Não tenho a menor dúvida de que esta pandemia deixou e deixará marcas em todos nós. Entre as cicatrizes, umas mais profundas e outras menos, estou certa de que despertou também muitas vontades. Muito nos temos vindo a questionar sobre este ser o ponto de viragem, sobre ser a oportunidade para agarrar com todas as forças estas vontades.

Enquanto seres individuais, mas também enquanto grupo de pessoas tão diferentes, mas que tem como ponto de encontro a bicicleta, vimos esta vontade a alastrar e a contagiar ainda mais e mais as pessoas em nosso redor, neste contexto de pandemia.

Entre tantas outras coisas, este contexto ajudou-nos a perceber ainda mais a importância de modos de transporte como a bicicleta, na prevenção do contágio. Todos os dias incitamos quem de direito a responder a este desafio, a readaptar infraestruturas, a repensar os espaços e a forma como estes são usados. Criar ciclovias protegidas e aumentar o espaço pedonal, por redução do espaço do automóvel nas atuais ruas e avenidas da cidade, deverá ser o primeiro passo desta transformação.

“Portugal é o quarto no anúncio de ciclovias na Europa pós-covid”, (Jornal Público, 31/08/2020). Mas Braga não é uma das cidades referidas neste artigo. Braga não pedala claramente no mesmo sentido de Portugal e da Europa, arriscaria dizer que pedala em sentido contrário.

Mas não estamos a falar só da vontade dos Bracarenses, estamos a falar de uma necessidade, estamos a falar da última oportunidade para nos reinventarmos, pois o futuro deste planeta não depende só de ações megalómanas, mas do sentido de responsabilidade de cada um. A Covid-19 está a ser uma catástrofe a todos os níveis e também o serão as alterações climáticas, se não conseguirmos reduzir as emissões de CO2 para metade até 2030.

Investir em infraestruturas não é urgente, é obrigatório e fundamental. E os fundos existem, só falta a vontade para os aplicar.

Eliana Freitas