Façamos, em conjunto, um exercício muito simples: imagine a cidade em que quer viver daqui a 10 anos. Imaginou? Ainda não? Mais uns minutos… acabou o tempo!

Agora, focando-se na mobilidade dessa sua cidade, responda às seguintes questões que lhe coloco, em voz alta (também vale em voz baixa, em silêncio, escrevendo, etc.): a sua cidade do futuro, permite-lhe deslocar-se, entre casa e o trabalho, no meio de transporte à sua escolha, sem que fique retido desnecessariamente no trânsito? Na sua cidade do futuro, a oferta de estacionamento deixou de ser um problema porque os transportes públicos se tornaram tão eficazes e pontuais que uma percentagem da população abdicou do carro… ou, pelo menos, do segundo carro? Na sua cidade do futuro, respira fundo, sem medo, porque a emissão de CO2 deixou de ser uma preocupação, e a causa de várias doenças respiratórias? Na sua cidade do futuro, os atropelamentos deixaram de existir ou, aqueles que continuam a acontecer, são residuais e sem gravidade? A sua cidade do futuro, oferece-lhe segurança nas suas deslocações, quer sejam a pé, de bicicleta, de trotinete, de autocarro ou mesmo de carro?

Se respondeu que sim a todas as questões anteriores, tenho uma ótima notícia a dar-lhe: dentro de 10 anos habitaremos a mesma cidade! No entanto, tenho uma notícia menos boa a comunicar-lhe: tenho dúvidas de que essa cidade seja Braga! Tenho dúvidas, mas tenho também esperança.

Vivemos numa cidade que resiste a adaptar-se às novas exigências sanitárias e ambientais, que poderia tirar partido da mobilidade para atingir os seus objetivos. No recente contexto de pandemia, são vários os exemplos de cidades, um pouco por todo o Mundo, cujos órgãos executivos tiveram a coragem e a inteligência de o fazer. Em Braga, quem tem o poder de decisão nas mãos ainda resiste, mas acredito que vamos a tempo de corrigir o nosso rumo se os decisores, juntamente com os habitantes desta cidade, se envolverem num esforço comum pela construção daquela que queremos que seja a Braga do futuro: uma cidade segura, saudável, desacelerada, onde um sistema intermodal, bem articulado, permita a poupança de tempo e esforço nas deslocações diárias.

Imagine… imaginemos juntos!

Marta Sofia Silva
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