Guinar pela vida em Braga

É muito provável que qualquer um de vós já tenha passado por esta perigosa situação, seja na qualidade de condutor, seja na qualidade de passageiro, em que o carro em que iam teve de guinar repentinamente para evitar um buraco na via. É fácil compreender o risco deste tipo de situações. Não é raro irmos em viagem e, de repente, observarmos o carro que vai à nossa frente a guinar para a esquerda ou mesmo para a direita. Primeiro estranhamos o facto, mas logo que vemos um buraco na via percebemos perfeitamente o porquê do guinar.

Quem, como eu, que anda de carro e de bicicleta, tem uma perspectiva mais ampla do que significa ser um utilizador da via e conhecedor dos problemas da mesma. Eu não estranho ver um ciclista guinar, ao contrário de muitos outros utilizadores na via. Isto porque como ando de bicicleta conheço uma realidade que não é percepcionada por quem anda apenas de carro.

A imagem que acompanha este comentário é bem elucidativa de um problema, ou seja armadilhas potencialmente mortais para quem utiliza a bicicleta na via pública, em Braga. É um de muitos locais semelhantes que encontro nas estradas de Braga, seja no centro, seja nas imediações da cidade. Não devia sequer existir tal ameaça ao normal trânsito de bicicletas na via pública. Isto deve-se a mau planeamento. Quem planeou o que se observa na imagem, claramente não é utilizador de bicicleta, pois se fosse teria uma perspectiva mais ampla do planeamento, o qual deve incluir todas as possibilidades e mitigar todos os riscos que ameaçam os utilizadores da via pública, sejam eles quais forem.

Quando alguns de vós dizem para os ciclistas andarem na berma da estrada, pensem duas vezes no que isso pode significar. E até no meio da via se encontram destas armadilhas. Pelos milhares de km que já fiz de bicicleta pelas estradas de Braga, sei que a maioria dos condutores de automóvel respeita minimamente a distância de 1,5 metros face aos ciclistas, contudo ainda há quem não respeite. Imaginem ir de bicicleta e ter o azar de se depararem com uma destas armadilhas na via, caindo… Se vier um automóvel mais atrás, em excesso de velocidade (comum…) e sem respeitar a distância obrigatória à luz do código de estrada, conseguem imaginar o que pode acontecer? Imaginem que é um familiar vosso, ou amigo. Arrepiados? Eu, infelizmente, já senti na pele o que é ser atropelado por um automóvel, sem culpa, daí ter cuidados redobrados quando vou de carro e me aproximo de um ciclista. Quanto a estas armadilhas, irei georeferenciar as mesmas e reportar a quem de direito.

João Forte

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