Infias, o velho problema do trânsito que se resolve com transporte público: os suburbanos do Minho

Temos lido várias notícias e várias posições públicas a defender a construção de uma variante a ligar a zona da Estação da CP ao Nova Arcada como sendo a solução para o problema do trânsito no Nó de Infias. Lançaram um concurso para um estudo sobre o Nó de Infias apontando o que querem: mais viadutos para automóveis, ao jeito da falida cidade de Seattle.

“Vamos construir a António Macedo para descongestionar a Rodovia”, “Vamos construir a Variante do Alto da Vela para descongestionar a Av. dos Lusíadas”, mas passados tantos anos, a Rodovia e a Av. dos Lusíadas não são mexidas com o argumento que isso seria o caos no trânsito automóvel. Perde quem quer andar de transporte público e de bicicleta. Não há efetiva vontade política para construir ciclovias e vias bus para que algumas pessoas façam a mudança do carro para estes modos de transporte e descongestionem a cidade.

A aposta na construção de infraestrutura automóvel, como argumento para resolver o problema do congestionamento automóvel em determinado ponto da cidade, não é caso exclusivo de Braga. Aqui ao lado a CREP não descongestionou a VCI. A CRIL não resolveu o problema do congestionamento de Lisboa. A Diagonal não resolveu o problema de congestionamento de Barcelona – e hoje recebe ciclovias e vias BUS. E podíamos continuar por essas cidades fora.

O argumento de criar novas variantes ou avenidas para descongestionar uma outra, está gasto em todas as cidades do mundo e o resultado é sempre o mesmo: o congestionamento aumenta, porque há um convite a uma maior utilização do carro, agravando-se assim o problema.

A construção de uma alternativa viária para automóveis apenas vai levar a que a mobilidade em automóvel aumente, ou seja, que mais viagens sejam feitas de carro. Logo, vão aumentar o número de carros por hora, e o congestionamento vai, por sua vez, aumentar. Não seria de esperar que, hoje, Braga continuasse agarrada a propostas de trânsito ultrapassadas, que estão mais que estudadas e demonstradas, como não sendo soluções para os problemas das deslocações, enfim, para os problemas de mobilidade.

Podem ser apontados dois problemas na ligação a Amares, Vila Verde, Prado, e a Norte da cidade de Braga:

  • o custo elevado da A3 entre Anais e Braga (3 €), que leva muitos carros a sair em Anais (Ponte de Lima – Anais custa 0,95€) e apanhar a Variante de Prado, gratuitamente;
  • a falta de alternativa ao carro.

E este segundo é, a meu ver, o grande problema. Não dá para ir para Norte de Braga de outra forma que não de carro. É necessário apostar no transporte público a ligar Braga aos concelhos a Norte, para resolver o problema do Nó de Infias.

Seria expectável que nesta altura do campeonato o Município de Braga estivesse a pressionar o República Portuguesa – XXII Governo para que no PNI2030 e no PRR (a ‘bazuca’ europeia) constasse uma ligação em transporte público entre Braga e Município de Vila Verde, que já tivesse estudos prontos e projetos para executar estas ligações em transporte público, e agora estivesse a avançar com as mesmas. É altura de reivindicar uma linha ferroviária para os ‘suburbanos do Minho’. As pessoas querem sempre a deslocação mais rápida entre dois pontos e se Braga – Prado – Vila Verde fosse mais rápido de se fazer de transporte público do que de carro, muito do trânsito automóvel desaparecia. É, por isso, altura dos Municípios e da CIM Cávado se juntarem, planearem e reivindicarem ligações em transporte público, ao invés de se agarrarem a estradas que nada vão resolver. Para Guimarães já temos um serviço de transportes públicos rodoviários rápidos – via autoestrada – que apenas precisa de fazer uma paragem nas Taipas (construam lá o Nó de acesso à auto-estrada nas Taipas!). Já para os concelhos a Norte de Braga é um deserto ao nível de transporte público, e aí falta investir a sério.
A prioridade tem que ser garantir bons transportes dentro das cidades, criando aí canais regrantes, dedicados, de alta capacidade (o BRT), para que este seja mais rápido que usar o carro. E, a par deles, construir também as tão necessárias ciclovias. Depois, a prioridade de ligação de transporte público regional está para Norte, para resolver Infias. Aí sim, precisamos de uma forte aposta nos transportes públicos. Para além do financiamento para o BRT, que já está garantido pelo Governo para Braga desde 2017, um governo local com visão regional deveria estar, neste momento, a debater-se junto do Governo Central por:

1) Uma ferrovia, para comboios suburbanos do Minho, a ligar Município de Guimarães Comunicação – Município de Braga – Município de Vila Verde – Município Ponte de Lima – Câmara Municipal de Viana do Castelo/ Município de Monção;

2) A localização da estação de alta velocidade ser em Ferreiros, junto ao Nó da A3 e A11, junto ao apeadeiro de Ferreiros, criando assim o interface Oeste previsto no PDM;

Afinal, para além do século da Água e das Bicicletas, este é o século da Ferrovia. Vai Braga ficar para trás?

Mário Meireles
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