Sobre a Empatia…

Nesta época natalícia, permitam-me escrever-vos sobre a empatia! Sei que é uma época propícia a falar-se de muitos temas que nos comovam e nos toquem de alguma maneira, daí falar-vos dela. A empatia demonstra a capacidade de sermos capazes de nos colocarmos no lugar do outro e de tentar (pelo menos) perceber as suas emoções, razões, valores, sentimentos, entre outros…

O que me entristece, é que a nossa sociedade ainda tem muito a evoluir neste aspecto e digo-o porque eu tenho sentido isso na pele quase que diariamente.

Permitam-me pedir-lhes que façam uma reflexão sobre este tema e sobre como pode influenciar o vosso dia-a-dia. Se cada um de nós, demonstrar mais empatia pelo próximo, certamente fará a diferença no dia de alguém e levará a uma corrente de mudanças positivas na nossa sociedade que se poderão traduzir numa redução significativa de stress diário!

Transportando isto para a realidade das bicicletas, um destes dias, conduzia de bicicleta pela Avenida 31 de Janeiro, cumprindo todas as normas de trânsito que são estipuladas por lei para este veículo quando ouvi um buzinão e, como se o primeiro não fosse suficiente, seguiu-se o segundo para reforçar… Até que quase sou abalroada por um carro cujo condutor me fez sinal, de forma pouco educada, de que deveria circular no passeio. Respirei fundo, senti empatia pelo senhor, uma vez que também já estive daquele mesmo lado, e pensei que deveria dar o benefício da dúvida, até porque poderia estar a ter um dia bastante difícil, sem conseguir lidar com as suas frustrações, tendo-as descontado em mim. Espero que tenha chegado a casa mais tranquilo, para conseguir desfrutar dos momentos em família.

Mas estas aventuras não se ficam por aqui. Um outro dia, na companhia do meu filho de 3 anos na cadeirinha de bicicleta, fomos visitar a minha avó a sua casa e, eis que, fui “entalada” (permitam-me a expressão), por dois carros, que decidiram ambos ultrapassar o veículo à sua frente, um pela direita e outro pela esquerda!!!

Agradeci, com um sorriso (sarcástico, claro), ao veículo que pela direita me ultrapassou, para imediatamente o parar na berma da estrada logo à frente. Desviei-me com tranquilidade e como se não bastasse o erro que havia sido cometido há segundos atrás, ainda fui “amavelmente” insultada.

E mais uma vez eu tive que ser empática e tentar colocar-me no lugar do outro. Não tenho problemas em continuar a fazê-lo. Fui assim educada!

Temos a cultura de viver as nossas vidas e sentir que só o que fazemos, só as nossas escolhas, é que são as certas, porque seguimo-nos pelas nossas crenças. Mas a verdade é que temos que perceber, de uma vez por todas, que não somos todos iguais, não pensamos todos da mesma maneira, e está tudo bem, está tudo certo. Eu aceito como és e como pensas, mas aceitem também como sou, como penso e as escolhas que faço. Não critiquem as minhas que eu também aceito as vossas. Isto é a empatia. Eu aceito quem escolhe o carro como veículo, só têm que aceitar que o meu é a bicicleta.

Sinto que quem usa a bicicleta de forma rotineira é o “parente pobre”, o “mal amado” e até o que só o usa porque “agora é moda”. Isso é demonstrado até pelo nosso Município nos escassos investimentos que faz para criar condições acessíveis a este modo de transporte. As ciclovias servem apenas para “inglês ver”. Os condutores de automóveis olham para o lado e ignoram quem por ali passa e as mesmas ciclovias não têm largura suficiente para se pedalar com os mais pequenos, sem falar no pavimento irregular das mesmas que acumulam lixo e águas paradas.

Apesar dos desaforos das pessoas e da falta de condições das estradas do nosso Município, continuo convicta de que este transporte é mais um modo de vida, e espero transmitir isso ao meu descendente e a muitos outros, por um mundo melhor, por um futuro melhor. Não só pelo ambiente, mas também pela saúde mental.

Boas Festas e nunca se esqueçam de oferecer empatia uns aos outros. É bom e é grátis!

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