E você, porque não vai para o trabalho de bicicleta?

Há cerca de 3 anos um colega perguntou-me porque eu não ia para o trabalho de bicicleta. Nunca me havia lembrado de tal ideia. Sempre fui de carro, é o que todos fazemos, certo?

Mas a ideia ficou na minha mente: será que é mesmo possível? Será que uma subida de quase 10% é exequivel, será que tenho tempo para realizar o percurso e chegar ao trabalho sem precisar de um banho? Uns dias depois tive de experimentar: com a minha velha bicicleta guardada na garagem há anos resolvi testar o percurso: parecia mesmo ser possível!

Duas semanas depois comprei, a medo, uma bicicleta para o efeito. Barata, claro, mas com alforges, guarda-lamas e um bom cadeado. Será que pelo preço de quatro ou cinco depósitos de combustível tinha um bom veiculo para o dia-a-dia? Fiquei surpreendido: ao fazer o percurso para o trabalho a primeira vez apercebi-me que era mesmo possível pedalar, sentir a brisa da manhã e não estar no pára arranca do trânsito e com o stress do estacionamento. Demorava apenas mais cinco minutos que o habitual, independentemente do trânsito e do dia da semana.

Claro que no primeiro dia de chuva fui de carro, com chuva não se anda de bicicleta, certo? Era o que eu pensava! Mas no segundo dia de chuva fui de bicicleta: prefiro o impermeável às filas insuportáveis e à falta de estacionamento!
Claro que o automóvel continua a ser muito útil para mim em várias ocasiões e confere uma imensa liberdade às minhas deslocações mais longas. Mas ao longo destes anos fui deixando o carro na garagem cada vez mais, fui percebendo que não há assim tantos dias de chuva (mesmo em Braga!), que a cidade é quase plana e que a falta gritante de infraestruturas cicláveis se contorna com um pouco de paciência e determinação.

E o meu filho, que entretanto nasceu, ensinou-me que uma criança quase nunca faz birra de bicicleta, que quase sempre adoram o percurso e que se apercebem de coisas da nossa cidade nas quais nós nunca reparámos. Aprendi que a minha bicicleta tem espaço para a mochila dele, para um saco de compras e ainda para a trotinete, que ele embirrou que queria levar. E posso ir ao centro da cidade, parar em quase qualquer lugar e não demorar a voltar a casa porque o trânsito quase não me afecta. Tudo isto enquanto ele diz: Vamos papá!!!

Pedro Torres
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