Lamento dizer, mas isso não é sequer argumento!

Um dos muitos pseudo argumentos que oiço por parte de alguns automobilistas que não suportam supostos obstáculos na estrada, vulgo ciclistas, é o de que os ciclistas não têm o direito de utilizar a estrada para fins de lazer ou actividade desportiva. Este pseudo argumento é contrariado pela lei, nomeadamente o Código de Estrada, no qual constam todos os direitos e deveres de cada um dos utilizadores da estrada, sejam eles automobilistas, ciclistas ou outros mais.

Outro dia, enquanto andava de bicicleta, numa voltinha de 20 km, ia a pensar precisamente nisto. Era de tarde, por volta das 16:30, e nesse dia tinha-me levantado às 6:40. Das 7 da manhã até às 14:40 fui 3 vezes ao Porto com uma ambulância. Foram 400 km sem parar para um lado e para o outro. Só tive a possibilidade de almoçar já passava das 15 horas. Já de barriga cheia, vi os e-mails e pesquisei oportunidades de trabalho na minha área profissional, seja bolsas de investigação, pós-docs, seja mesmo vínculos de trabalho numa qualquer universidade lá fora. Feito isto, fiz algo que também aprecio bastante e que me ajuda a manter a forma e a manter uma mente sã, ou seja andar de bicicleta. Peguei na bicicleta de estrada e lá fui eu, pensando em tudo isto. Durante os 20 km em que pedalei e recarreguei baterias, tive dois cuidados, um o de precaver automobilistas que passam por mim a grande velocidade e sem respeitar a distância de segurança, outro o de facilitar sempre que possível os restantes utilizadores da estrada, sejam eles automobilistas, camionistas, motociclistas e afins. Não confundir facilitar com qualquer tipo de subserviência, pois enquanto automobilista faço exactamente o mesmo, facilitar e respeitar todos.

Da próxima vez que forem a conduzir no vosso automóvel, pensem que quem vai ali na bicicleta vai a usufruir de um direito e provavelmente já trabalhou mais do que vocês nesse dia, transportando um familiar vosso para uma unidade de saúde, dando uma consulta a um conhecido vosso, levando o pão à vossa porta, reabastecendo as prateleiras do supermercado a que vão, abastecendo o vosso carro, varrendo a rua à vossa porta ou outra actividade de qualquer tipo, todas elas nobres e necessárias.

Só para terminar, após a volta de bicicleta lanchei tranquilamente, fiz a necessária higiene e fui fazer um turno, nocturno, de voluntário. Felizmente que correu bem e deu para trabalhar um bocado no computador, a ver se consigo dar mais contributos para a investigação em Portugal. Há que desmistificar estereótipos!

João Forte
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