by Victor Domingos | Mar 21, 2020 | Opinião
No meio do turbilhão de informação que todos os dias circula sobre este “vírus de coroa”, há muita coisa certa, muita coisa errada, e um sem-fim de supostos factos mais ou menos duvidosos que ora são confirmados ora são refutados. Não sendo eu especialista em saúde pública, irei abster-me de recomendações, deixando essa tarefa para quem realmente sabe do assunto. Em vez disso, vou partilhar uma experiência pessoal, relacionada com a nossa memória coletiva, e duas notícias que li esta semana e que – essas sim – têm a ver com bicicletas.
Quando eu era criança, havia uma tradição na minha aldeia, como provavelmente em muitas outras aldeias do Minho, de acender ali por alturas de janeiro umas fogueiras a São Sebastião, com ramos de loureiro cujas folhas estalavam muito ao arder. Ao mesmo tempo que ardia o loureiro, gritava-se, por entre o fumo, “Viva o Mártir São Sebastião, que nos livre da fome, da peste e da guerra!”. Lembro-me particularmente da estranheza que me causou por essa altura aquela palavra, “peste”, cujo significado eu ainda não conhecia. Os anos e as décadas foram passando, e veio-me à memória estes dias essa imagem e essas palavras, por causa do momento que vivemos – temos agora a tal peste à porta, e estamos nós mesmos a aprender a lidar com ela, numa corrida contra o tempo.
Quanto às notícias de que falava, a primeira delas dava conta de um aumento considerável no uso da bicicleta em Nova Iorque e noutras cidades americanas como alternativa ao carro, ao metro e a outros transportes, na sequência de recomendações das autoridades locais. Face aos perigos de contágio associados aos espaços fechados e sobrecarregados de pessoas, a bicicleta foi proposta e prontamente acolhida como uma alternativa por milhares de pessoas.
A outra era relativa à Dinamarca, onde as autoridades também recomendaram há dias um conjunto de alterações aos hábitos de mobilidade, também por causa do risco de contágio de COVID-19. Entre várias outras orientações, foram aconselhadas as viagens a pé ou de bicicleta como alternativas mais favoráveis para distâncias curtas.
A bicicleta parece ser, pois, uma ferramenta útil também em momentos difíceis como este que atravessamos.
A finalizar, para além de uma palavra de ânimo (nós vamos ultrapassar isto, e apesar da distância física que o vírus nos impõe, estamos mais juntos do que nunca!), gostaria apenas de lembrar e sublinhar que é fundamental acompanhar diariamente e seguir as indicações das autoridades e profissionais de saúde sobre como proceder em cada momento.
by Rafael Remondes | Mar 7, 2020 | Opinião
Estocolmo, Oslo, Copenhaga ou Amesterdão são invariavelmente usadas como exemplos de cidades cicláveis. São locais com espaços amplos para peões, reduzidas estradas para o automóvel e muitos kms de ciclovias. Transformaram-se em sítios considerados por vários rankings como dos melhores do mundo para se viver e tudo graças a opções políticas centradas nos meios suaves de transporte como a bicicleta que foram sendo consistentemente tomadas ao longo de décadas. Graças ao seu sucesso, foram seguidas por outras cidades europeias como Paris, Londres, Barcelona, Madrid ou Sevilha que optaram pelo mesmo tipo de políticas e por cá, também Lisboa decidiu seguir o mesmo caminho.
(mais…)
by Sara da Costa | Fev 22, 2020 | Opinião
Tinha uma vontade. Fui ao mapa e tracei a minha rota. Peguei na minha bicicleta e fui. Cheguei com a maior simplicidade com que se pode chegar a um lugar. Durante a viagem sonhei… sonhei que Braga poderia também ser um “paraíso ciclável” e que tudo ganharia outro ar. Apercebi-me tão rapidamente o quão atrasados estamos em relação ao resto da Europa. Sair de Braga para viver uns meses em Antuérpia é ser presenteada todos os dias a nível da mobilidade. Antuérpia, que em 2019, foi classificada a 4º cidade mais bike friendly pelo The Copenhagenize Index, e isso sente-se na perfeição para quem por aqui circula e reflete-se, realmente, no dia-a-dia das pessoas, com mais de 700km de ciclovias seguras e confortáveis. (mais…)
by João Forte | Fev 8, 2020 | Opinião
Escrever estas linhas é duplamente gratificante, primeiro porque partilho a minha experiência e segundo porque a minha escrita acaba por produzir reacções, umas positivas outras nem por isso. Interpretar estas mesmas reacções é fundamental para trazer à tona aquilo que é realmente mais importante e que deve ser trabalhado por aqueles que, como eu, fazem da bicicleta um dos seus meios de transporte e pugnam por uma mobilidade racional, longe da carrocefalia crónica da qual o país e Braga padecem. A mobilidade é plural, ao contrário do que nos impingem há demasiados anos. (mais…)
by Marta Sofia Silva | Jan 25, 2020 | Opinião
No passado dia 27 de Novembro de 2019, decorreu a apresentação do documento-síntese da Fase II do Estudo de Mobilidade e Gestão de Tráfego do Município de Braga, numa sessão pública, agendada para as 16h desse mesmo dia. Esse documento deveria, de forma imediata, ter sido sujeito a um período de discussão pública que se prolongaria até 31 de Dezembro. “Deveria”, mas não aconteceu. Só viria a ser disponibilizado a 6 de dezembro, restando três semanas para a sua apreciação e reflexão. (mais…)
by Rafael Sousa | Jan 11, 2020 | Opinião
Uma recente visita a Budapeste despertou-me a refletir sobre a forma mais autêntica de conhecer uma cidade, no que respeita à mobilidade. Cada cidade tem disponível um leque mais ou menos variado de meios de transporte e vias de comunicação. Na escolha dos consumidores pesam diversos factores como a proximidade, rapidez, preço e comodidade. Poucas vezes atentamos ao prazer da viagem e a tudo o que podemos desfrutar com a mesma.
Com 300 km de ciclovias e uma alargada rede de bicicletas partilhadas, a capital magiar coloca ao dispor de habitantes e turistas, uma muito importante forma de mobilidade. Este incremento da bicicleta na cidade, é recente, e simultâneo ao grande crescimento do número de visitantes. Existe um visível ensejo político na promoção desta forma de mobilidade, a comprovar pela existência de estruturas adequadas e pela equilibrada partilha do espaço público entre peões, ciclistas e automobilistas.
Mas então o que traz vantagem à bicicleta relativamente a outras formas de mobilidade, no que diz respeito ao conhecimento das dimensões de uma cidade?
Sentados no selim, os nossos roteiros são sempre únicos e muito mais determinados pela nossa vontade do que por roteiros rígidos e padronizados. A aproximação, quer às pessoas, quer ao ambiente circundante acarreta uma humanização muito superior aos transportes motorizados, e permite sentir o verdadeiro pulsar de uma cidade.
Entusiasma-me, o facto de terminada a nossa viagem, a bicicultura permitir transportar as dimensões referidas para a nossa cidade, possibilitando redescobrir a região onde vivemos. Podemos desta forma, substituir o ar condicionado das rotineiras viagens de automóvel, pelo ar fresco que nos toca na face como uma lufada de ar fresco diária.
De Budapeste para Braga existem diversas diferenças, com especial relevância para as condições de segurança proporcionadas aos ciclistas. Convido, portanto, todos os leitores a “sair da caixa” e a sermos eternos turistas do nosso território.
by Braga Ciclável | Jan 4, 2020 | Comunicado
A Braga Ciclável fez chegar ao Município de Braga, ao abrigo do período de discussão pública do EMGTMB – Estudo de Mobilidade e Gestão de Tráfego do Município de Braga, um documento com 29 páginas contendo uma análise e algumas propostas relativas ao documento apresentado no passado mês no Museu Dom Diogo de Sousa.
O EMGTB foi contratualizado em 02 de fevereiro de 2018 por 69 mil euros à MPT – Mobilidade e Planeamento do Território e tinha como prazo de execução 365 dias.
Um primeiro reparo ao momento e ao tempo da discussão pública: o mês de dezembro. Um mês curto, com muitas atividades familiares, devido às festas e férias, o que leva a que a participação pública seja escassa e, a que existe, deixará de lado uma análise mais aprofundada que o tema merece.
Ainda assim foi possível apresentar alguma análise e contributos relativos a um documento com quase 500 páginas e que foi disponibilizado 8 dias após a sua apresentação.
Esta análise efetuada por parte da Associação levanta uma série de questões relativas ao conteúdo do documento apresentado. (mais…)
by Luís Tarroso Gomes | Dez 28, 2019 | Opinião
É natural que o leitor não saiba mas está a decorrer até dia 31 o denominado “período de discussão pública” do Plano de Mobilidade de Braga com o propósito, segundo a Câmara, de “promover a recolha de contributos e sugestões, que irão [ser] analisadas com vista à respectiva incorporação no documento”. O trânsito, ou melhor, as dificuldades de mobilidade devem ser das maiores preocupações bracarenses e, seguramente, uma das maiores razões de queixa em conversas privadas, no café ou nas redes sociais. E, apesar dessa importância nas nossas vidas, ninguém parece interessado ou sequer informado sobre a elaboração do tal plano e, ainda menos, da sua discussão pública. Terão os cidadãos razão para estarem alheados de tão importante plano?
(mais…)
by Sara da Costa | Dez 14, 2019 | Opinião
Políticas urbanas, existência de vias cicláveis, medidas de acalmia do trânsito, estacionamento de bicicletas na cidade, incentivos, integração com outros meios de transporte, utilização da bicicleta em contexto escolar, clima, topografia e mentalidades, estes são alguns dos fatores que diversos estudos apontam como influenciadores da utilização da bicicleta nas cidades.
(mais…)