Ligar pessoas, lugares e possibilidades

“Ao longo dos últimos anos e ainda mais acelerado pela COVID19, muitos Singapurenses descobriram as alegrias de caminhar e andar de bicicleta como uma forma saudável e verde de deslocação, e de lazer. Estamos a liderar e a permitir este movimento de mobilidade ativa, a reimaginar o transporte não apenas como um fornecimento de infraestruturas, mas como uma forma de ligar pessoas, lugares e possibilidades”

– Jeremy Yap, Diretor Executivo Adjunto para os Transportes Públicos, Política e Planeamento, Autoridade de Transportes Terrestres de Singapura.

De facto, a mobilidade ativa une mais as pessoas e os lugares. No desenrolar do trajeto, seja de trabalho ou lazer, o contacto humano é maior, bem como o contacto com estabelecimentos comerciais, ou outros. Se a deslocação decorre, de forma passiva, dentro do habitáculo do automóvel, ao constatarmos algo interessante, ou quando nos cruzamos com algum conhecido, é muito mais complexa a interação, pois necessitamos de estacionar a viatura num local adequado, que, não raras vezes, fica distante. Isto, se não quisermos prejudicar terceiros, com a viatura mal estacionada, impedindo a deslocação pedonal, ciclável ou automóvel.

Sem dúvida que o futuro será saudavelmente mais ativo, com inúmeras opções de deslocação, no seio urbano. Como refere Jeremy Yap é necessário imaginação e criatividade. Para Mário Meireles, Doutorado em Sustentabilidade do Ambiente Construído, os sistemas digitais são fundamentais na integração da mobilidade ciclável, sobretudo em cidades onde o automóvel é o elemento base das deslocações diárias.

A evolução tem sido tremenda. A grande maioria das áreas urbanas terá de ser redefinida, dado que o espaço público se encontra, maioritariamente, entregue ao automóvel; e integrar os meios digitais facilitadores da interação entre diversos modos suaves, transportes públicos e o pedonal.

Algumas cidades francesas, como Paris, têm pedalado no bom sentido, criando redes cicláveis de centenas de quilómetros, com boas interações com outros modos de deslocação, como a rede de transportes públicos. Muitas vezes sem recurso a obras estruturais relevantes, apenas redesenhando o espaço público. Mesmo assim, o governo francês foi condenado no “processo do século”, movido por quatro ONGs (Greenpeace, Oxfam, Fundação Nicolas Hulot e Notre Affaire à Tous, apoiadas por uma petição que recebeu 2,3 milhões de assinaturas de cidadãos), o que vem mostrar que ainda é preciso fazer mais e melhor, para reduzir a pegada carbónica, em muito condicionada pelo consumo de combustíveis fósseis.

Quem sabe se não será a crise climática a acelerar a necessária correção de estilos de vida, menos saudáveis, tornando as pessoas mais ativas; as cidades mais verdes e respiráveis, permitindo novas possibilidades de deslocação e mais possibilidades contacto com o espaço público.

Arnaldo Pires
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