Mudar de vida, mas antes mudar a cidade

Vivo em Braga há três anos e meio, depois de uma temporada na Alemanha para terminar o doutoramento. Nas malas, vinha a minha bicicleta branca, pronta para continuar a ser o meu modo de transporte.

Avancemos 2 anos, estamos em 2020: um filho de 1 ano e um atrelado próprio para bebés instalado na bicicleta. Aqui vamos nós tentar integrar saúde e movimento no nosso dia-a-dia na cidade: os peões não gostam de partilhar o passeio, e os carros não gostam de partilhar a estrada. Qual era então o nosso lugar aqui? Vivemos no centro, mas não encontrei lugar para a bicicleta e muito menos para uma com atrelado. Atrelado desmontado. Hoje usamo-lo como carrinho para passeio a pé, apenas.

Agora em 2021: um filho de 2 anos, uma cadeira para crianças instalada na bicicleta, e o processo vai ser mais simples para todos. Depois de tentar sair da rua de S. Vicente e ir até ao parque infantil do Pachancho, quase que caí com o meu filho ao tentar passar a rotunda do largo das Infias com a bicicleta à mão. Não há ciclovias, e com medo dos carros, decidi ir para o passeio. Levar a bicicleta à mão e usar o passeio tornou o trajeto que é tao curto, num caminho desafiante e penoso.

Depois tentei um caminho (ainda) mais curto, simplesmente ir da Rua de S. Vicente até ao Campo Novo para irmos buscar o almoço de Sábado ao nosso restaurante preferido: os carros não estão a contar connosco, e por isso mantenho atenção redobrada. Chegámos bem, mas ao passar numa rua de sentido único, com passeios estreitos e carros estacionados a ocupar esse espaço extra, tive de voltar a sair de bicicleta para a levar à mão na ladeira.

Gostava de andar mais de bicicleta aqui em Braga. Vivemos no centro da cidade, onde tudo é tão perto e com tanto potencial clicável. É o ponto de qualidade de vida que ambicionamos, e que sentimos tanta falta. Mas qual é a forma mais segura para diariamente conseguirmos usar a bicicleta?

Iliona Wolfowicz
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One Comment on “Mudar de vida, mas antes mudar a cidade”

  1. Olá! Respondendo à pergunta, acho que só mudando a sociedade. A maioria nem se consegue colocar no lugar do outro… A minha experiência é em Coimbra, mas acredito que não seja muito diferente de Braga: é um ecossistema automóvel com algumas ciclovias segregadas. A bicicleta é mais para lazer do que transporte, ainda que se vejam mais pessoas a pedalar actualmente (2021). Good luck!

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