Quantos nunca?

Quantos de vós, numa conversa, nunca utilizaram como argumento bons exemplos ou práticas que se vêem nos países mais desenvolvidos para mostrar como deveria ser em Portugal? Qualquer um de vós já o fez. Quantos de vós já pegaram nesses bons exemplos ou práticas, aplicando-os no vosso dia-a-dia? Poucos.

Quantos de vós já disseram que só com boas práticas e mudança de mentalidades lá iremos? Quantos de vós já se desculparam, dizendo que em Portugal ou em Braga não há condições para aplicar os bons exemplos e/ou práticas que vemos lá fora? Apostaria que a maioria de vós.

O que nos diferencia dos países ou cidades mais evoluídas? Na minha opinião é simplesmente a atitude. Tendo o clima que temos, continuamos a usar e abusar da chuva como argumento para não andar de bicicleta. Os nórdicos riem-se dos portugueses que usam argumentos como este. Coitados deles, neve, chuva, frio e mesmo assim andam muito mais do que nós de bicicleta, até para ir trabalhar. O que nos diferencia? A atitude!

Quantos de vós já pensaram um dia pegar naquela bicicleta enfiada lá para o fundo da garagem e experimentar ir um dia para o trabalho nela? O que vos impediu? A atitude. É longe? Para uns sim, para outros não. A questão é que há muitos de nós que até podiam deixar o carro em casa e ir para o trabalho de bicicleta, já que afinal é meia dúzia de km. Parece mal? Porquê, vivem das aparências que os automóveis supostamente transmitem? Experimentem pegar na bicicleta e fazer a viagem do costume a ver o quanto alegres chegam ao trabalho. Ou experimentem simplesmente ir às compras de bicicleta, com uns alforges. Passadas umas semanas vejam o quanto se sentem mais saudáveis e bem dispostos.

Ah, e tal, é perigoso. É um facto que pode ser perigoso, já que além das velocidades estonteantes praticadas pelos automóveis, mesmo no centro de Braga e não só, a incipiente infra-estrutura não dá sequer a sensação de segurança a quem insiste em andar de bicicleta e fazer disso algo de normal, tal como o é em países e cidades desenvolvidas. Como se resolve o problema? Com atitude. O nosso problema é só um, a falta de atitude. É esta falta de atitude que permite e potencia as velocidades excessivas, os atropelamentos, os carros em cima do passeio e nas zonas pedonais, a fraca educação rodoviária, a qual é transversal. Só com atitude se resolve este problema. Mais e melhores transportes públicos, mais e melhores zonas pedonais, mais infra-estruturas cicláveis, mais segurança e menos carros nas cidades.

João Forte
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