sua totalidade, mas em grande parte, cabendo à Câmara Municipal de Braga apenas uma comparticipação a rondar os 200 000 € (valores confirmados pelo Sr. Artur Silva no debate promovido pela Braga+).

 

Futuro?

 

-Não poderá Braga entrar no Copenhagenize Index 2014,15,16 e por aí fora?
-Não poderá Braga ser uma cidade-exemplo ao nível ciclável?
-Não poderá o Comércio de Braga crescer 10, 15 ou 20% com a criação de vias cicláveis? (Em NYC cresceu 49% após uma semana da abertura de parte da rede de vias cicláveis).
-Não poderá Braga permitir a partilha entre bicicletas e peões de toda a sua área pedonal, limitando a velocidade de circulação a 15 km/h nestas áreas ?
-Não poderá Braga criar zonas de tráfego automóvel limitadas a 30 km/h?

Mapa Braga Ciclável – um mapa interativo da cidade de Braga


Mapa Braga Ciclável - informações úteis para ciclistas

Numa iniciativa conjunta do Projeto Bracarae com o blog Braga Ciclável, acaba de ser lançado o Mapa Braga Ciclável. Trata-se de um mapa interativo que tem como objetivo principal fornecer uma visão global da cidade e um conjunto de informações úteis para os ciclistas e os responsáveis pelo planeamento urbano.

Através do Mapa Braga Ciclável os ciclistas poderão descobrir a localização das ciclovias e dos estacionamentos para bicicletas que estão atualmente disponíveis na cidade, bem como encontrar lojas, oficinas e serviços de aluguer de bicicletas. Quem visita a cidade de Braga pode ativar também opções como “Monumentos” ou “Alojamento”, para facilmente descobrir onde se situam esses pontos de interesse turístico.

Quanto aos responsáveis pelo planeamento urbano, passam agora a ter acesso a informações valiosas para uma melhor compreensão do atual uso da bicicleta como meio de transporte na cidade de Braga: locais onde é necessário instalar estacionamentos para bicicletas, localização e qualidade dos estacionamentos já existentes e percursos que são frequentemente utilizados pelos atuais ciclistas.

Mapa Braga Ciclável - informações úteis para o planeamento urbano

Com este mapa, a equipa responsável pretende contribuir para um avanço real na promoção da mobilidade sustentável em Braga.

E todos podem participar neste novo projeto. Se já utiliza a bicicleta como meio de transporte na cidade de Braga e deseja contribuir, saiba que poderá partilhar os seus percursos habituais. A melhor forma consiste em desenhar o seu percurso no Google Maps e enviar para portal@bracarae.com. Se não sabe como o fazer, pode simplesmente enviar um email descrevendo a rota utilizada, quais as ruas por onde segue, os cruzamentos onde vira, ou os atalhos que costuma utilizar.

Braga Trendy Cycle – as fotos do evento

Braga Trendy Cycle – as fotos do evento


Fotos Braga Trendy Cycle
Há muitos ciclistas urbanos em Braga, uns mais assíduos do que outros, mas não é todos os dias que eles se juntam para passear em grupo pelo centro da cidade. A avaliar pela adesão e pela boa disposição geral, este 1º Braga Trendy Cycle (sim, o primeiro, porque as pessoas já começaram a perguntar quando vai ser o próximo) foi um sucesso.

Entretanto, já começaram a surgir no Facebook as primeiras galerias de fotos – e que bem que elas ficaram! Para muitos, foi um dia normal, com a mera diferença de pedalar acompanhado por um grande grupo. Para outros, foi a primeira oportunidade de olhar a cidade como um local convidativo ao uso da bicicleta como meio de transporte. Talvez, quem sabe, a primeira oportunidade para olhar a bicicleta com outros olhos, e perceber que afinal não é preciso vestir um equipamento especial para ir de bicicleta até ali (seja para o emprego, para o café ou até para as compras). A bicicleta é um meio de transporte simples, descomplicado e prático. E, claro, tem muito estilo!

Fotos Braga Trendy Cycle (Rómulo Duque)
No grupo dos Encontros com Pedal, poderão encontrar as fotos tiradas pelo Rómulo Duque (fotógrafo “oficial” dos Encontros), bem como ligação para as fotos do Braga Cool.

Eu não dizia que a bicicleta tem muito estilo? 🙂

Fotos braga trendy cycle braga cool

Também poderão encontrar uma coleção de fotos partilhada pela Helena Cohen, as fotos do Portal Bracarae e também no grupo do Braga Ciclável algumas fotos que eu fui tirando aqui e ali. Nos próximos dias, é natural que vão surgindo mais, seja no grupo dos Encontros com Pedal, seja na página do evento Braga Trendy Cycle, ou mesmo na imprensa.

Entretanto, vamos continuar a pedalar pela cidade, todos os dias. Vemo-nos por aí. Até lá, boas pedaladas! 😉

Mensagem

Ciclistas Urbanos em Braga #70 e #71


Ciclistas Urbanos em Braga

O Javier e a Arancha são de Madrid e, quando visitaram Braga, decidiram alugar bicicletas para passear pela cidade. Pedalar pelo centro foi agradável, dada a pouquíssima inclinação e a existência de um importante conjunto de ruas de trânsito automóvel condicionado.

No entanto, as dificuldades surgiam invariavelmente na hora de visitar um monumento ou um museu, ou quando precisavam de parar para um café ou para almoçar. Encontrei-os junto à Sé, a esforçarem-se para prender as bicicletas àqueles pilares de pedra. Infelizmente, em Braga, não é possível encontrar estacionamentos adequados para bicicletas, e os ciclistas têm de improvisar como podem…

 
Notas:

Todos os anos, temos um número considerável de turistas que chegam à cidade de Braga de bicicleta, ou que por cá alugam bicicletas para visitar a cidade. A falta de estacionamento para bicicletas junto aos monumentos e museus da cidade é sem dúvida uma falha grave, e que é urgente resolver. E também não se compreende como é que ainda não existem estacionamentos junto ao Posto de Turismo, na Avenida Central.

Até eu, que não sou turista, mas que por vezes gosto de fornecer informações úteis a visitantes, já precisei de ir algumas vezes ao Posto de Turismo, deixando cá fora a bicicleta. Senti, como sentem todos os ciclistas em Braga, uma grande insegurança, pelo facto de não poder prender a bicicleta num local adequado.

Ciclistas Urbanos em Braga #48 e #49


Ciclistas Urbanos em Braga

A Helena e o Paulo, dois jovens empreendedores de Braga, gostam de usar a bicicleta para as suas deslocações pelo centro de Braga, por exemplo, para tomar um café. São os promotores do muito acolhedor Braga Pop Hostel, onde brevemente passarão a ser disponibilizadas algumas bicicletas para os seus hóspedes. Uma iniciativa inovadora que merece o nosso aplauso.

Nota
Durante uma pequena troca de impressões, veio à baila o assunto dos estacionamentos para bicicletas – praticamente inexistentes em Braga – e os frequentes roubos de bicicletas. Quase diariamente, vou conversando com ciclistas de Braga a quem já roubaram bicicletas, ou que conhecem alguém próximo a quem isso já aconteceu.

Parte do problema tem necessariamente que ver com o facto de ainda não haver estacionamentos adequados, em localizações úteis e em quantidade suficiente, no centro da cidade e não só. Não é fácil prender em segurança uma bicicleta usando o mobiliário urbano existente em Braga. Muitas pessoas acabam assim por prender a bicicleta de forma improvisada (e pouco segura), ou simplesmente facilitam e deixam-na sem prender, por alguns instantes. Infelizmente, bastam 2 ou 3 segundos para pegar numa bicicleta alheia e fugir nela…

25 de Abril com Pedal, em Braga


No próximo dia 25 de Abril (quarta-feira), os Encontros com Pedal vão realizar mais uma manhã de amizade, a pretexto da comemoração do Dia da Liberdade. Todos estão convidados a participar, levando consigo trazendo um poema, um cravo, uma cantiga, ou simplesmente um viva à Liberdade. O ponto de encontro é, como vendo sendo habitual, no café Brasileira pelas 11 horas.

O convite é aberto a toda a população: quem não tiver bicicleta pode alugar uma no local e quem não souber andar de bicicleta também será bem-vindo(a).

Ciclistas Urbanos em Braga #27


Ciclistas Urbanos em Braga

O Carlos Ferreira é um jovem empreendedor, que acredita no potencial da bicicleta para melhorar a qualidade de vida na cidade de Braga. Há algum tempo atrás, decidiu criar uma empresa de aluguer de bicicletas, que vem sendo uma excelente mais-valia para a cidade, sobretudo na área do turismo.

Nota:

O passeio que vemos nesta foto é um dos atalhos habitualmente usados pelos ciclistas que chegam à Avenida Central vindos da Av. 31 de Janeiro ou da Rua D. Pedro V.

Para além do sempre indesejável confronto com os peões, é de referir que este tipo de piso é demasiado escorregadio quando chove. Seria, pois, importante encontrar uma solução mais segura e eficaz para fazer a ligação, para ciclistas, entre as várias vias que se cruzam no Largo da Senhora-a-Branca.